Entre o Amor e a Música.
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Antes de amanhecer Naruto tomou o caminho para casa. Hinata havia lhe mandado uma mensagem dizendo que havia ligado o alarme, por isso ele teria que esperar um pouco no portão até que ela desativasse tudo para ele entrar.
Logo que chegou, fez como ela havia dito. Ligou e esperou que ela viesse abrir. Pela voz sonolenta, Hinata havia acabado de acordar. Não nevava, mas estava muito frio. Hinata desativou os alarmes e quando o imenso portão se abriu, ele entrou. Ela estava na porta com uma xícara de chocolate na mão, vestida em um robe de seda azul marinho. Ele tirou o casaco e pegou a xícara de chocolate da mão dela.
— Iremos às duas. – Ele disse.
— Certo. Então... Como você está?
— Bem.
— Eu...
— Eu sei que eu errei com você, mas eu só estava tentando te proteger... Perdão.
— Eu vou trocar de roupa. – Ela disse, enquanto tentava segurar o choro. Não aguentava mais pagar de fraca e impossibilitada na frente dele.
— Ei... – Naruto foi mais rápido e segurou o pulso dela. – Espera. Eu só estava cuidando de você, Hina. Eu sei que foi um grande erro ter feito isso sem falar com você primeiro, mas você não aceitaria... Eu preciso cuidar de você, Hina... Você não sabe o que eu senti quando você tentou aquilo... Eu fiquei louco, eu não sabia o que fazer. Eu fui muito drástico, eu sei, mas naquela hora você não estava podendo falar ou pensar direito, não estava bem e agora nós não sabemos o que está acontecendo e eu só quero que você fique saudável de novo. Eu não deixo de me sentir culpado por tudo o que está acontecendo com você. Tudo o que eu fiz e falei e em como isso acarretou consequências pra você, me deixa louco. – Hinata não falou nada em resposta, apenas se jogou nos braços dele, escondendo o rosto em seu peito. Naruto entendeu que ela aceitava as desculpas e que as pedia também. Aquela briga já não tinha mais fundamento em ser seguida. Por mais que Naruto tivesse errado, Hinata sabia que ele havia feito o que estava ao seu alcance pelo bem dela. Depois de tanto tempo cuidando dos outros, talvez fosse mesmo a hora de enfrentar o próprio corpo e deixar que ele tomasse um pouco as rédeas da vida dela. Ela já não tinha forças para enfrentar o que a vida estava colocando à frente dela. – Você quer ir hoje? Nós podemos remarcar. – Naruto disse.
— Vamos logo acabar com isso.
No fim da tarde os dois saíram de casa. Era uma clínica particular e bem discreta no sentido de privacidade. O que eles menos precisavam era notícias sobre Hinata indo a clínicas médicas com ele. Ao entrarem, uma recepcionista simpática os atendeu e os acompanhou a uma sala que antecedia o consultório do ginecologista que atenderia Hinata. Eles sentaram em um sofá e Naruto não largou a mão dela um só momento até que o médico a chamou. Então, ela disse a ele que entraria primeiro e depois o chamaria, caso fosse necessário ou algo do tipo. Ele viu o quanto ela estava abatida e distante, mas infelizmente esse era um grande obstáculo a ser enfrentado. E ele estaria junto dela.
Uma senhora atendeu Hinata. Ela já devia estar em seus sessenta anos, muito simpática e sorridente, cabelos grisalhos e um jaleco tão branquinho quanto sua pele. Para o alivio de Hinata era uma mulher e não um homem. Ela sabia que era bobagem pensar isso, que todos eram profissionais iguais, mas não deixava de se sentir mais confortável conversando com uma senhora como aquela.
— Boa tarde, senhorita Hyuuga. – Ela sorriu quando levantou da cadeira. – Eu sou Rosemary e serei sua ginecologista hoje e talvez por um bom tempo. Sakura me falou um pouquinho sobre você, então teremos uma longa relação pela frente se você gostar e quiser assim.
— Como vocês se conheceram?
— Sakura é uma grande jovem. – Ela disse. – Assistiu a uma palestra minha e se tornou uma grande amiga depois disso. Muito esforçada e aplicada, sempre preocupada com seus amigos; admiro muito isso nela. Ela é o tipo de médica que a medicina devia formar, diferentes de muitos desses jovenzinhos que sequer sabem o que estão fazendo em um curso como esse. Bem, é até estranho eu com essa idade ter uma amiga da idade dela, como meu filho sempre diz... hahaha
— E ela falou de mim?
— Uma coisa vamos deixar clara logo de início, Hinata... Posso te chamar assim?
— Sim...
— Bem, querida, levando em consideração tudo o que você passou, devo dizer que eu não te julgo. Seremos amigas, certo? Para que eu cuide de você adequadamente, saiba que eu devo saber o que anda acontecendo com você. É claro que Sakura me contou o essencial, mas ouvirei tudo de novo de você e resolveremos cada probleminha por vez. Em primeiro lugar, eu não sou sua clínico, mas já peço para você marcar consultas em um psicólogo. Ele vai te ajudar com todos os seus fantasmas, e se necessário, te passar para uma ajuda mais séria.
— É necessário?
— Bem, é um conselho de uma velha médica. Sakura não me contou tudo sobre a sua vida, é claro, mas pelo que eu entendi, uma ajuda como essa seria bem vinda. Você veio sozinha?
— Não, vim com meu... Meu...
— Com... Hmm... Naruto, certo?
— Sim.
— Pelo que eu vejo, você não sabe qual a atual relação de vocês?
— Não... Acho que voltamos, mas brigamos então... É complicado. Depois de tudo, é muito complicado.
— Vamos do começo, para facilitar. Ele foi o primeiro, certo?
— Sim. Primeiro beijo, primeira vez, primeiro namorado... – Ela ficou vermelha.
— Ainda fazem moças como antigamente! – Ela riu.
— Não tanto... – Hinata.
— Bem, é agora que entramos nesse assunto. – Ela ficou séria, mas transbordando confiança. – Querida, eu não vou te julgar. Há muitos anos, mais do que minha vaidade permite lhe dizer, eu sou ginecologista. E eu perdi a conta de quantas jovens eu atendi que tinham sido obrigadas pela família a abortar uma criança. Famílias ricas, nobres, que não querem sujar o nome, obrigam as pobres coitadas e mancham o coração puro que elas têm para sempre. Você não é a única.
— Foi um período muito difícil pra mim. Eu havia perdido a minha mãe, estava perdendo a minha irmã... Tudo o que eu tinha de sangue, de família era meu pai. Eu esperava um pouco de apoio quando disse da gravidez, mas ele... Ele me vendeu para liquidar as dívidas da empresa. – Ela sussurrou. – Eu achava que Naruto tinha sumido, enquanto na verdade, ele estava tentando liquidar a dívida do meu pai para nos casarmos, termos nosso filho... Eu fiquei tão desesperada que segui os conselhos malditos dele e abortei. Naquele momento, eu achava que não tinha mais ninguém do meu lado, que o pai do meu filho havia me abandonado, que eu só tinha ao meu pai. Todo o peso da minha família estava nas minhas costas, eu... Não... Sabia o que fazer... – Hinata não aguentou segurar as lágrimas. – A senhor não imagina o que é ter sua mente e seu corpo lhe atormentando dia e noite e te lembrando o quão cruel você foi matando o seu próprio filho...
— É... Vai ser difícil pra você. Desde então você não tem sequer ido ao médico, não é?
— Não... Com a faculdade e o trabalho acabou não sobrando tempo...
— E as dores?
— Frequentes. Eu sempre tomo analgésicos.
— Você precisou voltar à clínica?
— Sim... No começo as dores eram muitos fortes e eu não sabia a quem procurar.
— A dor é como uma cólica muito forte, certo?
— Sim...
— Qual o método que foi usado?
— Aspiração, se eu me lembro bem.
— Você já pesquisou sobre isso, já sabe o que aconteceu?
— Eu sei que o meu bebê foi sugado por um tubo.
— Isso... Há em torno de cinco consequências frequentes para esse método. – Ela disse. – Pelo fato de você ter voltado, é possível que tenha acontecido uma perfuração uterina. O útero na gestação é muito frágil e esse aparelho tem uma grande força, mais do que ele pode suportar. Meu palpite, sem ver os exames que você ainda irá fazer, é que suas trompas foram lesionadas no processo. Talvez o processo de intervenção para “consertar” o problema tenha sido mal feito e isso explicaria as dores. De qualquer forma, passarei esses exames para confirmar meu palpite.
— Eu... Eu sou estéril?
— Bem, isso eu ainda não posso dizer. Meu palpite é que não, mas evite uma gravidez até termos certeza de tudo. Eu acho seria bom esperar.
— Eu não planejo ter filhos agora, é claro... Mas um dia, que sabe...
— Teremos que acompanhar você passo a passo até lá, então. – Ela sorriu. – Só uma perguntinha, querida... Vocês já..?
— Uma vez. – Hinata corou.
— Certo, então por que não o chama para terminarmos essa conversa juntos?
— Certo... – Ela levantou e foi até a porta, chamando por Naruto que logo entrou. Ele parecia muito desconfortável dentro do consultório de uma senhora que tratava apenas de mulheres e seus problemas femininos.
— Oi, senhor Uzumaki. Tudo bem?
— Sim. E Hinata?
— Como eu disse para Hinata, teremos uma longa relação daqui pra frente para tratarmos da saúde dela. Sem os exames não posso confirmar muita coisa, mas meu palpite é de que ela esteja melhor do que o esperado para quem passou tanto tempo sem cuidar um segundo da própria saúde. Ela fará alguns exames para termos certeza sobre tudo. Prescrevi também um remédio para as dores, então nada de analgésicos por conta própria. Essa história de sempre se automedicar não dá certo, algumas vezes pioram o que deviam melhorar. É bom que ela vá a um clínico, ver se está tudo certo, fazer exames de sangue, um check-up. Além disso, um psicólogo ajudaria muito.
— Eu providenciarei tudo.
— E... Como eu sei que vocês não estão planejando ter filhos agora, você tomará esse anticoncepcional.
— Certo. Algum cuidado especial que devemos tomar?
— Acho que se ela tiver uma vida saudável, fazer o check-up, cuidar da saúde do jeito certo, está tudo bem e vocês podem até escalar uma montanha. Hahaha
Não houve muita conversa entre eles após a consulta, isso a pedido de Hinata, pois se dependesse de Naruto haveria toneladas de perguntas. Uma vez em casa, ela queria apenas ficar o dia todo quieta e foi isso que fez ao se enrolar em uma coberta no sofá da sala e passar o resto do dia assistindo TV. Com os exames marcados e as próximas consultas agendadas, ele sabia que ela estava nervosa e que a encher de perguntas ou de assuntos sobre a sua saúde naquele momento não ajudaria muito.
Ele tinha outros assuntos para tratar, Jiraya havia deixado Ino definitivamente à frente da Midnight e ela havia ligado dizendo que estava a poucos quilômetros de csua casa para tratar de um assunto sério.
— O que a Ino quer afinal de contas? – Ela perguntou baixando o volume da TV.
— Não sei. Mas pelo nervosismo dela, com certeza é algo urgente.
Após pouco tempo ela chegou afobada e nitidamente nervosa. Depois de perguntar se Hinata estava bem e lhe dar um abraço caloroso, pediu para conversar a sós com Naruto no estúdio.
— Certo o que é tão urgente a ponto de você querer falar a sós comigo, Ino?
— Olha, eu já conversei isso com os outros, deixei para falar com você por último, pois não sabia como você estaria por causa da consulta da Hinata, mas enfim... A imprensa e a gravadora estão no meu pé 24 horas por dia querendo saber de você. O anúncio da parada de vocês não foi oficial e por mais que a gravadora tenha entendido no começo que vocês têm assuntos a resolver, os movimentos de fãs que estão ocorrendo na internet estão gerando boatos que começaram a incomodar a gravadora.
— Quais movimentos?
— De fãs, obvio! Naruto você praticamente não sai de casa, a Hinata parou de ir para a faculdade, você não tem ideia de como especulam sobre você e a Hinata na internet. E alguns grupos conseguiram chamar a atenção da gravadora.
— Com o quê exatamente?
— Por mais que eu tente desmentir tudo o que surge na internet, a gravadora ficou incomodada com a frequência que coisas como falsos testemunhos, montagens e tudo o mais venha aparecendo. Existem muitas pessoas se passando por pessoas próximas a você ou até mesmo por Sasuke ou Gaara dizendo que você deixou a banda por causa da Hinata e você deve ter uma noção da bagunça que isso criou.
— Ino isso é ridículo, coisas assim não tem credibilidade até por que nada disso foi postado em algum dos perfis oficiais dos outros...
— Aí é que está o problema. – ela puxou uma cadeira e sentou.
— Que problema?
— Invadiram o Twitter do Sasuke. Deixaram vazar mensagens como se ele estivesse falando com o Gaara e por acidente deixasse as mensagens vazarem. Quando o Sasuke recuperou a conta já tinham milhares de pessoas comentando isso na internet e eu já estava com a gravadora no meu pé.
— O que exatamente as mensagens diziam?
— Que você estava saindo da banda. Que não ia ter tempo a partir de agora por causa da Hinata entre outras coisas. E um paparazzi conseguiu uma foto de vocês dois entrando na clínica.
Ele parou por alguns segundos, coçou a cabeça em sinal de preocupação, suspirou e pegou seu celular, após alguns poucos minutos ele pode perceber que pelo tanto de pessoas que mandavam mensagens em seu Twitter e Facebook querendo saber sobre a veracidade das mensagens as coisas deveriam estar tão ruins como Ino disse.
— O que a gravadora quer?
— Que você se explique.
— Era só o que faltava... – ele bufou. – Certo Ino, eu vou ligar para a gravadora e vou divulgar uma nota eu mesmo no site da banda para amenizar as coisas.
Assim que Ino foi embora ele tratou logo de ligar para a gravadora e explicar um pouco da situação. Disse que Hinata e ele estavam tendo um relacionamento sem especificar muito e que ela estava doente por causa dele, por causa de problemas que eles tiveram. Disse também que iria resolver e logo explicar às fãs. Uma reunião foi marcada para alguns dias mais tarde para tudo ser acertado. Ele aproveitou a deixa e escreveu uma nota no site, dando rasas explicações aos fãs e dizendo que logo uma entrevista seria marcada, mas que nada do que estavam dizendo nos boatos era verdade. Tendo resolvido isso, saiu a procura de Hinata.
— É, parece que eu sou a odiada da vez... – ela falou quando o viu atravessar a porta do quarto
— Hã? Do que você está falando? – ele sentou na cama ao seu lado. Ela estava usando uma camiseta e uma calça moletom parecida com a dele, com o notebook no colo.
— Naruto... Está em todos os canais de entretenimento, que alguém “supostamente” usou um perfil de um de vocês para dizer que você estava deixando a banda por minha causa. E devo dizer que o #morrahinata está em uma ótima colocação nos trending topics do Twitter. – ela disse levantando-se para colocar o notebook em uma mesinha.
— #morrahinata? – ele começou a rir. – Bem, você sabia que seria assim e uma hora ou outra todo mundo iria pegar no seu pé. Foi o mesmo com as outras.
— Por que eu tenho a impressão que comigo as coisas vão ser um pouco piores?
— Não começa, Hina... É só um bando de fãs loucas com ciúmes. Logo elas desapegam de você.
— Tem muita coisa podre na nossa vida, Naruto. Se as pessoas procurarem, vão achar.
— Eu cuidarei para que apaguem tudo o que aconteceu. – Ele a puxou para um abraço. – Não se preocupe, vou cuidar de tudo.
— Eu amo você, mas não quero estragar o seu sonho. Não quero que por minha causa, você se prejudique e atinja a Midnight.
— Ei... Vai dar tudo certo... – Naruto fez com que ela se deitasse sobre ele, apoiando a cabeça em seu peito. Ele começou a alisar os cabelos lisos dela, que caíam em cascata nas costas magras. Era incrível como mesmo depois do que ele havia feito, depois de ter arrancado dela o sonho, ela ainda pensava nele e na banda. Até parecia ter esquecido tudo. – Desde que você esteja comigo, nós podemos tudo. – ele beijou o topo da cabeça dela. – Hoje... Você não tocou no assunto da consulta...
— Eu só estava querendo pensar sozinha um pouco. Estou com medo desses exames e faz tanto tempo que eu não vou ao médico... Não sei... Só estou com medo. Desculpe por te manter distante, eu sei que você ficou preocupado.
— Eu também estou com medo por você...- ele a apertou em seus braços por um tempo, até ouvir um bocejo vindo dela. – Pode ficar aqui assim. – ele disse quando Hinata fez menção de sair da posição em que estavam.
— Não está pesado?
— Você é leve como uma pena, Hina. – Ele riu. – Ter você assim, dormindo em cima de mim, me faz pensar que está tudo bem entre nós.
— Eu acho que está... Você foi um imbecil, mas a gente supera.
— Você me perdoou, então?
— Sim... Embora eu ainda esteja magoada com o que você fez. Mas vamos esquecer esse assunto e ficar em paz. – Ela disse de olhos fechados.
— Paz é o que eu mais quero na nossa vida. – Ele acariciou a cabeça dela. – Obrigada por ser compreensiva comigo, eu te amo. – Eles ficaram calados por um tempo. – Hina...
— Mhmm? – Ela disse, quase dormindo.
— Vamos voltar?
— O nosso namoro?
— Sim.
— Vamos... – Ela disse e adormeceu.
No dia seguinte, tudo parecia mais calmo. Ele e Hinata estavam tomando café calados, mas vez ou outra uniam as mãos. Ino não havia telefonado nenhuma outra vez, o que o fez pensar que o que ele havia feito para amenizar os comentários serviu para alguma coisa.
— Naruto.
— Hm?
— Depois que terminarmos o café... Você pode me levar em um lugar?
— Onde? – perguntou ele distraído.
— Quero ir ao cemitério. – ele olhou surpreso para ela por um instante.
— Tudo bem.
Pouco tempo depois do café da manhã eles deixaram a casa, o caminho até o cemitério não seria longo. A viagem permaneceu tranquila até o momento em que chegaram, mesmo com dois paparazzi que os seguiam e eles não perceberam. Hinata foi até o túmulo da irmã e da mãe e Naruto ficou alguns passos atrás, deixando que ela tivesse um pouco de privacidade. Quando saíram, ela estava um pouco abatida, mas aliviada. O problema foi exatamente quem eles encontraram ao sair de lá.
— Você?! Depois de tudo o que você fez continua vindo aqui? Você não tem o direito de aparecer aqui! — Ela começou a gritar, sem pudor algum e a plenos pulmões.
— E quem é você para me dizer o que seu pai pode ou não fazer Hinata?
No mesmo instante Naruto avançou mais foi segurado por Hinata.
— Pai? Depois de tudo aquilo você acha que ainda tem o direito de se considerar meu pai?
— Faça-me um favor e nunca mais volte aqui garota, você mancha a memória de minha esposa.
— Como é? – perguntou Naruto se esquivando de Hinata. – Você além de tudo ainda é um desgraçado convencido não é, Hiashi?
— Então é verdade que os dois estão juntos novamente. Bom, era de se esperar.
— Quer saber? Eu não vou ficar aqui discutindo com você. Mas eu vou te dar apenas um aviso. Caso você tenha se esquecido, você ainda deve muito a justiça, esqueceu Hiashi? Os impostos sonegados quando você vendeu a empresa, as taxas, você se esqueceu de que está com a polícia federal na sua cola? É muita coragem sua continuar vindo aqui. E eu tenho que dizer que seria fácil demais para eu ligar agora mesmo para a polícia.
— Está me ameaçando?
— Considere do jeito que mais for apropriado pra você.
— Você quer me proibir de ver o túmulo da minha própria família?
— Família? – Hinata se colocou ao lado de Naruto. – Você nem mesmo esteve com Hanabi quando ela morreu! Nem com ela e nem com minha mãe! APENAS EU! Minha mãe, minha irmã... Você só assistiu a nossa família se destruir e colaborou para que tudo se quebrasse por completo. Você não merece nada.
— Você realmente tem muita coragem de falar comigo assim.
— E você tem muita coragem de continuar aqui, Hiashi. Tudo aquilo só aconteceu porque você não é nada mais que um verme... Você se aproveitou que eu não estava por perto para fazer mal à Hinata. Você não teria coragem de tentar fazer aquilo se eu estivesse por perto, não é? Então eu não vou falar outra vez, vá embora.
Ele riu em ironia e andou na direção deles indo para o túmulo de Hanabi mas no mesmo instante Hinata segurou seu braço, e com força ele a empurrou a fazendo perder o equilíbrio e cair e a reação de Naruto foi instantânea ao socar Hiashi no rosto com toda a força o fazendo ir ao chão.
— Ei Hina, você tá bem? – perguntou ele vendo que ela aparentava estar sentindo dor.
— Sim. Só doeu um pouco. Vamos embora, por favor...
— Certo...
Ignorando a presença de Hiashi ele a ajudou a levantar e foi em direção ao seu carro. Agora já começava a se preocupar com Hinata que estava sentindo dor do tombo. Ele voltou para casa o mais rápido que pode e acabou sendo pego de surpresa quando logo após Sasuke chegou apressado na sua casa.
— Por favor, me diz que você não brigou com Hiashi no cemitério há poucos minutos.
— O quê?! Como você sabe disso?
— Você foi fotografado! Toda a confusão foi e já tem fotos surgindo na internet.
— Sério isso?
— Sim Naruto é sério. Você sabe que isso vai ser um falatório sem fim não é? E agora vai ser uma questão de tempo até começarem a levantar o passado da Hinata e logo muita coisa vai ir parar na internet. Cadê a Hinata?
— Está no quarto, não está se sentindo bem.
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