Notas iniciais
Pessoal realmente desculpem pela mega demora! Antes do capítulo e de qualquer comentário, preciso deixar uma coisa bem explicada para vocês. No começo, a K Shin entrou aqui como Co-Autora comigo, foi sempre ela quem fez as postagens e na maioria das vezes era ela quem respondia a vocês, tanto nos comentários como em mensagens in box e agora como vocês sabem sou eu, KuroShinigami que fiquei como único autor e agora serei eu a fazer as postagens e responder reviews e mensagens, recebi algumas mensagens perguntando se eu e a K Shin havíamos brigado ou algo do tipo. A resposta é Não. Ela apenas optou por continuar como minha Beta e assim como todos os capítulos anteriores, esse passou pelas mãos dela! Então a única diferença que teremos a partir deste capítulo será a minha presença :D

Após a conversa no estúdio, ele a levou para a praia atrás da casa. Lá, ela percebia que ele já tinha tudo planejado, não apenas aquilo na sala de gravação, mas todos os detalhes na praia. Uma parte da areia devidamente forrada, vários cobertores, almofadas e mais à frente uma fogueira. Uma vez sentados ali ela tinha que concordar, ele sabia como ninguém planejar situações como aquela, onde até mesmo o céu estrelado colaborava.

— Aquelas fotos... Desde quando você as tem? Eu procurei por cada uma delas por tanto tempo... Já tinha perdido as esperanças de encontrá-las.

— Duas semanas antes da Hanabi... Você sabe, duas semanas antes dela morrer... Vocês viajaram para Tóquio, ela me enviou dois pacotes com mais de 300 fotos e uma carta pedindo para me encontrar. Ela se perdeu de você de propósito para encontrar comigo. – ela riu. – Ela não me contou nada, disse que a doença estava estacionada e como ela nem mesmo demonstrou fraqueza eu não pensei que ela estivesse mentindo. Foi uma surpresa para mim quando Sasuke me disse.

— Você foi?

— Ao enterro? Sim... Eu esperei todo mundo ir embora e depois eu me sentei lá. Eu não lembro quanto tempo fiquei.

— O que você disse?

— Tudo o que eu teria dito a ela se soubesse do estado dela. Mas conhecendo sua irmã, eu sei que ela mentiu exatamente para não ouvir uma despedida. – ela permaneceu quieta por um tempo.

— Eu sei o que você quer perguntar, Naruto – Ela suspirou. — A minha família sempre foi muito complicada. Quando a doença da minha mãe começou e meu pai decidiu vender a parte dele na empresa, ele e meu tio se desentenderam... Ele era irmão gêmeo do meu pai e sempre foi mais responsável, ele insistiu que meu pai não vendesse a parte dele, pois mesmo detendo uma boa quantidade de dinheiro, seria por tempo limitado. Após muitas discussões eles cortaram relações. Como nossas famílias nunca foram muito fãs uma da outra, não me surpreende você não saber disso. Eu sempre mantive contato com Neji, fosse frequentemente ou não. Ele sempre foi protetor dessa forma comigo, o que veio diminuindo com o tempo, principalmente após ele ter se casado.

— Ele é casado?

— Ele era. O casamento dele acabou há dois anos quando a esposa perdeu um bebê. Como ele estava sempre viajando a negócios e quase nunca estava perto, ela o culpou por isso... E desde então ele voltou a ter essa preocupação extrema comigo, que ultimamente é mais uma fixação do que qualquer outra coisa. Ele acha que você vai fazer o mesmo outra vez; que vai desaparecer. – Ao ouvir essas palavras, Naruto se manteve em silencio por alguns minutos.

— Eu não sabia o que fazer, não sabia se o certo era voltar ou ir embora. A conversa que tive com o Sasuke me lembrou de uma coisa que meu pai sempre dizia para mim quando a minha mãe se estressava e saía quebrando a casa toda: quando você está em um relacionamento o “certo” é relativo demais. Algo que na minha visão é certo pode ser errado na sua visão. Eu presenciei muito isso com meus pais, enquanto meu pai era mais calmo e por vezes até mesmo reservado, a minha mãe... Bem você conheceu a minha mãe, sabe como aquela maluca agia. No entanto, em todos os anos em que morei com os dois, nunca vi uma grande. Não importa qual era o problema, os dois sempre conseguiam sair dele. Pode ser que exista uma fórmula para uma relação dê certo, mas eu não creio que seja a mesma coisa para todos os casais e eu acho que nós não estamos perto de encontrar a nossa. Você tem feridas demais, algumas que eu não posso ajudar e outras que foram abertas graças às minhas atitudes. Nós já lamentamos, já discutimos, separamos e reatamos, mas sempre cometemos o mesmo erro.

— Eu estaria mentindo para você se dissesse que as palavras de Neji não me desestabilizaram ou não me atingiram. Eu ainda tenho medo de que você possa desaparecer. – ela desviou o olhar passando a olhar para a fogueira a sua frente. – Em certos momentos, Neji foi a única pessoa em que eu confiei e ele sabe disso. Ele tem plena consciência de que a confiança que eu tenho nele, é um meio de me controlar. Eu sempre estive ouvindo alguém, nunca tomando uma decisão realmente minha. Era sempre em pró da família, em pró da minha mãe, do meu pai, da minha irmã, em pró do bebê que perdi e do que estou esperando agora. Nesse momento eu quero mais que tudo tomar as minhas próprias decisões, decidir que caminho trilhar e com quem estar. Eu não quero mais ter dúvidas, nem hesitar, mas se for para isso acontecer, que seja graças a uma atitude que eu tomei para a minha vida.

— Então... Eu não vou tentar mais manter nossa relação de pé, não vou mais ser aquele que nos mantém unidos por palavras que por muitas vezes são repetidas e automáticas. Sempre que eu tomo a frente do nosso relacionamento, acabo passando por cima das suas vontades e no final você acaba escondendo coisas de mim, o que apenas complica ainda mais. Não quero que você me entenda mal e pense que estou apenas jogando toda a responsabilidade nas suas costas... Mas eu quero ouvir de você. O que você quer? Qual caminho você quer seguir e com quem?

Ao encerrar a frase, ela apenas encarou o mar à sua frente. Por mais que o vento salgado que vinha do oceano estivesse gelado, os cobertores somados a Naruto agarrado a ela e a fogueira, esquentavam muito bem. Aquele cenário era quase perfeito e dava a ela a paz que não imaginava que fosse ter em tanto tempo. Não era possível ver a lua, apenas o céu estrelado. De tempo em tempo o vento soprava mais baixo, deixando apenas o som do oceano que ecoava nas pequenas grutas no final da praia. Então ela percebeu que apesar daquele momento, a vida dela estava cada vez mais complicada. Era como se o destino jogasse uma pedra maior a cada obstáculo superado e aos poucos as coisas começavam a rumar para um caminho sem retorno.

Assim que percebeu o rumo que os pensamentos dela tomavam, Naruto levantou de seu lugar e, pegando-a de surpresa, a tirou de seu lugar fazendo com que ela deitasse no chão forrado. Ele sorriu timidamente enquanto se apoiava no chão ficando com o rosto próximo ao dela.

— Por que está chorando? – ela não respondeu de imediato, apenas tapou os olhos com uma mão.

— Eu não sei... Eu só quero voltar até aquele tempo onde esses problemas não existiam. Onde eu não chorava a cada dificuldade que encontrava... Eu me sinto tão inútil... Ultimamente, tudo que eu sei fazer é chorar e isso não resolve nenhum dos meus problemas.

— Hey... – ele puxou a mão dela e a encarou. – Chorar é uma fraqueza quando você não motivos para isso. Nossa única opção é seguir em frente, não é apenas o nosso futuro que depende disso.

Ele levou uma mão até a barriga dela por poucos segundos e depois a beijou. Ela continuou a chorar até a vontade passar, até sua mente parar de reviver as mesmas memórias.

— Eu quero continuar. Quero seguir em frente, dar um futuro a esse bebê... E eu quero que você esteja comigo, mas...

— Eu só preciso te mostrar que não irei te deixar, não é? Tudo bem...

Ela não respondeu à afirmação dele e não voltou a dizer alguma coisa nas horas seguintes. Depois de um tempo, em meio aos carinhos de Naruto, ela caiu em sono.

O dia seguinte chegou de forma tímida, uma tempestade se formava naquela região e isso deixou o sol escondido por toda a manhã, o que apenas prolongou o sono de Hinata. Quando ela acordou, o conforto da cama a deixou confusa. Lembrava-se de ter dormido com Naruto na praia; ou tudo fora um sonho ou ele a levou para casa. Esticando o braço por debaixo da coberta ela tateou a cama procurando por qualquer sinal de que Naruto dormiu ali, mas a parte fria da cama denunciava que ele provavelmente não esteve por lá ou saiu muito cedo. Com uma preguiça enorme que tentava prendê-la na cama, olhou para o relógio que indicava 11h20min. Havia dormido muito além do usual e talvez isso explicasse o medo em seu peito de que a noite anterior não fora nada mais que um sonho. Medo esse que logo desapareceu quando ela olhou melhor para o criado mudo ao seu lado e viu um papel dobrado ao lado do relógio digital. Animada, levou a mão até o papel e logo em seguida rolou na cama observando o que era mais um bilhete de Naruto.

“Acabou ficando realmente frio durante a madrugada e achei melhor te trazer para casa. Quando acordar, siga as setas!”

— Que setas?

Perguntou a si mesma e logo após sentar na cama percebeu uma seta de papel branco apontando para a porta. Apressada, ela seguiu descalça até a seta e abriu a porta do quarto para perceber outra seta apontando para o quarto do bebê. Ela cainhou até o mesmo, mas ao abrir a porta viu o cômodo completamente vazio com apenas um bilhete na parede.

“Eu decidi esvaziar o quarto e guardei as coisas por enquanto, iria decorar tudo de novo, mas achei melhor levar você dessa vez, por isso por enquanto o quarto permanecerá vazio.”

Após sair do cômodo ela percebeu que não havia mais setas que indicassem um caminho, apenas o cheiro do café da manhã que vinha da cozinha. Ao chegar à mesma, ela percebeu que Naruto não estava lá, mas um bilhete a esperava em cima da bandeja com o café.

“Precisei sair para resolver alguns assuntos da banda e uns assuntos com Jiraya. Estarei em casa mais tarde.”

Longe da casa de Naruto, uma visita incomum aparecia em uma vizinhança mais modesta.

— Por que se mudou para essa casa?

Hyuuga Neji estava de pé na porta da casa de seu tio, Hiashi. Aquele era um imóvel mais modesto do que o último onde ele esteve e após entrar no mesmo, ele percebeu que por dentro era ainda menor, com um incômodo cheiro de mofo.

— Tive que me mudar depois de uma incômoda visita daquele garoto que veio me ameaçar.

— Quem? Naruto?

— Quem mais poderia ser? – ele ficou calado por um tempo. – Eles estão juntos novamente, não é?

— Sim. Hinata está grávida dele... Outra vez.

— Eu não sei o que ele fez, como ele a controla tão bem... Já não bastou para ele causar toda a confusão que acabou piorando a saúde de Hanabi e me impediu de ver minha filha em seus últimos momentos... E Hinata para variar não quer nem mesmo ouvir minha voz... Neji você tem certeza que não deixou aquele moleque perceber que você está do meu lado?

— Não tio, fique tranquilo quanto a isso... Eu não teria nem um terço da fortuna que eu tenho hoje se não soubesse lidar com pessoas como aquele garoto. Ele provavelmente acha que eu acredito naquela baboseira que os amigos dele dizem ser a verdade. Aquela ideia absurda de que você a obrigou a abortar e foi o responsável pela piora de Hanabi... Ele acha que eu estou manipulando você com dinheiro.

— Tudo bem, não me importa que argumento você use, só quero afastar minha filha daquele garoto de uma vez por todas.

Sem encarar Neji, Hiashi levantou e passou a olhar pela janela da sala. Estava velho e tinha uma aparência cansada, como Neji mesmo disse, não se parecia nada com o empresário de sucesso de anos atrás. Seus bens agora se resumiam a nada mais que uma pequena quantia de dinheiro em uma conta bancária e aquela humilde casa.

— Tio... Por que você não se reaproximou dela no tempo que Naruto esteve longe?

— E você se esqueceu com quem ela estava morando? Ela podia estar afastada daquele garoto mimado, mais ainda morava com as amigas dele. Nunca me deixaram ficar próximo a ela. Hinata inclusive insistia em fingir que eu não existo.

— Eu não deveria ter ficado distante de vocês por tantos anos. Se eu estivesse próximo talvez nada disso tivesse acontecido. Talvez até mesmo Hanabi ainda estivesse viva.

— Não sei... Pode ser que tudo estivesse diferente, ou que estivesse da mesma forma. Às vezes eu apenas acho que a morte da mãe e o aborto deixaram minha filha louca e acabou agravando as coisas com Hanabi... É o único pensamento que eu tenho...

— Bom, não vai adiantar de nada ficarmos aqui discutindo sobre isso. Vou precisar entrar no jogo de Naruto se quiser ficar próximo de Hinata e isso vai ser um pouco difícil. Porém nada que eu não consiga contornar... Agora eu preciso ir.

— Tudo bem... Obrigado por me visitar.

Neji apenas se despediu com uma breve referência e logo se dirigiu para a porta, mas parou antes de abrir a mesma.

— Tio, o senhor tem certeza de que não quer aceitar minha ajuda? Eu posso te tirar daqui, não será um problema para mim.

— Não Neji. Eu agradeço a oferta mas não posso aceitar, mesmo que você seja meu sobrinho, eu não quero aceitar dinheiro seu. Não quero que me vejam como um aproveitador...

— Certo.

Em seguida ele deixou o lugar e Hiashi trancou a porta. Por alguns minutos permaneceu próximo a uma pequena janela ao lado da porta para conferir que Neji havia de fato ido embora.

— Pronto, ele já foi.

No momento seguinte uma pessoa saiu de um dos cômodos e apareceu na sala. Um homem de aparência pálida, um rosto ameaçador, cabelos negros, lisos e compridos. Mesmo Hiashi tinha que admitir ficar intimidado quando encarava aqueles olhos amarelados.

— Tenho que aceitar, você daria um ótimo ator... Acho que até mesmo eu ficaria convencido de que você é um anjo, Hiashi.

— Sem mais dos seus deboches, Orochimaru... – Hiashi seguiu adiante e sentou na poltrona frente a Orochimaru.

— Sem rodeios então? Tudo bem... O garoto, tem certeza que vai conseguir manipulá-lo?

— Ele é esperto, até demais para o meu gosto... Mas para a minha sorte ficou anos demais na Inglaterra sem ter notícias das coisas por aqui porque ele mantinha um contato irregular apenas com Hinata. Enquanto eu conseguir ocultar a verdade com a sua ajuda vai ser possível mantê-lo sob meu controle. Porém uma vez que Naruto se irrite e resolva esfregar a verdade na cara dele, eu receio que a verdade não fique a nosso favor.

— Se você fala dos documentos que comprovam a compra da Hyuuga Tech pela empresa de Naruto e a parceria com a Sabaku, eu posso garantir pelo menos atrasar ao máximo os documentos e isso nos dará um bom tempo. Mas não podemos relaxar, você precisa acelerar as coisas ainda mais agora que a sua filha está gravida. É o momento perfeito Hiashi! Se colocarmos as mãos em Hinata será fácil demais alcançar os nossos objetivos.

— Só uma pergunta... Por que é você que veio dessa vez e não Madara? Que eu saiba você era apenas mais uma peça dele.

O silêncio seguido pelo olhar sádico de Orochimaru denunciaram a Hiashi os seus pensamentos.

— Eu o matei.

— Você o quê?!

— Ora não me venha com esse falso moralismo. Madara era mais velho do que eu e você juntos! Tanto poder, tanto dinheiro nas mãos de uma pessoa como aquela e sobrando apenas as migalhas para nós? Nós arquitetamos tudo, Hiashi. Eu planejei tudo e me arrisquei para que você pudesse agir enquanto aquele velho inútil só ficava observando.

— Como você o matou? Mas que merda Orochimaru! Isso vai levantar suspeitas!

— Não vai. E baixe o tom de voz, não está lidando com um amador. Está achando o quê? Que eu invadi o escritório dele ou sua casa e o enchi de tiros? Claro que não. Um infarto é muito mais simples e praticamente livre de qualquer suspeita.

— Não sei Orochimaru, isso parece ter sido uma atitude precipitada demais.

— Pare de se preocupar com Madara. Você tem que se preocupar é com Jiraya. Ele inclusive foi um dos pontos que me fez apagar Madara. Se Jiraya conseguisse pressionar Madara, nós estaríamos em maus lençóis. Ele não hesitaria nenhum momento em colaborar com Jiraya para nos entregar e livrar aquele traseiro velho das suspeitas. E é também por causa de Jiraya que precisamos colocar as mãos em sua filha o quanto antes e ai nós poderemos ter tudo o que queremos... O controle das empresas, todo aquele dinheiro e poder, e você é claro, poderá ter tudo isso e sua filha de volta.

— Sim... Eu finalmente poderei ter Hinata de volta, terei minha filha de volta, sem aquele moleque para atrapalhar tudo.

Notas finais
Como vocês já leram nas notas que a K Shin colocava, nossas vidas são bem atarefadas e isso as vezes atrapalha o andamento das coisas. Como eu voltei apenas a vida de estudante terei mais tempo de escrever porém eventuais problemas poderão ocorrer por causa da minha faculdade ou da falta de tempo da K Shin. Porém como terei mais tempo para escrever os capítulos devem sair com mais rapidez. E em contrapartida, ressalto para vocês que Entre o Amor e a Música está em reta final!