Entre o Amor e a Mentira
10 Capítulo Dez - Armações
Notas iniciais
Havia se passado alguns dias desde que Kazume tomou medo de Aizen, e até agora estava feliz por estar vivendo com Ukitake. Desde aquele dia tinha se distanciado de Aizen e quando passava perto nenhuma palavra era dita.
Mesmo estando feliz, Ukitake estava preocupado. Durante anos nenhum fukutaichou recebia missões diretas. Pessoas de um nível mais baixo que saíam em missões.
– É estranho... – disse ele sentado à mesa junto de Kazume. – Por que você? – estava inconformado.
– Não sei, mas não faz diferença! – levantou-se e aproximou-se dele. Deu um beijo em sua testa enquanto o abraçava. – Até daqui a pouco... Taichou! – sorriu enquanto se afastava e saía de casa.
Ukitake terminou o café e logo se dirigiu à Seireitei.
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Kazume iria sozinha nesta missão. Não tinha nenhum Hollow ou coisa parecida, apenas tinha que ir até uma nobre casa escoltando a filha de um líder.
A garotinha aparentava ter sete anos, cabelos pretos e olhos grandes, estava vestida com um belo kimono vermelho com flores amarelas.
Assim que acabara de chegar, o Sotaichou pediu para que fosse logo. E sem mais delongas saiu, levando a garotinha pela mão. Saíram de Seireitei e começaram o longo caminho pelo lado contrário do caminho que dava para Rukongai.
Kazume achava estranho. Famílias nobres nunca pediriam para Shinigamis escoltá-los. Eles tinham seus próprios guardas, não precisavam disso...
Sentiu um aperto em sua mão, redirecionou o olhar a garotinha e ela estava diferente. A reiatsu dela estava agressiva e imediatamente se afastou dela.
A garota foi para cima dela com um katana que Kazume nem sabia de onde ela havia tirado, mas tratou de se defender bloqueando o golpe com a sua zanpakutou. Com um golpe habilidoso, Kazume a empurrou para longe. Mas, para sua surpresa a garotinha sumiu e quando apareceu, ficou atrás dela. Sentiu uma dor aguda no peito e abaixou o olhar. A zanpakutou estava atravessada em seu corpo e foi arrancada com brutalidade. Antes que pudesse fazer algo à garota sumiu como se tivesse sido projetada apenas para aquele fim. Com a dor que sentia não ficou muito tempo consciente.
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Ukitake, em seu esquadrão, já estava preocupado demais. A tarde se aproximava e nada de Kazume voltar, mas ainda sim achava estranho sua convocação para tal missão. Encostou-se na cadeira e respirou fundo fechando os olhos que foram abertos minutos depois da porta de sua sala de abrir.
– Ukitake-taichou! – Kiyone estava ofegante e assustada. – Hitsugaya-fukutaichou está no Quarto Esquadrão!
– O quê?! – levantou-se da cadeira e saiu da sala as presas. Sabia que alguma coisa iria acontecer.
Entrou no Quarto Esquadrão e a viu deitada numa cama com uma faixa branca cobrindo os seios e só com a parte de baixo do shuhakushou. Respirava com dificuldade apesar de estar usando uma máscara de oxigênio.
Os olhos de Ukitake se encheram de lágrimas e aproximou-se dela, segurou a mão de Kazume forte, mas ela não acordou. Vê-la daquele jeito estava sendo aterrorizante.
Unohana olhava tudo da porta com ódio. Ver o homem que amava com outra a fazia ficar descontrolada. Adentrou o quarto com passos leves para não assustá-lo. Colocou a mão no ombro dele como gesto de consolo.
Ele a olhou por cima do ombro com os olhos tristes, mas não soltava a mão de Kazume.
Unohana ficou ao lado da cama onde ela repousava. Lembrou-se do plano e decidiu por em prática. Segurou-o pelo haori e o trouxe para perto.
– O que está fazendo? – estava tentando se afastar, mas ela o puxou para mais perto e o beijou.
Kazume abriu os olhos e se deparou com a horrível cena. Tirou a máscara de oxigênio, sentou-se na cama, pegou a parte de cima de seu shuhakushou e vestiu. Levantou-se com um pouco de dificuldade e passou direto por eles.
Ukitake empurrou Unohana e foi atrás de Kazume que já se encontrava na porta. Segurou-a pelo braço, mas ela nem ao menos o olhou nos olhos, apenas o olhou por cima dos ombros.
– Me solte, Ukitake-taichou. – falou extremamente séria, com os olhos cheios de lágrimas.
Ukitake não tinha opção e a soltou, deixando-a ir. Virou-se para Unohana a encarando com raiva e aproximou-se dela sustentando o olhar.
– Por que fez isso? – alterou o tom de voz pela primeira vez.
– Eu sempre te amei! – fingiu culpa. – Você nunca reparou nisso?!
– Nunca mais dirija a palavra a mim... – saiu da sala com os olhos cheios de lágrimas.
Unohana não ia voltar atrás, apesar de ter perdido para sempre o homem que sempre amou.
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Kazume andava pelos corredores dos esquadrões escorando-se na parede. Ainda sentia muita dor no peito, mas não queria ficar ali, não queria encontrar com Ukitake, estava muito magoada. Não estava mais conseguindo andar, seus olhos foram se fechando e deixou seu corpo cair, mas alguém a segurou antes que fosse de encontro ao chão. Tentava manter os olhos abertos, mas a dor a venceu.
Kyouraku a ergueu nos braços e entreolhou sua fukutaichou sem entender nada. Não tinha ouvido falar de missão nenhuma, mas tratou de levá-la para sua sala.
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Kazume estava descansando, mas mesmo inconsciente lágrimas saíam de seus olhos e Ukitake se sentia péssimo. Tinha conversado com Kyouraku e Nanao o que ocorrera e eles concordaram que foi estranho demais. Quase como uma armação.
Ukitake agora já se encontrava sozinho com Kazume que ainda descansava na sala de Kyouraku, deitada no sofá. A olhava triste e não sabia se ela iria aceitar suas explicações e desculpas.
A jovem acordou e sentou-se no sofá desviando os olhos dos dele. Algumas lágrimas começaram a sair de seus olhos.
Ukitake aproximou-se dela e sentou-se ao seu lado, mas ela se levantou, indo até a janela.
– Kazume-san... Por favor... – ele levantou-se e foi até ela.
– Eu não quero saber. – ficou de frente para ele, ainda com lágrimas a escorrer. – Não adianta me dizer o contrário, por que eu vi!
– Eu não a beijei! Acredite em mim! – a segurou pelos ombros e a balançou um pouco por causa da revolta e o sentimento de perda que estava sentindo. – Por favor, Kazume-san... Eu te amo! – algumas lágrimas já estavam saindo de seus olhos.
– Não, Ukitake-san... – afastou-se dele. – Acabou... – saiu da sala sem falar mais nada.
Ukitake sentou-se no sofá colocando as mãos na cabeça, magoado. Mas, não ia deixar isso assim. Provaria a ela que a amava e não era culpado. Enfrentaria o mundo se fosse preciso...
CONTINUA...
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