Notas iniciais
ANTES TARDE DO QUE NUNCA! A quem me mandou mensagem na conta do nyah, fico agradecida. Eu sei que demoramos um bocado, mas dessa vez a culpa foi INTEIRAMENTE do outro autor. A conta dele está aqui como co-autor, podem ir esculhambar por lá. Eu ficaria até feliz! :DD Obrigada pela grande espera, até a próxima! ;)

— E então o que você pretende fazer agora? Você vai voltar para casa?

— Não sei Sasuke, já perdi a conta de quantas vezes te falei isso.

— Certo, não precisa ficar nervosinho comigo. Afinal não fui eu quem declarou guerra, e falando sério, ele tem argumentos bem sólidos contra você.

— Ah, pelo amor de Deus Sasuke! Já não basta ter que ouvir todo aquele papo doentio daquele cara dizendo que ela AMA Hiashi? Ela mal consegue ficar poucos minutos na presença daquele cara sem pirar... E depois das coisas que Jiraya me disse sobre Hiashi eu não acharia nada estranho ele estar apenas usando esse tal de Neji.

— Então é mais um motivo para você voltar logo para casa, sabe-se lá o que esse lunático vai fazer.

— Você sabe que não é tão simples assim Sasuke.

— E o que é simples na nossa vida nos últimos tempos? E você não pode simplesmente culpar Hinata por esconder as coisas de você Naruto, não depois de tudo o que aconteceu. Veja bem, ele é única parte da família que ela pode “confiar” e ele usa essa confiança como respaldo para falar mal de você e tentar mediar uma reconciliação entre ela e Hiashi, embora eu ache que isso é mais um amor doentio que ele tem pela prima do que uma vontade de unir o resto da sua família. Mas o fato é que você está aqui enfiado na minha casa enquanto sua namorada está com a minha namorada na sua casa.

— Por que do jeito que você fala só faz parecer que você só está incomodado com o fato de você estar aqui sozinho comigo enquanto Sakura está com Hinata?

— Naruto, eu posso considerar você um irmão e tudo o mais, mas sem ofensas, discutir uma relação não estava nos meus planos para hoje.

— Cara, é sério, toda vez que você diz essas coisas com essa cara eu acho que você está passando muito tempo com Jiraya.

— Bom, deixando o que eu faço de lado, eu apenas não consigo entender o que você espera Naruto. Relacionamentos não são perfeitos, não são exatos... Não é por que você abre mão da sua vida por uma pessoa, tenta esquecer os próprios problemas para cuidar de alguém que ela vai entender isso e agir da forma correta. E é da Hinata que estamos falando, desde os tempos da escola ela sempre fazia o que ninguém esperava. Eu sei que você está preocupado com ela e com a gravidez, mas agir dessa maneira e deixá-la sozinha agora, ainda mais com esse tal de Neji por aí... Não consigo ver isso e imaginar algo de bom saindo dessa situação.

— Eu sei Sasuke. Eu sei disso tudo, mas é como se o meu cérebro se recusasse a aceitar.

— Então deixe a razão de lado. Afinal de contas em um relacionamento a razão quase não tem vez.

Após a conversa com Sasuke, aquele pensamento de que as coisas não poderiam continuar do jeito que estavam continuou a perturbar sua mente e por fim ele resolveu apenas voltar para casa antes que as coisas tomassem um rumo que não tivesse volta. E no fim era justamente isso que ele precisava, que aquele relacionamento precisava. Um rumo, seja qual fosse.

Logo que chegou em casa encontrou a mesma vazia e um recado um tanto que esperançoso na mesa da cozinha. “Fui ao médico, estou com Sakura.” Ele sorriu ao ver que ainda era esperado naquela casa ao mesmo tempo em que se perguntava o porquê dele pensar em não ser mais esperado... E em meio a tamanha confusão em sua cabeça ele tentou esquecer ao menos por um momento tudo aquilo para que pudesse enfim fazer as coisas que estava planejando.

Algumas horas passaram desde que ela havia saído de casa para o médico. Além de um dia chato e monótono onde foi obrigada a ouvir vários termos médicos dos quais nunca nem mesmo ouviu falar ainda teve que aguentar os fortes enjoos que lhe acompanharam por toda a tarde, sem falar na imensa vontade de pedir para que Sakura parasse de falar por pelo menos um minuto, mas não teria como falar aquilo, afinal ela sabia que quanto mais estressada a amiga ficava mais ela falava e toda aquela situação entre ela e Naruto era motivo para Sakura falar sem parar durante um dia inteiro tentando esquecer a preocupação com o estado da gravidez da amiga. Ao chegar em casa teve uma surpresa tamanha ao ver que o carro de Naruto estava ali. Prevendo uma longa conversa entre os dois, Sakura optou por apenas deixar a amiga e logo foi embora. Hinata, por sua vez, apenas seguiu adiante. Destrancou a porta e entrou, tudo estava apagado com exceção da luz do corredor. Ela trancou a porta, jogou sua bolsa no sofá e seguiu em direção ao corredor. Uma vez lá, havia um papel sobre o interruptor. Ela pegou o mesmo e leu o que estava escrito.

“Vá para o estúdio.”

Sem hesitar e com certa pressa, ela logo chegou ao cômodo. Estava tudo acesso e com os equipamentos ligados, embora a porta da sala de gravação estivesse apenas encostada com algo tapando o vidro pelo lado de dentro. Sobre o painel de mixagem havia mais um bilhete.

“Dê o Play, tem duas músicas separadas.”

Ela sentou na cadeira e sem saber o que exatamente a esperava, colocou o fone e deu o play para ouvir a primeira música.

http://letras.mus.br/james-blunt/1768971/traducao.html

A medida que a música desenvolvia, cada pedaço seu soava como uma despedida, um decreto àquele relacionamento defeituoso que eles tinham e a única coisa que ela conseguiu fazer foi tentar — inutilmente — não chorar.

http://letras.mus.br/james-blunt/1759334/traducao.html

No fim da segunda música ela não sabia o que pensar, não conseguia dizer qual era o significado dela nem o que aquilo representava para ela. Só então ela percebeu uma seta feita de papel que apontava para cima no vidro a sua frente. Ela olhou para cima e não muito alto havia outro papel.

“A explicação está lá dentro.”

Deixando o fone sobre a mesa, ela abriu a porta do estúdio e acendeu a luz do lugar para no mesmo segundo sentir seu coração saltar com tanta força que parecia pronto para pular peito a fora. Sob o interruptor da sala havia um papel colado dizendo

“Feche a porta!”

Ela o fez e havia outro papel misturado a tudo que estava colado ali dizendo

“Obrigado”.

Só então ela parou para pensar em tudo o que estava ali, em tudo que aquilo representava. Não tinha como controlar o choro, ou o sorriso, muito menos seu coração. Era um misto de emoções como há muito tempo não sentia. Era como voltar no tempo em uma época que ela pensava não lembrar mais. Ali, nas paredes e no teto daquela sala de gravação estavam dezenas de fotos, fotos que não fazia ideia de que ele tinha. Fotos que Hanabi tirou dos dois nas primeiras semanas de namoro, dezenas de cartas que eles escreviam um para o outro e que eram entregues com a ajuda de Hanabi. E em um dos cantos tinha um grande pedaço de papel com um dizer

“Cada música possui um significado, um tom diferente e cada uma delas remete a um tempo que tivemos juntos. A primeira música representa como estamos agora como você deve ter percebido, mesmo que ela não represente nossos sentimentos, representa exatamente como nosso relacionamento está. A segunda música é um esboço que eu fiz poucas semanas após terminarmos, ela representa o pensamento que sempre esteve comigo desde o primeiro minuto que eu estive longe de você. Que estar com você é tudo o que me importa.

— Sabe...

Ele estava ali, parado na porta olhando para ela.

— É engraçado não é? Como nós simplesmente esquecemos disso? – ele continuou e apontou para as fotos. – Esquecemos de como tudo começou. Nos focamos tanto nos erros, em tudo que desmoronou que simplesmente esquecemos disso. Das semanas dos encontros escondidos porque seus pais discordavam do nosso namoro, das vezes que Hanabi nos ajudou sempre segurando vela para que pudéssemos ficar algumas horas juntos, e também de como ela registrou tudo isso... Eu errei Hinata, eu sei que eu deveria ter dito isso antes, e por favor não tente negar, não tente apagar as decisões covardes que eu tomei. Os erros que Hiashi impôs a você não explicam os que eu fiz por orgulho, se queremos que isso dê certo, que tudo dê certo, as mentiras tem que terminar aqui. Eu deveria estar ao seu lado... Tudo teria sido diferente, o peso pelo aborto, encarar a morte da Hanabi sozinha... Eu fui um covarde por não estar com você e o seu primo está certo em um ponto; eu fui apenas um moleque inconsequente que jogou tudo para o alto na primeira dificuldade que o nosso relacionamento teve e agora eu estou cometendo os mesmos erros. Eu não tinha o direito de voltar agora, de estar com você outra sem dizer isso, sem reconhecer isso. Eu apenas usei seu pai como desculpa e me afastei no primeiro problema.

Ele deu uma pausa e pegou uma foto que estava do lado esquerdo dela. Os dois estavam sentados no chão, encostados em uma árvore com o pôr do sol logo atrás. Era a segunda semana de namoro marcada por um dia de muitas gargalhadas em que Hanabi teve que usar praticamente todo seu estoque de melhores mentiras enquanto obrigou Hinata a ficar calada para evitar que ela cometesse mais estragos frente a Hiashi já que ela quase denunciara o “encontro” com Naruto por três vezes.

— E esquecemos disso... De como começou, do que possibilitou esse começo. Nós apenas pegamos dois amores machucados demais e mergulhados em mentiras e ressentimentos, tentamos juntá-los outra vez sem nem mesmo reparar nas coisas que estavam pendentes.

— E o que estava pendente? – perguntou ela segurando o choro e olhando para as outras fotos.

— Tudo isso, tudo o que construiu o nosso relacionamento. Era nisso que deveríamos ter focado, não nos erros, no que nós falhamos... Veja só, de que adiantou? Tudo que conseguimos foi nos afastar ainda mais e desgastar um sentimento que já estava mais do que machucado. As únicas vezes que fomos verdadeiros um com o outro nos últimos tempos foram nas vezes que discutimos. Nas vezes que chamamos um ao outro de covardes e assumimos nossos erros, mesmo que aos berros. Não tem por que você dizer que não sentiu raiva disso, que não me culpou, que não me achou um covarde por abandonar você em uma hora como aquela. Eu me culpo por isso, eu sei que estava errado e que errei até mesmo com quem não tinha feito nada de errado, pelo contrário... Não teríamos nem mesmo tido história alguma se não fosse pela sua irmã.

— Naruto... Qual o significado disso tudo? Por que agora...?

— É isso que eu quero descobrir. Se ainda tem algo desse tempo em nós.

Ele percorreu a sala com passos curtos reparando em cada uma das fotos que ele colocou ali. E agora ela reparava em uma coisa, elas estavam organizadas pelo tempo em que foram feitas. Desde as primeiras semanas até as últimas que Hanabi tirou pouco tempo antes dela ir para os EUA e pouco depois de tudo aquilo acontecer. Havia fotos da formatura, fotos de quando ainda estudavam... E havia uma parede inteira apenas para a primeira semana. Cada uma delas parecia formar uma cronologia perfeita. Retratando encontro por encontro em perfeita ordem. Desde o primeiro encontro, de pouco assunto, nada além de mãos dadas ocasionalmente e conversas tímidas, muitas fotos que Hanabi tirou de longe parecendo saber o momento exato para ser retratado. Seguindo para o próximo, já de abraços e conversas mais soltas. E assim seguia, foto a foto, encontro a encontro. Abraços, beijos, sorrisos, brincadeiras, momentos mais sérios que logo se desfaziam com gestos implicantes ou frases exatas de Hanabi que faziam ambos rir. Haviam todo o tipo de lugares e tempos. Dia de sol se pondo, um desabrochar de cerejeiras, neve, chuva, praia. O fim de semana em que Hinata conseguiu viajar com Sakura para a casa na praia da família Haruno e ele teve que fazer uma viagem para um cidade de horas para longe da cidade e logo após dar um longo retorno apenas para sair da marcação de Hiashi. E tudo ia até a fase mais difícil daquele namoro, até a fase em que Hiashi não ligava mais para proibir nada após sua esposa falecer, e até a hora em que as fotos começaram a ter um espaço de tempo maior entre elas. Até a última foto feita. Uma foto dele abraçado a ela e puxando as bochechas de Hanabi. Foi a última foto tirada porque logo após ela foi internada para tratamento e tudo aconteceu. Foi a penúltima vez que ele viu Hanabi e aquela foto representou tudo o que eles perderam e esqueceram de reencontrar.

— Em cada uma dessas fotos, a gente não ligava para as mentiras, pelo contrário, foi contanto mentiras que nós começamos. Precisávamos mentir para tudo, as vezes até para nós mesmos a fim de não falarmos o que não devíamos em momentos errados. Tudo o que importava era estar com você não importava a maneira que fosse. Não importava o que eu tivesse que fazer ou que tivesse que suportar. Fossem duas semanas sem nem mesmo ouvir sua voz, não ter nada além das cartas que Hanabi conseguia levar e trazer. E por Deus olha como nós éramos felizes... E hoje em dia, quando não temos nada nem ninguém para impedir, nós destruímos tudo por nós mesmos! O meu objetivo com tudo isso Hinata é apenas esclarecer uma coisa. Nós não podemos voltar a ser como antes é verdade. Hanabi não está mais aqui, não podemos mais contar com as fotos perfeitas ou as brincadeiras. Nós também não somos mais como antes, fomos do céu ao inferno em pouco tempo e mesmo agora ainda estamos redescobrindo quem nos tornamos.

Ela sorriu olhando para as fotos, eram memórias que ela havia trancado, remetiam a um tempo tão feliz que parecia ser apenas imaginação. Aquelas lembranças tão alegres haviam sido tidas como proibidas e relembrá-las agora, sem sentir culpa ou peso era algo tão sufocante que ela perdeu a força nas próprias pernas obrigando Naruto a segurá-la. Ele sentou frente a ela que o abraçou em meio ao próprio choro. Assim eles permaneceram por um tempo indefinido até o choro dela cessar e ela deitar no chão olhando para as fotos que estavam distribuídas.

— Desde aquele dia, desde quando Hanabi morreu eu tranquei essas lembranças com tudo sobre ela, — ela esticou a mão como se tentasse pegar uma das fotos. – é tudo tão feliz, tão espontâneo que até parece pura imaginação... Será que ainda temos algo daquele tempo? Algo que possa nos permitir recomeçar?

— Da minha parte nada mudou, meus sentimentos por você não mudaram. Você sabe que para mim desde que eu pudesse ver você sorrir, desde que eu conseguisse ver um sorriso daquele tempo em você, eu estaria mais do que feliz... – Ela sorriu secando as próprias lágrimas.

— Você sempre foi assim, fazendo de tudo para que eu apenas sorrisse para você... Nós não teríamos que passar uma borracha em tudo? Recomeçar, esquecer o oque houve entre o dia em que a última foto foi tirada e hoje?

— Hm... E voltar para o tempo de apresentações como na infância, ou para aquele primeiro encontro completamente constrangedor que eu mal conseguia falar um oi? Eu acho melhor não... – completou ele rindo. – Nós precisamos apenas de uma coisa.

— O quê?

— Da confiança que nós perdemos um no outro no dia em que tudo terminou, essa confiança que nós ainda não conseguimos recuperar.

— E como nós recuperamos?

— Contando toda a verdade é um bom começo, dizendo todos os segredos que nós temos, qualquer coisa que possa gerar um desentendimento, não importa o quão difícil seja dizer isso. Se nós vamos recomeçar, se vamos tentar um recomeço. Nós precisamos contar tudo, como fizemos na primeira semana. Desde os nossos sonhos aos nossos medos, o que fizemos de errado, nossos ressentimentos, nossas culpas.

— E onde nós vamos fazer isso?

— Hm... Eu tenho um lugar em mente...