Entre o Céu e o Mar: Amor, confiança e compreensão
10 Confiança - parte 5.
Notas iniciais
O realismo apareceu como uma resposta ao romantismo. Os realistas buscavam retratar, como o nome já diz, a realidade. Dessa vertente saíram livros como Memórias Póstumas de Brás Cubas, aquele maluco morto depressivo que narrou sua vida depois de morto, e Dom Casmurro, o corno que, na minha humilde opinião, não era corno.
De qualquer forma, o realismo tinha uma ideia de que todo acontecimento é uma consequência necessária de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos anteriores. Parece com a teoria do caos, mas, naquela época, ninguém tinha a mínima ideia disso, o que me leva a crer que os físicos copiaram algo que já era dito há muito tempo pelos escritores.
Minha vida, atualmente, tinha passado do romance clichê do romantismo para o baque da vida real do realismo. Aquele dia não estava sendo diferente, ali estava eu, pedindo uma pizza, enquanto Regina Mills vestia minhas roupas depois de tomar banho em meu banheiro e, provavelmente, usar meu sabonete.
Respiro fundo depois de desligar o telefone e volto para a sala, encontrando ela sentada no sofá, com as pernas cruzadas, me esperando.
– Pedi a pizza já. – Digo, meio sem graça.
– Ah, tudo certo. – Responde. — Pediu de...
– Frango com catupiry e marguerita – vejo seus lábios se curvarem em um sorriso, aqueles eram os sabores favoritos dela.
– Meus sabores favoritos e que você odeia.
– A gente faz algumas concessões. – sorrio de volta e me aproximo do sofá, sentando-me no braço. – Além de que eu pedi uma pizza doce para mim.
Ficamos absortas em nossos pensamentos por algum tempo, mas logo o gelo é quebrado pelo som da campainha, indicando a chegada do motoboy.
– Já? – Me pergunta e eu faço que sim com a cabeça, murmurando “uhum” antes de levantar para abrir a porta. Ela corre e para na minha frente. – Você não vai abrir a porta assim, vai?
– Ué, qual o problema? – Olho para baixo e então eu lembro que estava sem short. – Aaaaaah, verdade... Já vai! – grito em direção a porta, avisando ao motoboy que eu iria demorar um pouco. Corro no quarto e visto o primeiro short que eu encontro, voltando rapidamente para pegar as pizzas.
Abro a porta e o motoboy me entrega meus pedidos, confiro tudo e, antes que eu pudesse pegar o meu cartão na carteira para pagar, Regina se adianta e entrega uma nota de 100 para ele, dizendo que ele poderia ficar com o troco. Olho para ela boquiaberta, sabendo que ela tinha pago mais da metade do que a pizza realmente valia.
– Obrigada. – Agradece o motoboy, nos deixando paradas na porta. Percebo que ela toma o cuidado de manter suas pernas escondidas atrás de mim e, não sei porque, acho aquilo fofo. Assim que ele sai, eu olho para ela boquiaberta.
– O que foi? – Pergunta, como se não fosse nada.
– Você deu o dobro do valor pro cara. – Ela se afasta de mim, indo para a cozinha e eu fecho a porta, seguindo-a.
– Não tem problema nenhum. – Regina se estica para pegar dois pratos, porém é muito pequena e não os alcança. O problema é que, quando ela se estica, a blusa estica junto, me dando a visão privilegiada de sua bunda coberta por uma calcinha minha. Chego por trás dela e me deixo roçar em seu corpo, ela se abaixa e o movimento contra mim me faz quase entrar em combustão. Minha ex-namorada respira fundo e eu, inocentemente, levanto o braço e pego os pratos, me afastando dela logo em seguida.
– Emma... – se vira para mim, falando num sussurro, quase como se me chamasse e eu, simplesmente, não me aguento.
Coloco os pratos em cima da pia de qualquer jeito e agarro ela com força. Beijo seus lábios como se fosse a primeira vez, e ela é totalmente receptiva. Desço minhas mãos para suas coxas desnudas e a levanto, fazendo com que ela fique sentada em cima do balcão.
Sem descolar nossas bocas, afasto suas pernas e me encaixo entre elas. Regina mantém suas mãos em meus cabelos, e eu amo aquilo. Eu amo o modo como ela puxa minha cabeça para o lado quando quer ter acesso ao meu pescoço, e é o que ela faz nesse momento. Solto um sonoro gemido e sei que, depois daquela mordida, iria ficar uma marca roxa.
– Você e essa mania de me marcar. – Digo, arfando, enquanto sua boca ainda brincava em meu pescoço.
– Algumas coisas nunca mudam, senhorita Swan. – Termina de dizer e novamente sua boca está na minha. Corro minhas mãos pela parte interna de suas coxas e demoro por lá, ora massageando, ora apertando, ora arranhando, mesmo com minhas unhas curtas.
Regina cruza suas pernas atrás de mim, de forma que eu estou presa entre elas. Tira uma de suas mãos de minha cabeça e busca minha mão em suas coxas, levando-as em direção a seu sexo já molhado embaixo da calcinha que ela usava. Percebo suas intenções com aquele gesto e eu, sem titubear, afasto o pedaço de pano para o lado e introduzo dois dedos em sua cavidade. Ela arqueia o corpo contra o meu e eu começo a movimentar minha mão lentamente, entrando e saindo de sua intimidade.
– Mais! – Ela pede, suas mãos estão apoiadas no balcão e seu rosto está suado, assim como o resto de seu corpo. Introduzo mais um dedo e ela grita meu nome. – Emma!
– Grita meu nome. – Sussurro contra seu ouvido. – Grita meu nome para todo mundo saber quem é que está te comendo.
– Emma... – Seu grito é logo abafado pela minha boca beijando-a de forma ávida. Mordo seu lábio inferior e ela geme de dor, mas continua me beijando com a mesma intensidade. Aumento o ritmo das estocadas e logo sinto suas paredes internas se apertando contra mim, sinal de que seu orgasmo se aproximava.
– Goza para mim, Regina.
Ela só precisa dessas quatro palavras para gozar em meus dedos. Sinto seu líquido quente escorrer pelos meus dedos e os retiro de dentro dela, lambendo-os. Minha ex-namorada permanece sentada, com as pernas abertas e os braços apoiados no balcão. Sabendo que ela odiava a sujeira do corpo após o sexo, puxo a calcinha que ela vestia e a retiro, deixando caída no chão.
– A gente acabou... – Ela tenta falar mas não consegue, sua respiração está entrecortada.
– Sim, Regina. – Digo, com as mãos novamente em suas coxas. – A gente acabou de transar em cima do balcão da cozinha. – Puxo-a para baixo e ela está em pé novamente. Enlaço sua cintura com meu braço direito, enquanto o esquerdo sobe para alisar seu rosto. – E, se depender de mim, a gente hoje vai transar em todos os outros cômodos desse apartamento.
– SQ –
Nossas roupas jaziam espalhadas pelo chão da casa. Já havíamos nos amado na cozinha, no chão da sala, no sofá, na cama, e agora eu estava massageando seus cabelos debaixo do chuveiro. Eu amava aquilo, amava a forma como nossos corpos se conectavam depois de tanto tempo separados.
Era como voltar para casa depois de um bom tempo viajando. Estar ali, afagando Regina, abraçando Regina, amando Regina, era a minha sensação de voltar para casa. Seus braços eram o meu lar.
– Tá bom, não acha não? – Pergunto e abro o chuveiro para que ela tirasse o shampoo.
– Tá sim. – Ela sorri e deixa a agua molhar seu corpo. A abraço por trás, deixando a água cair em cima de mim também. Minha mão lentamente percorre sua barriga, indo em direção à sua intimidade. Alcanço seus grandes lábios e os abro, dando espaço para meus dedos encontrarem seu clitóris. Regina joga a cabeça para trás e empina sua bunda contra meu sexo.
Ela não me deixa continuar com as carícias ali, logo desliga o chuveiro e se vira, ficando de frente para mim. Me empurra até a parede do box e junta o corpo ao meu, segurando a minha bunda para aumentar o contato de nossos corpos.
– Sempre gostei de você colada a mim, sabia? – Pergunta, com a voz mais sedutora do universo. Sem dar tempo para eu responder, seus lábios estão nos meus e sua língua pede passagem para a minha boca.
Uma de suas mãos desce para a minha coxa e a levanta, enlaçando-a em sua cintura. Levanta a sua coxa oposta à minha que estava levantada e posso sentir seu sexo colado ao meu. Ela inicia o movimento de fricção e eu solto um gemido baixo.
Minhas mãos, que antes estavam em sua cintura, sobem para os seus seios, e eu massageio o local. Seu corpo se arrepia com o meu toque e, mesmo eu sabendo que fazia o maior frio lá fora, ali dentro, entre nós duas, o termostato era o mais quente possível.
– Regina, mais rápido. – Ordeno, minha voz sai entre dentes e ela aumenta a velocidade da fricção de nossos corpos. Suas mãos se mantém em minhas nádegas, para me dar sustentação. Não demora muito e eu chego a meu orgasmo, sendo seguida por Regina. Ela permanece com o corpo colado ao meu.
– Acho melhor terminarmos nosso banho. – Sorri, segurando minha mão. – Vem. – Me puxa para debaixo do chuveiro, reiniciando nosso banho que não tinha sido completado anteriormente.
Dessa vez apenas nos banhamos. Dou outra calcinha minha para ela e ela fala o quão sexy ela se sentia usando uma calcinha minha. Eu rio e nós vamos para a cama, finalmente parando para comer a pizza, que já estava gelada.
Ela senta na cama, recostada na cabeceira e eu fico do lado oposto, de forma que estou de frente para ela. A caixa de pizza está aberta entre nós.
– Precisamos conversar sobre hoje. – Diz.
– Sobre o quê? – eu indago.
– Sobre o que aconteceu.
– Sobre a aula, meu carro quebrado, sua carona, a chuva, ou sexo em todos os cômodos da casa? — Meu tom de voz é irônico e vejo seus lábios se curvarem num sorriso.
– Para, Emma. – Diz, brincalhona. – Precisamos conversar sério.
– Você quer minha opinião? – pergunto, dando uma mordida em minha pizza. Não espero resposta e continuo falando, mesmo com a boca cheia. – O que aconteceu hoje foi a prova de que eu não te superei, nem você me superou.
– Você ainda me ama, Emma? – eu vejo um brilho em seus olhos e sorrio, dando a ela a resposta que ela queria.
– Mais do que tudo. – Respondo. Ela se inclina para a frente e acaricia o meu rosto.
– Lembra daquele dia, nossa ultima noite juntas, eu te fiz prometer que nunca esqueceria do nosso amor. – Eu olho em seus olhos e vejo que algumas lágrimas se formam.
– Nunca na vida eu esqueceria, Regina. – Dessa vez eu que acaricio o seu rosto, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. – Ismália e Capitu.
Ela sorri, aquele sorriso de um bilhão de megawatts, capaz de iluminar mais do que a hidrelétrica de Itaipu. Eu, se pudesse, guardaria Regina num potinho e ficaria só para mim, cuidando, observando, amando.
– Eu te amo, Emma. – Aquelas palavras eram como música para os meus ouvidos. – Isso. – ela aponta para nós duas. – Esse amor que existe entre nós, é tão forte, tão intenso, tão amor, que nem dói mais. Só assusta.- As lágrimas molham o seu rosto e eu seco cada uma delas. – Transborda, sabe? – diz com a voz embargada. – Ah, eu senti tanto a sua falta. – Eu abro os braços e ela se joga em cima de mim, me abraçando.
Da mesma forma que tantas vezes anteriores, suas lágrimas molham o meu pescoço e eu apenas afago a sua cabeça. Aquele corpo, aquele calor, aquela mulher... Ninguém no mundo se compararia a ela, disso eu tinha certeza.
– Já passou. – Sussurro contra seu ouvido. – Nós estamos juntas agora, certo? – A resposta para a minha pergunta é um choro compulsivo vindo dela. A afasto de mim e olho em seus olhos. – Tem algo que você não está me contando.
– Emma, eu...
– Não, não. – Me levanto da cama, ficando de costas para ela.
– Olha para mim, Emma. – Ouço, entre fungadas, o seu pedido.- Eu preciso que você esteja olhando para mim, pois você vai ser a primeira a saber o que eu vou te contar. – Me viro e encaro ela, ainda afastada.
– Pode falar. – Ela permanece calada. – Fala, Regina! Que merda! – Eu grito e dou um murro no colchão, assustando-a.
– Eu...
– Você? – faço menção para ela continuar falando.
– Eu não queria... – Novamente é impedida de falar pelo choro. – Eu não quero te perder, Emma. Não vou contar.
– Regina, entenda, você nunca vai me perder. – Respiro fundo. – Você não me perdeu há dois anos e meio, não é hoje que vai me perder. – Meu tom de voz é mais calmo e eu me sento novamente na cama, segurando sua mão.
– Eu estou grávida do Robin, Emma.
Puta.
Que.
Pariu.
“O amor eterno não existe. Mesmo a mais forte paixão tem seu tempo de vida. Chega seu dia, se acaba, nasce outro amor. Por isso mesmo o amor é eterno. Porque se renova. Terminam as paixões, o amor permanece.”
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