Notas iniciais
I'm back! Boa leitura~

Os dias correram bem rápido após aquela conversa e embora o humor de Hinata tenha melhorado consideravelmente a ponto de não ser mais necessário que ele a tirasse da cama a força ou tivesse que inventar modos de fazê-la comer, a vida dos dois não estava cem por cento nos eixos. Ela agora gastava todo o dia cuidando do jardim ou lendo livros e por diversas vezes simplesmente desaparecia dentro de casa quase o enlouquecendo. E ele conseguia contar nos dedos as vezes que tiveram um diálogo maior que um bom dia. Ela estava estranha. Parecia se desligar do mundo todas as vezes que ele tentava convencê-la de ir ao médico começar o pré-natal e ver como seu corpo estava.

Quanto ao burburinho de comentários sobre Hinata na internet, tudo parecia estar um pouco mais tranquilo após Jiraya agir. Era incrível como ele sempre conseguia resolver as enrascadas do afilhado.

— Eu consegui acalmar as coisas um pouco, mas não vai ser sempre. Embora eu tenha certeza que apaguei qualquer chance de fuçarem o passado da Hinata, ainda é provável que caso encontrem Hiashi... Você sabe que se pagarem bem, ele vai abrir o bico.

— E eu juro para você que se ele fizer isso eu vou sumir com ele do mapa.

— Você continua insistindo nisso?

— Eu já te disse Jiraya, eu dei um ultimato a ele e não vou voltar atrás.

Jiraya se calou por alguns segundos, levantou, foi até a cozinha e voltou para a sala com mais café.

— Olha garoto, eu sei como você se sente e você sabe como eu me culpo por ter ouvido Minato e confiado em Hiashi. Afinal de contas ninguém imaginava que ele faria algo assim. Mas se a situação chegar a ficar crítica outra vez eu não quero que você se envolva, você é novo demais para ter algo assim nas costas.

— Eu só queria entender, Jiraya... O que se passa na cabeça dele? Ele arruinou a vida da Hanabi, depois fez tudo isso com a Hinata e como se não bastasse sumiu com todo o dinheiro que restou após a venda da empresa e deixou as duas filhas desamparadas...

— Eu nunca entendi o que se passa na cabeça dele. Mas como ela está?

— Depressiva... Eu mal consigo falar três palavras com ela.

— Ainda com os mesmos problemas?

— Sim... Eu não sei se ela vai conseguir superar isso um dia, Jiraya... O aborto, logo após perder a Hanabi... E ainda mais do jeito que foi... Ela ficou sozinha tempo demais.

— Você não é assim... De ficar sempre reclamando e desistindo das coisas.

— A questão não é essa, Jiraya. Eu já não sei o que eu vou fazer.

— Eu já falei, Sasuke já falou e agora eu vou repetir, tenha paciência. Ela precisa saber que você vai estar ali, de alguma forma isso deve ser apenas algum teste mental dela, saber se você vai realmente estar com ela. Apenas tenha paciência, tenha fé que as coisas vão se resolver.

— Jiraya... E quanto ao assunto das empresas? A morte dos meus pais... E não me venha me dizer que você não sabe de nada, volta e meia você some e fica dias sem dar notícias.

— Bom, não tenho porque mentir para você. Eu estive mesmo reunindo informações. Cobrei alguns favores, pressionei algumas pessoas. E eu realmente descobri muitas coisas. Só que onde eu estou atualmente, só posso especular. Eu sei que tem a mão de Madara, Orochimaru e Kabuto nisso tudo, mas eles usaram um peão. Alguém fácil de ser manipulado, alguém que pode ser facilmente descartado e que negaria a ligação com eles... O que eu vou sugerir agora pode ser apenas imaginação minha. Mas quem vem a sua cabeça após essas sugestões que eu te dei?

— Se for quem eu estou pensando não acho que seria tanta imaginação assim.

— Mesmo assim é uma acusação grave.

— E eu realmente espero que seja apenas especulação, eu não sei que efeito isso teria em Hinata.

Após a visita de Jiraya, a longa conversa com o padrinho parecia ter acalmado pelo menos um pouco a cabeça de Naruto, de forma que tinha seguido um dos conselhos que Jiraya lhe deu e tentou concentrar um pouco de seu tempo para escrever algumas músicas ou olhar os relatórios da empresa. Após algumas horas a noite já começava a cair quando ele subiu até o quarto para ver como Hinata estava, mas algo chamou sua atenção antes que ele a chamasse, ela falava algo. Ele ficou quieto por alguns segundos tentando ouvir o que ela falava.

— Desculpe, mas eu realmente não posso falar com você agora. .. Não... – ela deu uma pausa. – Você não está entendendo, eu não estou fugindo de você... Mas aconteceram muitas coisas, Naruto está aqui e a qualquer momento ele vai aparecer, então eu preciso desligar... Eu estou bem... Por favor... Eu vou desligar.

E tudo ficou quieto. Afinal de contas com quem diabos ela falava que ele não poderia saber quem era? Com os pensamentos um tanto que intrigados ele desceu e voltou para a sala, iria esperar alguns minutos antes de subir para que ela não desconfiasse que ele ouviu a conversa. Mas logo que ele chegou na sala outra coisa chamou sua atenção. O celular dela estava ali. O celular, o notebook, o tablet. Todos os aparelhos eletrônicos dos dois estavam na sala e não no quarto, onde ela estava. Ele não estava maluco, havia escutado o som do celular encerrando a chamada quando ela estava lá.

Ele voltou a subir as escadas antes que aqueles pensamentos o atormentassem. Após bater poucas vezes na porta ele a abriu e entrou e encontrou Hinata vendo TV.

— Hina, você vai jantar agora?

— Pode esperar um pouco? Vou tomar um banho.

— Ok.

Ela levantou da cama e seguiu para o banheiro da suíte enquanto ele entrou e sentou na beirada da cama. Por alguns minutos ele ficou ali apenas avançando pelos canais da televisão, até que um barulho começou a incomodá-lo. Algo tremia em algum lugar fazendo um zumbido incômodo. Ele diminui o volume da TV e olhou ao redor. Após tatear um pouco a cama e encostar no criado mudo de Hinata, ele viu que o barulho vinha dali. Sem hesitar ele abriu o mesmo e após remexer entre alguns livros que estavam guardados ali acabou por encontrar o objeto. Um celular. Um celular que ele nunca havia visto estava no criado mudo de Hinata vibrando freneticamente, e pelas marcas de uso e o modelo, não era novo, deveria estar com ela a pelo menos um ano. Claramente intrigado ele segurou a própria curiosidade e desconfiança e após colocar o celular no mesmo lugar em que estava, ele fechou a gaveta e avisou para Hinata que desceria, mas ele não o fez, apenas saiu para o corredor, apagou a luz do mesmo e ficou ao lado da porta do quarto. Quase no mesmo instante ele ouviu a porta do banheiro abrir e ela saiu com passos apressados até o criado mudo, ele ouviu o momento em que ela abriu a gaveta e atendeu a chamada.

Por favor! Eu já pedi para você não ligar outra vez, eu vou ter que desligar o celular como fiz antes! ela deu uma pausa. – Eu já não disse que vou encontrar você? Eu já disse que amanhã vou te encontrar, eu vou dizer a Naruto que vou ao hospital, mas que quero ir sozinha. Vou te encontrar no lugar de sempre a uma da tarde. Agora eu vou desligar o celular! – ela deu outra pausa. – Olha, você acredita em mim se quiser! A nossa relação está mais que gasta por causa das SUAS desconfianças e essa proteção desnecessária! Eu vou estar lá amanhã.

Ele ouviu a chamada sendo encerrada, ouviu o aparelho sendo desligado, mas era como se aquelas últimas frases não entrassem na sua cabeça. Ele desceu para a cozinha, a esperou descer para o jantar e compartilharam do silêncio enquanto comiam. A noite após o jantar foi a mesma coisa, não houve um momento em que ele conseguiu pregar o olho e tirar todos aqueles pensamentos confusos e até mesmo repulsivos da cabeça.

Pela tarde, após o almoço, ele ouviu a desculpa. Exatamente como ela disse que faria, naquela ligação. Ele insistiu em ir com ela, mas ela insistiu em ir sozinha e saiu da casa deixando-o falando sozinho após a conversa ficar mais áspera. E poucos minutos após ela sair, ele pegou seu carro e após ligar o próprio GPS navegou pelo aparelho por alguns minutos até ver um ponto vermelho correndo no mapa. Era o carro de Hinata. Ele fez o mesmo percurso, sempre respeitando uma considerável distância. Ele sabia que ela havia se esquecido de desligar o GPS e que provavelmente nem mesmo passava pela cabeça dele que havia um aparelho como aquele em seu carro e que ele poderia rastreá-la.

Após pouco mais de vinte minutos de estrada, ela parou em um shopping. Ele fez o mesmo, mas agora teria que procurar por si só e com cuidado para não ser visto. Ele esperou mais dez minutos e só então entrou no local. Com clara pressa ele atravessou os corredores até chegar na praça de alimentação. Até que ao passar pelo restaurante mais caro do local ele viu de relance, os inconfundíveis cabelos azulados... E sem hesitar ele entrou no restaurante ignorando a recepcionista que insistia em perguntar se ele tinha reserva ou se alguém esperava por ele. Ela estava claramente nervosa e parecia falar mais alto ditando o ritmo da conversa. Naruto por sua vez procurou olhar para o homem que estava ali, mas como estava de costas não conseguiu ver seu rosto. Via apenas um longo cabeço castanho preso em um rabo de cavalo. E logo ela parou de falar quando ele segurou a mão dela.

Naquele momento, cada um dos pensamentos repulsivos que ele evitava, dominavam sua mente, dominavam seu corpo. Ele não conseguia mais pensar com clareza, não conseguia controlar os próprios movimentos. Após alguns passos ele entrou no campo de visão dela e com um sorriso falso esperou que ela o notasse. Esperou até que o olhar dela claramente chocado e desejando que não fosse ele de pé ali, encontrasse o olhar dele. E naquele momento ela paralisou. Ele deu as costas e com passos lentos começou a deixar o restaurante.

Ela já tinha visto uma cena parecida com essa. Estava envolvida em um engano, levada pela situação a uma cena que não podia explicar e nem mesmo retrucar, e novamente ele caminhava para longe, novamente com aquele olhar. Outra vez ela agia por impulso, levada pela opinião dos outros, esquecendo dele. Deixando-o de lado e de fora da sua vida. Ela deixou a mesa, deixou o restaurante apressada correndo atrás dele.

— Naruto! Naruto, por favor, me deixe explicar! – ela o segurou pelo braço. – Não é nada disso que você está pensado, eu sei que parece, mas não é nada disso!

— Você sabe realmente o que eu acho que é? – ele se livrou da mão dela. – Eu não vou ter essa conversa aqui, não depois dos esforços de Jiraya para limpar as coisas. Se você quiser conversar eu vou estar em casa. Mas não por muito tempo.

Ele voltou a andar, dessa vez com os passos o mais apressados possível, ela iria segui-lo mas sentiu alguém a segurar.

— Neji, por favor! Será que o estrago que você fez já não é o suficiente?! – ela tentou manter o tom baixo para não chamar a atenção.

— Não, eu já disse que só vou estar satisfeito quando você não estiver mais com aquele moleque!

— Você não sabe nada sobre o Naruto! Não me venha com a sua descrença nas pessoas que você não convive!

— Ele abandonou você! Você pode esquecer das coisas fácil Hina, mas eu nunca vou esquecer de quando você ficou desamparada por aquele irresponsável.

— Ele tentou fazer tudo por mim! Ele teria conseguido se não fosse meu pai! Quantas vezes eu tenho que repetir isso?

— Nós somos uma família, droga! Os únicos que restaram dela! Por que você não consegue enfiar na sua cabeça que eu só quero o seu bem?

— Então PARE de atrapalhar minha vida, Neji! Eu estou grávida, merda! E parece que graças a você essa gravidez será um novo desastre! É isso que você quer? Se você quer o meu bem, me largue e repense as suas atitudes. E se possível, não volte a me procurar tão cedo.

— Hina, entenda... Você sempre foi a minha menina. Eu não posso ver você passar tanto e não poder fazer nada de novo! Eu vou estar aqui agora e nada que você diga irá me fazer ficar distante.

— Você tem negócios no exterior, não pode apenas ficar aqui.

— Disso eu cuido, mas você é minha prioridade.

— Depois conversamos, eu preciso conversar com ele... — ELa disse e saiu quase correndo.

Aquela altura Naruto já estava em seu carro e provavelmente deixando o shopping. Sem ideias ela pegou o celular e ligou para Sakura.

— Sakura, por favor, pare o que você estiver fazendo, pegue Sasuke e vá para minha casa! Por favor, segurem Naruto lá!

— Ei, ei o que houve Hinata?!

— Eu não tenho como explicar agora, eu só posso dizer que provavelmente eu acabei com a minha relação com Naruto, então, por favor, faça de tudo para segurar Naruto até eu chegar em casa!

— Tudo bem.

Ela estava claramente abalada e isso só tornava mais difícil o caminho para casa, enquanto levou pouco mais de quarenta minutos para chegar àquele maldito shopping agora levava mais de uma hora para finalmente chegar em casa. Foi um alívio tremendo ver o carro de Sasuke lá, mas esse alívio foi embora para dar lugar ao medo quando viu Naruto e o casal de amigos na sala, esperando por ela.

— Sasuke, Sakura, por favor, nos deixem sozinhos. – Naruto disse, olhando para ela.

— Naruto...

— Por favor, Sakura. – no mesmo momento Sasuke segurou Sakura e a levou para a varanda.

— Naruto...

— Olha... Eu já sei tudo o que você vai dizer. Eu já sei as desculpas que vai dar e o discurso que vai usar. – ele mostrou o celular que ela guardava. – Eu já li tudo aqui, todas as mensagens, tudo, toda essa coisa desse seu primo.

— Então...

— Então eu não sei. Eu não sei o que pensar de você, de mim. Eu sinceramente já não sei mais o que eu estou fazendo aqui.

— Naruto...

— Eu não quero ouvir. Eu não quero ouvir as desculpas, Hinata. Já chega, é o meu limite, eu não quero mais nenhuma desculpa sua.

— Você está fazendo toda essa confusão por causa de uma coisa tão pequena! – ele olhou para ela por alguns segundos e logo após desviou o olhar.

— Pequena? Você realmente acha isso uma coisa pequena? O que você sinceramente acha que eu devo pensar? Quando eu acho que está tudo caminhando para uma coisa boa, para um “final feliz”, eu descubro que você guarda um telefone que é para contato exclusivo com seu primo... E depois de ler as coisas que estão aqui eu sinceramente não sei se esse cara apenas me odeia e quer te ver longe de mim ou se vocês mantêm um relacionamento ou algo do tipo. E não me venha cobrar confiança! Você acabou de quebrá-la Hinata! E pensar que isso tudo tinha como ser evitado! Bastava que você apenas me contasse tudo ontem à noite, que você abrisse logo o jogo. O que você achou, que eu te privaria de ver a única “família” que te restou? Que eu colocaria as opiniões pessoais dele a meu respeito à frente da sua felicidade? Você ao menos considerou a possibilidade... De que eu pudesse encontrar esse celular? Você tem ideia das diferentes sensações que eu experimentei desde ontem? Primeiro eu escuto a minha namorada, que por sinal está GRÁVIDA de um filho meu, falar com uma pessoa que eu não conheço em um celular da qual a existência eu não fazia a mínima ideia. E depois eu esperei a noite toda que você tivesse pelo menos a consideração de abrir o jogo... Mas não, você mentiu mais uma vez, saiu de casa agindo de uma forma completamente estranha comigo e quando eu sigo você te encontro em um restaurante com uma pessoa que eu não conheço e ainda presencio uma cena daquela com ele segurando a sua mão como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Ele parou por um tempo, jogou o celular no sofá, se aproximou dela, a encarou por alguns segundos e voltou a se afastar.

— Você sabe o que dói mais? Não são as mentiras. O fato de você sustentar uma situação dessas dentro da nossa casa, não é isso. Não é a sensação de traição que eu sinto, ou os pensamentos de você com aquela pessoa.

— EU NUNCA FARIA ISSO COM VOCÊ! – ela gritou em desespero sem conseguir segurar o choro.

— NÃO IMPORTA! – ele devolveu o tom e respirou fundo tentando se acalmar. – O que realmente me machuca, é ver que todo o meu esforço, toda a minha paciência, todo o meu carinho... É ver que NADA, NADA DISSO, foi o suficiente para tirar você de casa, para trazer você à realidade de que você está grávida! De que essa é uma gravidez de risco em que eu posso perder não apenas outra criança sem nem mesmo conhecê-la, mas perder você também... Olha há quantos dias Hinata eu tento tirar você dessa casa, convencer você a ir ao hospital, a ver como está o seu corpo, a ver como a gravidez está. O que realmente me machuca é saber que eu não fui capaz de te tirar de casa. Mas basta seu primo estalar o dedo que você sai de casa discutindo comigo e se arrisca a dirigir com o seu corpo fraco como está!

— Naruto, eu...

— Você tem noção, você pelo menos PENSA, em como eu estou? Você parou para pensar como está difícil deixar a falta que os meus pais fazem, tentar deletá-los da minha cabeça para cuidar de você, tentar ajudar você a lidar com a falta que a sua irmã te faz. Você ao menos percebeu que eu sou capaz de abrir mão de qualquer coisa por você?

Ele parou de falar e deu as costas para ela, subiu as escadas mas logo ouviu que ela vinha atrás dele.

— Naruto por favor me escuta!

Ele entrou no quarto, pegou uma mala que estava sobre a cama e virou para sair do quarto mais ela estava parada na porta.

— Para onde você vai?

— Não sei.

— Não, você não vai embora! Não outra vez!

— Hinata, por favor, sai da frente.

— Eu não vou sair! Eu não vou deixar que os meus erros estraguem tudo outra vez! Não vou!

— Isso não cabe mais a você... – ele andou até ela com passos lentos. – Eu sei que não sou capaz de te apagar da minha vida Hina. Mas... As suas malditas escolhas sempre te colocam no caminho errado! É como eu te disse, o que mais machuca não é a sua mentira, mas sim o fato de saber que as suas decisões podem ser facilmente mudadas por uma pessoa que nem mesmo esteve ao seu lado como eu tento sempre estar. Isso é o que mais machuca. Você precisa pensar, você precisa decidir dessa vez. Olha para mim. – ele levou a mão ao rosto dela e o levantou até ela olhar para ele. – Eu não vou tentar outra vez Hina. Eu não vou continuar nesse jogo, tentando te levantar sem você nem ao menos se esforçar. Não vou. Eu não vou te proibir de ver aquele cara, mas eu não vou nem mesmo cogitar voltar para casa enquanto você continuar assim. Eu não quero mais saber das suas cicatrizes, eu tentei fazer do seu jeito, tentei fazer do melhor jeito, tentei te levantar e te fazer feliz e você pegou tudo isso e jogou no lixo quando uma simples conversa bastaria para resolver tudo. Então hoje eu estou saindo de casa, e eu só vou cogitar voltar quando você mudar. Quando eu ver você cuidando de você. – ele levou a mão a barriga dela. – E dessa pessoa que depende de você mais que qualquer outra.