Entre o Equinócio e o Solstício

2 Uma garota e seu diário


Notas iniciais
Não se deixem enganar pelo capítulo um tanto infantil, a história não será tão leve. (Peço perdão, eu tentei postar ontem, e achei que tinha postado, mas algo não saiu certo pelo jeito)

Cento e trinta e dois anos depois

Décimo terceiro dia do verão, ano 232

Olá, bem... Eu não sei muito bem como fazer isso, eu também não tenho como apagar o que escrevi. Arrancar uma folha sua no dia em que te ganhei está fora de cogitação. Então eu vou começar de novo.

Olá querido diário... Acho que assim está melhor.

Meu nome é Lili, bem, na verdade é Lilian, mas ninguém me chama assim. Eu tinha treze anos até ontem, o que já deve te fazer saber que hoje foi meu aniversário de quatorze anos. Essa deve ser a terceira ou quarta vez em que eu comemoro um aniversário. Caso você não saiba, aniversário é o dia que nós nascemos. Nós humanos temos o costume de dar presentes às pessoas a cada ano, na data do nascimento, e esse sem sombra de dúvida foi o meu melhor aniversário.

A dona Olívia, a responsável aqui do orfanato, fez um bolo delicioso e me deu um lindo vestido amarelo, meu amigo Noah me deu um livro e as outras crianças todas juntas me deram uma pena com um pote de tinta e você.

Eu nunca havia ganhando tantas coisas na minha vida, eu nem consigo dizer qual eu gostei mais. Pensando bem... Acho que o livro, mas não se ofenda, é que um dia suas folhas vão acabar, a tinta também, a pena vai se desgastar e o vestido ja não vai mais caber, mas se eu cuidar bem do livro, ele ficará comigo para sempre.

Isso sem contar que ele fala sobre as pedras do solstício, mas acho que você não sabe o que elas são não é? Eu vou te contar, mas só um pouquinho, logo, logo a dona Olívia passa mandando apagar as velas.

Há muito tempo atrás, os grandes magos desse mundo juntos de habilidosos ferreiros com habilidades mágicas criaram as pedras do solstício. Elas são extremamente poderosas e podem ser usada de inúmeras maneiras como: poder encantar armas, fazer poções mágicas e remedios, servir de combustível para máquinas.

No livro diz que queimar uma lasca de uma dessas pedras seria o suficiente para acender uma fogueira que duraria uma semana inteira sem que ela apagasse, nem mesmo água poderia apagá-la! Incrível não é mesmo?

Pena que essas pedras são tão raras quanto os magos hoje em dia. Eu nem sei o que faria se um dia eu encontrasse uma. Eu poderia vende-la e então eu seria rica, eu daria uma boa casa para a dona Olívia e também para o Noah, ou então me transformaria numa grande maga, ou encataria uma espada e todos me conheceriam como a cavaleira das chamas, seria incrível não acha?

—Todas as criancinhas apagando já as velas!

Bem que eu te disse não foi? A dona Olívia ja está me mandando para a cama, melhor eu ir logo antes que ela decida pegar você, ou pior, meu livro.

—Lili, hoje é seu aniversário, mas não abuse da minha bondade, vamos, apague essa vela. -disse Olívia que aparentava ter seus quarenta anos. Seu cabelo castanho estava preso em um longo rabo de cavalo que corria pelas suas costas. Ela usava um vestido marrom desgastado que arrastava pelo chão e tinha uma feição amigável.

Tchau diário!

—Já apaguei dona Olívia, Boa noite.

—Boa noite minha princesa.

Décimo quarto dia do verão, ano 232

Olá querido diário, eu sei que soa comum, mas acho que será assim que eu vou começar cada anotação.

Estamos no fim da tarde. Nesse exato momento eu estou sentada na porta do orfanato olhando o Sol se pôr, meu amigo Noah está aqui do meu lado. Já lhe aviso de antemão, caso eu pare de escrever bruscamente é porque ele está querendo bisbilhotar.

Ontem a noite quando as luzes se apagaram eu me dei conta que não lhe contei nada sobre mim. Tive dificuldades em dormir ansiosa para escrever mais em você. Te contar sobre coisas que eu gosto, sobre o lugar onde eu moro, sobre meu melhor amigo Noah... São tantas coisas, mas hoje eu irei lhe contar como eu pareço. Eu nem acredito que não tinha me dado conta que você não tem olhos, e por isso não tem como saber como me pareço.

Bem, é difícil me descrever fisicamente, mas vou me esforçar pra ser o mais detalhista e realista possível. Eu sou ruiva e tenho o cabelo curtinho, eles nem ao menos tocam meu ombro, eu adoraria deixá-lo crescer, mas não é permitido aqui no orfanato. Eu tenho uma coisa chamada de sardas, são espécies de pintas no rosto, elas também dão no corpo, ela serve basicamente para que os outros possam te dar apelidos maldosos. Não sou nem muito alta, nem muito baixa, se bem que sou maior que o Noah, o que o deixa irritado sempre que tocamos no assunto... Essa parte é um tanto embaraçosa de dizer, mas eu lhe prometi detalhes, saiba que se o Noah ao menos ameaçar olhar para cá, nós abortaremos essa parte... Meus... Meus seios ainda não cresceram muito, eu fico encarando eles e é estranho, não são retos, mas não parecem com os seios de outras garotas, parecem apenas que estão inchados... É isso, não acredito que eu disse isso...

—Ei Lili. -disse o rapaz que estava sentado ao seu lado, ele tinha a pele extremamente pálida, os cabelos azulados e quase do mesmo tamanho que os dela, sua feição era calma e aparentava ser um rapaz tímido.

—O que?! -a garota se assustou ao ouvir seu amigo falar com ela jogando seu precioso diário para cima e se afastando do rapaz.

—Você está bem? -perguntou ao ver o susto que a garota tomou. -Você perdeu o pôr-do-sol.

A garota estava tão concentrada no que estava fazendo que nem percebeu quando o Sol se pôs.

—Eu? É c-claro que eu estou... Porque não estaria? -perguntou ela corada. Ela pegou seu diário que havia caído no chão pressionando contra seu peito.

—O que você acha de ir no parque antes da janta? -perguntou Noah, deixando de lado a maneira estranha que Lili estava reagindo.

—Vamos, só deixa eu ir guardar o meu diá...
A garota se pôs de pé para entrar quando algo no céu, que já estava escuro e estrelado, chamou sua atenção.

—Lili? Lili você está me ouvindo?

—Melhor entrarmos, uma forte tempestade se aproxima.

Notas finais
Espero que gostem. Deixem seu comentário para incentivar o autor.