Entre o Amor e a Espada
9 Capítulo 9 CLAMOR DO SEXO...
Notas iniciais
Quando acordaram, Kanon e Saga encontraram água, vinho, frutas e pão. Camus havia saído e estava fora da casa, sentado em uma pedra. Ficou ali até ser chamado e quando o foi, Saga o esperava com um olhar interrogativo, enquanto Kanon bebia uma taça de vinho.
— Aproxime-se, Camus. – disse Saga.
O ruivo aproximou-se mantendo o olhar direto.
Saga sorriu.
— Sabe, isso foi a primeira coisa que notei em você. Você não baixa os olhos. Nunca.
— Perdoe-me, dominus mas eu costumo olhar nos olhos. A verdade está no olhar, não no chão.
— Não se desculpe, eu gosto disso. Detesto a dissimulação e o excesso de servilismo. Por isso dispensei o outro escravo e só trouxe você. É inteligente, discreto e, neste momento, preciso de suas qualidades. É claro que percebeu o que aconteceu aqui e... mesmo que seja um escravo, considero-o além disso.
— Já que me considera, dominus, eu gostaria de compartilhar um fato grave e importante. – disse Camus vendo surgir a oportunidade de falar no assunto veneno.
Tanto Saga quanto Kanon olharam-no, sérios e curiosos.
— Fale. – disse Saga.
— Bem, eu não sou um homem de rodeios, então vou direto ao assunto. Naquela semana em que os senhores estiveram fora, domina ofereceu um jantar para Hades e permitiu que ele desfrutasse de certos prazeres em sua casa. Agora, ela pretende repetir a experiência.
— Prazeres? – inquiriu Kanon. – A que tipo de prazeres você se refere?
— Todos, inclusive os... sexuais.
— O quê? June permitiu que Hades... O que ela fez, exatamente, Camus? Conte-nos tudo e em detalhes. – falou o gêmeo mais novo.
Inspirando fundo, Camus se preparou.
— É uma longa história, dominus e é melhor que estejam preparados.
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El Cid olhava para a marca em seu braço. Queria a sua chance na nova arena e já provara o seu valor em alguns combates. Valorizava a irmandade que existia em Gemini, mas como não era afeito à bebida e ao sexo desenfreado, ficava um pouco afastado dos demais.
De vez em quando, olhava para a sacada e via o escravo Albafica com seu olhar sereno e tão fechado quanto o seu. Ele era uma espécie de médico, sempre atendendo os feridos, costurando cortes e aconselhando. Achava-o belo, diferente de todos, alguém cuja aura parecia a de um deus.
Sentia uma atração intensa pelo escravo, mas ele parecia alheio a esse tipo de sentimento. Sempre tão altivo e centrado. Às vezes, achava que ele abominava os gladiadores e, consequentemente, a si. Suspirou e já estava pegando seu gládio quando ele entrou. Sua respiração estancou por alguns segundos...
— Albafica...
Albafica olhou para o gladiador como se o estivesse vendo pela primeira vez. A forma como ele disse seu nome remexeu algo dentro de si.
— Vim chamar Manigoldo. Domina deseja falar com ele. – respondeu Albafica.
— Doctore está na cela de Milo.
— Obrigado. – disse o escravo e seus olhos claros encontraram os escuros do gladiador.
O sol do fim da tarde batia em seus olhos, impedindo que ele enxergasse a expressão de El Cid. Seu coração acelerou quando sentiu a mão quente, grande e áspera na sua. O choque daquele contato inesperado bastou para provocar um arrepio por todo o seu corpo.
— Eu é que devo agradecer. Tem cuidado dos ferimentos de todos aqui. Só os meus, já foram quatro.
Atônito, Albafica fitou-o.
— É meu dever, não é preciso agradecer por isso. – disse rápido, tentando controlar o tremor na voz.
El Cid sorriu e aquele simples ato pareceu incendiar o coração sereno de Albafica.
— Sim, eu preciso. – disse o gladiador ainda com a mão na de Albafica. – Vejo que não é somente o dever que o move, mas o cuidado com as pessoas. Os remédios, por si só, não são capazes de curar, mas sim, o amor que coloca nele.
Albafica vasculhou aquele rosto belo, sombrio e severo. Como ele sabia?Tanto tempo naquela casa e nunca alguém dissera algo semelhante.
— O-Obrigado por perceber. Agora, se me dá licença...
— Quero que saiba que esta marca. – disse ele apontando para a marca da casa de Gemini. – não é a que eu toco quando entro na arena. Eu toco essa cicatriz que você costurou, quando a lança me transpassou. É ela que me dá forças para enfrentar meus adversários.
A voz de Albafica falhou e seu rosto foi tomado pelo rubor.
— E-Eu...tenho... que ir! – conseguiu dizer.
Em sua mente, cenas rápidas do dia em que vira o gladiador lutando no pátio. O corpo forte e retesado, os olhos escuros fixados no adversário...Depois, a solidão nos momentos em que todos bebiam e comemoravam...Nunca tinha comentado com ninguém, nem com Afrodite, mas, algo naquele homem era diferente dos demais. Havia uma força trágica e sombria que vinha, antes de tudo, da alma e não do corpo poderoso...
Albafica não soube o que aconteceu. Quando deu por si, El Cid curvou-se para beijá-lo, as mãos fortes segurando seu corpo esguio...
Qualquer palavra que quisesse sair da sua boca foi abafada pela exigência implacável dos lábios de El Cid. Sua cabeça pareceu rodopiar e seu sangue pulsou nas veias enlouquecidamente.
Ele se afastou, resistindo demonstrar que seu corpo todo tremia. Pressionou os dedos contra os lábios, acometido pelos primeiros sinais de desejo, algo que sempre soubera manter adormecido. Até aquele momento...
— Por que fez isso? – falou indignado e ofegante.
O gladiador olhava-o com fogo nos olhos. Seus lábios estavam entreabertos e notava-se a força que ele estava fazendo para não tomá-lo ali, tamanho o desejo expresso na paixão que ele demonstrava.
Sorrindo, El Cid apenas disse:
— Porque se eu morrer na arena, terei feito o que sempre sonhei fazer, desde a primeira vez que o vi.
Albafica percebeu a veracidade daquele sentimento e, pela primeira vez na vida, compreendeu o que era excitação e a força que ela manifestava em seu corpo.
Paixão, ardor, desejo...
O pensamento e a enxurrada de sensações o deixou um tanto entorpecido. Foi salvo por Manigoldo que interrompeu o turbilhão violento que espiralava dentro de si.
— Albafica?
— Doctore, domina exige a sua presença na casa. – disse Albafica já recuperando sua postura.
— Já estou indo. – respondeu o instrutor.
Albafica deixou o pátio. O coração custando a acalmar-se. Não olhou para trás, mas sentia o olhar de El Cid em sua nuca. Quando entrou na domus, rezou para não encontrar Afrodite, mas parecia que os deuses estavam decididos a não ouvir as suas preces...
— O que foi, Alba? Parece que viu um fantasma. – disse Afrodite.
— Nada.
Afrodite franziu o cenho, depois andou em volta do irmão e, finalmente, deu seu veredicto:
— Aconteceu alguma coisa... Por acaso, algum gladiador te agarrou? Finalmente, você deixou de ser virgem? Ave Júpiter!!!!
O olhar de Albafica carregou-se de fúria gélida ao encarar seu irmão.
— Se não tem algo bom e interessante para falar, mantenha sua língua calada e bem guardada dentro da boca! Entenda, de uma vez por todas que não sou um depravado como você.
— Ai! Mas que humor! Se você não fosse homem e já tivesse passado da idade eu o aconselharia a tornar-se uma vestal de tão casto que é! – disse Afrodite rindo.
Com um suspiro que dizia, eu desisto, Albafica deixou Afrodite falando sozinho e buscou um lugar onde pudesse acalmar suas emoções.
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June estava sozinha em seus aposentos. Ela pedira que Shina saísse e agora esperava o instrutor da casa. Ela respirou fundo, alisou o tecido macio das vestes com um gesto rápido e nervoso. Quando Manigoldo se anunciou, ela sinalizou para que entrasse.
— Mandou me chamar, domina. Em que posso servi-la?
— Convidei Hades para um novo jantar, amanhã, e ele aceitou. O poder deste homem é enorme e logo teremos a inauguração da grande arena. Eu farei tudo para que não só tenhamos a luta de abertura, mas também a principal. Espero contar com o seu apoio. Instrua os homens para obedecerem as ordens e os desejos que Hades manifestar. Qualquer desejo!
Manigoldo franziu o cenho.
— Perdão, domina mas minha tarefa é cuidar que lutem e bem. Os desejos de um homem como Hades podem ser perigosos e mesmo sendo escravos, os gladiadores não podem perder o orgulho sob pena de fraquejarem na arena.
June empinou o queixo com orgulho. Depois olhou nos olhos do Doctore.
— É um homem corajoso, Manigoldo. Mas, lembre-se do seu lugar nesta casa e com quem está falando. Não estou exigindo nada que já não tenha sido feito e se o previno, é porque quero uma noite perfeita e sem falhas! Fui clara?
— Sim, domina. Sei bem o meu lugar nesta casa. Sou o Doctore, confirmado por dominus Saga e nomeado por seu pai, antes dele, o grande Vespaciano. A senhora pode contar com meu apoio em manter estes homens disciplinados e prontos para a arena. Pode contar com a minha discrição. Quanto ao resto... pode me castigar, se achar que mereço. Porém, ainda acho que não necessitamos nos curvar à Hades por um lugar nos jogos. As regras são claras e toda a ludus que se mostrar com mais campeões terá seu lugar na grande inauguração.
— Você não deve achar nada! Os jogos não são apenas espetáculos para o divertimento, eles fazem parte de estratégias políticas. Minos já foi amante de Hades e mesmo que ainda não tenha vencido, não deixará barato a humilhação que sofreu. Saga é confiante e generoso demais. Deixe que eu conduza a situação e apenas, obedeça. Quero que Hades se sinta em obrigação com a nossa casa e vou consegui-lo.
Os dois se entreolharam por um longo tempo, cada um pesando o conflito que se instalara ali.
Desfazendo a expressão severa, June sorriu, camaleônica, suas unhas passearam pelo peito do instrutor e ela estreitou os olhos como se fosse uma gata selvagem, pronta para apanhar sua presa.
— Ah, meu caro Manigoldo... Sempre foi fiel à esta casa e aos seus senhores. Fala sempre a verdade e é um homem simples e justo. Entenda, Hades não fará nada que prejudique ninguém. Ele apenas quer ter a sensação de poder ilimitado e é isso que vamos dar a ele. O sexo é um dos prazeres da carne e, não só Hades, mas todos os homens gostam de foder sem as limitações rotineiras do sexo convencional. Apenas, mantenha os homens na linha, principalmente, o nosso campeão. Milo não é, exatamente, um homem obediente e se Hades o quiser na cama, ele deve aceitar sem questionamentos. Sei que ele anda de amores com Camus e até por isso, sugeri que Saga levasse o escravo erudito para servi-lo. Como pode ver, estou sendo até generosa quando nem precisaria me preocupar com isso. Escravos são feitos para servir! A maioria dos senhores os trata com menos consideração que os animais. Mas, aqui, todo aquele que me serve bem, acaba sendo recompensado.
— Milo é um homem de vontade poderosa e sempre honrou essa casa. Se Hades quiser humilhá-lo, penso que será algo temerário e nem eu terei autoridade para arcar com as consequências...
Uma gargalhada sonora escapou dos lábios de June e ela serviu-se de vinho, antes de falar.
— Pensa demais, Doctore... Milo já fodeu com tantos que deve ter perdido a conta. Seu interesse por Camus é apenas mais uma paixão. Quando cansar de enfiar o pau naquele rabinho branco, ele voltará a ser o mesmo de antes! Ele não é como você que vive, apenas, para as lutas. Aliás, acho que está na hora de arranjarmos uma esposa para você ou... um garoto, se prefere homens. Está ficando velho.
— Não sou afeito ao casamento, domina. Sempre digo que sou casado com meu chicote. Ele fala quando eu quero e fica em silêncio na maior parte do tempo.
— Como quiser. Agora saia e faça o que eu mandei.
Manigoldo deixou o aposento com uma saudação silenciosa. Vadia inútil! Que os deuses tragam dominus de volta antes que ela afunde a casa de Gemini na lama pervertida da adulação.
June bebeu mais um gole de vinho e a imagem do gladiador corpulento e com expressão agressiva voltou-lhe a mente.
— Shina! – chamou ela. – Vá até as celas e mande subir Máscara da Morte.
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Nas celas abertas, todos conversavam ou poliam suas espadas. Em Gemini, elas eram mantidas abertas e, apenas dois guardas faziam a verificação e cuidavam para que ninguém adentrasse o interior da domus sem ser chamado.
Os guardas também já haviam sido gladiadores, portanto eram fortes e preparados para encarar os companheiros que estavam na ativa, caso eles decidissem se revoltar contra os seus senhores.
Ultor era um deles. Forte e ágil, tinha sido um dos maiores gladiadores do seu tempo. Fora companheiro de Kardia e conquistara a rudis um pouco antes do nascimento de Milo e a morte de seu melhor amigo. Mesmo sendo um homem livre, decidira fixar-se em Gemini e trabalhar para Saga em troca de casa, comida e alguns sestércios.
— Pra você! – disse Milo entregando a Ultor uma trouxinha contendo um enorme pão de mel, o preferido do guarda corpulento que adorava doces.
— Espero que tenha se divertido. Arrisquei minha cabeça deixando-o entrar na domus àquela hora. – respondeu Ultor com um sorriso malicioso.
— E eu lhe sou muito grato. Pude me despedir dele. – respondeu Milo sorrindo e Ultor viu, na expressão enérgica e decidida, a mesma de Kardia, o tenebris scorpius.
— Milo, El Cid, Máscara da Morte, Aldebaran, Mu e Zelos, aqui! – gritou Manigoldo. – Tenho novidades vindas da domus.
Os gladiadores foram se aproximando. Milo notou a expressão sombria do Doctore. Manigoldo havia sido seu mestre, Mas, muitas vezes agira como se fosse seu pai e havia muito respeito entre os dois. Por isso, o conhecia bem e sabia que algo o incomodava, profundamente.
— Bem, vou ser curto e grosso: amanhã Hades virá a esta casa para mais um jantar. Domina ordena que estejam preparados para satisfazer o homem em tudo o que ele desejar. – disse Manigoldo apertando tanto a base do chicote que seus dedos ficaram brancos.
— Mais uma festinha da domina, naquele estilo?— falou Zelos rindo e passando a língua nos lábios.
— Tá esperançoso, sapo... Só assim pra você ter alguma chance de comer alguém ou ser comido. – disse Máscara da Morte.
El Cid e Mu ficaram em silêncio e Milo olhou para Manigoldo.
— Pode falar! Sei que ela deve ter me mandado um recado especial... – disse Milo.
Manigoldo franziu o cenho.
— Se Hades o quiser, você deve aceitar.
Milo encarou-o com os olhos azuis brilhando. A expressão maliciosa unida à outra que Manigoldo nunca percebera.
— Bem, ela é a domina, não é mesmo?
A aceitação do fato sem nenhum questionamento causou estranhamento no instrutor que estreitou os olhos e encarou o gladiador.
— Milo Krisius, o que você está tramando?— questionou Manigoldo.
— Como dizia minha mãe, cuidado com o que deseja. Os deuses adoram se banquetear nas esperanças e infortúnios humanos. – respondeu o gladiador.
Houve um segundo de silêncio, depois as conversas recomeçaram com outros gladiadores menores cochichando e rindo. Milo seguiu polindo sua espada e Manigoldo se perguntou o que perdera em relação ao jovem que agora estava na sua frente.
Desde que aprendera a ler e se envolvera com Camus, Milo manifestava outro tipo de força que não vinha só do físico, mas de dentro dele, uma energia tão poderosa quanto o seu instinto para matar. Manigoldo sentia orgulho de seu pupilo, mas também medo do que estava por vir. Tocou no ombro do jovem que amava como a um filho e disse:
— Lembre-se que é o campeão desta casa. O melhor, na minha opinião. Não faça nada que venha a mudar isso.
— Ei, Doctore algum dia eu o decepcionei? – disse Milo sorrindo.
— Nunca.
— Então, fica frio. Eu sei o que estou fazendo.
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Máscara da Morte estava em pé, nu e com uma expressão fria. June cercou-o, tonta pelo excesso de vinho. Olhou o falo avantajado que ainda estava flácido e riu.
— Shina... mande chamar Afrodite... – falou ela com a voz pastosa.
A escrava olhou na direção de Máscara e correu para chamar o escravo. June tornou a olhar o gladiador.
— Não vamos ser interrom... interrom... interrompidos desta vez...
Máscara olhou-a, de cima a baixo. Ela não era feia, mas também não muito diferente das putas que eram oferecidas aos gladiadores ao término dos jogos. Talvez, por ser uma domina fosse um pouco mais cuidada, os cabelos eram sedosos, mas nada comparado aos dele...
Afrodite surgiu no momento em que seus pensamentos e sentidos se direcionavam para a lembrança de tê-lo possuído na parede do corredor escuro... Os gemidos, a boca desenhada, o rosto belíssimo se contorcendo de prazer...
— Estou aqui, domina.
— Faça o seu trabalho, deixe esse aí pronto... – balbuciou June enquanto tomava mais um gole de vinho.
Devagar e piscando, sugestivamente, Afrodite aproximou-se de Máscara que, somente ao vê-lo, exibiu uma poderosa ereção. O belo escravo quase deixou escapar um gemido de satisfação.
— Acho que não terei trabalho nenhum... – sussurrou bem junto ao gladiador.
Máscara, apenas sorriu e passou a língua nos lábios, enquanto despia Afrodite com os olhos.
— Não desapareça... – disse Máscara, baixinho.
Com o falo em riste, Máscara se aproximou de June. Ela virou de costas, levantando o vestido e se apoiando na cama, relutando em desfazer-se da taça de vinho.
— Vamos logo... com isso. Faça e... rápido. – disse ela exibindo nádegas arredondadas e alvas.
O gladiador aproximou-se e elevou os olhos na direção de Afrodite. Com um movimento seco, penetrou June por inteiro e tão fundo que ela gritou de dor. Lágrimas saltaram dos olhos da domina, porém Máscara não se importou e sentiu um prazer sádico em sentir o estremecimento doloroso do corpo mignon.
— Ahhhh... s-seu animal... e-está me m-machucando! – gritou ela sentindo ser dilacerada por dentro.
Máscara ignorou a fala de June e continuou estocando forte, o olhar parecendo um poço de escuridão. E quando sentiu o orgasmo vindo, cerrou os dentes e deixou escapar, apenas um gemido baixo de quem tinha cumprido seu dever. Seu olhar recaiu dentro do azul cristalino de Afrodite e então, ele saiu de dentro de June.
June arfava de dor. Os punhos fechados no lençol e o corpo tremendo. Sentiu o sêmen escorrer por entre as pernas e fechou-as com custo. Mal podia respirar e seu único ato foi estender a mão na direção da ânfora de vinho. Preciso de um gole...
Afrodite conduziu Máscara para fora do aposento, enquanto Shina atendia sua senhora que se aconchegava a ela como uma criança pedindo colo.
No caminho, Máscara olhou para Afrodite e o escravo nem precisou adivinhar-lhe as intenções. O que não esperava fora a sentença curta e direta:
— Quero você, mas não aqui e nem agora. Vou tirar o cheiro da rameira do corpo. Hoje à noite, espero você na minha cela.
Ditas as palavras, Máscara tocou o rosto delicado de Afrodite e seus olhos cruéis deixaram passar uma nota diferente, algo que nenhum dos dois soube identificar, mas que transcendia a fome da carne e os atava a um início de intimidade...
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Saga mordia o lábio e Kanon fechava os punhos com tudo o que ouvira. Era tamanha sordidez que a culpa que sentia ficava em segundo plano diante de uma informação como aquela.
— Estou em dúvida em relação ao que fazer. – disse Saga.
— Dúvida? Ainda tem dúvidas em relação ao que fazer? Vamos colocar aquela vadia na rua! Ela ousou envenená-lo e atrair Hades com devassidão. Só por isso, ela merecia a morte! – vociferou Kanon.
— Se me permitem uma intromissão, creio que escorraçar a domina ou matá-la, não será adequado neste momento.
— Como? Deixá-la na casa e casada, após tudo o que fez? – falou Kanon olhando para Camus com os olhos se estreitando pela raiva.
— Eu tenho um plano perfeito para fazê-la pagar e ainda permitir que os senhores possam viver suas vidas sem nenhuma intromissão. – respondeu Camus.
Kanon respirou pesado e Saga olhou nos olhos confiantes do escravo.
— Muito bem, Camus. Diga o que pensou e eu prometo que, se der certo, você será um homem livre. – disse Saga.
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Mu aproximou-se de Milo, estendendo uma espada em que estivera trabalhando. O gladiador possuía uma habilidade com o aço e o ferro dos escudos. Às vezes, Manigoldo deixava-o manipular os gládios e verificar-lhes o fio. Era nesse momento que exercia o seu talento e esquecia o sangue e a violência gratuita.
— Tome. Experimente esse gládio. – disse ele.
Milo tomou a espada na mão e sentiu-lhe o peso. Era leve e rodava com facilidade ao girar o pulso.
— Boa espada. Vai usá-la?
— Não. Fiz pra você. Eu uso proteção, você não. Um gládio mais leve facilita os movimentos de corte. – respondeu Mu.
— Me diga, Mu. Afinal, de onde você veio? Não gosta de lutar, mas é hábil com armas. Disse que matou três caçadores de escravos, mas odeia derramar sangue.
— Vim de uma terra muito distante numa galé que foi atacada por piratas. Muitos morreram e os que sobreviveram foram vendidos aos caçadores de escravos. Éramos monges treinados para defender o Templo e suas relíquias sagradas. Embarcamos porque um dos budhas, aqueles que chamamos de homens santos sonhou que um de nós teria uma importante missão a cumprir em solo estrangeiro.
— Monge? Isso equivale a ser um... sacerdote?
— Sim e não. Sacerdotes presidem cerimônias. Eu apenas guardava o Templo e consagrei minhas habilidades e meu corpo para protegê-lo.
Milo franziu o cenho e tocou no ombro do companheiro. Não disse nada, apenas olhou-o do jeito quente e compreensivo que era a sua marca e aceitou a espada.
— Se ela me ajudar a conquistar a rudis, te mando de volta para o teu templo. – disse Milo elevando a espada que Mu lhe dera.
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O ocaso chegava com suas pinceladas avermelhadas e todos se preparavam para jantar e se recolher. Como numa conspiração por intimidade, a noite caiu rápido e tanto os domini, quanto os escravos eram convidados ao descanso.
Em sua cela, Máscara andava de um lado a outro como uma fera enjaulada. Já passava das nove da noite e logo, se não fosse exigido por sua senhora, Afrodite desceria e ele, enfim, poderia tê-lo do jeito que ansiava.
As horas passaram e... nada. Quando chegou a meia-noite, passos silenciosos adentraram o corredor iluminado, apenas, por dois archotes. Os guardas estavam a postos e deixaram a figura esguia passar.
— Afrodite? – falou Máscara ao perceber a movimentação.
— Não. Mas trago um recado. Domina requisitou a todos para atendê-la, menos eu, é claro. Por isso, vim avisá-lo que Afrodite não virá.
Os olhos de Máscara se encheram de raiva e decepção. Albafica despediu-se e ao retornar, viu a cela de El Cid. Como as portas não eram trancadas, ele espiou de relance e viu o gladiador deitado com o braço sobre o rosto. Ele estava sozinho, pois seu companheiro de cela havia saído para jogar com Zelos e podiam-se ouvir as risadas baixas e os palavrões na cela ao lado.
O corpo do gladiador estava relaxado, mas ainda assim, parecia acordado. Albafica olhou-o e sentiu o corpo vibrar. Quando decidiu deixar a cena, El Cid retirou o braço e fixou os olhos escuros na sua direção. Por Júpiter e todos os deuses! Gritou a mente de Albafica e seus joelhos pareceram endurecer.
El Cid não disse nada, apenas sorriu. Depois se levantou da cama e foi até uma pilha de roupas. Debaixo delas, retirou um pequeno artefato e caminhou na direção de Albafica.
— Tome, fiz para você.
Completamente mudo, Albafica estendeu a mão e El Cid colocou nela uma pequena figura esculpida em madeira.
— É o deus dos que curam. – disse o gladiador.
— Você fez isso? – perguntou Albafica olhando a miniatura de um homem com um cajado na mão.
— Sim, às vezes faço bonecos e peças de jogos. – respondeu ele com simplicidade.
Albafica sorriu e o ato iluminou o semblante do gladiador.
— Obrigado. – disse o escravo e seus olhos foram atraídos pelos de El Cid.
— Albafica... me perdoe pelo beijo de antes, mas eu...
Num ato inusitado, Albafica levou a mão de El Cid aos lábios e beijou-a. Em seguida, abandonou o local com passos rápidos. Passada a surpresa, El Cid foi atrás dele, impedindo-o de subir as escadas que levavam ao interior da domus.
Não houve palavras. El Cid puxou-o pelo braço e olhou-o com uma emoção crua e visceral. Albafica não sabia o que era a paixão. Mas, ainda assim, seu coração e seu corpo pareciam enlouquecidos, ardendo em sincronia, pedindo a passagem do desejo e sua satisfação.
O beijo, desta vez, foi retribuído conscientemente. Albafica estremeceu quando sentiu a língua de El Cid na sua e a ereção rígida do gladiador tocar sua coxa. Novamente, ele sentiu seu corpo responder com igual ardor e logo, sua ereção também despontava.
Milo estava insone e passeava pelo corredor quando ouviu os ofegos e gemidos baixos. Sorriu, desviando e falando alto.
— Vou ficar no pátio. Usem a minha cela, se quiserem...
El Cid interrompeu o beijo. Como sempre, eram seus olhos que pediam permissão, primeiro, antes mesmo da sua boca proferir as palavras. Albafica respondeu com o olhar angustiado, mas também desejoso e ambos foram de encontro ao seu destino...
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As estrelas pareciam mais brilhantes àquela hora. Milo as fitava, sentindo saudade de Camus, do sorriso tímido, do olhar intenso, do corpo quente e receptivo. Bebeu um gole de vinho e pensou em quem seria o casal que ouvira no corredor.
Sortudos! Disse para si mesmo, enquanto saboreava o vinho de boa qualidade, um mimo recebido de um fã das arenas.
No mesmo instante, Camus também olhava as estrelas e relia as palavras escritas por Milo. Sentia orgulho do amante e uma emoção poderosa quando estava em seus braços. De tudo que já tinha vivido, a experiência do amor era como a eterna chama sagrada que os romanos cultuavam como a deusa Vesta. Diferente da deusa do amor, Vênus, que era famosa por seus inúmeros amores, Vesta era espiritual e ardia incessante, além do tempo, eterna e fiel...
Sincronicamente, ambos sorriram, e fecharam os olhos se permitindo lembrar os momentos de amor e prazer, enquanto na cela de Milo, outro casal vivia os primeiros passos da paixão...
Albafica sentia o desejo cavalgar-lhe a pele e todos os sentidos. El Cid beijava-o devagar e acariciava suas costas, parando a mão no final da espinha, depois deslizando abaixo, acariciando o quadril e apossando-se da coxa. O corpo de Albafica foi ficando quente e arrepiado.
El Cid tocou seu rosto.
— Está com medo? – murmurou ele.
— N-Não... apenas, não sei...
— Não tema... vou fazer o máximo pra não machucar... Se doer muito, eu paro.
Um sorriso surgiu nos lábios de Albafica. Queria acreditar nele. O toque era tão carinhoso e as palavras ditas com tanta seriedade que ele arriscou.
— Venha... – sussurrou ele.
El Cid o beijou, novamente, a língua explorando o interior de seus lábios. Enquanto isso o pegou no meio das pernas, roçando a mão devagarinho no falo túrgido e separando as coxas alvas com as suas...
Os dedos longos acariciaram o falo, os testículos e escorregaram pela virilha direcionando-se para a entrada que pulsou ao antever a invasão.
El Cid pôs um dedo dentro dele e Albafica estancou. Foi um medo involuntário, mais pelo desconhecido do que outra coisa, pois o toque do gladiador era intenso e, embora sentisse uma ardência era, também, prazeroso.
— O que foi? – perguntou ele encostado a sua boca. – Eu o machuquei?
— Não... – respondeu o escravo com o rosto afogueado e os olhos semicerrados.
O gladiador cobriu os lábios entreabertos com os seus e deslizou o dedo, lentamente, para dentro e para fora, prestando atenção aos gemidos e ofegos que Albafica deixava escapar. Os músculos dele se retesavam, apertando-o e El Cid sentiu a entrega de Albafica e sorriu em meio ao beijo.
Os beijos, as carícias, as palavras sussurradas em outra língua que ele não entendia, mas que eram tão eróticas quanto os toques experientes fez Albafica desprender-se da realidade. Seu corpo já não tinha controle, dançava nas mãos de El Cid...
Naturalmente, Albafica afastou as pernas e pressionou o corpo contra toda a ereção poderosa do gladiador. Deveria estar constrangido, mas não ficou. Sentiu a pulsação dele em seu próprio falo e quando El Cid segurou-o com firmeza pelos quadris, gemeu e se esfregou nele, ansiando, pedindo pela invasão.
Devagar, El Cid deslizou o membro para cima e para baixo sobre o falo de Albafica e foi escorregando até a entrada, para então penetrá-lo lenta e profundamente.
Albafica sentiu o falo adentrando-o, a pressão, a ardência e a dor... Gemeu tenso e recebeu a boca do gladiador na sua, acalmando-o, enquanto tocava seus mamilos e mexia os quadris devagar. El Cid saía e entrava com cuidado e, aos poucos, Albafica sentia menos pressão e a impressão de estar sendo dilacerado se evanescia em uma torrente prazerosa que o fazia gemer cada vez mais alto.
O gladiador continuou a adentrá-lo só para recuar e mover-se com mais força até que a sensação se tornasse, unicamente, prazer.
— Cid... – Albafica sussurrou, rouco de desejo. O peito largo e poderoso roçando no seu.
— Quer que eu pare? – disse ele beijando-o, sugando sua língua.
Aquele beijo levou Albafica a um patamar ainda mais alto de prazer. Ele estremeceu junto ao gladiador que mergulhava a língua em sua boca e entrava mais fundo no meio de seus quadris, se enterrando em seu corpo, fazendo-o seu...
O pulso acelerava. Albafica ergueu os quadris para recebê-lo mais profundamente. Sua pele estava quente e sensível, seus nervos retesando-se ainda mais. Ele apertava as costas largas e suadas e respirava rápido, o rosto já se contorcendo com a aproximação do orgasmo.
— Cid! – ele gritou, sentindo-se absolutamente fora de si.
El Cid não parou de se mover, apenas foi mais fundo, mais rápido e gemeu junto à boca de Albafica, cerrando os dentes e estendendo o pescoço para trás.
Com o prazer o sufocando, Albafica sentiu o corpo se retrair, seus músculos prendendo o falo de El Cid e, de repente, um calor e uma sensação intensa que pareceu arrancá-lo do próprio corpo. Ele gritou de prazer, muito prazer...
Tremendo nos braços fortes, Albafica derramou-se no tórax de El Cid, potentes jatos de sêmen que pareciam não ter fim... Seu corpo se contorceu e cada fibra expandiu junto aos ofegos que se somaram ao clímax.
Olhando nos olhos febris de Albafica, El Cid explodiu também, entrando nele em um orgasmo voraz que se desfez dentro do corpo quente e arrancou um grunhido rouco da garganta do gladiador.
A força do prazer os deixou trêmulos, suados e com o coração disparado. O tempo pareceu estancar e os dois sorriram próximos dos lábios um do outro. Os olhos escuros do gladiador se detiveram na boca delicada que estava entreaberta e sorrindo. Seus dedos esquadrinharam os lábios avermelhados e antes de tomá-los, novamente, em um beijo devorador, El Cid murmurou:
— Eu te amo, Albafica...
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Quando Albafica deixou a cela, já era madrugada, porém Milo ainda permanecia no pátio. O gladiador não tinha presa de voltar à cela, preferia ficar ao ar livre, bebendo e pensando em Camus.
Subindo as escadas, Albafica sentia o corpo doer, mas era uma dor boa e ele se sentia leve, como se o seu coração tivesse aberto uma câmara secreta e cheia de felicidade.
Ao entrar no salão onde dormia junto dos outros escravos, Afrodite foi ao seu encontro e ele se preparou para o interrogatório e, consequentemente, as brincadeiras maliciosas. No entanto, ao elevar o candelabro e iluminar o rosto do irmão, Afrodite ficou sério, depois abraçou-o com força e cumplicidade.
— Fico feliz por você, irmão. Pensei que isso nunca ia acontecer! – sussurrou com os olhos cheios de lágrimas.
Albafica retribuiu o abraço, comovido e pleno. Como diziam os áugures, viver sem experimentar o amor, era o mesmo que a morte em vida... Quando ouvira isso, não tinha consciência do significado, porém naquele momento, ele sentia, plenamente, o valor e o peso de cada palavra.
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