Entre o Amor e Ódio
26 Encontrada
Notas iniciais
Eu abri os olhos e uma luz branca me envolveu.
– Ela está acordando...
Ouvi a voz da minha mãe de longe. Quando abri os olhos percebi que estava em um quarto de hospital e que minha mãe estava sentada ao meu lado.
– Mãe... O que aconteceu?
– Não fala nada Ju, eu vou chamar o médico, fica quietinha aí.
Eu não estava entendendo nada, a última coisa que me lembrava era estar nos braços do Fernando e depois tudo ficou preto. Eu não sabia como havia parado ali e não sabia o que tinha acontecido com ele, comecei a ficar agitada.
– Calma, o doutor já vem te atender – A enfermeira disse ajeitando meu travesseiro
– Enfermeira, como eu vim parar aqui? Não tinha um menino aqui comigo? Por favor eu preciso de respostas – falei desesperada
– Você ta muito agitada mocinha, espere o doutor te examinar e depois sua mãe pode te explicar tudo.
– Mas eu não quero esperar, preciso de respostas – comecei a chorar alto
– Se você não se acalmar vou ter que fazer você dormir e aí não vai ter como você saber o que aconteceu.
Eu olhei pra cara dela e acenei contrariada, estava na cara que ela estava quase perdendo a paciência comigo e eu não queria dormir, só queria saber o que realmente aconteceu. Finalmente minha mãe tinha chegado com o médico.
– Mas porque está chorando Juliana? Está doendo alguma coisa?
– Não mãe... Eu só quero saber como vim parar aqui – eu disse com a voz grogue
– Calma filha, depois a gente conversa. Deixa o médico te examinar.
Eu olhei pra ela com uma cara feia, mas sabia o quanto ela estava preocupada. Dava perceber que ela tinha chorado pelo seu olho vermelho então nem questionei e deixei o médico me examinar.
– E então doutor como ela está? – minha mãe perguntou ao médico em um tom preocupado
– Bom, ela vai ficar bem. Ela chegou aqui desmaiada provavelmente devido a algo emocional, os arranhões e os hematomas vão sumir com o tempo, se a senhora passar pra ela os remédios que eu prescrevi ela não vai sentir tanta dor, mas seja lá o que aconteceu, ela teve muita sorte de não ter fraturado a costela, o que vai demorar um pouquinho mais a melhorar vai ser o tornozelo que teve uma torção.
Minha mãe respirou aliviada logo depois do médico cessar suas preocupações, eu estava tão desnorteada que não estava prestando atenção no médico, só sabia chorar por não saber de nada, então virei a cabeça de lado e tentei ignorar os dois conversando como se eu não estivesse ali.
– Você acha que convém, ela conversar com um psicólogo? – ouvi minha mãe perguntar
– Não sei, ela pode ter sofrido um trauma emocional, mas no momento não podemos afirmar nada.
– Já posso levar ela pra casa?
– Eu recomendo que ela fique mais um dia aqui por segurança, agora vou deixar você com ela, é bom que você explique pra ela não ficar agitada.
Eu virei e encarei agradecida ao doutor, não estava agüentando mais aquilo. Quando o doutor saiu minha mãe não agüento e me deu abraço.
– Ai mãe... – falei sentindo dor
– Desculpa Juliana, eu estava tão preocupada. Se alguma coisa grave tivesse acontecido com você, eu não sei o que eu faria.
– Calma mãe, agora ta tudo bem. Eu só quero saber como vim parar aqui? O que ta acontecendo?
Ela respirou fundo e começou a falar.
– Você chegou aqui no hospital ontem a tarde junto com o Fernando.
Meu coração parou, comecei a pensar que tinha acontecido algo com o Fernando.
– Hei! Calma. Ele está bem, foi liberado ontem mesmo.
Eu respirei aliviada, o Fernando estava bem, era tudo que importava.
– Filha, eu não quero te assustar, mas a diretora do seu colégio e polícia vão vim aqui pra pegar seu depoimento.
Eu olhei assustada pra ela, mas eu já sabia do que ela estava falando, provavelmente ela sabia que a Bruna e suas amigas tinham me dado uma surra. Eu comecei a chorar me lembrando daquele momento.
– Não chore, elas vão receber a punição que merece, eu vou me certificar disso. Você quer saber como te encontraram?
Eu acenei a cabeça pra ela.
– O Fernando conseguiu encontrar a equipe de busca e conseguiram te achar antes que você sofresse hipotermia. Ele foi um verdadeiro herói filha, se ele não tivesse te mantido aquecida durante a noite, você poderia ter morrido. Eu não quero nem pensar.
Eu sorri lembrando dos momentos antes de eu ter desmaiado, o meu Fernando tinha me salvado, e eu não poderia estar mais ansiosa para vê-lo.
– Mãe, o Fernando não está aqui?
– Eu sinto muito Ju, mas não o vi depois. Seu pai queria agradecê-lo pessoalmente mas parece que só conseguiu conversar com a mãe dele rápido, ele ficou aqui até o doutor garantir que você estava bem, depois suas amigas não o viram mais. Acredite nunca vi a Luíza tão desesperada.
Eu olhei decepcionada pra ela. Queria tanto que o Fernando tivesse aqui, mas só de saber que minhas amigas estavam tão perto de mim, eu já me animei.
– Eu vou poder vê-las agora, mãe?
– Se o doutor permitir acho que sim.
– Pergunta pra ele, quero vê-las logo nem que seja rápido.
– Tudo bem Ju, mas tem que ser rápido, seu pai também quer vê-la.
Eu acenei. Enquanto eu estava esperando comecei a pensar em tudo que tinha acontecido e no que mais eu teria que enfrentar agora, eu sabia que o que a Bruna tinha feito era muito grave e que eu teria que me defender, mas ainda sim sentia medo dela querer se vingar depois. E sem que eu percebesse as lágrimas começaram a rolar.
– Acho que uma menina tão linda como essas flores não devia chorar.
Ouvi alguém dizer e quando olhei pra ver quem é, era o Marcelo com um buquê enorme de rosas vermelhas, eu não sabia se fazia cara de surpresa ou decepção.
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