Enquanto esteve no apartamento, Hank encenou uma situação em que Grissom e Heather teriam dividido uma garrafa de vinho, sugerindo momentos românticos antes de irem para a cama juntos.

Hank: Quero ver Sara continua com esse mané depois disso!!

Atualmente...

Brass estacionou o carro em frente ao prédio de Grissom e subiu as escadas com o cenho franzido.

A porta estava entreaberta. O policial pousou a mão sobre o coldre, a desconfiança instantânea.

— Gil? — chamou, com a voz grave, entrando com cuidado. — Se isso for mais um dos seus experimentos com cheiro de formol, juro que…

A frase morreu quando ele viu a mesa de jantar.

Uma garrafa de vinho aberta, duas taças meio cheias, velas apagadas, lenços amassados no chão.

Brass ergueu as sobrancelhas, um meio sorriso incrédulo escapando.

— Olha só quem finalmente resolveu viver perigosamente… — murmurou.

Foi então que olhou para o quarto — e o sorriso morreu.

— Ah, não… não… isso não pode ser o que parece…

Mas era.

Lá estavam Grissom e Heather, deitados, aparentemente nus, cobertos apenas por um lençol.

O capitão ficou parado, entre chocado e resignado.

Minutos depois....

A porta se abre novamente e Catherine entra apressada, luvas na mão.

— Brass, o que diabos aconteceu?

Ele aponta para o quarto, sem conseguir esconder o constrangimento.

— Eu queria que você me explicasse isso, porque até agora tô tentando entender.

Catherine caminha até o cômodo, o olhar varrendo o cenário. Primeiro as taças, depois o vinho e o perfume no ar.

— Isso parece… encenado demais — murmura, analisando.

Ela se abaixa, toca de leve uma das taças e aproxima do nariz.

— Vinho tinto, barato… e com cheiro de algo mais forte.

Quando finalmente encara o quarto, o choque vem em cheio.

— Ah, pelo amor de… — Catherine suspira, levando a mão à testa. — Não, não, não…

Brass cruza os braços.

— Eu sei. Mas me diga que você também tá vendo isso.

— Infelizmente, estou. — ela responde, irritada. — E eu não sei o que é pior: se ele realmente perdeu o juízo, ou se alguém montou uma peça muito bem feita.

Ela se aproxima da cama e examina o pescoço de Grissom.

— Pupilas dilatadas, respiração leve… foi dopado.

Brass ergue as sobrancelhas.

— Então você tá me dizendo que ele não estava… curtindo a noite?

Catherine lança um olhar fulminante.

— Brass… se eu te contar que ele aguenta muito mais que uma taça de vinho, você ainda vai achar que ele foi derrubado por uma garrafa inteira de vinho ?

Brass coça a nuca, rendido.

— Tá. Boa observação.

Ela endireita o corpo e respira fundo, encarando o amigo desacordado.

— Grissom, se você não acordar logo pra me explicar isso, eu mesma te jogo num chuveiro com água gelada.

Catherine se abaixa ao lado da cama, checando o pulso de Grissom.

— Pulso fraco, mas estável — murmura.

Brass, encostado no batente, cruza os braços.

— E o da ruiva?

Catherine lança um olhar impaciente.

— Infelizmente, também.

Ela toca de leve no ombro de Grissom.

— Gil… Grissom, acorda. — O tom é firme, mas há uma pontinha de impaciência. — Pelo amor de Deus, não me deixa lidar com um escândalo nu no meio da sua casa.

Ele geme baixo, mexe a cabeça e, aos poucos, abre os olhos.

A visão ainda turva o faz piscar várias vezes antes de focar em Catherine e Brass o observando.

— O que… o que vocês estão fazendo aqui? — pergunta com a voz rouca.

Catherine arqueia uma sobrancelha.

— Pergunta errada, Gil. A pergunta certa é: o que você está fazendo aqui… com ela?

Grissom franze a testa, se sentando lentamente, sentindo o corpo pesado, confuso.

Olha ao redor e, ao notar Heather desacordada ao seu lado, arregala os olhos.

— O quê?! Catherine, isso não é…! — Ele tenta se levantar, puxando o lençol para se cobrir, completamente atônito.

Brass ergue a mão, divertido:

— Calma aí amigo. Ver você nu é muita intimidade.

Catherine revira os olhos.

— Brass, por favor! Grissom o que aconteceu aqui?

Grissom leva as mãos à cabeça, tentando lembrar.

— Eu… eu cheguei em casa… lembro de abrir a porta… troquei mensagens com Sara e depois… — pausa, os olhos se estreitando. — O cheiro. Clorofórmio.

Catherine confirma com um aceno.

— Foi o que pensei. A taça tinha resquícios disso.

Ele inspira fundo, ainda atordoado.

— Ela me dopou.

Heather geme, começando a se mexer. Catherine se levanta rapidamente, os olhos atentos.

— E parece que a artista principal da noite também está acordando.

Brass murmura:

— Ótimo. Mal posso esperar pela versão dela da história.

Heather abre os olhos lentamente, finge confusão por um instante — mas ao notar Catherine e Brass ali, o pânico disfarçado surge.

— O que… o que aconteceu?

Catherine cruza os braços.

— É exatamente o que gostaríamos de saber, Heather.

Grissom a encara, a voz firme, gelada:

— Eu quero saber o mesmo. E aviso: se isso foi uma armadilha, você foi longe demais.

Heather força um riso nervoso.

— Gil… você acha mesmo que eu faria algo assim? Nós… você não se lembra???

Catherine a interrompe, cortante:

— Heather, nem começa. Se eu achar uma única impressão digital fora do lugar, você vai precisar de um advogado.

Brass, já tirando o telefone do bolso, completa:

— E talvez um bom médico, porque o Grissom parece prestes a ter um ataque de raiva.

Catherine o olha de canto.

— Brass, vou ligar para o Warrick. Vamos preservar essa cena direito.

O som da porta se abrindo quebrou o silêncio sufocante.

— Catherine? Brass? — a voz firme de Warrick Brown ecoou pelo corredor.

— Aqui, Warrick — respondeu Catherine, tirando as luvas. — E prepara-se, porque a cena é… complicada.

Warrick entrou, os olhos varrendo o ambiente — a garrafa de vinho aberta, duas taças com marcas de batom, roupas espalhadas de forma suspeitamente “acidental”, e então… a cama.

Ele parou por um segundo.

— Ok… eu não quero nem imaginar o que parece ser isso. — Virou-se para Catherine. — Mas me diz que tem uma explicação lógica.

Catherine respirou fundo.

— Ainda estamos procurando.

Brass completou, secamente:

— Heather Kessler apareceu aqui. Grissom foi dopado. Aparentemente, ela também.

Warrick arqueou as sobrancelhas.

— Dopados… e convenientemente na cama? — Ele olhou de novo para a cena, agora com o olhar técnico. — Clássico cenário forjado.

— É o que eu acho — disse Catherine, cruzando os braços. — Hank deve estar envolvido. Aquela garrafa de vinho e as taças são o foco.

Warrick já vestia as luvas, tirando fotos.

— Vou recolher tudo — disse, voltando ao modo perito. — Taças, garrafa, lençóis, e amostras do tapete. Vou precisar de impressão digital e análise de substâncias.

Catherine assentiu, aliviada por ter alguém de confiança ali.

— Obrigada, Warrick. Faz isso com calma, mas rápido. Quero tudo no laboratório o quanto antes.

Enquanto ele trabalhava, Heather observava, encostada na cabeceira, com um meio sorriso provocante.

— Vão procurar o quê, exatamente? DNA? Impressões? Vocês sabem que o Grissom e eu temos uma história, certo?

Catherine se virou lentamente, o olhar frio.

— Heather, se eu fosse você, economizava o sarcasmo. Tudo que disser agora pode acabar te colocando de volta na cadeia.

Heather riu baixinho.

— Ou talvez só coloque o coraçãozinho da Sara Sidle em pedaços.

Grissom avançou um passo, furioso, mas Brass o segurou pelo braço.

— Calma, Gil. Ela quer isso.

Warrick, sem tirar os olhos do trabalho, murmurou:

— Essa mulher é um desastre ambulante.

Catherine concordou.

— E o pior é que ela sabe usar isso a favor dela.

Heather, de forma debochada, sorriu, devagar. Um sorriso que não trazia confusão, mas provocação.

— Uau… então foi assim que vocês me encontraram? — sua voz era rouca, arrastada. — Espero que tenham batido antes de entrar.

Brass bufou.

— Heather, se fosse um motel, talvez eu tivesse batido. Mas aqui é a casa do Grissom. E você tá onde não devia estar.

Ela se esticou preguiçosamente, puxando o lençol até o peito, encenando um ar de sensualidade.

— Oh, por favor… não precisa fazer esse drama todo. Dois adultos, uma garrafa de vinho, uma noite quente…

Catherine a interrompeu, a voz gelada:

— Corta o teatro. Encontramos resquícios de clorofórmio.

Heather ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa.

— Clorofórmio? Que interessante. — E, olhando diretamente para Grissom, completou com um sorrisinho venenoso:

— Talvez você tenha ficado tão intenso que eu desmaiei. Acontece.

Grissom explodiu:

Chega, Heather! — A voz dele cortou o ar como uma lâmina. Ele se levantou bruscamente, o lençol caindo parcialmente. Catherine desviou o olhar, exasperada.

— Gil! — disse em tom de alerta.

Ele nem ouviu. Os olhos fixos em Heather, o maxilar travado.

— Você armou isso. Eu senti o cheiro, eu lembro. Você me dopou.

Heather soltou uma risadinha debochada.

— Que conveniente, Gil. Acorda ao meu lado e agora diz que fui eu que te droguei. Que homem.

Brass cruzou os braços, encarando-a com desprezo.

— Você tá brincando com fogo, Heather. E esse showzinho não vai durar muito quando descobrirmos o que tem nessa taça.

— Oh, Brass… — ela o olhou de cima a baixo, rindo baixo — você são patéticos!! Aceitem que eu e Gil transamos!

Catherine deu um passo à frente.

— Heather, se você realmente quer fingir que passou a noite com ele, cuidado com o que deseja. Porque se essa história chegar aos ouvidos da Sara Sidle… — ela inclinou a cabeça, observando o breve lampejo de prazer perverso no olhar da Dominatrix — ah, entendi. É exatamente o que você quer, não é?

Heather sorriu, sem disfarçar mais nada.

— Querida, eu não preciso fingir. — Olhou para Grissom e disse, num tom doce e venenoso: — Foi uma noite… inesquecível.

O silêncio foi esmagador. Grissom respirou fundo, tentando não perder o controle.

— Eu vou provar que isso é mentira. — A voz dele era baixa, mas carregada de fúria contida. — E quando eu provar, você vai lamentar ter cruzado meu caminho de novo. Você não vai me afastar de Sara.

Heather piscou, provocante:

— Oh, Gil… você sempre fala isso. Mas no fim, sempre volta pra mim.

Catherine soltou um suspiro pesado.

— Não dessa vez, Heather. Não depois do que você fez.

Brass guardou o celular no bolso.

Heather, um conselho? — o tom era carregado de sarcasmo — se eu fosse você, parava de sorrir antes de virar evidência.

Heather apenas recostou-se, satisfeita, como quem acabara de plantar uma bomba.

E de fato, plantara.

Após alguns minutos, Warrick lacrou os últimos envelopes de evidência.

— Pronto. Vou levar tudo pro laboratório agora. Se tiver algo nessa cena que prove que o Gil foi dopado, a gente vai achar.

Grissom assentiu, ainda visivelmente abalado.

— Eu confio em você, Warrick.

Warrick o encarou por um instante, solidário.

— Eu sei que isso não é o que parece, cara. A gente vai limpar isso.

Catherine, porém, olhou o relógio, inquieta.

— Melhor fazer isso rápido. Se a notícia vazar…

Brass completou, sombrio:

— …a Sara vai saber.

O nome dela pairou no ar como uma sentença.

Heather, ainda rindo, sussurrou:

— A essa altura… aposto que ela já sabe de alguma coisa.

Heather entrou em casa ainda atordoada, com o perfume do quarto de Grissom impregnado nas roupas. Jogou a bolsa sobre o sofá, retirou os sapatos e serviu um copo de uísque.

Antes mesmo de levar o copo à boca, ouviu a voz de Hank vindo da penumbra:

— Vejo que a noite foi… produtiva.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Digamos que quase perfeita. O idiota do Brass estragou o final.

Hank se aproximou devagar, o rosto exibindo aquele sorriso de quem sabe mais do que diz.

— Relaxa, Heather. O suficiente já foi feito.

— O que quer dizer com isso? — ela perguntou, desconfiada.

Ele tirou o celular do bolso e o girou entre os dedos, provocando:

— Eu já pus o plano em prática.

Heather franziu o cenho, o olhar se estreitando.

—O que exatamente?

Hank abriu um sorriso satisfeito.

— Enviei as fotos para o e-mail da Sara. Todas. A cama, o vinho, você e o Grissom… dopados, mas parecendo satisfeitos.

Heather ficou em silêncio por um instante. O som do gelo no copo pareceu mais alto.

— Você fez o quê?

— Eu apenas acelerei o inevitável. — Ele deu de ombros. — Você queria destruir o conto de fadas deles, não queria? Pois agora acabou.

Heather se aproximou dele, furiosa.

— Seu idiota! Ela não devia saber agora! Eu ainda precisava jogar com a cabeça do Grissom, fazê-lo duvidar de si mesmo!

Hank, imperturbável, inclinou-se sobre ela.

— E perder a chance de ver a reação da princesa traída? Não. O estrago emocional é muito mais eficiente assim.

Heather o empurrou, respirando com raiva, mas o sorriso voltou aos poucos.

— Talvez você tenha razão… — ela murmurou, voltando a beber o uísque. — Agora quero ver o que o Sr. Controle vai fazer quando ela ligar.

Hank sorriu, satisfeito.

— Exato. E enquanto eles tentam provar inocência… a dúvida já vai ter feito o serviço.

Catherine e Warrick estavam lado a lado na sala de análises, os olhos fixos no monitor com os resultados preliminares.

— Ok, temos o primeiro laudo toxicológico — disse Warrick, sem desviar o olhar. — Sedativo forte. Mistura de cloroformio e zolpidem. Dosagem suficiente pra apagar uma pessoa por pelo menos três horas.

Catherine franziu a testa.

— E foi administrado em ambos?

— Sim. Grissom e Heather. Mesma substância, mesma proporção.

— Então alguém planejou isso com precisão — concluiu ela, cruzando os braços. — Heather jamais teria acesso a algo tão específico sozinha.

Warrick mudou a tela, mostrando as imagens das impressões digitais.

— Pegamos digitais completas de Grissom, Heather e do técnico da perícia — normal. Mas tem uma parcial, no gargalo da garrafa de vinho, que não bate com ninguém do banco atual.

— Um quarto elemento, então — murmurou Catherine, pensativa. — O responsável por montar a cena.

— Exato. E o detalhe? — Warrick ampliou a imagem. — Essa digital tem uma cicatriz transversal. Alguém com uma velha lesão no polegar direito.

Catherine olhou para ele com um ar sombrio.

— Eu conheço alguém com essa marca.

Warrick ergueu as sobrancelhas.

— Hank Peddigrew?

— Exatamente. — Ela suspirou. — O mesmo paramédico que “ajudou” na investigação anterior e que já tinha contato com Heather.

Warrick balançou a cabeça, descrente.

— Isso explica muita coisa… a cena foi montada para com certeza tirarem fotos, para terem provas para mandar para Sara sobre a infidelidade do Griss. O pior é que a Sara vai ver tudo errado.

Catherine se recostou, tensa.

— Warrick… se ela já recebeu as fotos, o que vai doer não é a mentira. É o quanto parece real.

Ele suspirou.

— E o Gil?

— Está em casa, tentando entender como foi parar nu ao lado da mulher errada. — Ela passou a mão pelo rosto. — E sem imaginar que o inferno está prestes a começar.

A casa estava mergulhada num silêncio quase cruel.

A garrafa de vinho — agora lacrada como evidência — havia sido levada por Catherine e Warrick, mas o cheiro doce e enjoativo ainda pairava no ar, misturado ao leve odor químico do clorofórmio que ele não conseguia tirar da cabeça.

Grissom sentou-se na beira da cama, observando o lençol amarrotado. Cada detalhe do quarto parecia agora contaminado.

O travesseiro, a luz fraca do abajur, até o som distante da rua — tudo carregava a sombra de algo que ele não fez, mas que o fazia sentir culpado mesmo assim.

Ele passou as mãos pelo rosto, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos.

Heather.

A droga.

Tudo aquilo formava uma equação que ele ainda não conseguia resolver.

— Por quê? — murmurou para o vazio. — O que ela quer com isso?

Heather sempre fora um enigma para ele — uma mulher de mente brilhante, perigosa, movida pela provocação. Mas agora… agora era outra coisa.

Ela havia ultrapassado qualquer limite.

Ele olhou para a escrivaninha, onde o celular repousava. Ele havia mandado mensagem para sua amada, mas nenhuma mensagem nova havia chegado. Nenhum sinal de Sara.

A simples ausência de notificação apertou o peito dele como um soco.

Ele fechou os olhos, o rosto tenso, a mandíbula rígida.

A imagem de Sara o invadiu — os olhos dela se estreitando, o olhar ferido, o silêncio que viria antes de qualquer palavra.

E o pior: ele sabia que, no passado, já lhe dera motivos para duvidar.

Grissom se levantou e começou a andar pelo quarto, inquieto.

A raiva crescia dentro dele, mas não era simples — era um misto de vergonha, impotência e medo.

— Heather… — disse em voz baixa, como se testasse o nome no ar. — Você não vai ganhar dessa vez.

Ele se apoiou na mesa, olhando fixamente para uma das fotos que ainda restavam no quadro de cortiça — ele e Sara num congresso, rindo, os dedos dela sujos de pó de evidência.

Era simples, cotidiano, mas verdadeiro.

Aquilo era real.

E era isso que Heather não suportava: a autenticidade do que havia entre eles.

Grissom fechou o punho, decidido.

Se Heather esperava que ele se quebrasse, que se tornasse refém da dúvida ou da culpa, ela subestimou o homem que ele era agora.

Pegou o telefone e discou.

— Catherine? Preciso que me conte tudo sobre o que descobriu com as provas. Heather não fez isso sozinha.

Do outro lado, a voz da loira respondeu firme:

— Já estamos em cima disso, Gil. E… eu sinto muito.

Ele respirou fundo.

— Eu também, Cath. Mais do que você imagina.

Quando desligou, ficou em pé por um longo tempo, imóvel.

Ele não iria perder Sara.