Entre o cavaleiro e o ladrão
19 Capítulo Dezenove
Mesmo contrariado, Vasco permite que a babysiter leve Yasemine para a primeira mamadeira do dia. Era uma tarefa que ele costumava fazer sentindo muito prazer e a presença daquela desconhecida estava perturbando sua alma.
Depois de banhado e já vestido para seu dia de trabalho, ele gasta algum tempo na escolha dos acessórios para complementar sua elegância e beleza. Mas em meio aos relógios, ele encontra um papel branco dobrado em quatro partes. Era um bilhete.
“O mundo tem três oceanos, sete mares, cinco continentes, 510 milhões de km² de terra e ainda assim, consegui achar alguém tão especial como você!”
Sorridente e encantado com a pequena surpresa, ele termina sua tarefa e dirige-se para começar seu cotidiano. Ao abrir a porta do carro, encontra sobre o banco do motorista outro bilhete colocado propositalmente ali.
“Caso um dia os seus motivos para sorrir acabarem, avise-me que eu lhe darei os meus.”
Envaidecido com aquela situação nova para ele,Vasco não consegue mais conter o sorriso. Era involuntário e surgia mesmo que ele não percebesse. Era adorável receber o carinho daquela mulher de olhos perversos e lindos, mesmo que todo o amor que latejava em seu peito, não pertencesse a ela.
Ao entrar no escritório, Vasco gargalha. Sobre sua mesa, um vaso com lírios dava boas vindas. A curiosidade é maior do que sua força de vontade. Abre o envelope e lê o cartão.
“Você merece alguém insanamente, inexplicavelmente, perfeitamente e completamente apaixonada por você. Abra seus olhos, esse alguém sou eu.”
Vasco sente o rosto queimar. Seu coração dança dentro do seu peito e ele usa a mão espalmada para tentar conter aquela dança frenética. O que estava acontecendo? Simples palavras estavam sendo capazes de levá-lo ao questionamento sobre aquela mulher desconhecida que afirmava ser sua atual esposa! Será que ele estava sentindo desejo em trair o amor sentido pela sua primeira esposa? Onde ela estava que não retornava para seus braços e acabava com aquela confusão em sua alma?
Mas a mera visão do nome de Regina assinado nos bilhetes, arrancava os sorrisos mais largos e mais bonitos de seus lábios. Eram sorrisos involuntários e quase histéricos.
Durante a hora do almoço, uma áudio mensagem é enviada para ser representada dentro da lanchonete da viúva Lucas. Toma a todos de surpresa e enrubesce Vasco diante dos frequentadores do local.
“Quando mais nada existir, existirá o amor. O amor é o primeiro e o último e está acima de tudo. As pétalas de minha cama tornaram-se rosas para você.”
Vasco entra em sua casa e encontra a esposa lendo algumas anotações em seu notebook.
– O que você está tentando fazer com isso?
Regina sorri e consegue derrubar o último pilar de sustentação da resistência do homem.
– Eu amo você, Vasco. Tudo o que quero é convencê-lo disso.
– Eu tenho conhecimento disso. Sei que você me ama e tenho noção disso. O que ocorre é minha dúvida sobre meus sentimentos. – ele se senta ao lado de Regina. – Você é maravilhosa e perfeita, mas não é perfeita para mim. Pode parecer arrogância, porém, não posso lutar contra o que sinto pela mulher com quem me casei.
– Você se casou comigo, amor. Eu lhe expliquei que a Regina com quem se casou, não existe mais. Eu sou uma nova pessoa e melhorei porque o amor transformou minha índole.
– Não estou com má vontade, esposa. Apenas não amo você.
Vasco levanta-se e desaparece do campo de visão de Regina.
O peito dela queima pela raiva de sua impotência. Desde que se tornara aluna de Rumple, estava acostumada a usar truques pouco ortodoxos para resolver seus problemas. Agora estava muito difícil resolver aquela situação usando argumentos e atitudes plenamente humanas.
Perdida em seus pensamentos, não percebe a aproximação de Mary. Apenas desperta quando a enteada toca-lhe o ombro.
– Chamei, ninguém respondeu e resolvi entrar porque a porta estava aberta. Como você está?
– Perdida. Preciso convencer Vasco de sofri uma mudança após aquele acontecimento. Eu não sei o que fazer para provar o quanto o amo!
– Precisa fazer com que ele sinta falta de você, Regina.
A prefeita acha graça.
– Ele está pedindo o divórcio, Mary! Acha que ele sentiria a minha falta?
Desta vez, quem ri é Mary. Ela se inclina para próximo à madrasta.
– Toda mulher sabe fazer o seu homem sentir a falta da presença dela. E você é uma mulher com dotes bons o suficiente para viciar Vasco, sem precisar de palavras.
As duas riem maliciosas.
– Marque toda a casa com a sua presença, como fazem os lobos. Seja ousada e atrevida, além de confiante em seu poder de persuasão. Nessa batalha não será preciso usar truques mágicos ou poções. – Mary empertiga-se e dirige-se para a porta. – A única poção necessária é um perfume mercante.
– Perfume?
– Regina, perfume-se onde quer ser beijada.
A prefeita enrubesce e começa a rir. Aquilo havia vindo da pudica Mary?
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