– Sinto muito, Regina, mas faz dois dias que Marian e Roland foram embora. Pelo que entendi, foram de volta para Nova Iorque, agora que já conhecem a cidade. Certamente, Vasco não os deixaria desamparados, porque estava se comportando como o pai do menino, antes do acidente. – diz a viúva Lucas.

– Essa opinião é perfeitamente dispensável, senhora. – Regina não perde a chance de ser rude e antipática com quem avançava seus limites. – Você sabe com quem Marian relacionava-se?

– Não.

– Ótimo! Já que ela não pediu ajuda ao Rumple, a quem pediria?

As duas encaram-se por alguns segundos. Pensam.

– Para as fadas! – elas falam ao mesmo tempo.

Um tempo depois...

– Eu fiz a poção para Marian usar nela mesma. Ela se sentia desprezada e abandonada por Robin e não era justo que continuasse sofrendo daquele modo. – a Madre Superiora mostra-se tranquila e fala firme. – Você estava com Vasco e queria Robin como amante ou sei lá o que. Já Marian, ficaria sozinha, sem apoio e sem profissão. É justo?

– Então não sabia os planos reais dela?

– Não, Regina. Fui informada sobre o desespero dela, o estado depressivo e resolvi ajudar. Quando Roland tivesse maior discernimento, viria despertar a mãe daquele sono e poderia ajudá-la a seguir a vida.

– Por que acrescentou ingredientes para que acontecesse a amnésia.

– Porque era o justo com Marian. Ela não merecia passar por este tipo de sofrimento. Foi presa, condenada à morte, Robin não a procurou e decretou a morte dela em sua vida e na vida de Roland e pela segunda vez a abandona. O que esperar da vida?

Regina afasta os cabelos de sua testa e inspira profundamente.

– Por isso condenou um inocente à escuridão?

– Vasco não foi condenado por você, anteriormente? – a Madre sorri. – Além disso, ele não está na escuridão. Ele se lembra de todos, exceto de você.

– Ele sabe que ama uma mulher, mas não sabe que a mulher sou eu.

A Madre continua sorrindo.

– E agora, você foi informada pelo seu coração, de que ele é o seu amor verdadeiro. Não precisa de poções, Regina. Use apenas o amor que está em sua alma. Reconquiste seu marido!

Pouco antes de sair para seu almoço, Vasco é informado de que precisa atender a um chamado. Por minutos conversa com alguém.

– Quando fechou o contrato comigo, sabia de meus melindres e exigências. Tudo ficou afirmado no cartório. Caso isso não seja cumprido, meu amigo, comece a rezar! – Vasco desliga o telefone e alarga o sorriso ao ver Regina entrar no escritório carregando Yasemine, também sorridente. Ele se apressa em receber aquela mulher que se atrevia a invadir seus sentidos, apenas com seu perfume. Apanha a filha e a aconchega num abraço. – O que houve? Que visão linda!

– É minha hora de almoço, passei em casa e peguei Yasemine com a babá para visitarmos o papai! – Regina derrete o último pedaço de muro de gelo que envolvia o coração de Vasco, com um simples sorriso.

– Fez bem. É bom ser visitado por duas mulheres tão belas!

Regina se aproxima do marido e acaricia o queixo dele. Atrevido com tanta beleza!

– Você é caprichoso com sua barba. Adoro homens zelosos com seu corpo.

Afastando-se da mulher, ele vai se sentar no sofá no canto do escritório. Ajeita a filha nas pernas e brinca com suas mãozinhas.

– Gostaria que víssemos juntos o nosso álbum de casamento. Eu o trouxe comigo.

– Eu já vi este álbum várias vezes depois que saí do hospital. Eu vejo nós dois numa cerimônia privada e estávamos sorridentes. Estávamos lindos, os dois vestidos de branco. Sei que estamos casados, Regina, mas não me recordo quando isso aconteceu.

– Foi uma cerimônia simples. Não quisemos alarde algum.

– Não quero ser rude, Regina, mas não tenho lembranças que envolvam nós dois. – ele mantém os olhos fixos nas mãozinhas da filha. – Penso que meu amor pela minha primeira esposa me impede de recordar...

Ele levanta os olhos e encara Regina.

– Quem é a minha primeira esposa? Quem é a mulher que eu amo?

– Eu sou sua única e primeira esposa. Sou a mulher que você ama, Vasco. Acredite em mim.

Ele nega com a cabeça.

– Você é a mulher que meu corpo deseja. Mas não é a mulher que eu amo. O que está escondendo de mim?

Regina respira fundo e tenta buscar sapiência para lidar com aquela situação.

– Tudo bem, Vasco. Depois do jantar, conversaremos e sanarei as suas dúvidas. Prometo que o ajudarei a recordar as suas lembranças.

Depois de pôr as louças do jantar na máquina, Regina dirige-se para o quarto onde Vasco estava dormindo com a filha, desde que decidiram separar seus corpos no casamento.

Enquanto subia a escada, tentava convencer a si mesma de que poderia criar alguma história convincente sobre o período de escuridão na mente de Vasco. Ela o havia criado em suas fantasias, então, poderia criar momentos que enchessem o vazio provocado pela nova poção do sono. Ah, poçãozinha miserável!

Ao abrir a porta do quarto onde era esperada, ela encontra Vasco olhando-se num espelho grande, visualizando seu corpo inteiro. E o homem estava despido.

– Desculpe-me pela invasão... — ela sorri.

Ele a olha por cima do ombro e exibe uma expressão cínica.

– Quer que eu tire o relógio?

Relógio? Que relógio? Há algum relógio? Aliás, o que é relógio?

Horas mais tarde, Regina acaricia os cabelos do marido. Ele, deitado sobre os seios dela, ronronava como se fosse um gatinho adormecido.

Regina não conseguia conter a felicidade e depositava toda sua fé na recuperação da parte da memória que faltava a Vasco. Esperava ansiosamente que depois daquele encontro absolutamente sensual e romântico, as informações adormecidas fossem resurgir fortes.

Quando Vasco desperta, percebe-se sobre montes macios, perfumados e bom de serem tocados e admirados. Deposita inúmeros beijos na pele da esposa, até encontrar seus lábios e exigir novos encontros com sua boca.

– Você é macia, exuberante e bela demais para ser verdadeira. – ele fala com os lábios colados ao de Regina. – Eu não pude conter o meu desejo por você.

– Somos casados...

– Mas não nos amamos, minha querida Regina. Você ama Robin e eu amo uma mulher desconhecida.

Regina segura firmemente os ombros do homem e não permite que ele se afaste.

– Não amo Robin e não irei abandonar você e nossa filha...

Suave e delicado, ele se movimenta e senta-se na cama.

– Não me sinto bem quando chama Yasemine de “nossa filha”. Eu entendo que você a ame, mas ela é apenas minha filha.

Cautelosa e gentil, Regina senta-se e apoia sua mão na nuca de Vasco. Beija-lhe os lábios outra vez e sorri para conquistar ainda mais sua confiança.