Entre o Amor e a Música.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
O dia seguinte de Naruto foi tão rápido e estressante que praticamente não teve tempo de tentar compreender as memórias que assolavam sua mente com dúvidas e perguntas sem fim. Mas não podia parar agora e tentar compreender tudo aquilo, ainda tinha trabalho a fazer. A gravadora tinha pedido a opinião deles quanto às cenas incluídas no DVD e tudo o mais. Foram então, longas horas perdidas em uma sala do estúdio vendo o conteúdo que seria incluído no DVD e mais tarde o que seria incluído como extra em um Blu Ray.
Logo após a reunião, Ino ainda os segurou por um tempo em um restaurante para que discutissem o futuro da banda, se haveria uma pausa e de quanto tempo seria.
— Eu acho que não vai adiantar de nada apressarmos o próximo CD. – Falou Gaara. – Temos muitos problemas pessoais ultimamente, além dessa confusão toda em que estamos metidos. Apressar um novo CD agora e mais uma série de shows não seria uma boa ideia, a meu ver.
— Então o que você sugere? – Perguntou Ino dividida entre seu celular e a conversa com os garotos.
— Uma pausa seria o melhor agora, temos muitos assuntos para resolver em nossas empresas e se formos fazer isso enquanto estamos com nossas atenções na Midnight será um problema...
— Gaara está certo, temos muito a fazer com relação às nossas empresas e com Jiraya preso não será surpresa termos grandes perdas daqui para frente. Temos que pausar a Midnight pelo menos até a situação de Jiraya ser resolvida. Ino, temos algum problema quanto a isso?
— Não sei ao certo, o contrato atual de vocês está prestes a vencer, tudo depende se a gravadora vai querer fazer a renovação estando ciente da pausa que vocês estão planejando.
— Então veja isso para nós, Ino. – Disse Naruto levantando da mesa. – Eu tenho alguns assuntos pendentes para resolver, qualquer outra coisa em relação ao contrato você nos avisa e aí então decidimos o que fazer. – Ele levantou apressado e sem mais deixou o restaurante.
Estava difícil se concentrar em alguma coisa, sua cabeça estava cheia demais e agora tudo parecia completamente perdido. Não sabia como agir e não sabia como seria quando chegasse em casa e visse Hinata. Durante o tempo que não tinha suas memórias e procurava se moldar em uma nova pessoa, as coisas eram fáceis, não tinha aqueles sentimentos em seu peito, não tinha aquelas imagens em sua cabeça.
Logo que ele começou a dirigir enquanto pensava naquilo tudo, suas memórias voltavam de forma brutal, deixando-o a ponto de enlouquecer sem piedade.
Flash Back.
Foi um voo longo e um tanto cansativo, mas agora que estavam de volta ao Japão, tudo o que os dois queriam era um pouco da paz que não tiveram nos Estados Unidos. Naruto perdeu a conta de quantos telefonemas recebeu antes de entrar no avião. A todo o momento haviam diretores e conselheiros da empresa de sua família fazendo ligações que sempre tinham as mesmas perguntas. Afinal, a quantia que ele estava retirando dos cofres da empresa para adquirir a Hyuuga Tech era um valor absurdo do ponto de vista de muitas pessoas na empresa. E revelar para todos aqueles executivos o motivo verdadeiro dele estar se empenhando tanto na aquisição da Hyuuga Tech, era algo que não poderia fazer.
Então tudo o que lhe restava eram as desculpas que formulava no auge da sua criatividade.
— O que você vai fazer?
A pergunta dele para Hinata acabou pegando-a distraída enquanto eles esperavam um táxi para deixarem o terminal.
— Acho que vou ver Hanabi, afinal você tem muito o que fazer, não é?
— Sim, eu tenho. Então vou deixar você com sua irmã e vou direto para a empresa. Hoje será um dia cheio.
— Hm... Eu estava pensando... Você e os outros garotos estão tão empenhados ultimamente com esses assuntos. Vão desistir da Midnight?
— Não, mas ainda não conseguimos tomar uma decisão que não seja prejudicial para a banda ou para nossas famílias. Não é algo que você precise se preocupar, certo? – Naruto sorriu de uma forma que a fazia pensar que tudo daria certo sempre. Que não importasse o que acontecesse, ele sempre resolveria tudo, como um super-herói.
Após um certo tempo no táxi, Hinata estava na companhia de sua irmã e ele logo estava no prédio de sua empresa. Porém, para a sua surpresa, assim que entrou no local foi informado de que deveria seguir para a sala da presidência. O que era estranho já que sua mãe quase não trabalhava em seu escritório ultimamente.
Ao chegar à sala, no entanto, o semblante preocupado de Kushina dizia que as notícias não eram nada boas.
— Eu estava contando os minutos esperando você chegar, não queria te dizer isso por telefone.
— O que houve?
— Recusaram nossa proposta.
Ele perdeu as palavras por um instante, levou a mão ao rosto bagunçando os cabelos dourados e sentou-se na cadeira frente à mesa de sua mãe.
— Como eles recusaram?
— Tentamos comprar cinquenta e seis por cento das ações que é o montante atribuído ao credor de Hiashi. Porém o negócio foi recusado. Eles disseram que a proposta está muito abaixo.
— Como?! Abaixo? Aquelas ações não valem nem um terço do que estamos oferecendo já que a empresa está a ponto de decretar falência! Eles fizeram uma contra proposta?
— Sim.
— Quanto?
— Quase duas vezes o que oferecemos.
— E nós podemos cobrir essa proposta?
— Não. O que oferecemos já coloca a empresa na margem de risco. Lamento Naruto, mas a menos que você tenha uma ideia muito boa, não tenho o que fazer.
— E eu tenho.
— Posso saber?
— Vou vender a minha parte da empresa. – A resposta pegou Kushina de surpresa.
— Como?!
— Mãe... Você me ensinou que quando fazemos um negócio, qualquer que seja a oferta, nós temos que levar em consideração qualquer hipótese. Eu tracei um plano para caso tivéssemos esse problema. Gaara irá fazer uma oferta por metade das minhas ações e a Sabaku Tech irá ser uma das nossas acionistas. Eu sei que a senhora nunca quis ter outra empresa como acionista, mas sinceramente, eu não me interesso. Se fizermos uma parceria com a Sabaku e adquirirmos a Hyuuga Tech à nossa empresa, em pouco tempo poderemos recuperar o dinheiro que foi investido. As fábricas e as patentes que a Hyuuga Tech possui iriam facilitar e muito a nossa vida... E se tivermos a Sabaku como parceira, poderemos fazer isso mais rápido já que a linha de produção deles é mais rápida que a nossa.
— Tudo bem, faça como quiser. Se você conseguir montar uma estratégia até amanhã e conseguir a parceria e o dinheiro...
Ainda naquele dia ele partiu para Kawazaki onde a família de Gaara estava. Começaria as negociações logo e esperava conseguir resolver aquilo tudo o mais rápido possível.
Após um dia muito cansativo, Naruto jogou-se na cama do hotel. Estava exausto, mas ainda tinha que conversar algumas coisas com Gaara, portanto o ruivo sentou-se numa poltrona. Naruto estranhou ao ver o celular vibrar anunciando uma chamada àquela hora da noite e surpreendeu-se ao ver o nome de Hinata estampado no visor.
— Naruto, eu recebi uma mensagem do meu pai... É verdade que a proposta de vocês foi recusada?
— É verdade. Mas não se preocupe, Hina. Eu já estou resolvendo tudo. Fique tranquila e me espere, certo?
— Tudo bem... Mas, tem algo que eu preciso te contar Naruto...
Fim do Flash back.
Ele voltou sua atenção para o trânsito quando avançou o sinal vermelho e quase bateu o carro. Estava distraído e nervoso demais.
Flash Back
— Eu tenho que te contar isso, não vou poder esconder por muito tempo...
— O que foi Hinata? – Perguntou ele já preocupado.
— Eu... Eu estou grávida. — Por algum tempo ele ficou calado. – Naruto? – A voz sempre calma de Hinata aparentava desespero.
— Eu... Desculpe... Eu... Só não sei o que dizer.
— Só me prometa que não vai me deixar, por favor... – Naruto percebia o quão apavorada a voz da namorada estava. Hinata parecia estar sufocada.
— É claro que eu prometo... Eu vou ficar em Kawazaki até resolver essa situação, pode ser que eu precise ir até Nagoia. Fique calma e não ouça seu pai. Fique com Hanabi e com as garotas, cuide-se e se alimente direito.
— Quanto tempo você vai ficar fora?
— Não sei ao certo, três ou quatro dias, sete ou oito se eu precisar ir até Nagoia.
— Tudo bem...
— Fique bem, eu te amo.
— Eu também te amo. Eu te amo muito... – Naruto agora escutava o choro aparente dela.
— Hina, meu amor... Fique calma. Eu já disse a você que resolverei tudo, não disse? Você acredita em mim?
— Sim...
— Então? Não se apavore pelo que você não precisa temer. Eu tenho que desligar... Eu amo você, certo?
— Certo... Eu também te amo.
Após encerrar a chamada, ele colocou seu celular no criado mudo ao lado da cama, e encarou o quarto. Seus pensamentos precisavam se organizar, sua mente precisava pensar com clareza.
— Nagoia, é? Por que você iria até Nagoia?
— Eu não vou Gaara, apenas precisava de uma desculpa para resolver algumas coisas sem que ela saiba. – Naruto esfregou os olhos enquanto se endireitava. — Mas vamos terminar nosso assunto, eu já te passei tudo antes de pegar o voo para o Japão, já te mostrei algumas simulações e certamente você já fez as suas... Então, o que você me diz?
— Como eu já tinha te adiantado, é lucro para mim, mas tenho que levar isso para os conselheiros. Meu pai não me deu carta branca para uma negociação nesse valor.
— Quanto tempo?
— Dois dias para sair a decisão, e caso seja favorável, mais alguns dias para a quantia ser liberada e o negócio ser concretizado.
— Certo, certo.
— Você vai ficar aqui em Kawazaki?
— Não, vou embora amanhã. Em caso de resposta positiva eu encontro você no escritório da Sabaku em Tóquio.
— Ok.
Depois da reunião informal com Gaara, sua cabeça estava a ponto de explodir. Uma gravidez? A verdade era que isso não poderia acontecer em um momento pior. Algo assim, em uma hora conturbada como aquela, significava que ele não podia, em hipótese alguma, falhar. Agora, mais que tudo, teria que ser o homem que sempre mostrou ser para ela.
Fim Flash Back
Naruto estacionou de qualquer forma e entrou apressado. Passou por Hinata sem cumprimentá-la e foi direto para o banheiro do corredor. Deixou a porta aberta enquanto jogava no rosto uma quantidade grande de água corrente vinda da pia. Era hora de colocar as cartas na mesa, não podia mais adiar isso.
Ele desceu lentamente as escadas e sentou-se numa das poltronas macias, olhando diretamente para ela, que antes estava assistindo televisão. Hinata sabia, por aquele olhar, que ele havia lembrado.
— Você recuperou suas memórias, não é? – Perguntou ela assustada.
— Sim.
Ela desviou o olhar, tentando esconder as grossas lágrimas que começavam a descer. Como se desviando o olhar, pudesse esconder dele toda a vergonha que sentia, todo o nojo que tinha de si mesma.
— Eu sabia que isso iria acontecer, que você ia me olhar desse jeito quando recuperasse as memórias... Eu pedi que você se afastasse! Mas não, você não me ouviu, você insistiu em algo que nós não podemos mais ter! – Não demorou para que ela explodisse. Afinal, havia chegado a hora.
— E como você esperava que eu fizesse isso?
— Eu não sei! Eu apenas não queria que você me encarasse assim outra vez!
— E como você quer que eu encare você, Hinata? – Naruto estava perdendo a calma. — EU FIZ DE TUDO! Fui contra todos na minha família, arrisquei o legado dos meus pais por você!
— Não venha querer me culpar! Não outra vez!
— E o que você sugere? Que eu tenha pena de você? Que eu olhe para você e diga que está tudo bem? VOCÊ FOI ATRÁS DAS PALAVRAS DELE!
— EU ESTAVA DESESPERADA!
Flash Back
— VOCÊ O QUÊ? COMO ASSIM GRÁVIDA?
Ele estava claramente exaltado e a encarava com uma raiva descomunal.
— Você... Como diabos você está gravida, Hinata? De quem é essa criança? Não... Não me diga que você e aquele garoto dos Uzumaki... Como você ousa?! Você quer levar essa família à falência, é isso? Você quer ver sua irmã morrer da mesma forma que sua mãe?
— Não ouse jogar tudo isso nas minhas costas! Você é sempre assim! Não é capaz de lidar com seus problemas e joga tudo nas costas dos outros! Você se diz líder dessa família, mas não foi capaz de impedir que ela rompesse! Você não percebeu minha mãe sucumbindo à doença! Você não percebeu meu tio indo embora, deixando o nome Hyuuga para trás por que você estava destruindo nossa família e – Ela se calou quando ele deu um sonoro tapa em seu rosto fazendo sua face arder e um filete de sangue escorrer por onde um anel que ele usava na mão havia passado.
— Você não vai arruinar tudo! Você vai se casar, você vai salvar essa família, não me importa nada! Se o problema é uma gravidez, você vai apenas se desfazer dela! – Hiashi estava fora de si.
— O quê? Você não pode estar falando sério...
— Mas eu estou. Já fazem seis dias que o garoto viajou para tentar levantar a quantia, não é? Se em três dias ele não der uma resposta, você vai abortar essa gravidez e vai se casar. Três dias, Hinata!
As coisas estavam realmente saindo do controle de Hinata. Fazia dias que não conseguia contato com Naruto e nem com a família dele, aquilo a deixava cada vez mais desesperada. Onde ele estava? O que acontecia? Por que ele simplesmente desapareceu? Seu pai estava cada vez mais impaciente e nervoso e agora que ele sabia da gravidez as coisas começaram a ficar insustentáveis. Fugir agora era algo que ela não podia fazer. Ela não podia desaparecer e abandonar Hanabi, mas... Abortar? Encerrar aquela gravidez naquele momento seria o mesmo que perder Naruto e perder o pouco de alegria que ainda tinha em sua vida. Sua mãe falecera havia pouco tempo, sua irmã estava prestes a ter o mesmo destino, sua vida estava simplesmente ruindo diante de seus olhos sem que ela pudesse intervir e como se não bastasse, estava trilhando um caminho para perder o único fio de esperança para a sua felicidade. Estava trilhando para perder o homem da sua vida.
Fim do flash back
— Eu estava em total desespero... Tudo estava nas minhas costas e eu não conseguia falar com você! Eu via o prazo que meu pai havia dado acabando. Ele me pressionando de um lado, Hanabi tentando me fazer esperar e ignorá-lo do outro enquanto nós descobríamos que ela teria o mesmo destino de nossa mãe... As empresas da nossa família ruindo e eu caminhando para casar com aquele asqueroso... Mas você continuava sumido! Não houve um telefonema sequer!
— É claro que não houve telefonema! Eu perdi as contas de quanto tempo passei indo de reunião para reunião tentando provar para os acionistas da Sabaku que comprar as minhas ações era um bom negócio! TUDO PARA QUE O MERDA DO SEU PAI NÃO FOSSE PARA A SARJETA QUE É O LUGAR DELE!
— EU NÃO FIZ ISSO POR ELE E VOCÊ SABE!
— ENTÃO POR QUEM HINATA? NÃO VENHA DIZER QUE FOI PELA SUA IRMÃ! ELA FOI A ÚNICA PESSOA QUE FOI CONTRA O INÚTIL DO SEU PAI E TENTOU ABRIR OS SEUS OLHOS! VOCÊ APENAS CAIU NO CONTO DELE, APENAS FOI A MESMA IDIOTA E IMBECIL DE SEMPRE!
Ambos estavam exaltados e fora de si. As lembranças que haviam guardado com tanto afinco vinham agora com toda a força, prontas para saírem e fazerem fora deles todo o estrago que haviam feito dentro.
— Você acha que foi fácil?
— E não foi? Foi tão fácil que você nem mesmo se importou de ir até aquele lugar com ele! VOCÊ CONSEGUIU SER TÃO PODRE QUANTO ELE HINATA!
Flash Back
Os dias correram rápido enquanto ele se perdia entre tantos papéis, reuniões e os poucos planos que conseguia fazer para o futuro. Estava agora sentado em uma cadeira na sala de espera da presidência da Sabaku. Estava a poucos minutos de ouvir aquele “sim” que havia lutado tanto para ouvir nos últimos dias. Perdeu a conta de quantos projetos, quantas sugestões, quantas planilhas, quantas previsões fizera para o conselho da Sabaku a fim de convencê-los a liberar o alto investimento proposto por ele e Gaara. E para variar tinha perdido seu celular há dois dias e até agora não havia tido tempo de ligar para Hinata e informar que estava tudo correndo bem, o que o deixava preocupado. Seus pensamentos foram interrompidos quando a porta da sala abriu e de lá saiu um Gaara sorridente vindo em sua direção.
— Segunda estaremos enviando os documentos para Kushina assinar! Você conseguiu!
A animação de Gaara era visível. Naruto mal conseguia acreditar que enfim tudo estava se resolvendo, que tudo logo iria acabar. Estava a pouquíssimo tempo de chegar em casa, pegar Hinata daquele escroto, levá-la como sua noiva para a casa nova e esperarem ansiosamente pelo filho que ela ia lhe dar.
— Ótimo! Irei agora mesmo entrar em contato com o credor de Hiashi e acabar com isso. Logo depois vou avisar à Hinata.
Logo que deixou o prédio da Sabaku, a primeira coisa que fez foi entrar em seu carro e seguir até a loja de eletrônicos mais próxima para comprar um celular novo.
Após a compra, ligou para o celular da namorada. Achou estranho de início, porque as chamadas iam para a caixa postal após um tempo esperando. Depois de algumas tentativas, quem atendeu foi Hanabi, para a sua completa surpresa.
— Naruto?! Meu deus! O que houve?! Eu estou te ligando todos os dias incontáveis vezes!
— Hanabi? Desculpe, eu perdi o celular e estive tão cheio de coisas para fazer que praticamente não dormi nos últimos dias. Onde está Hinata? Finalmente consegui resolver tudo!
— Naruto... Eu não tenho boas notícias. – O tom de voz que Hanabi havia usado o fez gelar.
— O que houve?
— Meu pai, ele descobriu a gravidez... E... E ele deu um prazo para a Hinata... Mas o prazo acabou e você não deu notícia alguma... Eles... Eles foram a uma clínica, Hinata irá abortar a criança...
A voz de Hanabi saía hesitante e um tanto tremida. Ela mal conseguia falar ainda mais depois da clara animação de Naruto. Animação essa que agora havia desaparecido completamente.
— Vou desligar Hanabi, estou indo até aí agora mesmo!
Ele não esperou resposta. Encerrou a chamada, jogou o celular no banco do carona após entrar no carro e acelerou. Levaria mais de uma hora até chegar em casa, mas tinha que pará-la. Hinata não podia ter dado ouvidos àquela carniça que se intituulava seu pai, não podia!
Por quase duas horas ele dirigiu no limite de velocidade e até mesmo o ignorando em alguns trechos. Quando chegou e encontrou apenas Hanabi em casa o desespero bateu com tanta força que ele estava a ponto de perder o ar. Hanabi não sabia onde era a clínica e ele também não.
Mas não seria necessário procurar pela clínica. Hinata estava chegando acompanhada do pai, entrando em casa curvada. Estava sentindo dor, aquilo qualquer um perceberia.
— Hina... Você... – Ele não conseguia falar. Hinata, que não estava em melhores condições, só pôde balançar a cabeça em confirmação chorando silenciosamente.
— Você?! O que faz aqui garoto? – perguntou Hiashi com um olhar possuído de ódio para ele.
Ele falaria algo, mas não conseguiu. Naruto foi mais rápido e sem medir sua força, socou Hiashi com toda a vontade que vinha segurando e muito mais. Hinata se assustou e tentou pará-lo, mas ele a empurrou bruscamente.
— NÃO TOQUE EM MIM!
Hiashi levantou e tentou segurá-lo, mas antes que sequer conseguisse erguer-se completamente, Naruto o chutou no estômago com tanta força que o fez tossir um pouco de sangue.
— VOCÊS DOIS! EU DEVIA DEIXAR VOCES DOIS IREM PARAR NA SARJETA, DEVIA DEIXAR VOCES DOIS MORREREM... E VOCÊ HINATA! OLHE TUDO O QUE EU FIZ POR VOCÊ, PORRA! EU...
Ele não disse mais nada, apenas abriu a porta e saiu, mas ela foi atrás.
— Naruto! Espera, por favor, Naruto!
— Esperar? Esperar pelo quê? Você é tão podre quanto o seu pai. Você não vale nada, Hinata! NADA! Olha tudo o que eu fiz! Pus em risco tudo pelo que meus pais lutaram, meu futuro, o futuro da minha família! Passei os últimos dias trancado em um escritório quase sem dormir e sem comer tentando convencer um bando de velhos malditos a investirem na empresa para poder limpar a barra do filho da puta do seu pai! E o que você faz?! Vai atrás daquele merda! Dá ouvidos a ele! Um aborto, Hinata? Meu Deus do céu, um aborto! Você tem ideia do que fez? VOCÊ TEM IDEIA DA PORRA QUE VOCÊ FEZ? Você matou o meu filho! Você destruiu a vida de uma criança que não tinha culpa das ações da vaca da mãe dela! Eu tenho nojo de você, garota... NOJO! – ele parou de falar enquanto continuou em direção ao seu carro. – E avise ao seu amado papai que eu vou fazer de tudo para que ele se foda da pior maneira possível. Eu não vou descansar enquanto não ver esse viado definhando. E sinceramente? Eu espero que você esteja junto com ele!
Fim do Flash Back
— Você se lembra agora? Está mais fresca a memória para você? POR QUE PARA MIM ESSA MERDA FICA REPETINDO A CADA SEGUNDO!
— Você não tem ideia... Não entende.
— NÃO ENTENDO O QUÊ, HINATA? QUAL PARTE EU NÃO ENTENDO? VAMOS VER? A PARTE DE O SEU PAI VENDER VOCÊ PARA LIVRAR O PRÓPRIO RABO? A PARTE DO IDIOTA AQUI COMPRAR A DÍVIDA? Ou a parte em que eu faço planos? A parte em que eu compro uma casa e planejo um pedido de casamento? A parte em que eu desejei ser feliz ao seu lado? Ou a parte em que você destruiu tudo isso para realizar os caprichos do seu pai? Ou... A pior parte? A que você matou o filho que eu já amava sem sequer ter visto o rosto? O filho com quem eu sonhava enquanto tinha algumas horas de sono... A família que eu iria ter... Você tem razão, essa parte eu não entendo.
— Eu já disse! Por favor, eu já disse! Você sumiu, merda! Eu não encontrava você em lugar algum!
— Você sabe o que eu estava fazendo Hinata? SABE? EU ESTAVA COMPRANDO A SUA LIBERDADE! E NAS HORAS QUE EU TINHA PARA DESCANSAR EU ESTAVA COMPRANDO ESSA PORRA DE CASA E A MOBILIANDO! E fazendo isso aqui! – Ele foi até ela, a segurou com força pelo braço e a fez andar o seguindo.
— Larga! – Hinata chorava alto. — Está me machucando! POR FAVOR!
— Que bom! É ótimo que esteja, assim você tem uma noção de como eu estou agora!
Ele a levou até o segundo andar, pegou as chaves destrancou a porta que ela jamais tinha visto destrancada. E quando ele a abriu, quando ele a empurrou para dentro do quarto, era como se tudo ali dentro a rasgasse. As lágrimas pararam, o ar escapou, parecia que até mesmo seu coração tinha parado. Então era aquilo?
Estava ali, um quarto decorado. Um berço grande, um armário branco que seguia por toda a parede. Estantes com brinquedos, bichos de pelúcia, livrinhos de imagens, a cor neutra e clara que dava um toque delicado. Um quarto para um bebê. Um quarto para um bebê muito esperado.
— Você sente agora? Você sente tudo que eu senti na hora em que eu cheguei na sua casa e te vi vindo de uma clínica de aborto? Você imagina, Hinata, o quão podre eu me senti? Olhe para isso, olhe para tudo isso! Eu jurei que jamais te mostraria isso... Eu queria morrer com essa dor no meu peito, não queria que ninguém visse... E eu nem tive tempo de ver como ficou com tudo completo. Vi apenas o modelo que montei na internet enquanto me dobrava em dois... Eu me senti a pior pessoa do mundo quando vi que não consegui te ajudar... Se eu tivesse sido algumas horas mais rápido, se eu tivesse sido mais competente eu teria chegado a tempo. Eu teria impedido seu pai! Eu teria te impedido!
Ela permanecia estática. As palavras dele entravam por seus ouvidos e eram cravadas a ferro quente na sua alma enquanto aquele quarto parecia destroçar seu coração. Ela olhou em volta o procurando e o encontrou mexendo em alguns bichinhos no canto do quarto, mas logo ele parou, a segurou sem usar da força de antes e a levou para do quarto, fechou a porta e parou frente ao seu quarto.
— Sabe o que é pior? Eu não consegui parar de te amar mesmo depois disso tudo. Naquele dia em que eu gritei com você ao saber que você fez o aborto... Logo que eu entrei no meu carro e deixei a rua, eu queria voltar na mesma hora para você.
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