Sabe, eu odiava quase tudo nessa cidade. O clima, o colégio, as pessoas, meus pais. Quase não tinha exceções.

— Charlotte, anda. Vamos treinar. _ Me virei encarando o homem branco e forte a minha frente.

— Eu também odeio você. _ Peguei minha luva na comoda e sai do quarto passando por ele.

— O que? _ Ele falou andando atrás de mim. Passei pelo corredor enorme da nossa casa e desci as escadas.

Meu pai estava sentando a mesa contando um monte enorme de dinheiro.

— Quero ir embora. _ Parei ao lado dele e cruzei ao lado dele.

— Acabou de chegar. _ Ele nem desviou o olhar do dinheiro.

— Eu detesto esse lugar.

— Não te perguntei Charlotte, vai treinar.

Me virei olhando Pietro, um homem de uns quase 30 anos, alto e muito forte. Tinha muito cabelo, sempre juntava tudo em um coque. Lilith mandou ele direto do inferno para treinar eu e minha irmã.

— Eu vou acabar com você. _ Caminhei passando por ele na porta, até uma quadra totalmente fechada que ficava escondida atrás do jardim. Era lá que treinavamos.

Entrei na quadra e me virei de frente para Pietro que estava parado me olhando.

— O que? Não vai vir pra eu poder bater em você? _ Levantei uma das sobrancelhas.

— Seu pai não liga para o que pensa, você tem 16 anos. Não sabe nem o que quer comer.

Respirei fundo.

— Eu também não ligo para o que vocês acham.

Ele se aproximou e colocou a luva nas mãos dele.

O cumprimentei antes de começar a lutar.

Dei uns dois socos, ele colocou o antebraço na frente para tampar o rosto. Chutei as pernas dele o que fez ele se desequilibrar e quase cair para trás. Mas ele se recompôs e veio para cima. Me deu dois chutes me fazendo ir para trás, depois dois socos, eu defendi e depois outro que não consegui defender. Então me desequilibrei e cai no chão. Ele deu dois passos para trás se afastando. Me levantei, pude sentir o poder passando pelo meu corpo como uma eletricidade, então meus olhos ficaram totalmente pretos.

— Sem poderes Charlotte, precisa se controlar.

Eu não conseguia controlar, eu estava com tanta raiva, que não conseguia. Eu ja tinha visto isso acontecer antes em Veneza, matei duas pessoas.

— Pietro sai. Era a voz da Lilith. _Pietro se afastou de mim e saiu o mais rápido que conseguiu.

— Calma bonequinha, porque está tão nervosa. _ Lilith se aproximou de mim. A cada passo que ela dava para frente era como se meu corpo relaxasse mais e mais. Então consegui me controlar.

— Você é muito forte, não pode sair matando todo mundo.

— Não conte ao meu pai, ele vai me trancar no meu quarto.

— Não vou.

— Querida, eu vou treinar você em segredo ok? _ Ela passou os dedos largos pelo meu cabelo.

— Charlotte. _ Olhei para o lado meu pai estava na porta.

— Pietro disse que Lilith estava aqui.

Olhei para o lado, ela não estava mais lá. Olhei em volta e não a vi.

— Não tem ninguém aqui. _ Sai andando e passei por ele.

Passei pelo jardim e entrei dentro de casa, Catherine estava sorrindo igual a uma boba pro celular sentada no sofá.

— Eu espero que esteja pedindo pizza com essa cara. _ Ela levantou o olhar me encarando.

— Não, estou decidindo se vou a uma festa.

Cruzei o braço e revirei os olhos.

— Boa sorte.

— Vai comigo, esteja pronta as 20 horas.

— Eu não...

— Sim. _ Ela se levantou do sofá e saiu andando.

— Tá, não tem mais nada pra fazer nessa merda de cidade mesmo. _ falei sozinha.

Subi as escadas, entrei no meu lindo quarto rosa que tinha a mesma decoração desde que eu tinha quatro anos.

Entrei para o banheiro. Tomei um banho demorado. Terminei. Coloquei uma saia de couro preta e uma blusa jeans. Junto a um salto de botinha preta.

— Vamos sua enrolada. _ Minha irmã já estava gritando.

Peguei minha bolsa e desci correndo. Ela estava dentro do carro. Abri a porta e entrei.

— Onde é?

— Na fazenda dos gêmeos.

— Miguel e Charlie?

— Conhece eles? _ Ela ligou o carro e acelerou.

— Ouvi bastante dos dois no colégio.

Ela riu.

— Não conheço o Charlie, mas o Miguel é um babaca.

— Sei.

Encarei ela, e pela cara dela ela não achava ele um babaca.

Ri baixo, sozinha.

— tá rindo do que?

— Eu? Nem to rindo.

Logo chegamos a fazenda dos Seth Clair. A casa era enorme, mas tinha tanta gente nela que parecia minuscula.

Catherine desceu do carro e eu só a segui. Ela passou pela sala desviando de muita gente. Subiu as escadas, até parecia que sabia onde estava indo. Ela abriu a porta de um dos quartos do corredor. Miguel estava sentado olhando pela janela. Fiquei parada na porta, olhando os dois. Então ele nos cumprimentou e descemos juntos.

Ela ficou dizendo alguma coisa sobre ele ser babaca e ele sobre paixão. Esses dois estava começando a fazer com que eu me arrependesse de ter vindo. Sentamos no sofá da sala. Os dois conversavam. Mas o som setava alto que nem consegui acompanhar a conversa.

Estava olhando em volta quando vi Charlie se aproximando, junto com uma garota bonita do cabelo enrolado e um garoto moreno, bonito.

— Esse é Charlie, Tyler e a garota que não sei o nome. _ Miguel os apresentou.

— Suzana, pensei que soubesse. _ Charlie disse, ele não estava com uma cara muito boa, parecia nervoso com alguma coisa.

— Essas Catherine e Charlotte. _ Olhei para o Miguel, ele estava olhando a garota morena e sexy que estava na nossa frente. Tão descarado, minha irmã estava aqui por causa dele e ele nem disfarçava.

Então minha irmã percebeu o que eu também tinha percebido e se levantou e foi até o bar. Miguel se levantou também e me encarou.

— Vai lá. _ acenei com a cabeça para ele e ele foi me deixando sozinha com os três estranhos.

— Parabéns Charlie. _ Me levantei do sofá, ele estava me encarando.

— Obrigado. _ Passei por ele e me virei encarando-o.

— Eu não queria estar aqui, então estou indo. Quando minha irmã se recuperar o coma alcolico dela me liga pra eu poder vir busca-la. _ Ele sorriu e levantou uma sobrancelha.

— Me da seu celular. _ Abri minha bolsa e entreguei o celular para ele e depois de poucos segundos ele me entregou.

— Não quero seu número. _ Guardei meu celular na minha bolsa novamente.

— Querida, acredite vai querer o número dele. _ Olhei para a outra menina ao lado dele. Eu conhecia esse tipo de garota

— Não, eu não quero. Porque conheço pessoas como ele e como você também. _ revirei os olhos.

— Conhece pessoas como eu?

— Sim, safadas, fúteis e que fazem de tudo pra chamar a atenção. _ levantei uma das sobrancelhas a encarando. Ia me virar para ir embora mas decidi ficar.

— Olha, eu não te conheço, não sei quem é você. Mas aquela garota ali é minha irmã. E parece que ela sente alguma coisa por ele. Se você se meter entre isso. Eu acabo com você. _ Ela revirou os olhos.

— Você que não sabe quem é sou garota, se soubesse ficava quietinha no seu canto. _ Ela disse em tom provocativo.

Eu ri de lado.

— Recado está dado querida. _ Me virei e sai de perto deles. Fui até o bar e peguei uma bebida e sai para fora da casa, passei pela piscina e pelo jardim até o nosso carro que estava estacionado.

— Ei não pode ir. _ Olhei para trás era o Charlie.

— Vai me prender agora? _ Virei para trás e encostei na porta do carro.

— Não, mas é meu aniversario e eu estou pedindo pra que fique.

— Não vou ficar, desculpe. _ Me virei abrindo a porta do carro e entrando.

— Foi um prazer conhecer você Charlie.

— Você é mais interessante do que imaginei.

— Não perguntei. _ Fechei a porta do carro e acelerei, siando dali. Fui direto para casa.

A casa estava quieta então eu só entrei e fui para meu quarto dormir.