Notas iniciais
Vocês melhoraram com os comentários, mais ainda assim tá fraquinho kkkk olhem como eu sou uma autora boa e to postando o segundo cap em menos de 24 horas... Bem, espero q gostem.

Ainda não tinha superado o ocorrido naquela tarde. Aquela mulher, aquela intimidade com Emma, aquele nome... Meu ciúme falou mais alto e, além de tudo, lembranças não muito boas sobre uma outra Belle vieram a minha cabeça.

Coloquei Emma de “castigo”, coloquei mesmo. Uma semana dormindo no sofá, sem sexo, sem toques, sem nada. Aquele castigo me castigava também, mas ninguém mandou ela fazer merda, ou deixar que fizessem merda com ela. De qualquer forma, ela teria que aguentar as consequências de seus atos.

Durante a noite tive um pesadelo horrível, igual aos que eu costumava ter antes de começar a namorar com Emma. Acontecia o mesmo de sempre, eu estava dirigindo o carro e, do nada, um caminhão aparecia e se chocava contra a gente. Aquele pesadelo era uma lembrança constante do meu passado e da morte trágica que eu custei muito a aceitar a minha inocência na participação dela.

A verdade era que Emma me dava uma tranquilidade fora do comum. Dormir agarrada ao seu corpo me dava força, segurança, proteção e eu tinha me acostumado a aquilo. Olho no relógio do meu celular, marcava exatamente 04:00 da manhã. Resolvo deixar meu orgulho de lado e vou atrás dela na sala.

Maldito sono pesado que Emma tinha, meu Deus do céu. Decidi que não acordaria ela, simplesmente me jogaria por cima do seu corpo e ficaria lá. Puxo mais uma vez o seu cobertor e ela levanta, sobressaltada. Explico toda a situação, mas não falo o teor do pesadelo, e ela prontamente me acolhe em seus braços, me promovendo toda a segurança e proteção que eu sentia falta longe de seu corpo.

Passa um braço pela minha cintura e cola seu corpo junto ao meu desajeitadamente no sofá. Murmura em meu ouvido um “eu te amo” sincero e eu acato aquelas palavras como se fossem lei. Eu a amo também. Eu a amo tanto e isso me assustava, me assustava a dependência que eu tinha criado por ela.

– Eu também te amo. – Respondo com sinceridade. – E é isso que me assusta. – Concluo e fecho os olhos buscando o sono, que rapidamente vem.

– SQ –

Minha namorada me fez leva-la para conhecer os meus pais, então eu levei. Eu estava mais nervosa do que ela, não por medo de meus pais não gostarem dela ou algo do tipo, mas porque eu não tinha contado sobre a condição financeira deles.

Digamos que eles eram ricos. Ricos tipo muito ricos, do tipo que, se eles parassem de trabalhar hoje, teriam dinheiro até para os netos dos meus netos. Minha família era dona de um império da engenharia, tinham obras deles pela América inteira, e em alguns cantos da Europa também.

A riqueza deles não era algo que eu saía contando para todo mundo. Sempre fui muito independente e me orgulho de poder dizer que hoje, tudo o que eu tenho, foi comprado com o meu dinheiro. Mesmo sendo ricos, meus pais sempre me ensinaram a correr atrás do meu dinheiro, de ter a minha própria independência.

Eles não tinham vergonha, ou tristeza, ou preconceitos por eu gostar de mulheres, nunca tiveram. Me assumi para eles com 17 anos e eles apenas afirmaram que me amavam, e amariam qualquer pessoa que fizesse a sua filha feliz. A única tristeza que eles tinham comigo era o fato de eu não ter seguido a carreira de engenheira, como minha mãe, ou advogada, como meu pai. A culpa não era minha se eu queria fazer Letras, né?

Ao chegarmos no condomínio deles, Emma ficou surpresa. Sabia que meus pais não eram pobres, mas não sabia que eles eram multimilionários. Não queria conversar sobre aquilo naquele momento, então, ao ser questionada, cortei a conversa e fiz um lembrete mental de conversar com ela sobre aquilo depois.

– SQ –

Eu beijava Emma intensamente no corredorzinho que ligava o jardim ao quintal. Uma noite sem ter ela e eu já ficava daquele jeito, maldito efeito que Emma Swan tinha em mim. Mesmo ela tendo me alertado para uma possível aparição de meus pais, ignoro e continuo com o beijos.

Ouço um pigarreio atrás de nós e desfaço o beijo, já sabendo quem estaria presente ali. Minha boca, vermelha devido aos beijos, se curva num sorriso amarelo, típico de quem foi pego no flagra e meus pais sorriem, se divertindo com o nosso constrangimento. Minha namorada estava mais vermelha que um pimentão e eu seguro sua mão para lhe transmitir confiança.

– Mãe, pai. – Digo, olhando para eles. – Essa é Emma Swan, minha namorada.

– Prazer, Emma! – Diz meu pai animado, vindo em nossa direção nos abraçar. Minha mãe, mais calada e contida do que ele, observa tudo do mesmo lugar em que estava. Sei que, naquele momento, ela estava estudando a loira de cima a baixo. Meu pai, Henry Mills, nos abraça fortemente e sussurra em meu ouvido “Essa é minha garota!”, claramente fazendo referência a beleza de Emma e a sessão de amassos que ele tinha presenciado. – Você é muito bonita. – diz ele, olhando docemente para ela, e ela sorri de forma fofa.

Minha mãe se aproxima e me dá um abraço forte.

– Quanto tempo, filha. – diz, entre o abraço. – Cuidado da próxima vez, seu pai viu só um beijo, mas eu vi quase tudo da janela. – Falou no meu ouvido para que apenas eu ouvisse e foi a minha vez de corar. Minha mãe me soltou e abraçou Emma, que parecia estar encantada com meus pais. – Vem, vamos entrar.

Procuro novamente a mão de minha namorada e a olho de lado, vendo um lindo sorriso em seu rosto. Andamos até a entrada dos fundos e Pongo, meu cachorro, nos acompanha pulando e correndo entre nós. O almoço estava quase pronto e minha mãe me puxa para a cozinha, alegando que eu precisava aprender uma receita nova de risoto.

Peço desculpas a Emma com um sorriso, indicando que a culpa não era minha. Ela sorri de volta e manda eu ir, antes que eu pudesse me inclinar para depositar um beijo em seus lábios, ela é puxada por meu pai e eu vou para a cozinha ver o que minha mãe tanto queria me ensinar.

Cora era magnifica na cozinha. Eu realmente não entendo como alguém podia ser bom em tantas e diferentes tarefas. Modéstia a parte, eu também sou muito boa cozinhando, mas tudo que eu sei eu aprendi com ela.

– Olhe esse risoto, que maravilhoso. – Me chama para perto dela, junto ao fogão, e abre a panela para que eu veja. Inalo e sinto aquele cheiro inebriante que a comida dela exalava.

– Se o gosto estiver tão bom quanto o cheiro, já prevejo eu comendo uns três pratos. – Brinco. – Qual a receita? – Pergunto, querendo saber.

– A receita eu te falo depois. – Responde, e, pelo seu tom, já sei que vem uma conversa gigante por aí. – Agora me conte do seu relacionamento com Emma. Você não tinha me falado que ela era tão jovem.

– Ela é só cinco anos mais nova, mãe. – explico. Ela tenta me interromper e eu continuo. – E eu te falei o necessário sobre ela.

– Você só me contou o nome dela, Regina! – minha mãe fala enquanto se abaixa para pegar algo na geladeira.

– E isso não é o necessário?

– Não. – termina de pegar o que ela precisava e me encara. – Você agora vai me contar tudo sobre esse relacionamento.

– Tá. – Me rendo. – Seguinte, ela era minha aluna ano passado, a gente se apaixonou, começamos a namorar, estamos morando juntas e fim.

– Ela era sua aluna? – Minha mãe dá um grito e eu mando ela falar mais baixo. – Meu Deus, Regina...

– A senhora fala como se eu tivesse forçado ela a namorar comigo. – Ando em direção à geladeira para pegar um refrigerante. Continuo falando. – Aconteceu, mãe.

– Eu sei que você não forçaria ninguém, mas...

– Mas o quê? – Pergunto, e meu tom de voz sai hostil.

– Você não acha que vocês duas estão em momentos diferentes da vida não? – Ela fala calmamente, encostada no balcão da cozinha. – Quero dizer... Ela está na faculdade, certo? – eu faço que sim com a cabeça e ela continua. – Na faculdade ela vai ter um novo mundo na frente dela, novas pessoas, novas festas... Você já tem sua vida pronta, filha.

– Eu sei que estamos em momentos diferentes da vida, e isso me preocupa também. – Meus olhos se enchem de lágrimas e eu tento continuar, mas não consigo. Minha mãe, em pouco tempo de conversa, havia captado a minha maior preocupação quanto a meu relacionamento com a loira. Rapidamente minha mãe me abraça e afaga os meus cabelos, da mesma forma que fazia quando eu era menor, murmurando que tudo ficaria bem e daria certo.- Eu tenho tanto medo, mãe. Mas, ao mesmo tempo, eu a amo mais do que eu já imaginei amar alguém.

– Mais do que amava a Belle? – Pergunta, olhando em meus olhos. Faço que sim com a cabeça mais uma vez. – Filha, eu só quero que você seja feliz. Sua mãe é besta, não precisa chorar. – Eu dou uma risada fraca. – Vai dar tudo certo, vocês vão ser muito felizes.

– Assim espero, mãe. – Respondo e saio do seu abraço. – Vem, vamos conhecer a sua nora. Ela está morrendo de nervoso para conhecer vocês.

– Você quer a Cora Mills assustadora do tipo “o que você quer com a minha filha?” ou a Cora Mills amável e adorável do tipo “vamos cozinhar biscoitos e aplaudir o por do sol”?

Eu solto uma gargalhada. Minha mãe era a melhor pessoa do universo.

– Algo entre os dois fica ótimo, mãe. – ela ri, me abraçando de lado e saindo comigo pela porta dos fundos. Rapidamente meu pai nós vê e exclama:

– Minhas duas mulheres favoritas do mundo todo. – Emma sorri. Vejo uma lata em sua mão, seria a cerveja alemã favorita de meu pai? Se fosse, Emma seria a nova melhor amiga de meu pai, já que ele não dividia aquela cerveja com ninguém. – Estava aqui conversando com Emma sobre você. – Eles olham um para o outro e trocam uma risada cumplice.

– Posso saber o quê? – Me aproximo de Emma e sento em seu colo, ela se mexe embaixo de mim para se ajeitar melhor e descansa as mãos em minhas pernas.

– Relaxa, amor. – Me diz, apoiando sua cabeça em minhas costas. – Ele estava me contando do dia que te levou pela primeira vez ao haras e você chorou porque não tinha um cavalo rosa.

– Eu acho lindo isso, meu pai e minha namorada se unindo para fazer complô contra mim.

– Pelo menos ele não contou do dia que você decidiu fugir de casa e foi dormir no jardim. – Interveio minha mãe, arrancando uma risada gostosa tanto de meu pai quanto de Emma.

– Mãe! – Repreendo, ficando vermelha e fazendo eles rirem mais ainda da minha vergonha. – Eu tenho uma reputação a zelar.

– Ah, ela com certeza não contou aos senhores de nossa viagem para a Bahia. – começou Emma. Se ela contasse aquela história, eu mataria ela. Eu passaria o resto da minha vida sendo motivo de piada entre meus pais. – Regina comprou um dicionário de “baianês” e passou uns dois meses falando de acordo com o dicionário.

– Oxente! – Disse meu pai, rindo.

– É melhor a gente parar, antes que ela fique “retada”. – completou minha mãe.

– Vocês não prestam, meu Deus. – Tive que rir também. Minha maior felicidade era ver que minha loira estava se divertindo e se sentindo a vontade com meus pais.

– Mudando de assunto... – Diz Henry, meu pai, ainda tentando parar de rir. Ele estava sentado em sua cadeira, na ponta da mesa que havia no quintal. – Convidei Emma para estagiar comigo na construtora.

– Sério? – Pergunto, me virando para ela animada.

– Aham. – Assentiu, com um movimento de cabeça. – Assim que eu começar o terceiro semestre, eu vou trabalhar com o seu pai.

– Regina, sua namorada é visionária. – Diz ele. – Ela vai ser uma ótima advogada, tenho certeza.

– Só para ter te conquistado... – se pronuncia minha mãe. – Tem que ser muito inteligente mesmo. – Sorri, afetuosamente, para Emma.

– Ah, que nada, senhora Mills. Senhor Mills é muito generoso. – fala Emma.

– Primeiro, eu já te disse para não me chamar de senhor, e creio que Cora também não queira ser chamada de senhora. – Repreende meu pai. – Segundo, foram poucas as pessoas que me conquistaram com quinze minutos de conversa. Continue assim e você vai longe.

Eu não poderia estar mais orgulhosa dela, que sorria feliz por ter conquistado meus pais. Minha mãe interrompe mais uma vez para anunciar que o seu risoto estava pronto e eu levanto do colo de minha namorada, dessa vez parando para lhe dar um leve beijo nos lábios.

– Parabéns, amor. – sussurro em seu ouvido. – Viu que eu falei que eles eram tranquilos?

Ela apenas sorri largamente para mim, me beija de volta e segura a minha mão, me puxando para dentro antes que meus pais fossem lá interromper a gente de novo.

“A felicidade aparece para aqueles que choram.

Para aqueles que se machucam.

Para aqueles que buscam e tentam sempre.”

Notas finais
1) O trechinho acima é de Clarice Lispector e tem relação com a felicidade delas nesse momento e td o q elas já passaram. 2) Migos, eu espero q tenha ficado claro q foi proposital o nome da mulher lá q tava de agarração com Emma ser Belle (q nem a ex-noiva de regina) p.s.: Leiam EOCEOM pra vcs entenderem algumas referências que eu faço aqui. 3) Tão gostando? Bem, como dizia Vinícius de Moraes: tristeza não tem fim, felicidade sim. HAUAHUAHAUHAAHAUH bjs