Entre o cavaleiro e o ladrão
6 Capítulo Seis
Regina invade a própria casa, de maneira desesperada.
Percebendo o que acontecia, Vasco enche seus braços com os corpos de sua esposa e de sua filha. Ele as abraça com ternura e proteção, como era de praxe em seu comportamento. Um pai e um marido extremamente amoroso e singular. Sorri ao reconhecer os próprios méritos.
Ao acordar pela madrugada, Regina busca o corpo do marido ao seu lado na cama e percebe que ele ainda estava ali, adormecido. Ela se senta no colchão e passa a admirar contornos dele, iluminados pela luz que entrava pela janela semiaberta. Por que Robin havia voltado? Seria um teste? Uma provação? Viera apenas para provocar a desestabilização de seu casamento? Ou viera apenas provar que aquele casamento era tão irreal quanto o surgimento de Vasco?
Olhando o homem adormecido, Regina percebe que ele começa a desaparecer diante dos seus olhos, ficando transparente até sumir completamente. Vasco tinha ido embora!
Alucinada, Regina salta da cama e corre gritando até o berço. Olha lá dentro e ainda consegue ver a última imagem de Yasemine, desvanecendo ate desaparecer totalmente. Alucinada, a prefeita tenta correr para fora do quarto, encontrando a porta trancada. Ela esmurra diversas vezes a madeira e grita tirando toda a força de seus pulmões.
Acorda sobressaltada com seu grito e busca oxigênio para acalmar sua respiração. Olha para o lado na cama e o encontra sozinho. Salta da cama e vasculha o berço, totalmente vazio. Sem hesitar, corre para fora do quarto e investiga os outros cômodos da imensa casa, sem obter êxito em sua busca.
Transtornada e chorosa, Regina retorna para o quarto e procura seu celular. Precisava pedir ajuda a quem encontrasse primeiro e enquanto fazia a busca de algum contato, consegue ouvir o som do chuveiro ligado. Por segundos, ela ouve o som da água caindo no chão do box. Está incrédula.
Ao invadir o banheiro, encontra Vasco debaixo do chuveiro banhando-se com a filha nos braços. A menina descansava a cabeça junto ao pescoço do pai e sua expressão era de puro prazer ao receber a água em suas costas.
Regina invade o box e usa os braços como tentáculos para envolver suas peças mais valiosas de seu tesouro. Não queria perder seus dois amores, como havia perdido Henry para Emma. Mesmo o menino afirmando que tinha duas mães, ela sabia que não preenchia o mesmo espaço no coraçãozinho dele e isso não poderia acontecer com sua pequena Yasemine.
Vasco envolve sua esposa mais uma vez naquela prisão protetora de seu abraço e sem dizer palavra alguma atinge o coração de Regina, em sua parte mais profunda e sensível, dizendo que não merecia o tratamento que recebia naqueles dias. O seu olhar apenas pedia amor.
Com a alma dividida e dolorida pela falsa lembrança, Regina não segura o choro e busca abrigo em quem nunca lhe negara conforto.
– Vocês ainda estão aqui...
Um encontro e um acordo de cavalheiros precisa ser feito.
Robin abre a porta de sua nova casa e permite que Vasco entre ali. Ambos encaram-se por vários segundos, até que o visitante esboça o interesse para dialogar.
– Regina ainda mantém o amor por você dentro do coração, porém, não conseguirá entregá-lo a você, outra vez.
– Por que não? – Robin cruza os braços diante do peito.
– Porque o que você pensa que sente por ela, não é amor. É um sentimento mesquinho e egoísta. Ela o ama, mas você a deseja.
Robin sorri sarcástico.
– Isso é conversa de perdedor, Vasco. Você está apelando!
– Não. Estou afirmando isso com base nas informações que Regina passou. Ela me criou em uma fantasia tão intensa, que de alguma forma eu criei vida e estrutura corpórea.
– Estrutura corpórea? Que conversa é essa?
Vasco sorri sem exibir os dentes e o outro homem tem de admitir que o danado é bonito mesmo!
– Quando Regina fantasiou sobre amante ideal para preencher o imenso vazio naquele coração negro, reuniu o que mais admirava em todos os homens da vida dela. Amigos e inimigos. No entanto, entre os oito homens imaginados, você não estava presente.
– O que significa?
– Significa que Regina arrancou literalmente a parte do coração e da mente, onde você residia.
Robin não responde. Apenas tenta digerir as palavras de seu rival cínico e falsamente cortês.
– Você é doente, amigo! Não entendi o motivo de sua visita, já que não veio para lutar comigo!
– Lutar? Penso que valorizei demais meu adversário e agora percebo que não devo desperdiçar meu arsenal com armaduras vazias. Você está mendigando amor e isso é patético! Por sua fragilidade, darei espaço no campo para que avance com suas tropas. – Vasco empurra o peito de Robin. – Você tem um mês para convencer Regina a aceitá-lo.
Robin devolve o empurrão.
– Vou reconquistar o amor de Regina, porque sou feito de carne e osso! Eu existo, eu tenho uma história e tenho memórias disso! Regina merece um homem que não tenha nascido da página de um livro de romance açucarado, amigo! Em três dias, você estará fora!
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