Notas iniciais
Nossa, eu sei que eu demorei um bocado. Sorry sorry sorry. ): Nós estávamos empacados e um tanto ocupados, então nos desculpem! Esse capítulo está com uma revisão beeeeem superficial, então perdoem-me pelos ocasionais erros. (: Boa leitura e prometo postar logo dessa vez. ♥

Após todos aqueles eventos, todas as conversas e discussões dos dias anteriores, depois de todos os desastres que aconteceram entre os dois, essa manhã parecia trazer uma nova e pequena sensação. Pela primeira vez ele tinha uma verdadeira esperança de que tudo poderia dar certo.

Parecendo querer dar uma chance as coisas o tempo tentava ajudar. Embora o frio continuasse forte, a neve deu trégua e lá fora um belo nascer do sol pintava o céu da maneira mais calorosa possível. Ao lado dele, presa a um sono pesado e merecido, Hinata respirava calma.

Tentando fazer o menor movimento possível, ele deixou a cama, certificou-se que ela estava bem coberta e logo deixou o quarto com os passos mais leves que pôde. Seguiu para a cozinha, estava faminto e precisava de comida o mais rápido possível. Mesmo tendo certeza de que ela acordaria faminta, teria que seguir a risca as recomendações que Sakura fizera. Graças ao excesso de medicamentos, o estômago dela estava extremamente sensível então teria que seguir uma espécie de dieta que a amiga o entregou.

Depois de comer alguns pães e tomar uma generosa caneca de café ele fez um chá, pegou algumas torradas e frutas, colocou arrumado em uma bandeja e tentando evitar barulho foi subindo as escadas devagar. Porém algo estava um pouco estranho. Baixos gemidos vinham do quarto o que o fez se apressar. Ele entrou no cômodo, deixou a bandeja sobre o criado mudo e sentou na beira da cama.

— Hina?

Ele a chamou baixinho, mas parecia ter sido suficiente para chamar a atenção dela, que estava totalmente coberta. Aos poucos ela destapou o rosto, parecia uma criança que tenta esconder os erros.

— Está tud – Ele foi interrompido quando ela de súbito saiu de baixo dos cobertores o abraçando com força o fazendo cair da cama. – Hina!

Outra vez ele a chamou, porem ela não voltou a encará-lo. Com uma mão na barriga, ela permanecia curvada em seu colo enquanto o agarrava com o outro braço. Podia sentir o corpo delicado dela tremer enquanto ela tentava segurar o choro. Era de se esperar que ela ainda estivesse sensível. E era de se esperar que as feridas dela ainda estivessem lhe causando uma dor que ele não conseguia imaginar.

— Eu fui apenas fazer um chá para você não ficar de estomago vazio. Desculpe se te preocupei. Prometo que eu não vou a lugar algum sem você tudo bem?

Não houve uma resposta com palavras. Naruto pôde apenas senti-la o abraçar com mais força e escutá-la soltar um gemido de dor que o deixou ainda mais preocupado. Tentando se acalmar ele se posicionou melhor apoiando as costas no armário. Enquanto acariciava os cabelos azulados, ele olhou para a janela onde o sol já estava um pouco mais alto e grandes nuvens preenchiam o céu azulado. Naquele momento, ele se sentia a pessoa mais impotente do mundo; não podia tirar a dor dela, não podia fechar suas cicatrizes ou apagar os erros dela. Podia apenas ficar ao seu lado a mantendo segura em seus braços... Mas, por algum motivo parecia que era apenas isso que ela queria naquele momento. Estar junto dele.

Longe da casa de Naruto, um casal permanecia em claro ainda. A noite não foi essencialmente calma para Sasuke e Sakura; principalmente para Sasuke, que ficara encarregado de contar tudo para Sakura que parecia não entender. Ela permanecia encostada a ele no sofá da sala. Estavam envoltos em alguns cobertores e por mais que tivessem ficado em claro durante a noite nenhum dos dois tinha um pingo de sono.

— Como ela conseguiu... Como ela conseguiu guardar tudo isso? Quer dizer, ela deveria ter desabado por completo depois da Hanabi falecer. Como ela conseguiu guardar isso Sasuke?!

— Não sei, Sakura. Talvez com vergonha ou talvez com uma esperança de que tudo no final desse certo. Eu sinceramente não sei e eu estaria sendo muito hipócrita se disser que entendo as atitudes deles. Foi apenas um desencontro de poucos dias, mas foi o suficiente para aquele maldito do Hiashi espalhar o caos. Eu confesso que quando o Naruto me contou tudo isso, eu acho que senti um pouco do que ele sente. Afinal eu fui criado com ele, adotado pela família dele depois que meus pais morreram e do nada tudo isso acontece com ele e eu não fui capaz de ajudar em nada... Eu realmente não sei o que pensar.

— Nós vamos contar isso para os outros?

— Por enquanto vamos deixar esse assunto apenas entre nós. O Shikamaru foi encontrar a Temari ontem e o Gaara foi até Yokohama resolver pendências da Sabaku, vamos esperá-los voltar para cá e depois vejo com o Naruto se podemos contar. Acho que não devemos contar tudo... Quando nos coloco no lugar deles, acho que não iria querer ficar ressuscitando esse assunto.

— Acho que você tem razão. Eu não me vejo sequer passando pelo que ela passou... Quanto mais ter todos entrando nesse tipo de segredo a todo o tempo. Eu vou dar uma passada rápida na faculdade, não vou nem assistir a aula afinal, não tenho condições de prestar atenção. Aproveito para pedir a algum colega dela para pegar o que ele puder para ela e deixo avisado a ele para explicarem aos professores das disciplinas que ela está tendo que ela não está em condições de ir às aulas; De lá eu vou direto para a casa deles ver como ela está.

— Certo. Eu tenho coisas a resolver também, posso te pegar na casa dos dois depois.

De volta à casa de Naruto, o silêncio era quebrado pela campainha que tocava insistentemente. Com delicadeza ele levou Hinata de volta à cama e lhe apontou a bandeja com seu café da manhã para logo após descer apressado para atender o portão. Vendo rapidamente quem era pela câmera do interfone não reconheceu o homem de imediato, mas lembrou-se de quem ele era após o mesmo dizer seu nome.

— Desculpe pelo horário Uzumaki-san. Sou Umino Iruka, advogado. Meu escritório foi contratado pelo Nara-san para cuidar dos assuntos relativos à defesa de Jiraya-san e da herança do senhor.

— Certo... E alguma novidade? – Ele logo perguntou, indicando o sofá para que o mesmo sentasse.

Iruka sentou-se no sofá e se acomodou, pegando a sua grossa pasta negra e abrindo-a. De dentro dela tirou alguns papéis, deixando outro monte deles dentro. Era visível que ele tinha muito trabalho a fazer e o caso de Naruto e Jiraya eram apenas parcelas disso.

— Nós conseguimos um habeas corpus para Jiraya-san. Como ele não tem ficha criminal e as provas que o incriminam são muito superficiais e facilmente manipuláveis, vai ser fácil provar que ele é inocente. Nós conseguimos também adiantar a leitura do testamento dos seus pais e com isso conseguimos descongelar sua herança.

— Mas isso não estava preso por causa do caso do Jiraya?

— No testamento diz apenas que Jiraya seria tutor dos seus bens caso o senhor fosse menor de idade.

— Mas pela lei japonesa eu sou.

— Sim, mas grande parte dos seus bens não estão no Japão e o senhor possui cidadania americana já que nasceu lá. O testamento está de acordo com a lei americana. Ninguém sabia disso, nem mesmo nós. Seus pais registraram o testamento de acordo com a legislação americana para que você não tivesse que esperar os 21 anos para assumir tudo. O que de certa forma já inocenta Jiraya-san, afinal, se o senhor assumiria tudo, ele não mataria seus pais interessado na sua herança. – Ele pareceu tomar um momento para respirar e continuou. — Bem, mas deixe-me ser mais rápido, tenho um horário apertado hoje. Aqui – Ele entregou um grosso envelope para Naruto – está uma cópia do testamento de seus pais. Eu já adiantei tudo o que poderia adiantar, nos próximos dias o senhor será convocado pela sua empresa para assumir formalmente o comando.

— Quando Jiraya deixará a cadeia?

— Estarei fazendo tudo que posso para que ele saia ainda hoje, será um pouco complicado, mas não é impossível.

Algumas horas após o advogado ter ido embora, Naruto saiu novamente da cama onde estava com Hinata para fazer alguma coisa para os dois almoçarem. E qual não foi sua surpresa ao ter Sakura os visitando.

Ela logo subiu para ver como Hinata estava, mas não pôde perceber muito, já que ela estava dormindo. Então desceu para ajudar o amigo no almoço e esperar por Sasuke, que viria almoçar com eles.

— E então como ela está? – Perguntou ela apreensiva, logo percebendo que ele não sabia. Aparentemente estava levando algum tempo para formular uma resposta.

— Eu não sei. Sinceramente não sei, Sakura. Quer dizer, ela entrou em desespero durante a manhã por que eu desci para tomar café e fazer algo para ela. Ela está dormindo?

— Sim. Eu achei melhor não acordá-la. Ela ainda está com dor?

— Sim, eu não posso me mexer bruscamente ou tocar na barriga dela que ela já se contorcia de dor.

— Escute... Eu quero falar com você sobre isso.

— O que?

— Eu pedi a umas amigas da faculdade para fazer algumas pesquisas para mim e... E você vai precisar ter paciência Naruto. É possível que a dor que ela sente na região não venha apenas do estômago.

Ele apenas sentou na mesa e esperou Sakura fazer o mesmo. Havia entendido o que Sakura queria dizer.

— Ela... Ela ficou com sequelas do aborto?

— Eu não sei. Eu não tenho muito conhecimento nessa área, mas é possível, porém também é possível que seja psicológico. Ela manteve muitos sentimentos guardados, muitas emoções que eram para ter sido tratadas com consultas regulares com um especialista; o aborto, a morte da mãe, as discussões que vocês tiveram, a morte da Hanabi, o tratamento que Hiashi lhe dava e depois o sumiço dele. O fato é que... Eu sinceramente não sei se ela poderá engravidar outra vez, Naruto. Mesmo que ela não tenha tido nenhuma sequela no útero, o fator psicológico pode contribuir e muito para que isso aconteça.

— O que você recomenda que eu faça?

— Que a leve em um médico. Que ela faça um check-up até mesmo para ver se não ouve danos maiores ao estômago com a grande quantidade de remédios que ela ingeriu.

Naruto colocou as mãos no rosto e o escondeu nelas.

— Você está bem, Naruto? Eu sei que é uma situação difícil para você, mas...

— Não, eu estou bem. Eu estou preocupado com ela... E em como ela vai ficar quando souber de tudo isso.

Apenas naquele momento, Hinata se denunciou. Deixou o esconderijo seguro que as escadas ofereciam e sem conseguir segurar as lágrimas, encarou Naruto. Ela estava lá. Havia escutado toda a conversa.

Sakura parecia entrar em um estágio pior que o desespero e Naruto levantou rapidamente da cadeira onde estava, mas para a surpresa dos dois Hinata sorriu. O que piorou tudo, claro... Eles não sabiam dizer o que aquele sorriso significava, mas tinham a certeza de que não era de felicidade.

Devagar, Naruto foi se aproximando dela. Estendeu uma mão calorosa, indicando que ele estava lá por ela, que não precisava se preocupar. Pelo menos, essa era a mensagem que ele queria que o gesto indicasse, já que tinha medo de falar algo errado.

— Por favor, não venha. Não agora, eu não vou conseguir dizer se você vir até mim. – As lágrimas eram incessantes e o choro silencioso. — Eu sabia... Eu sempre soube... Desde o dia que meu pai me levou até aquela clinica... O “médico” havia avisado meu pai dos riscos. É por isso, Sakura, que eu sempre fugia dos check-ups que você marcava para mim. Eu queria apenas fugir disso e tentar negar o que eu fiz... Agora você sabe. Você sabe que existe a possibilidade de que eu possa nunca mais ter uma criança. De que possa não te dar um filho. E mesmo... Mesmo assim... – As palavras dela ficaram mais fracas enquanto ela perdia o equilíbrio.

— Hinata! – Naruto foi rápido e correu até ela, segurando-a antes que caísse. Sakura o seguiu, a preocupação jorrava de suas expressões.

— Você está fraca, Hinata! Não deveria ter saído da cama! – Bradou Sakura tentando conter as próprias lagrimas.

Com cuidado ele a pegou no colo e a levou para o quarto, colocando-a deitada novamente. Ficou a observando por algum tempo, até ter certeza de que ela dormia outra vez. Então fez Sakura segui-lo para fora do cômodo, tentando acalmá-la enquanto ela se culpava por não ter se certificado de que Hinata não estava ouvindo a conversa deles.

— Não se culpe, Sakura. Uma hora ou outra ela iria ouvir isso.

— O... O que você vai fazer?

— É obvio, não é? – disse ele enquanto deixava o corpo deslizar pela parede até sentar no chão. – Mesmo que eu quisesse, jamais conseguiria deixá-la. Tudo o que eu posso fazer agora, tudo que me é permitido fazer, é apenas isso; sentar ao lado dela e suportar tudo. Sakura, por favor veja com as pessoas que você conhece e me diga qual é o melhor médico dessa área. Veja tudo o que será necessário e nós iremos fazer nosso possível. Não se esqueça da discrição. E outra coisa...

— O quê?

— Tranque a matrícula dela na universidade.

— Como?

— Exatamente o que você ouviu. Por favor, faça os procedimentos para trancar a matrícula dela na universidade. Até que tudo esteja bem, ela não voltará a estudar. Não posso me dar ao luxo de ter Hinata se afundando e se escondendo atrás dos estudos, os usando como escudo contra mim.

— Mas ela se esforçou muito desde que entrou, Naruto... – Sakura entendia o lado dele, mas aquilo lhe parecia um pouco radical.

— Não quero saber. – Naruto assumiu uma postura que a amiga ainda não havia visto desde que o conhecera. – Hinata só voltará a colocar os pés naquela universidade quando estiver tudo bem com ela. Eu estou assumindo tudo agora, e nada sairá do meu controle. Ela terá que entender. Logo que ela melhorar, poderá voltar a estudar.

— Tudo bem...

Naruto poderia estar parecendo autoritário e machista ao tomar a dianteira na vida dela. Mas acontece que ele só não queria repetir nenhum erro. Queria estar ao lado dela e dar todo o apoio que pudesse para que nada do que aconteceu a eles, acontecesse novamente. Agora, a saúde dela era o ponto mais importante. Não só a saúde, mas Hinata por inteiro. Ela era o que mais lhe importava no momento.