Entre o amor e a guerra

1 História de amor


Notas iniciais
Boa leitura!

Cá estava eu novamente, perdido em pensamentos, segurando uma taça de vinho. A chuva caía fria, o céu estava cinzento e nada do sol aparecer hoje, mas eu prefiro assim. Os dias assim se pereciam comigo, frios e fechados.

Eram tempos confusos, de medo e incerteza. Já haviam se passado 242 anos desde a última guerra, faltavam poucas semanas para que o selo se rompesse completamente. Eu já tinha perdido noção do tempo ou de quantas guerras já haviam acontecido. Eu me aborrecia a cada vitória de Atena, não apenas por acabar selado durante 243 anos, mas pela perda de meus espectros. Sentia um medo crescente um meu coração, de que um dia aqueles cavaleiros chegariam até os gêmeos e me apresentariam o corpo de Hypnos. Tenho vontade de morrer só de pensar nessa possibilidade.

Recostei-me na cadeira e fechei os olhos, tentando me livrar de tal pensamento.

– Lorde Hades? – reconheci a voz de Minos.

Continuei em silêncio, ele puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado. Era com ele que eu podia ter as conversas mais francas e ele comigo. Eu sabia de seu amor pelo cavaleiro de peixes, não era certo, mas quem disse que o amor deveria ser?

Esse era meu lado que apena o juiz conhecia, a verdade é que eu amava e tinha medo, medo de não ser correspondido e até mesmo de ser, e acabar perdendo-o. Eu acabava sendo até egoísta por pensar desse jeito, mas não conseguia evitar.

Suspirei e abri os olhos – Olá Minos.

– Estou atrapalhando? – perguntou. Eu o olhei.

– De certa forma... – respondi com certa frieza. – Mas fique. – peguei duas taças de vinho e a enchi sem a menor cerimônia. Era melhor ter uma companhia.

– Obrigado – falou, tomando um gole – O senhor não está bem, o que houve?

Respirei fundo e desviei o olhar para a chuva lá fora, talvez aquilo fosse o reflexo do estado da minha alma. Tinha um mau pressentimento sobre essa nova guerra santa, eu só não sabia explicar o porquê.

– É sobre Hypnos outra vez. – aquilo não foi uma pergunta. Minos sabia muito bem que a única coisa que me deixava daquele jeito, era pensar sobre ele.

– Sim – respondi, deixando a taça em cima da mesa e me levantando, ficando de costas para o juiz.

– O que te preocupa senhor?

Demorei um pouco para responder, estava ocupado engolindo as lágrimas – Eu não sei Minos. No momento tudo me preocupa.

O juiz ficou em silêncio. Ambos ficamos por um longo tempo.

– Como vão as coisas com Albafica? – perguntei ainda olhando para a janela.

Ele suspirou – escondidas – riu – como sempre...

“Ao menos estão juntos” pensei.


And I'd give up forever to touch you

(E eu desistiria da eternidade par ate tocar)

'Cause I know that you feel me somehow

(Porque eu sei que você me sente de alguma maneira)

You're the closest to heaven that I'll ever be

(Você é o mais perto do paraíso que eu estarei)

And I don't want to go home right now

(Eu não quero ir pra casa agora)

And all I can taste is this moment

(E tudo o que posso sentir é este momento)

And all I can breathe is your life

(E tudo o que eu posso respirar é a sua vida)

And sooner or later it's over

(E cedo ou tarde irá acabar)

I just don't want to miss you tonight

(Eu só não quero ficar sem você essa noite)


Já era quase noite e aquela chuva não cedia. A conversa com Minos não foi longe, afinal ele tinha suas obrigações a cumprir.

Acabei largado debaixo do chuveiro, tentando fazer escorrer para o ralo aquele sentimento que cedo ou tarde me mataria. Mas a única coisa que escorreu foram lágrimas.

Joguei-me na cama sem me dar ao trabalho de vestir algo. Ah... É uma imagem realmente fascinante... O deus do submundo, o terror dos vivos, largado numa cama, nu, mais acabado que... Ah nem sei, estou tão acabado que não consigo pensar. Enfiei o rosto num travesseiro, podia sufocar ali... Se morresse apenas aquela sensação de inutilidade, eu ficaria feliz. Podia sufocar a guerra santa também, ajudaria. Eu não queria aquela maldita guerra, não que eu me importasse com os cavaleiros ou os humanos, acabar com eles de uma vez seria menos doloroso, para mim é claro, nada de baixas e nada desse maldito medo de perdê-lo.

Estava bastante frio, meu corpo estava arrepiado, mas eu não estava disposto a levantar e vestir algo. Senti um leve tecido tocar-me a pele, cobrindo-me, era quente. Virei para olhar quem tinha tido a ousadia de entrar em meus aposentos sem meu consentimento.

Se meu corpo não estava gelado o suficiente, acabara de ficar. Até mesmo minha respiração parou, ao vê-lo me olhando e sem o habitual manto que cobria seu peito. De certo eu estava bem vermelho e ele notou, pois sorriu.

– O senhor não parece nada bem – falou, sentando-se na beira da cama.

– Estou ótimo. – Menti. Sentei-me na cama. Provavelmente a mentira mais mal contada da minha existência. Além de não conseguir encará-lo, meus olhos estavam inchados e vermelhos.

– Tente algo mais convincente – disse erguendo meu queixo para que o olhasse.

Engoli em seco. Que diabos ele estava fazendo?

Puxou a coberta que estava ao pé da cama e me cobriu. Seu manto estava jogado de lado e eu nem tinha percebido.

Inútil e lerdo. Que raios havia sobrado do imperador do inferno em mim?

Ele suspirou e levantou-se, vestindo o manto.

– Bem... Vejo que está ocupado com pensamentos... Vou deixá-lo em paz.

– Não! – segurei em seu braço por puro impulso.

Por um equívoco, me deparei com aqueles olhos dourados e naquele momento, ele arrancou toda a verdade de mim. Voltou a se sentar, dessa vez mais perto, soltei-o. Ele me olhava e tudo que consegui fazer foi baixar o olhar. Segurou meu rosto com as duas mãos, erguendo-o tão perto do seu que eu podia sentir sua respiração, a minha se acelerou.

– Até quando acha que vai esconder isso de mim? – perguntou num sussurro.

Fechei os olhos. Ele não devia saber, não podia. Porque isso nos levaria a ruína.


And I don't want the world to see me

(E eu não quero que o mundo me veja)

'Cause I don't think that they'd understand

(Porque eu não acho que eles são capazes de entender)

When everything's made to be broken

(Quando tudo é feito pra não durar)

I just want you to know who I am

(Eu só quero que você saiba quem eu sou)


Olhei-o, as lágrimas cobriam boa parte de minha visão. Escorreram, tomando conta de meu rosto.

– Não sabe o medo que tenho de perdê-lo – falei olhando em seus olhos. Pude ver um meio sorriso se formar.

– Mas se nunca me deu a chance de ser seu... Por que tem medo? – perguntou secando as lágrimas em meu rosto.

Aquelas palavras me fizeram sentir algo que eu nunca havia sentido e que, de certo, não esqueceria tão facilmente. Eu não tinha uma resposta para dar. E ele não exigiu uma... Passou a mão por meu pescoço juntando nossos lábios no que pareceu um beijo eterno.

Veja aonde chegamos... Não havia absolutamente nada cobrindo meu corpo dor debaixo do cobertor e não era muito diferente com ele que estava de calça, mas com o manto aberto mostrando o peito. Ele sabia o que eu sentia e agora eu sabia que era recíproco. Não havia mais motivos para negar o que eu queria.

Entreguei-me e não me arrependi nem por um segundo. Minha felicidade foi maior ainda quando acordei no dia seguinte e ele estava deitado ao meu lado. Acabando com todas as inseguranças e medos.

Em uma coisa eu estava errado... Meus sentimentos não foram minha ruína ou a dele e sim a guerra.


Aquela era a última coisa que eu podia me lembrar. A vida me deixaria em breve.

Notas finais
E aí, gostaram? A história é curtinha, afinal é uma ideia muito antiga, eu apenas corrigi alguns erros gramaticais e de coesão, mas se era pra ter uma continuação, eu já não me lembro.
Enfim, espero que tenham gostado!
E meus pêsames pelo fandom de SS que morreu :v
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!