Notas iniciais
Pela falta de tempo, não pude revisar com calma o capítulo. De qualquer forma, espero que vocês possam aproveitar! ~

Dois dias após aquela meia conversa de Sakura e Hinata, a banda já estava em Tóquio e naquele momento estavam reunidos com as garotas numa restaurante. Como de praxe Hinata não estava lá, preferiu ficar em casa alegando que nevava muito em Tóquio e ela não se sentia bem.

Hinata vestia apenas um pijama moletom lilás clarinho, e estava quase adormecida no sofá, enrolada em um edredom e vendo TV. Era por volta das duas da manhã quando ela ouviu a campainha tocar.

— Hã? Quem é a essa hora? Será que elas perderam as chaves? — Levantou-se preguiçosamente levando consigo o cobertor e o controle da TV.

— Sa...

O controle da TV escapou da sua mão, assim como o cobertor... O que diabos ele fazia ali?

— Na... Naruto?

Ele estava lá, parado frente à porta, mantinha um meio sorriso, como se estivesse desconfortável. Ela não entendia, por que ele estava ali? Quando viu que Naruto fazia menção de dizer algo, fechou a porta com força e a trancou. Não queria ouvir nada do que ele queria dizer, não queria sofrer novamente.

Embora se sentisse ainda pior com aquilo, Naruto sabia que esse seria o resultado... Mas pelo menos tinha finalmente visto como ela estava, visto seu rosto. Estava a mesma de sempre. Sempre linda. Por fim, colocou as mãos nos bolsos de seu sobretudo e seguiu pelo corredor indo na direção do elevador, mas por algum motivo ele parou. Suas pernas levaram-no de volta àquela porta quase inconscientemente. E novamente ele bateu à porta. Ela a abriu, mas dessa vez deixou apenas uma fresta e escondeu-se atrás da mesma.

— O que você quer Naruto? — Hinata mantinha um tom sério.

— Desculpe pela hora... Mas os outros estão reunidos... Eu não queria ficar lá sozinho, pensei em conversar um pouco... Talvez... — Naruto não sabia o que falar.

Hinata respirou fundo, não sabia se era o certo, mas como sempre ele conseguia fazer com que ela cedesse aos seus pedidos. Era por isso que fugia dele, por isso que o evitava... Sabia que seu coração ainda o queria de todo jeito.

— Entre, está frio ai fora. Você vai acabar pegando um resfriado assim... Devia ser mais cuidadoso com sua saúde. — Hinata dizia enquanto abria a porta e dava passagem para o loiro entrar.

Ele entrou e fechou a porta atrás de si. Tirou seus sapatos, seu sobretudo preto e o cachecol cinza que usava por cima da blusa branca. Hinata foi à cozinha e ele logo apareceu recostado à porta olhando para ela.

— Se me lembro bem você gosta com bastante chocolate não é? Pode esperar na sala se quiser... — Hinata falava enquanto preparava um chocolate quente para os dois.

Ele sorriu timidamente e deixou-a sozinha na cozinha. Sentou-se no sofá preto que havia na sala e pouco mais de dez minutos depois Hinata apareceu na sala com duas canecas na mão e entregou uma a ele.

— Está ótimo, obrigado. — Falou depois de tomar um generoso gole da bebida.

— Naruto, por que você está aqui? — Hinata não pôde evitar a pergunta.

Naruto não sabia ao certo o que dizer, bebeu mais um pouco do seu chocolate quente e pôs-se a fitar o chão.

— Eu preciso conversar com alguém... — Naruto baixava a guarda.

— O que está acontecendo?

— Eu estou acabando com a minha vida, Hinata. – O tom de voz dele saiu triste, trêmulo.

— Do que está falando Naruto? A banda é um sucesso, vocês estão fazendo o que gostam.

— De que adianta tudo isso? Eu não consigo ser feliz.

— Por que Naruto? O que está te faltando?

— Você.

Ambos calaram-se por longos minutos, até Hinata quebrar o silêncio.

— Por que quer voltar nesse assunto? — Deixava transparecer uma grande mágoa em sua voz.

— Eu procuro você todos os dias... Em todas as pessoas, em todos os lugares... Todos os dias eu apenas me afundo mais e mais nessa melancolia. Não importa o quanto eu procure... Nunca, nunca acho alguém como você Hinata... Eu procurei mesmo. Eu procurei por alguém que me fizesse esquecer você, mas todas as vezes que eu me deito com alguém só me machuco mais.

Eram as palavras que ela não queria ouvir, as palavras que ela não suportaria ouvir. Seu coração batia tão machucado que ela sentia sua alma despedaçar e a cada lágrima que ele deixava correr era como se um pedaço da Hyuuga fosse de encontro ao chão junto com ela.

— Não vamos voltar a esse assunto, por favor... Já nos machucamos muito... Já gritamos um com o outro, já discutimos mais que o possível, já colocamos a culpa um no outro... Acabamos com nossa amizade, acabamos com tudo que tínhamos de bom... Por favor, Naruto... Pare... — Hinata já cedia às lágrimas.

— Sabe. Eu odeio o quanto eu te amo. — Respirou fundo e secando suas lágrimas levantou-se, deixando a caneca na mesa de vidro que ficava no centro da sala de estar. — Desculpe, não devia ter vindo aqui, não é? — Virou-se e calçou rapidamente seus sapatos, pegou seu cachecol e seu sobretudo, indo rapidamente em direção à saída, visivelmente atordoado.

Hinata fitava-o. Queria dizer algo, e até estava começando a fazê-lo quando Naruto já passava a porta. Outra vez, ele a deixava sozinha. Levantou-se rápido, na esperança de ainda alcançá-lo, mas era tarde. Apenas o corredor vazio estava lá. Ela respirou fundo. Ficou parada à porta, esperando por quem não voltaria. Arrasada outra vez.

No dia seguinte, Hinata foi a primeira a acordar, como sempre era após as outras se reunirem com os garotos. Como elas caíam e dormiam no primeiro lugar que viam, a casa estava uma bagunça, mas notou que faltava alguém, não viu Sakura. Pôde ouvir um barulho de copo quebrando e correu para a cozinha. Viu a amiga paralisada com o telefone na mão, a TV pequena ligada no mudo para não acordar as outras. Hinata não reparou em mais nada, apenas puxou Sakura para trás a fim de impedir que a amiga pisasse nos cacos de vidro espalhados pelo chão.

— Sakura o que houve? Sakura? — Hinata saculejava a rosada, tentando obter alguma resposta.

A jovem de cabelos rosados apenas apontou para a TV. Após ler a noticia que estava na barra de informações do jornal local ela apenas repetiu a atitude da amiga, ficando em choque. Logo após o telefone da casa começou a tocar, até parar já que ninguém atendeu. Ino, incomodada com o barulho, apareceu na cozinha procurando pelas amigas, quando se deparou com Hinata já em choro profundo.

— Meu Deus, o que houve com vocês duas? — Indagava assustada.

Ino olhou para a notícia na TV, passou pelos cacos no chão e aumentou o volume da mesma.

— Foi encontrado nessa manhã, na estrada Interestadual norte, o carro do vocalista da banda Midnight. Não se sabe o estado do vocalista Uzumaki Naruto. Segundo a perícia da polícia local, o jovem de apenas 18 anos derrapou no asfalto congelado. O carro quebrou a mureta de segurança e despencou pelo desfiladeiro e graças a um motorista local que passava por ali a polícia encontrou o carro cerca de 100 metros abaixo da estrada. Não foi possível gravar imagens do carro, mas segundo as testemunhas, a Ferrari do vocalista ficou irreconhecível sendo classificada pelos bombeiros como monte de ferro retorcido. Ainda não há nenhuma informação sobre o estado de saúde do vocalista...

— Meu deus... Sakura! Você ligou para o Sasuke? Sakura!

Sakura não respondia, assim como Hinata estava paralisada... Ino por sua vez pegou seu celular e ligou para Gaara, que ainda não sabia assim como os outros dois amigos. Ligaram a TV apressados enquanto tentavam se comunicar com Jiraya... Tudo aquilo parecia surreal demais!

Três horas passaram-se e no corredor de espera, só havia silêncio. Os outros membros da banda, alguns pais, o pai e a mãe de Naruto e as garotas estavam presentes enquanto era possível ouvir Jiraya falar com a imprensa. Foi preciso a polícia fazer um cerco no hospital para impedir a entrada de fãs e dos repórteres. Mesmo assim, alguns deles conseguiram entrar e era Jiraya quem os levava embora dando algumas explicações.

— Desculpe Kushina... Já pedi para a polícia deixar apenas os médicos passarem pelos corredores.

Ela nada disse, apenas permanecia abraçada a Minato enquanto continuava a chorar. Ninguém ali conseguia entender o porquê daquilo acontecer e esperavam ansiosos por alguma simples notícia do garoto. Por mais uma hora aquele clima continuou, até que um dos médicos chamou por Jiraya e Minato num lugar mais afastado dos que ali estavam.

— E então doutor? – Perguntou o loiro aflito.

— Namikaze-san, desculpe, mas a recuperação vai depender somente dele. Naruto chegou aqui em estado extremamente grave. Perdeu muito sangue, estava com hipotermia, muitos cortes, ferimentos graves, ossos quebrados... Houveram danos sérios à caixa torácica dele e está respirando por aparelhos. E além disso... Ele está em estado de coma. Teremos que esperar os próximos dias para saber o que irá acontecer.

— Coma? Minato... Por favor, leve a Kushina para casa, vai ser melhor. Doutor, quando ele poderá receber visitas?

— Jiraya-san, não posso estipular um prazo ou limite. Naruto ainda está em estado grave, primeiro temos que acompanhar a recuperação da cirurgia, para depois ver a reação do corpo dele e só então as visitas serão liberadas.

Com a conversa encerrada, Jiraya saiu da ala da CTI com Minato que trazia Kushina para levá-la embora. Jiraya por sua vez, explicou aos pais ali presentes a situação e logo após pediu que os garotos e as garotas o encontrassem no apartamento que as garotas dividiam. Pediu também que eles dessem a maior volta possível e despistassem a imprensa.

Já no apartamento que as garotas dividiam, todos esperavam ali aflitos para que Jiraya finalmente fizesse algum pronunciamento.

— Desculpem por fazer esse mistério, mas não queria dizer isso lá no hospital. Havia muita gente não conhecida e eu não quero que essa informação vaze agora. Vou esperar Minato levar Kushina embora e quando eles estiverem na casa de praia que é longe de tudo e de todos, eu vou divulgar a notícia à imprensa. Antes eu quero dizer isso para vocês que são amigos dele de longa data... O Naruto se machucou muito. Sofreu ferimentos nos pulmões, na cabeça, teve alguns ossos fraturados. Ele passou por várias cirurgias desde que o encontraram. O pior disso tudo é que ele está em coma... Os médicos não sabem ainda quanto tempo durará isso tudo e ainda não tem previsão de quando ele poderá receber visitas... Bem, para a banda, o ultimo show está cancelado, e a gravação do DVD suspensa... Mas não se preocupem com essas coisas. Cuidem de vocês, tentem se distrair por esses dias. Qualquer novidade que eu souber dos médicos, irei avisar logo a vocês.

Ele retirou-se do apartamento, e os pensamentos começaram. "Como pode? Ontem ele estava ali, bem e saudável..." Essa frase rondava a cabeça de todos que se faziam presentes ali naquela sala. Segundos após a saída de Jiraya, Hinata se levantou, foi para o seu quarto e se trancou. À medida que o tempo passava e o frio aumentava, Sakura e Ino foram à cozinha. Fizeram chá, café e chocolate quente, levaram para a sala e logo os casais ali reunidos estavam sentados pela sala, encostados nas paredes, ou agarrados um ao outro debaixo de um edredom.

— Sakura, é melhor você ir ver a Hinata. — Sasuke falava ainda abraçado à namorada, que estava recostada em seu peito.

— Não sei Sasuke... Ela não vai abrir a porta.

— Vai por mim, dê um jeito de entrar. Ela deve estar se sentido culpada.

— Por quê? — Sakura tirou a cabeça do peito de Sasuke e olhou séria para ele.

— De madrugada, enquanto estávamos jantando, o Naruto veio até aqui. Veio falar com ela. Quando foi embora me mandou uma mensagem dizendo para não esperá-lo porque ia dar uma volta por aí para refrescar a cabeça.

Sakura suspirou e foi em seu quarto. Pegou a chave mestra que tinha e foi até o quarto de Hinata, onde comprovou que estava trancado. Bateu uma, duas, três vezes. Chamou, mas ela nem respondia. Decidiu então abrir a porta e o fez. Entrou e viu que ela estava sentada na cama, encostada na parede e enrolada em um cobertor.

— Você está bem?

— Não... Isso é tudo culpa minha... Como sempre eu só estrago as coisas... — Hinata já tinha o rosto e olhos vermelhos, lábios inchados de tanto chorar.

— Hina...

— Ele veio aqui. Tentou conversar, só que como sempre eu estraguei tudo... Eu não devia tê-lo deixado ir embora...

— Você não podia adivinhar que isso iria acontecer...

— Sim eu devia Sakura... Você o conhece, sabe que quando está irritado, não pensa direito. Quando ele saiu estava a maior nevasca... E agora Sakura? E se ele nunca mais acordar? Eu arruinei a vida dele... Destruí o sonho dele... Eu não devia ter entrado na vida dele... Nunca... — Foi a última palavra que disse antes de desatar num choro agonizante.