Notas iniciais
Leiam as notas finais, me perdoem e não me odeiem.

Para mim, a pior coisa num relacionamento era traição. Tudo bem que eu sou a pessoa mais ciumenta do mundo, mas, mesmo assim, nunca impedi Emma de viver, apenas queria limites. Limites que foram completamente desrespeitados quando ela chegou em casa bêbada depois de ter beijado a tal Belle.

Sim, eu tinha visto tudo.

Passava das onze da noite, eu tinha feito um jantarzinho a luz de velas e colocado a lingerie que ela mais gostava que eu usasse, tudo para me redimir da brutalidade com a qual eu tratei ela no condomínio dos meus pais. Levantei e fui na janela que dava para a rua, num ato de ansiedade e preocupação, ela estava demorando demais.

Vejo um carro branco parar e duas mulheres descerem, minha namorada e a nojenta da Belle. Antes que Emma pudesse empurrar o portão para entrar, ela é surpreendida com os lábios da outra nos seus. Até aí tudo bem, ela não tinha culpa. Mas meu coração se apertou ao perceber que Emma retribuiu o tal beijo.

Antes mesmo de a cena terminar, corro para o quarto, tiro a roupa provocante que usava e me cubro com um pijama qualquer. As lágrimas que caem dos meus olhos são impossíveis de serem controladas. Me jogo na cama e ali fico até Emma aparecer e me chamar.

– SQ –

Ali estava eu, novamente, deitada na cama e abraçada ao travesseiro que pertencia a minha namorada, ou ex, nem sabia mais o nosso status de relacionamento a aquela altura do campeonato.

Me viro, colo minhas costas contra o colchão e encaro o teto, me perguntando qual havia sido o meu erro.

Nosso relacionamento era o suficiente?

Nosso amor era suficiente?

Eu era suficiente?

Ouço as batidas ensandecidas na porta e sei que é ela, tentando entrar em contato comigo.

– Abre a porta, pelo amor de Deus, Regina! – Ela implorava, e eu sentia a sua dor sendo exposta naquelas palavras, provavelmente com medo do fim do nosso namoro, que se aproximava a cada segundo que eu passava deitada naquela cama. – Eu te amo, porra! – Deu um murro na porta e ouço seu gemido de dor.

Antes que ela desse a louca e arrombasse, eu levanto e abro. Encontro uma Emma desesperada, seus olhos estão vermelhos e inchados de tanto chorar e seu rosto está sem cor. Palavras não são necessárias naquele momento, apenas abro os braços e deixo ela se aninhar contra mim, murmurando, implorando pelo meu perdão.

– Calma, calma... – Afago seus cabelos e ela enlaça seus braços em minha cintura, buscando um porto em mim.

– Você não me perdoou, eu não vou ter calma até você me perdoar. – Diz olhando em meus olhos. Ali estava a minha Emma, vulnerável, dependente de mim. – Olha, eu até escovei os dentes mil vezes para você poder me beijar, tomei banho de bucha para tirar o cheiro dela de mim, me perdoa, por favor.

Não consigo deixar de soltar uma risada leve com a sua inocência. Coloco as mãos uma de cada lado do seu rosto, puxando-a para mim e a beijo-a de forma leve, sinto o salgado de suas lágrimas em seus lábios.

Emma aprofunda o beijo e segue comigo até a cama. Gentilmente, me deita e joga o seu corpo por cima de mim, ainda me beijando, porém com o cuidado de não me amassar com o seu peso.

Suas mãos correm pelo meu abdome, parando no cós do short que eu usava. Palavras não eram necessárias naquele momento, até porque nós duas sabíamos onde aquilo iria acabar.

Sem retirar meu short, e sem parar de me beijar, minha namorada coloca suas mãos na minha intimidade e massageia, em movimentos circulares, o meu ponto de prazer. Sua boca, que antes estava colada na minha, agora estava em meu pescoço, distribuindo chupadas por ali e me fazendo gemer.

Eu puxo a blusa que ela usava e solto um gemido de desaprovação quando ela tira suas mãos de mim para facilitar a remoção da peça de roupa. Minha loira se senta em meu ventre e me admira deitada por baixo dela, com os cabelos esparramados na cama e com uma respiração ofegante.

– Você é tão linda. – Diz, enquanto subia a minha blusa para tirá-la, revelando meus seios. Não tenho tempo de responder nada, pois logo sou surpreendida com a sua boca em meu mamilo direito, enquanto sua mão massageava o esquerdo.

Eu gemia e me retorcia por baixo dela, e ela se deliciava com meu prazer. Ela inverte e agora sua boca mordia meu seio esquerdo e sua mão massageava o direito, causando algo dolorosamente prazeroso.

Posso sentir o aperto no meu ventre, anunciando meu orgasmo que estava por vir.

– Emma... – Suspiro, entre dentes. – Eu vou gozar.

– Agora não, querida. – Ela para bruscamente e trilha beijos pela minha barriga, eu já sabia onde aquilo iria parar. Me ajeito melhor na cama para observar o seu trabalho, que agora consistia em descer lentamente o meu short pelas minhas pernas.

Assim que meu short cai no chão, ela sobe a trilha de beijos, começando pela minha coxa. Se demora um pouco na minha virilha e eu anseio para que ela alcance o meu sexo, já encharcado naquele momento.

Minha namorada coloca seus lábios em meu sexo e dá uma leve sugada em meu clitóris. Ora ela lambe, ora ela chupa, ora seus dedos hábeis brincam com o nervo. E eu? Eu gemia, me contorcia e empurrava a sua cabeça, para que ela fosse mais fundo.

Sinto os tremores característicos do orgasmo e dessa vez não me seguro, gozo em sua boca e grito seu nome ao atingir meu ápice. Ela me lambe mais uma vez, limpando meus sulcos e sobe para me beijar.

Sorrio ao sentir o meu gosto em sua boca, muito melhor que o gosto dos lábios daquela morena. Lembro da morena e é como se um balde de água fria fosse jogado em mim.

Continuo beijando a minha namorada e as lembranças invadem a minha mente, principalmente a certeza de que aquela provavelmente seria a última vez que faríamos sexo. Seria a última vez que faríamos amor, pois eu já estava decidida a terminar o namoro com ela no dia seguinte.

Pisco para evitar que as lágrimas caíssem e ela percebesse. Decido que, se aquela seria a nossa última vez, ela seria a melhor de todas.

Rapidamente inverto as nossas posições e fico por cima dela. Repito seus gestos anteriores e a observo. Seus olhos verdes já não estavam mais abatidos por causa do choro, seus cabelos loiros também estavam espalhados pela cama.

– Você é linda, Emma. – Digo e ela sorri. Me inclino e a beijo com paixão. Interrompo o beijo. – Eu amo os seus lábios. – Volto a beijá-la para logo depois descer para seu pescoço. – Eu amo sua pele. – Não me demoro ali e corro os lábios pelo seu colo, até chegar em seus seios, cobertos pelo sutiã. Ela faz um movimento de abdominal, de forma que ela fica sentada e eu em seu colo. Desencaixo, com maestria, o fecho do sutiã e deixo seus peitos expostos. Empurro minha loira de volta para o colchão e beijo cada um de seus seios. – Eu amo seus seios. – Não demoro muito e desço para o meu objetivo: seu sexo molhado. Arranco seu short folgado, e junto com ele a calcinha e abro suas pernas, admirando o nervo vermelho e pulsante que ansiava por mim. Coloco minha boca lá e trabalho com a minha língua, a chupando, lambendo, estocando e ouvindo seus gemidos, que serviam de combustível para mim.

Com a boca ainda em seu clitóris, agarro suas coxas e arranho de leve, suas mãos logo estão em minha cabeça, me incentivando a continuar. Sinto que seu orgasmo está próximo e rapidamente a penetro com dois dedos, sem parar de trabalhar com a minha língua.

– Ah, Regina! – Ela gemia e eu apenas focava em meu trabalho, que era proporcionar prazer a aquela garota. Garota não, mulher. Emma tinha virado uma mulher, a minha mulher.

Não demora muito para que o ápice a invada e ela goza em minha boca.

– E, definitivamente, eu amo o seu gosto! – Digo e subo para beijá-la. Nos beijamos por algum tempo e eu prevejo que as lágrimas da saudade iriam me arrebatar, então não demoro muito no beijo e me sento com a pernas abertas, encaixando seu sexo no meu.

Enfio minha mão por dentro dos seus cabelos e a puxo, de forma que ela me encarasse.

– Olha para mim. – Ordeno. Dou uma rebolada e ela arqueia as costas para trás com o prazer proporcionado por aquele movimento. – Você está vendo isso aqui? – Olho para baixo, e ela segue o meu olhar, nossos sexos colados, assim como nossos corpos. Aumento o ritmo das reboladas e ela também me puxa, buscando aumentar o contato. – Isso aqui que estamos fazendo, Emma. – Sorrio e ela sorri também, não consigo evitar e as lágrimas começam a rolar pelo meu corpo, se confundido com as gotas de suor que tomavam o meu corpo. – Isso aqui que estamos fazendo. – Suspiro, sou invadida por lembranças. Nosso primeiro encontro. Capitu e Ismália. Nosso primeiro beijo. Nossa primeira briga. Sua quase morte. Sua volta e meu ataque de ciúme. Nossa viagem para a Bahia. A primeira vez que fizemos amor. Sua formatura e seu diploma dedicado a mim. Sua aprovação no vestibular. O convite para morarmos juntas. Nossa primeira noite no apartamento. Nossos corpos suados no chão da sala depois de uma noite intensa de amor. Nossa vida, que tinha tudo para dar errado e que ainda assim tinha dado certo por seis meses, e estava para acabar depois daquela que seria a nossa ultima noite. – Isso aqui que estamos fazendo é amor, Emma! – Desesperadamente busco os seus lábios e, com uma ultima rebolada, eu e ela chegamos num orgasmo arrebatador.

– Eu te amo! – Ela grita e desaba na cama, desabo ao seu lado, meu rosto misturava um sorriso de felicidade e ao mesmo tempo um ar de tristeza pela despedida, que ela não sabia que iria acontecer. – Regina Mills, eu te amo tanto. – Ela sorria largamente e o meu coração estava apertado.

Ali estava eu, deitada ao lado do amor da minha vida, sabendo que era a nossa ultima noite juntas como um casal. Desnuda no corpo, porém com um veu cobrindo minha alma. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe, perto fisicamente, porém com uma enorme distância entre nossos objetivos, nossas vontades, nossos momentos.

– Eu também te amo, Emma. – Me viro para ela e me aninho em seu peito. Coloco uma perna sobre o seu corpo e me arrepio com a sensação. – Por favor, nunca esqueça disso, eu te amo mais do que é possível amar alguém nesse mundo. – Profiro essas palavras e caio num choro compulsivo, só eu sabia a dor que me causava estar ali, pela segunda vez, deixando aquela que eu mais amava.

– Calma, amor. – Ela afagava meus cabelos, sem saber das minhas intenções. – Eu nunca vou esquecer que você me ama, eu prometo.

– Promete? – Pergunto e olho em seus olhos, buscando aquele brilho característico que só a minha Emma tinha.

Ela solta uma risada fraca e sorri de lado.

– Eu prometo, Regina. – Enlaça sua mão na minha e as observa juntas, entrelaçadas. – Nós somos uma só. Tipo água e óleo.

– Água e óleo não se misturam, Emma. – Eu dou risada. Aquela era minha garota, sempre de humanas. – Usa um exemplo literário aí, que esse está muito ruim.

Ela me puxa mais para si e cheira meus cabelos.

– Tá bom. – Para e pensa um pouco. – Nós somos o céu e o mar.

– O céu e o mar estão opostos um ao outro! – Exclamo. – Seus exemplos estão horríveis hoje.

– Não, amor. – Me diz calmamente. – Primeiro que o céu e o mar se tocam no horizonte, e isso quer dizer que, em algum ponto, nós vamos ter que ser convergentes. – Ela se joga por cima de mim e se apoia em seus cotovelos, seu sexo colado ao meu mais uma vez. – Segundo que somos o céu e o mar e Ismália é o nosso amor, que sempre dá um jeito de juntar nós duas. – Conclui brilhantemente e me beija com ternura, depois volta para o seu lugar a meu lado e me abraça mais uma vez, murmurando boa noite em meu ouvido e fechando os olhos para dormir.

Permaneço em seus braços, absorta em meus pensamentos. Já não chorava mais, porém tinha dificuldades para respirar, tendo em vista que eu estava para dar um dos passos mais dolorosos da minha vida, que seria abandonar Emma.

O sono e o cansaço depois da intensidade do sexo me atingem e logo eu adormeço sobre o peito da minha amada, ouvindo seus batimentos cardíacos me embalarem como uma canção de ninar.

– SQ –

Os primeiros raios de sol atingem a janela e eu acordo, encontrando Emma ainda dormindo. Com cuidado me levanto e vou fazer a minha higiene matinal, silenciosamente para ela não acordar.

Dou graças a Deus que dia de segunda eu não precisava estar no Sine Timore cedo, e procuro uma mochila para colocar algumas peças de roupa, depois voltaria em casa para pegar mais.

Coloco algumas calcinhas, calças jeans, três blusas polo e um sutiã. Vou no lado de Emma do guarda-roupa e pego uma blusa sua do Homem de Ferro, seu super Herói favorito, enfio dentro da minha mochila como uma lembrança dela.

Paro na porta do quarto e a observo, tão serena, tão calma, tão minha. Não aguento, volto e deposito um beijo em seus lábios.

– Regina... – Ela diz, manhosa.

– Volte a dormir, meu amor. – A acalmo. – Eu estou aqui.

Ela segura a minha mão, da mesma forma que uma criança faz com a mãe quando quer dormir com ela e rapidamente cai no sono novamente. Entendo aquilo como a minha deixa, coloco minha mochila nas costas, pego a chave do carro e saio do apartamento, deixando a minha esperança de um futuro feliz para trás.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Notas finais
1) Soneto da separação, de Vinicius de Moraes (Tô meio fanzinha dele por esses dias hahaha) 2) Saudade comentários, viu. 3) Gostaram? Intenso esse cap, eu fiquei nervosa escrevendo, serio. Me deixem saber se vocês curtiram. 4) Me sigam no twitter ---> @takenbones 5) Me perdoem e não desistam de mim!