Entre o Amor e as Correntes
14 Capítulo 14
Enquanto esteve no apartamento, Hank encenou uma situação em que Grissom e Heather teriam dividido uma garrafa de vinho, sugerindo momentos românticos antes de irem para a cama juntos.
Hank: Quero ver Sara continua com esse mané depois disso!!
Atualmente...
Brass estacionou o carro em frente ao prédio de Grissom e subiu as escadas com o cenho franzido.
A porta estava entreaberta. O policial pousou a mão sobre o coldre, a desconfiança instantânea.
— Gil? — chamou, com a voz grave, entrando com cuidado. — Se isso for mais um dos seus experimentos com cheiro de formol, juro que…
A frase morreu quando ele viu a mesa de jantar.
Uma garrafa de vinho aberta, duas taças meio cheias, velas apagadas, lenços amassados no chão.
Brass ergueu as sobrancelhas, um meio sorriso incrédulo escapando.
— Olha só quem finalmente resolveu viver perigosamente… — murmurou.
Foi então que olhou para o quarto — e o sorriso morreu.
— Ah, não… não… isso não pode ser o que parece…
Mas era.
Lá estavam Grissom e Heather, deitados, aparentemente nus, cobertos apenas por um lençol.
O capitão ficou parado, entre chocado e resignado.
Minutos depois....
A porta se abre novamente e Catherine entra apressada, luvas na mão.
— Brass, o que diabos aconteceu?
Ele aponta para o quarto, sem conseguir esconder o constrangimento.
— Eu queria que você me explicasse isso, porque até agora tô tentando entender.
Catherine caminha até o cômodo, o olhar varrendo o cenário. Primeiro as taças, depois o vinho e o perfume no ar.
— Isso parece… encenado demais — murmura, analisando.
Ela se abaixa, toca de leve uma das taças e aproxima do nariz.
— Vinho tinto, barato… e com cheiro de algo mais forte.
Quando finalmente encara o quarto, o choque vem em cheio.
— Ah, pelo amor de… — Catherine suspira, levando a mão à testa. — Não, não, não…
Brass cruza os braços.
— Eu sei. Mas me diga que você também tá vendo isso.
— Infelizmente, estou. — ela responde, irritada. — E eu não sei o que é pior: se ele realmente perdeu o juízo, ou se alguém montou uma peça muito bem feita.
Ela se aproxima da cama e examina o pescoço de Grissom.
— Pupilas dilatadas, respiração leve… foi dopado.
Brass ergue as sobrancelhas.
— Então você tá me dizendo que ele não estava… curtindo a noite?
Catherine lança um olhar fulminante.
— Brass… se eu te contar que ele aguenta muito mais que uma taça de vinho, você ainda vai achar que ele foi derrubado por uma garrafa inteira de vinho ?
Brass coça a nuca, rendido.
— Tá. Boa observação.
Ela endireita o corpo e respira fundo, encarando o amigo desacordado.
— Grissom, se você não acordar logo pra me explicar isso, eu mesma te jogo num chuveiro com água gelada.
Catherine se abaixa ao lado da cama, checando o pulso de Grissom.
— Pulso fraco, mas estável — murmura.
Brass, encostado no batente, cruza os braços.
— E o da ruiva?
Catherine lança um olhar impaciente.
— Infelizmente, também.
Ela toca de leve no ombro de Grissom.
— Gil… Grissom, acorda. — O tom é firme, mas há uma pontinha de impaciência. — Pelo amor de Deus, não me deixa lidar com um escândalo nu no meio da sua casa.
Ele geme baixo, mexe a cabeça e, aos poucos, abre os olhos.
A visão ainda turva o faz piscar várias vezes antes de focar em Catherine e Brass o observando.
— O que… o que vocês estão fazendo aqui? — pergunta com a voz rouca.
Catherine arqueia uma sobrancelha.
— Pergunta errada, Gil. A pergunta certa é: o que você está fazendo aqui… com ela?
Grissom franze a testa, se sentando lentamente, sentindo o corpo pesado, confuso.
Olha ao redor e, ao notar Heather desacordada ao seu lado, arregala os olhos.
— O quê?! Catherine, isso não é…! — Ele tenta se levantar, puxando o lençol para se cobrir, completamente atônito.
Brass ergue a mão, divertido:
— Calma aí amigo. Ver você nu é muita intimidade.
Catherine revira os olhos.
— Brass, por favor! Grissom o que aconteceu aqui?
Grissom leva as mãos à cabeça, tentando lembrar.
— Eu… eu cheguei em casa… lembro de abrir a porta… troquei mensagens com Sara e depois… — pausa, os olhos se estreitando. — O cheiro. Clorofórmio.
Catherine confirma com um aceno.
— Foi o que pensei. A taça tinha resquícios disso.
Ele inspira fundo, ainda atordoado.
— Ela me dopou.
Heather geme, começando a se mexer. Catherine se levanta rapidamente, os olhos atentos.
— E parece que a artista principal da noite também está acordando.
Brass murmura:
— Ótimo. Mal posso esperar pela versão dela da história.
Heather abre os olhos lentamente, finge confusão por um instante — mas ao notar Catherine e Brass ali, o pânico disfarçado surge.
— O que… o que aconteceu?
Catherine cruza os braços.
— É exatamente o que gostaríamos de saber, Heather.
Grissom a encara, a voz firme, gelada:
— Eu quero saber o mesmo. E aviso: se isso foi uma armadilha, você foi longe demais.
Heather força um riso nervoso.
— Gil… você acha mesmo que eu faria algo assim? Nós… você não se lembra???
Catherine a interrompe, cortante:
— Heather, nem começa. Se eu achar uma única impressão digital fora do lugar, você vai precisar de um advogado.
Brass, já tirando o telefone do bolso, completa:
— E talvez um bom médico, porque o Grissom parece prestes a ter um ataque de raiva.
Catherine o olha de canto.
— Brass, vou ligar para o Warrick. Vamos preservar essa cena direito.
O som da porta se abrindo quebrou o silêncio sufocante.
— Catherine? Brass? — a voz firme de Warrick Brown ecoou pelo corredor.
— Aqui, Warrick — respondeu Catherine, tirando as luvas. — E prepara-se, porque a cena é… complicada.
Warrick entrou, os olhos varrendo o ambiente — a garrafa de vinho aberta, duas taças com marcas de batom, roupas espalhadas de forma suspeitamente “acidental”, e então… a cama.
Ele parou por um segundo.
— Ok… eu não quero nem imaginar o que parece ser isso. — Virou-se para Catherine. — Mas me diz que tem uma explicação lógica.
Catherine respirou fundo.
— Ainda estamos procurando.
Brass completou, secamente:
— Heather Kessler apareceu aqui. Grissom foi dopado. Aparentemente, ela também.
Warrick arqueou as sobrancelhas.
— Dopados… e convenientemente na cama? — Ele olhou de novo para a cena, agora com o olhar técnico. — Clássico cenário forjado.
— É o que eu acho — disse Catherine, cruzando os braços. — Hank deve estar envolvido. Aquela garrafa de vinho e as taças são o foco.
Warrick já vestia as luvas, tirando fotos.
— Vou recolher tudo — disse, voltando ao modo perito. — Taças, garrafa, lençóis, e amostras do tapete. Vou precisar de impressão digital e análise de substâncias.
Catherine assentiu, aliviada por ter alguém de confiança ali.
— Obrigada, Warrick. Faz isso com calma, mas rápido. Quero tudo no laboratório o quanto antes.
Enquanto ele trabalhava, Heather observava, encostada na cabeceira, com um meio sorriso provocante.
— Vão procurar o quê, exatamente? DNA? Impressões? Vocês sabem que o Grissom e eu temos uma história, certo?
Catherine se virou lentamente, o olhar frio.
— Heather, se eu fosse você, economizava o sarcasmo. Tudo que disser agora pode acabar te colocando de volta na cadeia.
Heather riu baixinho.
— Ou talvez só coloque o coraçãozinho da Sara Sidle em pedaços.
Grissom avançou um passo, furioso, mas Brass o segurou pelo braço.
— Calma, Gil. Ela quer isso.
Warrick, sem tirar os olhos do trabalho, murmurou:
— Essa mulher é um desastre ambulante.
Catherine concordou.
— E o pior é que ela sabe usar isso a favor dela.
Heather, de forma debochada, sorriu, devagar. Um sorriso que não trazia confusão, mas provocação.
— Uau… então foi assim que vocês me encontraram? — sua voz era rouca, arrastada. — Espero que tenham batido antes de entrar.
Brass bufou.
— Heather, se fosse um motel, talvez eu tivesse batido. Mas aqui é a casa do Grissom. E você tá onde não devia estar.
Ela se esticou preguiçosamente, puxando o lençol até o peito, encenando um ar de sensualidade.
— Oh, por favor… não precisa fazer esse drama todo. Dois adultos, uma garrafa de vinho, uma noite quente…
Catherine a interrompeu, a voz gelada:
— Corta o teatro. Encontramos resquícios de clorofórmio.
Heather ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa.
— Clorofórmio? Que interessante. — E, olhando diretamente para Grissom, completou com um sorrisinho venenoso:
— Talvez você tenha ficado tão intenso que eu desmaiei. Acontece.
Grissom explodiu:
— Chega, Heather! — A voz dele cortou o ar como uma lâmina. Ele se levantou bruscamente, o lençol caindo parcialmente. Catherine desviou o olhar, exasperada.
— Gil! — disse em tom de alerta.
Ele nem ouviu. Os olhos fixos em Heather, o maxilar travado.
— Você armou isso. Eu senti o cheiro, eu lembro. Você me dopou.
Heather soltou uma risadinha debochada.
— Que conveniente, Gil. Acorda ao meu lado e agora diz que fui eu que te droguei. Que homem.
Brass cruzou os braços, encarando-a com desprezo.
— Você tá brincando com fogo, Heather. E esse showzinho não vai durar muito quando descobrirmos o que tem nessa taça.
— Oh, Brass… — ela o olhou de cima a baixo, rindo baixo — você são patéticos!! Aceitem que eu e Gil transamos!
Catherine deu um passo à frente.
— Heather, se você realmente quer fingir que passou a noite com ele, cuidado com o que deseja. Porque se essa história chegar aos ouvidos da Sara Sidle… — ela inclinou a cabeça, observando o breve lampejo de prazer perverso no olhar da Dominatrix — ah, entendi. É exatamente o que você quer, não é?
Heather sorriu, sem disfarçar mais nada.
— Querida, eu não preciso fingir. — Olhou para Grissom e disse, num tom doce e venenoso: — Foi uma noite… inesquecível.
O silêncio foi esmagador. Grissom respirou fundo, tentando não perder o controle.
— Eu vou provar que isso é mentira. — A voz dele era baixa, mas carregada de fúria contida. — E quando eu provar, você vai lamentar ter cruzado meu caminho de novo. Você não vai me afastar de Sara.
Heather piscou, provocante:
— Oh, Gil… você sempre fala isso. Mas no fim, sempre volta pra mim.
Catherine soltou um suspiro pesado.
— Não dessa vez, Heather. Não depois do que você fez.
Brass guardou o celular no bolso.
Heather, um conselho? — o tom era carregado de sarcasmo — se eu fosse você, parava de sorrir antes de virar evidência.
Heather apenas recostou-se, satisfeita, como quem acabara de plantar uma bomba.
E de fato, plantara.
Após alguns minutos, Warrick lacrou os últimos envelopes de evidência.
— Pronto. Vou levar tudo pro laboratório agora. Se tiver algo nessa cena que prove que o Gil foi dopado, a gente vai achar.
Grissom assentiu, ainda visivelmente abalado.
— Eu confio em você, Warrick.
Warrick o encarou por um instante, solidário.
— Eu sei que isso não é o que parece, cara. A gente vai limpar isso.
Catherine, porém, olhou o relógio, inquieta.
— Melhor fazer isso rápido. Se a notícia vazar…
Brass completou, sombrio:
— …a Sara vai saber.
O nome dela pairou no ar como uma sentença.
Heather, ainda rindo, sussurrou:
— A essa altura… aposto que ela já sabe de alguma coisa.
Heather entrou em casa ainda atordoada, com o perfume do quarto de Grissom impregnado nas roupas. Jogou a bolsa sobre o sofá, retirou os sapatos e serviu um copo de uísque.
Antes mesmo de levar o copo à boca, ouviu a voz de Hank vindo da penumbra:
— Vejo que a noite foi… produtiva.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Digamos que quase perfeita. O idiota do Brass estragou o final.
Hank se aproximou devagar, o rosto exibindo aquele sorriso de quem sabe mais do que diz.
— Relaxa, Heather. O suficiente já foi feito.
— O que quer dizer com isso? — ela perguntou, desconfiada.
Ele tirou o celular do bolso e o girou entre os dedos, provocando:
— Eu já pus o plano em prática.
Heather franziu o cenho, o olhar se estreitando.
—O que exatamente?
Hank abriu um sorriso satisfeito.
— Enviei as fotos para o e-mail da Sara. Todas. A cama, o vinho, você e o Grissom… dopados, mas parecendo satisfeitos.
Heather ficou em silêncio por um instante. O som do gelo no copo pareceu mais alto.
— Você fez o quê?
— Eu apenas acelerei o inevitável. — Ele deu de ombros. — Você queria destruir o conto de fadas deles, não queria? Pois agora acabou.
Heather se aproximou dele, furiosa.
— Seu idiota! Ela não devia saber agora! Eu ainda precisava jogar com a cabeça do Grissom, fazê-lo duvidar de si mesmo!
Hank, imperturbável, inclinou-se sobre ela.
— E perder a chance de ver a reação da princesa traída? Não. O estrago emocional é muito mais eficiente assim.
Heather o empurrou, respirando com raiva, mas o sorriso voltou aos poucos.
— Talvez você tenha razão… — ela murmurou, voltando a beber o uísque. — Agora quero ver o que o Sr. Controle vai fazer quando ela ligar.
Hank sorriu, satisfeito.
— Exato. E enquanto eles tentam provar inocência… a dúvida já vai ter feito o serviço.
Catherine e Warrick estavam lado a lado na sala de análises, os olhos fixos no monitor com os resultados preliminares.
— Ok, temos o primeiro laudo toxicológico — disse Warrick, sem desviar o olhar. — Sedativo forte. Mistura de cloroformio e zolpidem. Dosagem suficiente pra apagar uma pessoa por pelo menos três horas.
Catherine franziu a testa.
— E foi administrado em ambos?
— Sim. Grissom e Heather. Mesma substância, mesma proporção.
— Então alguém planejou isso com precisão — concluiu ela, cruzando os braços. — Heather jamais teria acesso a algo tão específico sozinha.
Warrick mudou a tela, mostrando as imagens das impressões digitais.
— Pegamos digitais completas de Grissom, Heather e do técnico da perícia — normal. Mas tem uma parcial, no gargalo da garrafa de vinho, que não bate com ninguém do banco atual.
— Um quarto elemento, então — murmurou Catherine, pensativa. — O responsável por montar a cena.
— Exato. E o detalhe? — Warrick ampliou a imagem. — Essa digital tem uma cicatriz transversal. Alguém com uma velha lesão no polegar direito.
Catherine olhou para ele com um ar sombrio.
— Eu conheço alguém com essa marca.
Warrick ergueu as sobrancelhas.
— Hank Peddigrew?
— Exatamente. — Ela suspirou. — O mesmo paramédico que “ajudou” na investigação anterior e que já tinha contato com Heather.
Warrick balançou a cabeça, descrente.
— Isso explica muita coisa… a cena foi montada para com certeza tirarem fotos, para terem provas para mandar para Sara sobre a infidelidade do Griss. O pior é que a Sara vai ver tudo errado.
Catherine se recostou, tensa.
— Warrick… se ela já recebeu as fotos, o que vai doer não é a mentira. É o quanto parece real.
Ele suspirou.
— E o Gil?
— Está em casa, tentando entender como foi parar nu ao lado da mulher errada. — Ela passou a mão pelo rosto. — E sem imaginar que o inferno está prestes a começar.
A casa estava mergulhada num silêncio quase cruel.
A garrafa de vinho — agora lacrada como evidência — havia sido levada por Catherine e Warrick, mas o cheiro doce e enjoativo ainda pairava no ar, misturado ao leve odor químico do clorofórmio que ele não conseguia tirar da cabeça.
Grissom sentou-se na beira da cama, observando o lençol amarrotado. Cada detalhe do quarto parecia agora contaminado.
O travesseiro, a luz fraca do abajur, até o som distante da rua — tudo carregava a sombra de algo que ele não fez, mas que o fazia sentir culpado mesmo assim.
Ele passou as mãos pelo rosto, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos.
Heather.
A droga.
Tudo aquilo formava uma equação que ele ainda não conseguia resolver.
— Por quê? — murmurou para o vazio. — O que ela quer com isso?
Heather sempre fora um enigma para ele — uma mulher de mente brilhante, perigosa, movida pela provocação. Mas agora… agora era outra coisa.
Ela havia ultrapassado qualquer limite.
Ele olhou para a escrivaninha, onde o celular repousava. Ele havia mandado mensagem para sua amada, mas nenhuma mensagem nova havia chegado. Nenhum sinal de Sara.
A simples ausência de notificação apertou o peito dele como um soco.
Ele fechou os olhos, o rosto tenso, a mandíbula rígida.
A imagem de Sara o invadiu — os olhos dela se estreitando, o olhar ferido, o silêncio que viria antes de qualquer palavra.
E o pior: ele sabia que, no passado, já lhe dera motivos para duvidar.
Grissom se levantou e começou a andar pelo quarto, inquieto.
A raiva crescia dentro dele, mas não era simples — era um misto de vergonha, impotência e medo.
— Heather… — disse em voz baixa, como se testasse o nome no ar. — Você não vai ganhar dessa vez.
Ele se apoiou na mesa, olhando fixamente para uma das fotos que ainda restavam no quadro de cortiça — ele e Sara num congresso, rindo, os dedos dela sujos de pó de evidência.
Era simples, cotidiano, mas verdadeiro.
Aquilo era real.
E era isso que Heather não suportava: a autenticidade do que havia entre eles.
Grissom fechou o punho, decidido.
Se Heather esperava que ele se quebrasse, que se tornasse refém da dúvida ou da culpa, ela subestimou o homem que ele era agora.
Pegou o telefone e discou.
— Catherine? Preciso que me conte tudo sobre o que descobriu com as provas. Heather não fez isso sozinha.
Do outro lado, a voz da loira respondeu firme:
— Já estamos em cima disso, Gil. E… eu sinto muito.
Ele respirou fundo.
— Eu também, Cath. Mais do que você imagina.
Quando desligou, ficou em pé por um longo tempo, imóvel.
Ele não iria perder Sara.
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