Entre o Equinócio e o Solstício

3 Um visitante em meio a tempestade


Notas iniciais
Então... Nem sei por onde começar, acho que pelo começa da bom... Bem, eu poderia inventar uma desculpa, falar que minha avó morreu, que a internet caiu, que meu cachorro comeu meu PC, mas sendo sincero o que aconteceu foi... Esqueci. Sim, me desculpem, mas eu esqueci completamente. Esse compromisso de publicar capítulos todo sábado ainda é novo, e eu acabei esquecendo. Suplico o vosso perdão, e prometo me esforçar ao máximo para que isso não se repita. Espero que aproveitem o capítulo.

O tempo é realmente algo cruel. Eu ainda me lembro quando comecei a cuidar dessas crianças. Eu era tão mais jovem, tão cheia de vigor, eu acompanhava o ritmo dessas crianças com facilidade. Hoje em dia preciso me sentar de hora em hora.

Algumas delas inclusive eu tive o prazer de ver desde o primeiro ano de vida. Elas crescem rápido, elas aprendem rápido e quando menos se espera elas quem estão cuidando de você.

Meu círculo social é formado por crianças. As vezes eu sinto falta de ter alguém da minha idade para poder conversar, talvez por isso eu tenha adotado esse hábito de falar sozinha. Onde foi mesmo que eu havia te escondido? Aqui!

O orfanato estava totalmente escuro, a única luz estava na cozinha, onde Olívia falava consigo mesma. Ela estava em cima de um banquinho, mas pontas dos pés. Buscava algo no topo de uma espécie de armário. Aparentemente o que ela buscava estava bem lá no fundo. Seu braço e suas pernas se esticavam ao máximo quando finalmente ela alcançou o que procurava.

–Minha velha amiga...

Ela pegou uma garrafa com conteúdo alcoólico. Ao descer do banquinho verificou se nenhuma criança se aproximava. Ela não estava fazendo nada errado, mas buscava se assegurar de que era um bom exemplo para as crianças.

–Ja faz um bom tempo que eu bebi, três meses? Não, acho que quatro. É, quatro. Ainda me lembro daquele dia, também foi a última vez que me encontrei com alguém de minha idade por mera diversão. -Disse ela pegando um copo e enchendo-o sem moderação. -Acho que exagerei um pouco, mas não faz mal, se tivesse colocado pouco eu acabaria enchendo. -Ela levou o copo até a boca e após um curto gole ficou apreciando a sensação de ter o álcool entrando em seu organismo.

Após alguns minutos seu copo ja havia esvaziado e ela estava logo o encheu, quando um alto trovão a assustou fazendo-a soltar um grito.

–Psii! -Falou ela pra si mesma colocando o dedo em sua boca. -Dessa maneira você vai acordar as crianças.

Ela estava prestes a tocar a borda do copo com seus lábios novamente quando ouviu alguém batendo na porta do orfanato, e junto um barulho muito alto de chuva surgiu.

–Meu Deus! Quem poderá ser esse hora? Será que eu atendo? -Enquanto Olívia se questionava sobre o que fazer, novamente bateram na porta. -Se eu não for atender vão continuar batendo e as crianças acordarão...

Ela deixou a garrafa e o copo encostada em um canto e foi andando cuidadosamente pelo corredor escuro se guiando com as mãos pela parede. Até que chegou em uma espécie de quarto, era bem apertado, mas ela parecia saber exatamente onde estava cada coisa. Olívia pegou uma vassoura e voltou a se guiar pela parede se dirigindo a entrada.

Durante o percurso o barulho de alguém batendo na porta ecoou outras três vezes. Ela estava cheia de receio, suando frio. Várias coisas passavam pela sua mente, coisas terríveis. Ela estava de frente para porta, temerosa ela pôs a mão na maçaneta e mais uma vez bateram na porta. Imediatamente ela recuou com a mão. Respirou fundo e colocou novamente a mão na maçaneta, rapidamente a girou abrindo a porta e segurou a vassoura pronta para usá-la.

–Não me bata por favor! -Disse um homem alto, cerca de um metro e noventa, com as mãos erguidas na altura do rosto, pronto para se proteger caso Olívia decidisse usar a vassoura. Ela não conseguia vê-lo direito, além de escuro suas mãos cobriam o rosto.

–O que você quer? -Perguntou ela sem baixar a guarda e ainda temerosa.

–No momento? Um abrigo dessa chuva impiedosa. -Respondeu ele baixando as mãos.

Era um homem cujo cabelos acinzentados corriam por toda a nuca, olhos um tanto apertados. Suas roupas estavam totalmente encharcadas.

–Pode entrar, mas fique avisado que se tentar qualquer gracinha, eu não vou ter medo de usar essa vassoura.

Respondeu ela com toda sua sinceridade. O homem sorriu ao ver tamanha honestidade, ele era tão alto que precisou abaixar para passar na porta. Ele fechou a porta atrás de si e nesse momento tudo ficou escuro.

–Espere um momento, vou buscar uma vela.

Ela voltou até aquele quartinho que pegou a vassoura. Rapidamente ela achou uma vela. Estava temerosa do homem estar tramando alguma coisa, ou mexendo em algo. Por isso se apressou. Ela voltou até onde estava se guiando pelas paredes.

–Ei! Moço? — Ela pensou em procurá-lo com as mãos, mas após pensar por alguns segundos, chegou a conclusão de que era uma má ideia.

–Estou aqui, não mexi um músculo sequer. -Respondeu ele que parecia se divertir com a maneira desconfiada da mulher.

–Achei uma, mas vou ter que ir até a cozinha para acende-la. Você fique aqui. E não mexa em nada. -Disse Olívia desconfiada.

–É... Senhora, se me permitir.

O homem esticou sua mão até a vela, mesmo no escuro ele pareceu saber exatamente onde estava o pavio e o acendeu.

–C-como? Co-como? Como? -Perguntou ela assustada e impressionada com o que ele acabara de fazer.

–O que? -Ele sabia exatamente o que havia assustado a mulher, mas parecia se divertir com a situação. Principalmente agora que com a luz da vela, pôde ver o rosto de Olivia.

–Você fez fogo... Com as mãos! Você... Você é um... Mago?

Notas finais
Deixa aquele comentário para incentivar o autor, e dar uma bronca por ele ter esquecido de publicar o capítulo ;s