Entre o cavaleiro e o ladrão
4 Capítulo Quatro
Naquela noite, no casarão de Regina...
– Falou com o ladrão?
– O nome dele é Robin. Nós falamos rapidamente e ele deixou claro que pretende retomar nosso amor, de onde paramos quando teve de partir.
Vasco continua brincando com a filha e não levanta o rosto para encarar a esposa. Regina percebe sua contrariedade e decide amenizar o rumo da conversa.
– Antes de aproximar-se de mim, você namorou outra mulher?
– Eu fui criado por você, para amar você da maneira como sempre quis ser amada. Não fui criado para amar mulheres da cidade.
– Nunca tocou em outra mulher, então?
Desta vez, os olhos celestes de Vasco vão fixar-se no rosto da esposa.
– Você realmente acredita que será feliz ao lado do ladrão? – ele se senta na cama. – Aliás, eu deveria perguntar se você é feliz ao meu lado. Já que está questionando a possibilidade de partir, é sinal de que está incompleta.
Regina não responde. Seu coração estava pressionado demais dentro do seu peito para coseguir explicar quais sentimentos estavam lá dentro. Robin existia realmente e a havia conquistado por ser uma pessoa viva, um ser humano de carne e alma. Vasco não existia. Era a concretização do homem de suas fantasias e do seu desejo latente de ser amada sem barreira e sem julgamentos. Mas se Vasco era irreal, como explicar a presença de Yasemine? Como alguém inexistente poderia ter gerado outra vida?
– Pensei e tomei uma decisão, Regina. Não irei entrar numa batalha sem ter a certeza da vitória, porque eu não sou um soldado que confunde teimosia com valentia. Vou analisar toda a situação e caso eu ataque, será para vencer. Porque se eu tiver a certeza de que a batalha será perdida, não vou arriscar o meu arsenal e minha capacidade bélica por nada.
– Não há batalha alguma, Vasco.
– Há sim. A batalha já começou entre seus sentimentos e irá chegar até mim. E quando isso ocorrer, saberei como agir. Até lá, deixo você com sua confusão interna, que é árdua demais para ainda ser fomentada com meus ataques de ciúmes e desejo de posse.
Regina senta-se na cama e acaricia as costas do marido. Como era bonito aquele dali! Tão amável, tão cuidadoso e centrado! Como não poderia amar um homem assim? De fato, ele somente poderia ter saído de algum conto de fadas, para ter um comportamento tão racional e controlado como aquele! Outro homem teria enfrentado Robin e exigido que ele se afastasse, ignorando os sentimentos da mulher envolvida. Mas Vasco não faria isso.
– Sabe que amo você, Vasco...
– Sei que eu amo você, Regina. Caso seja recíproco, ainda não fui informado.
Os trabalhos na prefeitura começaram cedo, naquele dia...
Regina se descontrola quando Robin invade sua sala e vem como um furacão, roubar sua sanidade com aquele beijo inundado de paixão e amor. Ela apenas corresponde. Beijam-se por muito tempo e deixam tudo o que está em volta, ficar sem importância.
Quando se separam, permanecem com as testas coladas e olhando na profundeza do olhar um do outro. Regina decide acabar com aquela tortura e dá alguns passos para trás. Ao voltar-se para contornar a mesa, depara-se com a figura imponente e majestosa de Vasco, parado em pé junto a porta aberta, tendo Yasemine nos braços.
Robin toma a dianteira e fica entre sua amada e o marido dela, seu rival.
– Nós nos amávamos antes de você chegar à vida de Regina! Desde que Regina estava na Floresta Encantada, eu estava destinado a ser o homem dela, porém nossos destinos foram afastados e eu me casei com Maria! – ele exibe a tatuagem no antebraço. – Ela deveria encontrar o homem com o leão tatuado, para conseguir o final feliz no conto! Alguém arrancou a página do livro e o nosso final feliz não aconteceu!
– E por isso você decidiu que o final feliz de vocês, deverá acontecer agora?
Regina aproxima-se do marido e estende os braços para segurar sua filha. Carregando a garota, a prefeita vai sentar-se num dos sofás de seu gabinete.
– Pode parecer crueldade de minha parte, mas não tenho vida longe de Regina! Ela foi enviada a mim pelo destino! – Robin mostra-se desesperado.
Vasco desvia o olhar e o fixa no rosto bonito de sua esposa.
– Você consegue olhar para mim, como olhou para ele após o beijo?
Regina e Vasco entreolham-se.
– Não precisa olhar para mim durante muito tempo. Quero apenas que traga seus olhos para o meu rosto, exatamente como fez com ele. Você consegue?
O olhar de Regina continua preso no rostinho doce de Yasemine. Por um longo tempo, apenas sua respiração é o sinal de que ainda estava viva.
Quando ela levanta os olhos escuros e os direciona para o rosto bonito de seu homem, exibe toda a paixão e amor existente em sua alma louca. Ela conseguiria derreter geleiras com aquele olhar e com o movimento daqueles cílios escuros. O amor existente em seus olhos no momento em que encarava Robin estava presente e vivo naquele instante em que olhava para Vasco.
Robin sente seu peito queimar, como se labaredas de fogo estivessem bailando ali dentro. Descobre que Regina sentia amor, mas não sabia discernir por quem. Regina apenas amava!
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