Já haviam alguns dias desde o almoço em que Samantha decidira cuidar de Mylla, e tudo estava tranqüilo, a não ser por Mylla que dava muito trabalho, ela não conseguia comer sozinha, e gritava muito de dor, mas naquele dia em especial tudo correra bem, e Mylla já estava dormindo, Sam leu vários livros sobre o câncer, e descobriu que muitas pessoas sofriam daquela doença, e que era realmente muito triste. Para que Mylla não sentisse dor Sam aplicava-lhe várias injeções diárias, e às vezes passeava com ela nos jardins da casa, para que ela pudesse tomar sol, apesar de seu semblante ser sempre triste. Sam tinha a impressão de que ela podia ouvi-la, e portanto conversava muito com a amiga, mesmo sem obter resposta, às vezes ela tinha a impressão de que Mylla sorria para ela, mas era muito difícil distinguir a expressão de sorriso, da expressão da dor.

Quanto a Edward, Samantha quase não o via, ele levantava-se cedo ia até o quarto onde ficava Mylla, pois eles não dormiam juntos, devido ao estado de saúde dela, então Edy perguntava como ela estava, e saía para o trabalho, à noite quando chegava, repetia o mesmo procedimento, nos finais de semana, durante o dia todo algum dos parentes de Mylla vinha visitá-los, poucas vezes os amigos, arriscavam-se a ir vê-la e quando iam saiam chocados, até mesmo Nina, quando viu o estado de saúde de Mylla conseguiu entender por que Sam ficara ali.

Naquela noite Sam tinha descido até a cozinha para tomar um copo de água, e estava ali na cozinha pensando sobre os últimos dias, quando uma voz masculina invadiu seus pensamentos.

—Está sem sono? Edy perguntou com doçura na voz.

—É, mais ou menos, vim tomar um copo com água. Samantha disse um pouco embaraçada, pois era a primeira vez depois da conversa no restaurante que ela e Edy estavam a sós.

—É eu também, quando estou sem sono me dá muita sede.

Ela está linda pensou Edy ao vê-la em trajes de dormir, pois ela tomava muito cuidado, para que estes encontros não ocorressem, parecia que ela o evitava todo o tempo, sempre falava de Mylla, de como ela estava, se dormiu bem ou não e sentia dor ou não. Ele também tentava ser o mais impessoal possível, principalmente com as desconfianças de Jack, ele não queria ter ou trazer problemas para Sam com relação a família da esposa. Talvez também fosse por isso que ela o evitava tanto, mas ela foi bastante clara da última vez que Jack tocou no assunto "Eu fui, traída, e isso prova que não tenho, mais nada a ver com o Sr. Nicolson" Ela o odiava com certeza, estava ali só para ajudar Mylla e por que era uma profissional.

Sam entregou-lhe a garrafa e ao fazer este gesto, suas mãos se tocaram, e um tremor percorreu o corpo de ambos, Edy se aproximou mais de Sam, colocou a garrafa sobre a mesa e permaneceu em silêncio, e ficaram ali se olhando, Sam podia sentir a respiração de Edy, ele sentia como era tocar a pele dela, até que passou a mão por seus cabelos. Samantha fechou os olhos, como era bom sentir seu toque, seus braço forte, e o cheiro de sua pele, e Edy também estava fora de si, e não conseguiu resistir aquele momento e beijou Sam no rosto e abraçou-a, beijando-lhe o pescoço até chegar à boca de Samantha.

Foi quando ela percebeu o que estava acontecendo e imediatamente afastou-se de Edy num movimento brusco que o fez acordar também.

— O que foi? Ele disse, se arrependendo em seguida da bobagem que estava dizendo.

—Como o que foi? Não somos, mais adolescentes, e esta não é a casa de meus pais, onde fazer algo escondido, é apenas uma aventura, e sim a casa onde você mora com sua esposa, que está convalescendo no quarto no andar de cima.

Edy ficou paralisado com tanta objetividade vinda daquela mulher que estava em sua frente, e que ele tentara seduzir alguns minutos atrás. _Me desculpe ele disse, por fim, eu não sei o que houve, eu... não pude resistir e...

—Assim como não pode resistir a Mylla há três anos atrás não foi? Sam não acreditava no que estava falando, porque tocara no assunto naquele momento, ela apenas deveria ter dito que isso não devia se repetir e sair dali.

Edy estava atônito, não esperava ouvir isso de Sam, pelo menos não naquele momento, ela o estava acusando, do passado mais uma vez, e tinha toda razão, ele fora fraco naquela época, e não teve coragem de assumir.

—Por que está falando, sobre isso agora? Edy perguntou, pois não tinha resposta para a questão anterior.

—Me desculpe, eu não tenho o direito...se me dá licença eu vou para meu quarto. Sam disse virando-se de costa para Edy, mas não conseguiu sair porque Edy segurou em seu braço.

—Não, por favor. Eu acho que nós adiamos muito esta conversa, é melhor falarmos agora.

—Falar o quê? Que foi um grande equívoco, que você não me amava, ou você vai repetir aquela estória de que estava bêbado e não sabia o que estava fazendo.

—Você não quis me escutar naquela época, disse que me odiava jogou fora a aliança e começou a ligar para nossos convidados para dizer que não havia casamento, sem mesmo conversarmos.

—Muito bem, estamos conversando agora, vamos lá diga o que você queria me dizer.

As palavras sumiram, da boca de Edy, ele não esperava por aquela situação, a dias que ela chegara, e eles ainda não haviam, sequer mencionado o casamento que não houve.

—Eu estava com raiva de você, e bêbado, e Mylla chegou na festa também estava bêbada, eu não sei bem o que aconteceu, só sei que...bem quando eu vi eu estava lá com Mylla em meus braços, dormindo ao meu lado e você chegava e...

Edy foi interrompido pelas palavras de Sam.

—Mas você sabia, muito bem o que estava fazendo quando se casou com ela, não foi? Suponho que não entrou na igreja bêbado. Sam disse com os olhos já cheios de lágrimas.

— Samantha, você havia me deixado, Mylla estava grávida, o Sr. Taylor estava me pressionando, meu emprego em jogo, eu tinha contas a pagar, o que você queria que eu fizesse.

—Eu queria que não tivesse dormido, com minha melhor amiga. Sam disse quase gritando e saindo correndo da cozinha.

Edy ficou ali parado, pensando no que acabava de ocorrer, ela ainda se lembrava te tudo, e o odiava por isso, 'mas como não ia se lembrar hein Edward, esta casa, era pra ser dela, você se esqueceu disso também.' Claro que não como ele podia esquecer, ele mal esperava para que se casassem e fossem morar ali. Mas como ela mesma sugeriu, não dava mais para voltar atrás, e era melhor que ele se controlasse, daqui por diante.

No dia seguinte, Sam desceu para tomar café após ter medicado Mylla, e percebeu que Edy ainda estava sentado a mesa, tomando seu café. Sam já havia descido quase todos os degraus da escada, e portanto não dava mais para recuar.

—Bom dia. Ela disse secamente.

—Bom dia. Edy respondeu tentando ser amável.

—Mylla está muito bem hoje, devia ir vê-la. Samantha disse sem graça, em virtude da noite anterior.

—Vou fazer isso. Edy disse, levantando-se a fim de seguir o conselho de Sam.

—Edward, eu queria, me desculpar pelo que aconteceu ontem, eu não tinha o direito de tocar nesse assunto.

—Tudo bem, eu entendo você. Por favor que tal ficarmos amigos? Edy disse estendo-lhe a mão num gesto cordial.

Claro. Sam respondeu baixo, segurando-lhe a mão. _Amigos.

O dia correu muito bem apesar dos acontecimentos da véspera, já estava no fim do dia e Sam pensava justamente nisso quando, Margarett veio correndo chamá-la.

—Dra. Sanders, é a Sra. Nicolson, ela não está muito bem.

—O que houve Mararett?

—Ela está com muita febre.

—Vamos até lá então. Sam disse já se levantando e subindo as escadas correndo.

Ao chegar no quarto Samantha, ficou desesperada, Mylla estava extremamente febril e já começava a ter convulsões por causa dessa febre. Sem pensar correu até o leito da amiga pegou um pedaço de pano e colocou na sua boca para evitar que ela sufocasse com a própria língua.

—Margarett, vá até o banheiro, pegue uma bacia com água gelada, traga com vários pedaços de pano, traga também um termômetro, e uma injeção de um antitérmico, iremos aplicar agora. _Rápido!!!

Quando saía do quarto a enfermeira tropeçou com Edy que acabava de chegar do trabalho, ele não estava entendo muito bem, mas ao entrar no quarto, viu Sam segurando sua esposa tentando fazê-la vomitar, para que ela voltasse a si.

—Mas o que houve Samantha?

—Acho que ela está começando a piorar.

A enfermeira chegou com a água e os panos.

—Por favor Edy, sente-se aí e verifique se ela não está engasgando, e verifique também o termômetro de cinco em cinco minutos.

—Sim claro. Ele disse prontamente.

A situação, era tensa e permaneceu assim por pelo menos meia hora até que as convulsões cessaram e aos poucos a febre foi baixando, mantendo-se no limite de 39 graus, o que já era um alívio para Sam, após ter chegado aos 42 graus, por isso as convulsões.

Duas horas depois, as coisas já estavam sob controle, apesar de Mylla ainda ter febre, ela já não corria mais tanto risco como antes, ambos estavam encharcados, de suor e também de água gelada, Sam esgotada saiu do quarto, encostou-se na parede do corredor e num impulso começou a chorar sem parar, por mais que tentasse se controlar, suas lágrimas, continuavam a sair, era como se fosse um desabafo.

Edy também estava exausto e aquela situação que vivera a poucos minutos, foi certamente a mais difícil em toda a sua vida, ele olhava para Sam ali abaixada chorando, e não conseguiu se controlar também, ele abaixou-se a seu lado abraçando-a e chorando com ela, não sabia bem por que estava chorando, talvez por tudo, por toda a tensão vivida, por ver sua esposa quase morta ao seu lado, e também por Sam, ele estava orgulhoso de Sam, ela se comportara como uma profissional, fora tão forte, tão decidida, e agora ali chorando, ela se mostrava tão frágil nem parecia aquela Samantha que ele encontrara cuidando para que Mylla não morresse aquela noite.

— Calma Sam, está tudo bem agora ela está bem, nós conseguimos? Ele disse ainda chorando, segurando seu rosto e afastando os cabelos que caíam no rosto de Sam.

—Eu quase a perdi Edy, você viu? Eu quase a perdi. Samantha falava e chorava desconsoladamente.

—Acalme-se, já passou ela está bem agora, você conseguiu.

Samantha balançou a cabeça numa afirmativa e procurando respirar para se acalmar, até que conseguiu levantar-se e ir até o banheiro para lavar seu rosto. Algum tempo depois ela foi até o quarto de Edy.

—Entre. Ele disse sem se levantar, ao ouvir o barulho de alguém batendo.

Edy, estava deitado sobre a cama, numa postura de exaustão, tinha apenas, desabotoado a camisa, já que o paletó e a gravata ele tirara quando foi ajudar Sam com sua esposa.

—Preciso falar com a família de Mylla. Sam disse com firmeza, ainda olhando para aquele corpo forte e volumoso que naquele momento não combinava muito com aquele rosto carente e cansado.

—Agora? Edy perguntou.

—É, agora.

—Você tem certeza de que está em condições?

—Sim. Sam respondeu simplesmente.

—Tudo bem, vou ligar e pedir que venham imediatamente.

Sam ouviu sua confirmação e saiu do quarto, não queria permanecer muito tempo ali, por que poderia não resistir àquele semblante carente e também porque Mylla merecia atenção especial naquele dia.

Não demorou mais do que alguns minutos para todos chegarem à casa para verem Mylla. Eles agora estavam lá embaixo, discutindo muito pois todos queriam subir até o quarto mais Edy não deixava.

—O que foi Edy, ela morreu não foi, pode falar. David, falava já desesperado segurando o cunhado pela gola da camisa, outra, visto que a anterior estava encharcada e Edy teve que tomar um banho e trocar de roupa.

—Não David, graças a Deus e a Sam, que Mylla ainda está viva, mais ela não está muito bem.

A Sra. Taylor começou a chorar e Jack avançou tentando subir a escada, e gritando com o cunhado.

—Ela é minha irmã e eu quero vê-la agora, você não tem o direto de impedir que nós a vejamos.

Neste momento Sam descia as escadas, ainda com um ar cansado, mas já recomposta, interrompendo Jack.

—Não se preocupe Jack, todos verão Mylla, mas primeiro eu quero conversar com vocês. Sam disse tão sério, que todos se calaram, e Jack voltou à sala sentando-se em um dos sofás, assim como o restante da família.

—Muito bem Dra. Sanders, estamos esperando, como está minha irmã. Disse Jack com uma ênfase no Dra. maior do que o necessário, demonstrando um certo cinismo em sua voz.

—Sim, por favor, Sam fale como está Mylla. Disse David de forma mais carinhosa.

—Bem ela passou muito mal hoje, foi por muito pouco que ela escapou. Teve uma febre de mais de 40 graus, o que provocou convulsões, e...enfim foi por que Deus não quis que ela continuou entre nós.

—Ah Meu Deus!!! Disse a Sra. Taylor, desabando em lágrimas.

—Calma, mamãe não fique assim. David falou abraçando a mãe, mas segurando-se para não chorar.

—E como ela está agora. O Sr. Taylor perguntou, tentando esconder a emoção.

—Mal, Sr. Taylor. Sam disse parando por uns instantes para se controlar e continuando em seguida. _O pior já passou, mais ela ainda está com febre e dorme a poder de remédios, mas se a febre não baixar, temo que as convulsões voltem ou... Sam parou de falar.

—Ou o quê Dra. Jack falou, porém mais humilde.

—Ou que ela entre em coma. Mas tenho esperança para que isso não aconteça, porém não quero deixá-los otimistas.

—Sendo assim, não é melhor levá-la a um hospital, assim haverá mais recursos.

—Se vocês preferirem, não faço objeção, mas lá não poderá ser feito muito além do que nós fazemos aqui. Ela agora está melhor e aqui vocês poderão ficar por perto o tempo todo, se, vocês quiserem e o Sr. Nicolson não fizer objeções.

—Decerto que não, a casa é grande e todos podem permanecer durante o tempo que for necessário.

—Bom, eu prefiro que ela fique, aqui também é menos frio do que o ambiente em um hospital. Disse a Sra. Taylor ainda com lágrimas nos olhos.

—Bom eu gostaria de alertar a todos, que se a febre aumentar as crises voltarão, e não é muito agradável de se ver, eu aconselho que a Sra. Taylor, não fique pode não ser bom para a sua gravidez. Disse Sam referindo-se a esposa de Jack.

—Eu faço questão de ficar, prometo não chegar no quarto se alguma coisa der errado. Kate disse seguindo em direção a Sam.

—Bom você é quem sabe, mas quero adverti-los que é muito difícil presenciar a cena que ocorreu hoje, mas eu espero sinceramente que nada aconteça.

—Meu bem, a Dra. Sanders tem razão, pode prejudicar nosso bebê. Jack falou num tom tão amável, que Sam quase conseguiu esquecer suas ofensas.

—Eu insisto, Jack, ou você acha que eu ficaria melhor, sozinha lá em casa sem saber o que está acontecendo. Não Senhor quero ficar ao seu lado. Ela disse decidida.

—Tudo bem se a Dra. garantir que não há riscos. Ele disse esquecendo-se de suas queixas com Sam.

— Eu não posso garantir isto Sr. Taylor, só vai depender de sua esposa, de seu autocontrole. Mas eu também não disse que vai acontecer de novo, talvez ela melhore, esta noite mesmo.

—Tudo bem então. Ele disse inconformado. _Mas podemos vê-la agora?

—Claro, mais um por um, e por favor se perceberem qualquer coisa de errado deixem que eu e a enfermeira cuidemos de tudo sim?

—Claro, David respondeu.

Assim todos passaram a noite, na casa, Sam não dormiu a noite toda, pois apesar terem que revezar no quarto da amiga com os outros que se ofereceram, Sam precisava vê-la de hora em hora, para certificar-se de que o quadro não mudara.

Os três dias que se seguiram, foram os mais difíceis, além de ter que ficar acordada praticamente 24horas por dia, Sam tinha que tomar o máximo de cuidados, para não denunciar, perto da família Taylor o que ela estava sentindo por Edy. Ele também mal conseguia disfarçar o ciúme que sentia de Sam, principalmente depois que David, começou demonstrar interesse por ela.

—Sam. David disse segurando a mão da Dra., certo dia quando todos acabavam seu jantar e dirigiam-se a sala.

—Sim David. Sam respondeu inocente. Sentando-se no sofá, ao seu lado.

—Você devia descansar, um pouco, há cinco dias, você não dorme direito, está sempre de prontidão olhando por Mylla.

—Ela precisa de mim David.

—Sim, mais precisa de uma Samantha saudável. Ele acrescentou.

—É ele tem razão, Mylla precisa de nós, mas você está exagerando, e depois ela já apresenta melhoras e você está precisando cuidar de si. Edy disse chegando bem perto, quase beijando-lhe ao terminar a frase.

—Que romântico, eu poderia chorar, se não fosse minha irmã que está lá em cima. Jack falou sarcástico e de forma dura fazendo Edy perceber o que estava fazendo.

—Por favor Jack, não é hora para suas críticas. David disse e virando-se imediatamente para Sam. _Não ligue pra ele, vá descansar, eu te acompanho até lá em cima. Ele prosseguiu galanteador.

—Obrigada David, então boa noite a todos.

E os dois subiram as escadas e Edy não conseguiu deixar de olhar para eles, e começou a ficar impaciente pela demora de David a voltar para a sala, e resolveu ir ver o que estava acontecendo.

—Vou ver como está Mylla. Edy disse dando uma desculpa para ir até o andar de cima.

—Vou com você. Jack completou, seguindo o cunhado, pois percebera o seu ciúmes e queria ver até onde ele iria.

No andar de cima Sam e David pararam em frente ao quarto dela.

—Obrigada. Que bom que você também não me detesta, como seu irmão. Sam disse a David sinceramente.

—Jack, está com raiva do mundo, por Mylla estar doente, e você e Edy são as pessoas que ele encontrou para descarregar a raiva, devido ao passado de vocês.

—Bobagem dele, não há mais nada entre nós, tudo acabou quando...Sam ia falar mais achou melhor não completar a frase _Quando tudo aconteceu. Ela prosseguiu, baixando os olhos.

—Eu sei, deve ter sido muito difícil para você, vocês eram muito amigas, eu me lembro, eu às vezes não acredito no que Mylla fez.

—David, eu acho que não é hora pra falarmos disso, já fazem três anos e eles agora estão casados, e.. bem eu já esqueci.

David ficou satisfeito ao ouvir a última frase, e se aproximou, mais de Sam.

—Mesmo?...

Mas não terminou a frase e chegou mais perto para beijá-la, quando foi interrompido, por Edy e Jack, que já estavam no corredor para verem Mylla.

—Pensei que a Dra. estava cansada, mas vejo que ainda está muito bem disposta. Disse Edy sem pensar no que estava dizendo.

— Está com ciúmes Edy? Perguntou Jack, pois agora mais do que nunca, sabia que Edy jamais esquecera Sam, e sabendo como foi o casamento da irmã, não demoraria para estarem um nos braços do outro. O que o incomodou profundamente, pois apesar das provocações não queria acreditar que isso pudesse acontecer.

— Por favor Jack, não começa, é só a Mylla melhorar que você já vem com suas insinuações maldosas.

— É melhor eu entrar, vou seguir seu conselho David, e tentar dormir um pouco. E Sam fechou a porta atrás de si, se dando conta do que Jack acabara de fazer.

"Será que ele não está vendo que está piorando tudo, pensou Sam lembrando-se de Jack, pois ela jamais ligaria a reação de Edy a ciúmes, mas agora que Jack falara Sam teve um misto de alegria e pavor, pois lembrava-se da cena de poucos dias atrás em que eles se beijaram na cozinha. Isso não pode acontecer, não pode."

— Você viu, disse Jack a David muito nervoso algum tempo depois quando estavam a sós. Depois sou eu quem fico imaginando coisas.

David não teve como negar, também percebeu que Edy ficou com ciúmes pela forma que ele se insinuava para Mylla.

— Não Jack, eu não posso acreditar que Edy e Sam teriam coragem. E depois ela me garantiu que...

— Não seja ingênuo David, é claro que ela não vai dizer para você que ela ainda ama Edy. Mas não precisa nem dizer não acha. Disse Jack indo para seu quarto com ódio.

A poucos metros dali Edy deitava na sua cama se martirizando. "Meu Deus, como pude me revelar assim, e na frente do Jack eu estou mesmo ficando maluco, que eu ainda a amo eu sei, e tive certeza depois daquele beijo, mas eu não posso, não é justo com Mylla e depois Jack seria capaz de nos matar. E eu ainda faço cena de ciúmes."