Notas iniciais
Tcharararararam~ Voltei! Espero que vocês gostem do capítulo, beijones!

Dois dias se passaram, acabou que a alta de Naruto demorou a sair graças a exames de última hora devido a forte dor de cabeça que ele sentira. Com nenhum problema grave aparente, ele foi liberado com um lembrete de voltar ao hospital para mais exames, além de manter sua recuperação já que seu corpo ainda sentia os efeitos do acidente.

Na casa o clima não era dos melhores. Hinata tentava ao máximo disfarçar e conversar com ele, mas era algo quase que impossível. A cena ocorrida no hospital ainda estampava ambas as mentes, deixando, principalmente, Naruto mais confuso. Ele ficava rondando a casa em busca de alguma memória. E nessas rondas, ele descobriu que uma das portas no andar dos quartos não abria, estava trancada.

— Ei! Hinata! — Ele a chamou e após alguns segundos a mesma já estava no segundo andar ao seu lado.

— O que houve?

— Essa porta. Não abre de nenhum jeito. A chave da tranca comum está aqui, mas tem uma outra.

— Uma porta com tranca dupla? Espera, vou no escritório ver se acho a chave.

Hinata desceu apressada e voltou com dois molhos de chaves. Eles tentaram todas, mas nenhuma abria a porta.

— Ah droga! Agora eu quero saber o que de tão importante tem neste quarto! O que será que escondi aí dentro?

— Conhecendo você com certeza são coisas da Midnight.

— Da banda? Sou tão neurótico assim?

— Vai por mim, se tratando dos seus instrumentos você é sim.

A tarde correu e enquanto o sol desaparecia no horizonte, Naruto permanecia na varanda até que Hinata apareceu com uma xícara de café quente e o entregou.

— Sei que não gosta muito e prefere chocolate, mas não tem na dispensa, e é bom se esquentar um pouco.

— Obrigado. Ei, Hinata. O que eu tocava?

— Violão, guitarra, piano e um pouco de bateria.

— Tudo isso?

— Tudo isso? Você dizia que era pouco e que aprenderia mais. Você e os garotos sempre foram obcecados por música. Fosse compondo ou tocando vocês sempre arranjavam encrenca na escola por causa da bagunça que faziam no intervalo.

— Nossa. Eu devia ser bem difícil de lidar.

Ela riu. Era a primeira vez que tirava um sorriso dela.

— Acho que é o contrário. Você sempre foi divertido e animado. Mas quando se tratava de música, vocês grudavam nos instrumentos.

Após a última frase, um clima tenso pairou. Era estranho, o assunto havia morrido e não havia como ressuscitar a conversa. O que realmente irritava Naruto, porque ele queria conversar com ela, queria saber mais. Mas Hinata não lhe dava espaço para isso. Não sorria, não conversava... Parecia estar forçada a estar ali com ele.

°°°

Ao cair da noite a temperatura caiu consideravelmente, então a lareira estava acesa. Naruto desceu as escadas após um banho e ao sentir o cheiro de comida foi até a cozinha, onde viu Hinata fazendo algo. Só ficou ali a observando. Era engraçado o quanto ela estava se complicando ao fazer comida. Não tinha colocado nada no fogão e já estava completamente perdida em meio a legumes e verduras picadas. Naruto não resistiu e começou a rir dela, anunciando sua presença.

— Você podia me ajudar ao invés de ficar rindo.

— E quem disse que sei cozinhar?

— Você sempre cozinhou melhor que todos. Perdi a conta de quantas vezes o pessoal desmarcou um jantar e obrigou você a cozinhar. Vem cá e tenta.

Ele deu de ombros, e logo de cara ela viu que ele fazia coisas que nem mesmo pensava fazer, tudo automático. Nem mesmo o jeito de lavar as mãos mudou. Após lavar as mãos ele pediu licença e numa rapidez incrível organizou a bagunça e começou a cozinhar.

— Viu? Eu disse.

— Se eu disser que não sei o que estou fazendo, você acredita?

— Claro que não. Já disse que você é um ótimo cozinheiro.

E realmente ele era, à medida que a comida saía, aquele cheiro já denunciava que ele era o mesmo de sempre. Hinata perdeu-se observando o jeito como ele fazia as coisas.

Dessa maneira o jantar correu. Ela parecia ter esquecido toda a mágoa que guardava, porque agora eles riam de alguma besteira que Naruto contava. Hinata tentava se revezar entre rir e comer, mas não conseguia.

— Desculpe, estava sujo. – Naruto passou o dedo perto dos lábios da morena e pôde sentir na mesma hora o quão tenso o clima ficou.

E ele se aproximou. Novamente, como da última vez no hospital, Hinata não mostrou resistência. Mas ele parou e sorriu.

— Se eu beijá-la, você ficará daquela maneira novamente não é? Não quero isso... Prefiro ver você sorrindo e brincando como está agora.

Hinata segurou as lágrimas, segurou a dor em seu peito que tentava sair a todo momento e ao mesmo tempo trancou seu amor, mas mesmo assim não foi suficiente para impedir o abraço que deu nele.

— Hinata?

Naruto sentiu ela chorar outra vez. Por que ela chorava sempre? Por que tanta mágoa dele? O que ele havia feito de tão horrível para deixá-la daquele jeito? Tentou mudar o foco do assunto.

— Sabe? Tem uma frase que não sai da minha cabeça. Fica ecoando todo o tempo...

Não houve resposta.

— When I see your smile. Tears run down my face I can’t replace... – ( Quando vejo seu sorriso. Lágrimas correm por meu rosto, eu não posso fazê-las voltar.) – Naruto se calou ao sentir as mãos de Hinata taparem sua boca.

— Por favor, não repita isso. — Sua voz saiu chorosa e tremida, quase inaudível.

— O que é essa frase?

— Não é uma frase. É uma parte de uma das suas músicas.

— Da banda?

— Não, apenas sua. Você a compôs meses antes da banda se formar.

— É para você?

Ela nada disse, apenas voltou a afundar seu rosto no peito dele enquanto fazia um “sim” com a cabeça. Ele por sua vez deixou-se dominar pela curiosidade.

— Você gostava dela?

Por vários minutos ela permaneceu quieta.

— Hinata?

— Por favor esqueça isso...

— Por q –

Ela se afastou.

— Já nos machucamos tanto Naruto... Conseguimos matar cada boa lembrança que compôs nosso passado, enterramos nossos sorrisos, matamos nossos sentimentos e quase secamos nossas lágrimas. Mas nada do que aconteceu pode ser mudado. É injusto que apenas você tenha esquecido, mas estou feliz por saber que você pode recomeçar, e para ser sincera, eu desejo que você esqueça para sempre o que aconteceu entre nós. Quando você melhorar, eu irei embora, e dessa vez não irei alimentar o que sinto por você, vou me afastar o máximo que puder e por favor, não vá me procurar. Siga sua vida, refaça o que puder ser refeito. Esqueça que um dia houve algo entre nós dois, esqueça que eu disse que nós fomos namorados.

Hinata se levantou e apressada passou pelo corredor, ele fez o mesmo e segurou sua mão antes que subisse as escadas. Ela não fez força, não havia força, não havia como resistir a atração que sentia por ele. No curto momento que ambos se olharam ele pôde sentir o quão intenso eram os sentimentos que ela guardava em seu peito. Amor, ódio, tristeza, alegria, solidão... Tudo estava misturado e manchado de lágrimas. Ele por fim apenas a soltou e ela subiu as escadas, se trancou em seu quarto.

— É tão ruim assim?

°°°

A noite correu lenta, e ele não conseguia dormir, foi então que ouviu pequenos barulhos vindos do primeiro andar. Abriu a porta de seu quarto devagar e saiu e com passos leves desceu as escadas em silencio. Seguiu pelo curto corredor que levava até o banheiro e o escritório. Não havia percebido que havia uma terceira porta. Estava encostada, mas dava para ver o que havia dentro, era como uma sala de estar, mas um tanto bagunçada, havia instrumentos de música e papeis por todo o local. Ao fundo um piano branco. E frente a ele Hinata se sentava; ela ficou algum tempo apenas o observando, mas logo após começou a tocá-lo.

http://www.vagalume.com.br/utada-hikaru/first-love-traducao.html

http://www.youtube.com/watch?v=-LozRizTBmk

Naruto não conhecia aquela música. Mas algo na voz de Hinata e na forma como ela tocava, fazia sua cabeça doer. Uma dor que parecia querer mostrá-lo que ele se esquecera de algo importante, algo que não deveria ter esquecido.

Com aquela dor insuportável, Naruto voltou cambaleando ao quarto. Sabia que não seria prudente ficar ali depois do ocorrido, principalmente se denunciasse sua presença.

°°°

No dia seguinte, nada foi comentado. Naruto achou melhor deixar tudo da maneira que estava e ver até onde as coisas iriam desta forma. Embora essa não fosse exatamente sua vontade, era a única opção que tinha. Não podia forçar Hinata a contar o que houve e não podia perguntar algo assim para outras pessoas.

Após um silencioso e tedioso café da manhã, aquele cara que estava no seu quarto após ele acordar apareceu. Seu nome? Uchiha Sasuke, dito o seu melhor amigo e de certa ele acreditava nas palavras dele, podia sentir confiança nele. Na visita que Sasuke fez, ele trouxe o violão de Naruto.

— Eu sei mesmo tocar isso?

— Sabe. Não precisa forçar nada se não quiser. Vou tocar a primeira música que a Midnight fez. A música foi uma brincadeira nossa com nosso baixista Shikamaru.

Ele começou o solo de violão e logo nas primeiras notas, pode reparar que Naruto encarou o violão como se já soubesse o que fazer e de primeira acompanhou Sasuke.

“Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?”

Ele acompanhou mesmo a letra.

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"

Naruto deixou que Sasuke cantasse sozinho quando por algum motivo começou a rir.

Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal", não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"São quase duas, eu vou me ferrar"

Sasuke sorriu querendo rir também, mas segurou a vontade enquanto Naruto o acompanhava no violão e tentava parar de rir para acompanhar Sasuke no vocal.

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de "camelo"
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Pequenas imagens vieram a sua cabeça, tudo muito borrado, e sem momento certo, mas aquilo já era um avanço imenso para Naruto que por algum motivo continuava a rir enquanto a musica continuava. Hinata por sua vez apenas observava lembrando do momento em que a música foi feita.

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

Eram boas lembranças para os dois e as primeiras que Naruto conseguia recuperar.

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

°°°

À medida que as horas andavam vagarosas Naruto bombardeava Sasuke com perguntas variadas, e a primeira memória que Naruto conseguiu de volta foi a do último show, mas tudo de forma borrada.

— É estranho isso de perder a memória, elas vão embora mas os sentimentos continuam aqui. As poucas coisas que consigo lembrar são muito borradas.

— Vai ser assim por um tempo, mas logo você deverá recuperar tudo. É um bom sinal que você consiga recuperar pequenas memórias. Isso significa que é capaz de tudo voltar.

Ambos estavam sentados na varanda tomando chocolate quente.

— Ei, Sasuke.

— Hm?

— O que houve entre mim e ela?

— Não é algo que eu deva dizer. Acho que isso você deverá recuperar sozinho.

— É doloroso vê-la dessa maneira, Sasuke. Eu quero chegar perto e abraçá-la, mas não consigo. É como se uma barreira ou algo do tipo nos separasse.

— O que houve entre vocês foi intenso e complicado demais para ser explicado assim. Mas acho que devo lhe entregar isso.

Ele abriu o bolso do pesado sobretudo, tirou uma caixa pequena e vermelha e entregou a Naruto, o impedindo de abrir.

— Dentro desta caixa estão duas coisas preciosas para você. Ficou comigo no começo da turnê. Você pediu para que eu cuidasse porque não queria abalar a turnê com as suas memórias.