Entre o cavaleiro e o ladrão
12 Capítulo Doze
Robin segura o braço de Marian e a conduz para fora da casa, onde ela morava com Roland.
– Regina contou-me que o veneno era para ela! Por que fez isso?
Marian movimenta o braço com força e foge ao toque. Sorri furiosa.
– Você realmente pensou que eu aceitaria o final feliz escrito por você e Regina? Iriam abandonar a mim, Roland e Vasco para viverem um amor de adolescentes! Ora, Robin, olhe para as rugas em seu rosto! Você não é um menino apaixonado!
– Onde você deixou Yasemine e Roland? – ele olha para os lados.
– Meu filho está comigo e a menina está aos cuidados da enteada de sua amante. Era obvio que sua bruxa não permitiria que eu continuasse tomando o lugar de mãe. – Marian mostra-se tranquila.
– Vou levar Roland!
– Dê mais um passo e eu matarei você. O menino vai ficar onde está! Trate de ajudar a sua amante, porque ela está precisando mais de ajuda do que meu filho.
Robin tenta controlar a respiração ofegante.
– O que você pôs na bebida?
– Algo para que você e Regina dormissem. Como não há mais ninguém que os ame verdadeiramente, dormiriam por longos e longos anos. Lamento apenas que Vasco tenha sido tão impulsivo e impedido que os amantes adormecessem.
Incrédulo, Robin anda de um lado ao outro. Volta-se para Marian.
– Vasco poderá morrer!
– Então, eu sugiro que use toda a sua grande honra e saia em busca de um antídoto! Porque o beijo do verdadeiro amor jamais poderá ser dado para despertá-lo. Quem o ama? Regina? Eu? Alguma mulher nesta cidade? Algum homem? Ah, sim! Tem a pequena Yasemine, que sequer sabe ainda o que significa amor.
– Está sendo cruel! – Robin segura novamente o braço de Marian e ela o empurra com força.
– Eu nunca o liberei de nosso casamento. Apenas disse que ficaria a cargo de sua consciência, continuar conosco ou não. Você entendeu como quis! Caso Vasco morra, os amantes estarão livres para viverem juntos. Mas sempre que olharem para Yasemine, saberão o que pai dela foi afastado para que vocês vivessem o que pensavam ser amor. O que dirão a ela? Dirão que a esposa legítima do amante da rainha, vingou-se matando o inocente Vasco?
Robin permanece calado e pensativo.
Os dias continuam sua trajetória indiferente aos sentimentos das pessoas.
Todos os dias, antes e depois do trabalho, Regina visitava o marido e organiza o quarto do hospital. Sabia que quando ele despertasse, certamente reclamaria se encontrasse algo desentoando com a arrumação do local.
Seu coração estava apertado, dolorido e sua mente confusa. Havia pesquisado a existência de algum antídoto que não fosse o beijo do verdadeiro amor, para despertar aquele inocente. Ela sabia que seus lábios não seriam fortes o suficiente para transmitir um sentimento tão valioso que pudesse salvá-lo.
Uma semana que Vasco dormia profundamente. E o que esmagava a alma de Regina era a certeza de que ele estava preso em algum pesadelo, que poderia ser infinito se não fosse feito algo com rapidez.
Numa tarde após o serviço, Regina depara-se com Marian e Roland dentro do quarto. O menino estava sentado na cama, próximo às pernas de Vasco, lendo um livro com muitas figuras e letras grandes.
Regina fica estática.
– O le...leão...ficou...na rede e...não podia ...sair. Lutou e lu...tou. O ra...ti...nho viu o le..ão e roeu e cor...da. Roeu a corda. – Roland exibe um lindo sorriso e forma covinhas nas bochechas. – O ratinho viu o leão e roeu a corda!
Aproximando-se da cama do marido, Regina recebe dois pares de olhos castanhos em sua direção. Rolando fecha o livro e sorri ainda mais.
– Olá, Regina! Pedi para minha mãe me deixar ler para o Vasco. Foi ele quem ensinou minha mãe e eu a ler as letrinhas.
– Vasco é um homem com coração bom.
– É lamentável que não reconheceram isso a tempo. – resmunga Marian.
– Por que está escondendo a resposta para minha pergunta. – rosna Regina.
– Você sabe a resposta, bruxa. O beijo salvará Vasco, mas quem o ama verdadeiramente e conscientemente?
Roland olha as duas mulheres e desmancha o sorriso. Detestava quando os adultos brigavam.
– Vamos embora, filho. Voltaremos outro dia para que termine a história para Vasco. Ele vai adorar conhecer o final feliz do livro. – ironiza Marian, saindo do local.
Regina caminha para um pequeno sofá e senta-se ali. Fixa seus olhos e toda sua atenção no homem adormecido e totalmente indefeso em uma luta dentro de algum pesadelo.
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