Entre o Amor e a Espada

11 Capítulo 11 O BANQUETE (Parte II)


Notas iniciais
***O poema de abertura se intitula O Banquete e é de Ju Blasina.
***Espero que não fiquem muito chocados com este capítulo...*risos

Beba o sangue
Quente
Saboreie
O líquido acre-doce
Que escorre de mim

Beba-me,
Antes que
O sangue esfrie·.

Coma-me
Antes que
A carne morra

Devore-me
Antes que
Já não haja
Mais nada
Pra provar
De mim

Dois escravos se adiantaram para ajudar Minos a levantar e ele os rechaçou. Esfregando o dedo ensanguentado na túnica e se levantando com rapidez, ele olhou na direção de Milo que o ignorava, totalmente, e isso fez ferver seu sangue ainda mais. Entretanto, a glória final, seria sua.


– Tenho que admitir, gladiador, essa você venceu. Veremos se terá o mesmo fôlego para foder com Hades e manter-se de pé, depois que ele esgotar a sua sede de desejo. – disse Minos, somente para que ele ouvisse.


Milo virou-se lentamente. Seus olhos tinham aquele brilho selvagem que parecia o céu, antes da tempestade e, ao mesmo tempo, esbanjava escárnio e divertimento.


– Se até você conseguiu... Ou será que falhou nisso também e agora vai ter que engolir duas derrotas seguidas? – retrucou Milo.


Minos sorriu, engolindo o fel das palavras do gladiador. Filho da puta arrogante! Quero ver se vai sorrir quando o veneno deixá-lo tão fraco que um dos seus próprios irmãos imbecis vai acabar com a sua vida miserável!


– O próprio Hades disse-me que é difícil me substituir... Mas, eu disse a ele que ninguém é insubstituível e que um dia, todos nós encontraremos os Subterrâneos ou os Elíseos. Aproveite enquanto pode, gladiador, a vida é curta! – respondeu Minos se detendo no corte no braço de Milo.


Milo sorriu.


– Desejo-lhe o mesmo, dominus.


Minos deu-lhe as costas e saiu. No seu caminho, um escravo ofereceu-lhe água, mas ele preferiu o vinho que tomou de um só gole devido à sede intensa.


Julian que ria e puxava Shina para o seu colo, viu a movimentação de Minos e foi ao seu encontro.


– Me espere, minha ninfa... eu volto para torná-la mulher... uma mulher de verdade, assim que falar com meu sócio! – disse ele mordendo Shina no pescoço, enquanto levantava, e fazendo-a sentir arrepios de medo em todo o corpo.


O nobre não era feio, era atraente e parecia ter boas maneiras, mas havia algo nele que não parecia certo. Shina olhou-o ir de encontro a Minos e depois se voltou para June. Ele e sua senhora possuíam algum segredo, ela podia sentir.


– Foi um belo espetáculo. Se não tivesse escorregado, talvez vencesse. – disse Julian para Minos.


– Aquele arrogante vai ter o que merece. Vai morrer como um cão ordinário e aí, quem vai rir, sou eu.


– Não vai ficar para o jantar?


– Não.


– Está com ciúmes porque, certamente, a domina oferecerá seu campeão para saciar os desejos de seu... ex-amante?


– Vai à merda, Julian e saia do meu caminho!


– Está bem! Não precisa ficar tão irritado.


Minos olhou na direção de Hades e encontrou os olhos frios, por alguns segundos. Em seguida, Hades se voltou para June que lhe oferecia algo e Minos tomou seu rumo, com uma turbulência de sentimentos, agindo em seu interior...


A música preencheu o ar e os pratos começaram a ser servidos. Carnes, frutas, iguarias especiais, tudo fartamente levado à grande mesa onde os nobres riam, conversavam e trocavam impressões sobre a luta entre Minos e Milo e também sobre os corpos que continuavam perfilados à espera das ordens de sua domina.


June fazia questão de oferecer à Hades todas as novidades que chegavam à mesa. A linguagem de seu corpo era toda sensualidade e, ao mesmo tempo, enérgica e dominadora. Afrodite aproximou-se trazendo vinho e ela sorriu-lhe, satisfeita.


– Foi uma apresentação memorável, Afrodite. Estou até pensando em dispensar Shina e torná-lo meu escravo exclusivo e pessoal.


– Oh! Seria uma grande honra domina! Mas não sou merecedor! – respondeu Afrodite com um entusiasmo fingido, enquanto pensava: Júpiter me fulmine com um raio poderoso antes que isso aconteça!


June riu e cochichou algo no ouvido de Hades que, de imediato, avaliou Afrodite dos pés à cabeça. O cônsul bebeu um gole de vinho e tornou a olhar na direção de Milo que estava um passo à frente dos gladiadores, esbanjando o tipo de beleza viril que tanto o atraía.


– O outro escravo, o ruivo... seu marido o levou consigo? – perguntou Hades.


– Oh, sim! Saga tem uma predileção por Camus. – respondeu June. – Mas, se quer minha opinião, dominus sua diversão será muito mais excitante ao ter Milo e... Afrodite. Esses dois nasceram para foder e o fazem com maestria...


Hades tornou a beber o vinho, confirmando para si que Camus era mesmo um servus manus e seus olhos perscrutaram o gladiador e o restante de seus companheiros. Realmente, havia muitos homens belos e viris, ali. Mas, Milo tinha um apelo sexual que o excitava, tinha algo nele que acirrava sua vontade de dobrá-lo, dominá-lo com força e ter prazer em seu corpo.


E agora, depois de vê-lo lutar com Minos, seu desejo aumentara, ao ponto de ter uma ereção ao vê-lo exibir as nádegas roliças, enquanto pegava um artefato qualquer do chão.


– Tem razão, minha cara... Seu campeão e o belo dançarino irão me satisfazer. – disse Hades.


– Mandei Afrodite preparar um recanto especial e privado para que possa ter todas as formas de prazer possível, dominus. Inclusive, tomei a liberdade de mandar fazer alguns artefatos para o seu exclusivo prazer. – disse June e, em seguida, cochichou no ouvido do cônsul.


Com um olhar brilhando de pura luxúria, Hades beijou a mão de June, enquanto ela sinalizava para Afrodite que desse início ao divertimento que preparara para seu convidado de honra.


O escravo assentiu com a cabeça e sinalizou para Shina que fosse chamar Milo.


Os gladiadores continuavam em posição de sentido, todos com uma expressão congelada de felicidade. Alguns cochichavam comentando o olhar deste ou daquela, mas os que integravam o grupo de elite da casa estavam exercendo o máximo da dissimulação. Nenhum deles se sentia confortável com este tipo de exigência e só o toleravam, porque eram obrigados a fazê-lo.


Saga nunca os expusera desta forma. Aliás, o dominus era amado e respeitado pelos gladiadores que lutavam pela casa de Gemini devido à forma humana com que os tratava. O problema era a sua esposa June.


Vinda de uma família de patrícios arruinados, ela exalava ambição por todos os poros e não media recursos para saciar sua ânsia em obter poder e reconhecimento pessoal. Para ela, tanto os escravos domésticos quanto os gladiadores, não passavam de animais à serviço dos seus desejos e dos desejos dos nobres que ela fazia questão de adular...


Domina mandou chamá-lo. – disse Shina em um tom baixo, próximo ao ouvido de Milo.


Milo olhou para os companheiros e sorriu. Aldebaran fez um movimento de vai lá com a cabeça. Máscara da Morte estava com a atenção nos movimentos de Afrodite e grunhiu qualquer coisa. Mu suspirou e mordeu o lábio com uma expressão de boa sorte e El Cid cumprimentou-o como se dissesse estaremos à postos. O único faceiro era Zelos que achava tudo aquilo muito divertido, o que fez Milo ter uma certa ideia maligna...


– Vem comigo e fica por perto, Zelos. – disse Milo bem baixinho.


– Hã?! Eu?! Prá quê?


– Vem logo e não pergunta. Fica a um passo de distância e preparado. – retrucou Milo


O gladiador obedeceu e assim, ambos caminharam na direção dos aposentos reservados à Hades.


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O céu estava profundamente estrelado quando Saga, Kanon e Camus chegaram aos limites de Roma. Ainda havia movimento e sons na cidade, mas era um momento perigoso, onde as ruas estreitas abrigavam ladrões, mendigos e prostitutas.


Kanon vinha à frente, enquanto Saga e Camus ficavam um pouco para trás. Acostumado à vida militar, o general posicionava-se como guardião e não permitia nenhuma discussão sobre o assunto. Com a espada pronta, era o tipo de adversário que nenhum homem gostaria de enfrentar, principalmente, na calada da noite...


– Já estamos quase em casa. Tomara que tenhamos chegado antes do tal jantar. – disse Saga.


– Sim, mais algum tempo e já avistaremos a domus e faço minhas, as suas palavras. Rezo para que tenhamos chegado antes desta infâmia acontecer. – respondeu Kanon.


Camus estava ansioso, embora permanecesse em silêncio e não se intrometesse na conversa de seus senhores. No entanto, estava achando tudo muito lento e o próprio pensamento o fez concluir que algumas coisas em si, haviam mudado. Estou ficando parecido com Milo, desejo tudo para ontem.


Um homem velho e esfarrapado aproximou-se de Kanon com a mão estendida.


– Uma esmola, dominus. Sou cego e tenho mulher e filha para sustentar. – disse o homem com um fio de voz.


Kanon analisou-o e pegou uma bolsa de couro, tirando de dentro dela, cinco sestércios. Deu ao homem que agradeceu-lhe de joelhos.


Saga sorriu. Kanon, apesar de ser um dos homens mais duros que conhecera, possuía, ao mesmo tempo, um coração generoso e libertário. Ainda lembrava-se do dia em que ele o defendera, após seu pai castigá-lo por perguntar o porquê da escravidão.


Seu pai era um homem severo e cumpridor das leis. Para ele, Roma tinha o direito de dominar raças inferiores e, a simples pergunta feita, era uma afronta e um sinal de rebeldia, intolerável.


O grande Vespaciano, como era chamado por todos, era justo e disciplinador, mas na opinião de Saga, um homem de visão estreita e a relação entre eles não era fácil. Talvez ele preferisse Kanon, por seguir-lhe os passos e não questioná-lo, abertamente.


Porém, no dia fatídico em que seu pai o chicoteara, Kanon o segurara e não permitira que ele continuasse. Nunca tinha visto um olhar raivoso e profundo em seu irmão, até aquele dia...


– Está ficando mole, general... – brincou Saga.


– Já mostro quem ficou mole, meu adorado irmão. – respondeu Kanon com um tom malicioso.


Os dois riram e logo uma silhueta à cavalo surgiu, trotando devagarinho e fazendo Kanon puxar as rédeas do seu cavalo.


– Alto! Quem vem lá? – perguntou o general.


– Sou eu, meu superior e... amigo. – disse uma voz conhecida.


– Aiolia! O que está fazendo há essa hora, homem? – questionou Kanon.


– Vim dar assistência a algumas crianças. – disse o jovem pretor.


– Crianças?


– É... eu...construí um abrigo na rua de baixo. Trago mantimentos e procuro deixá-las fora das ruas. Roma está se tornando uma cidade de ladrões e mendicantes e, mesmo sendo um centurião e sentindo-me honrado de servir Roma, sinto-me mais útil ajudando a manter a vida do que tirá-la na batalha. — respondeu Aiolia.


Camus olhou para Aiolia e sentiu uma imensa simpatia por ele.


– E eu que pensava ser o único a fazer loucuras... – disse Saga rindo. – Venha, acompanhe-nos até nossa casa e beba um vinho conosco.


Aiolia assentiu e juntou-se ao grupo. Os quatro agora se encaminhavam para a domus sem imaginar o cenário que iriam encontrar...


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O aposento tinha sido cuidadosamente preparado. O divã fora substituído por um estrado largo de madeira, onde um colchão de penas de ganso jazia tão branco quanto as cortinas transparentes que ondulavam nas janelas semiabertas. Sobre ele, além de almofadas grandes e macias, estava um chicote negro e curto com nós nas pontas, um falo esculpido em bronze, tiras de couro e algumas frutas maduras, cheias de sumo e exalando um aroma agradável que incitava o paladar.


Hades olhou em volta com visível prazer e teve que admitir que June era uma pessoa deveras interessante, mesmo sendo apenas uma mulher. Tocou em todos os artefatos sentindo um deleite prévio, assim como uma euforia ardente que parecia espalhar-se por todo o seu corpo. Afrodite serviu-o de mais vinho em uma taça de prata, enquanto Milo permanecia em pé, esperando as ordens que ele lhe daria.


Quando bebeu o último gole, Hades sentiu o aposento ondular, como se o ar estivesse personificado em ondas quentes e visíveis. Afrodite se aproximou dele com um olhar carregado de malícia...


– Deixe-me despi-lo, dominus... Minha senhora disse que um deus não deve preocupar-se com pequenas coisas...


A cabeça de Hades enchia-se de imagens e seu corpo já começava a arder, pleno de sensações. Ele permitiu que o escravo o despisse e, em seguida, estendeu a mão na direção de Milo, tocando-o no tórax e nos mamilos. Seus olhos estavam vidrados e sua respiração, alterada. Entretanto, quando ele abriu a boca para falar algo, Milo pegou-o pelo pulso com força e impediu-o de continuar a acariciá-lo.


– Ah, meu caro Hades... hoje, você vai conhecer o que é a dominação. – disse Milo torcendo o braço do cônsul e levando-o até o colchão.


Hades grunhiu de dor, mas antes que centralizasse a atenção no braço torcido, Milo agarrou-o pelos cabelos quase arrancando-os e fazendo com que um gemido mais alto escapasse da boca do cônsul.


– A-Ahhhhhhhhhhhhhhhh... o-o q-quê e-está... f-fazendo? – gemeu Hades ao sentir que agora estava sendo posto de quatro sobre o colchão.


– Estou te dando o tipo de prazer que o dominus merece... Se entregue... se permita ser fodido! Resistência e dominação, lembra disso? “O gladiador substituindo sua espada pelo pau que deve rasgar seu adversário, mas junto da dor, deve fazê-lo render-se ao prazer...” Vai vivenciar tudo isso e muito mais, dominus. – sussurrava Milo, enquanto mantinha Hades naquela posição passiva.


A dor começava a se transformar em prazer... Hades, aos poucos já não sabia onde estava, só ouvia a voz grave e rouca de Milo e seu corpo reagia, contrariando sua mente que ainda resistia a ser dominado. Um homem poderoso como ele jamais fazia o papel de passivo. Era errado e proibido.


– N-Não... eu sou... eu sou o... senhor. – gemia ele.


– Aqui não há senhor e escravo... somente o mestre, como você costuma dizer e o filho da puta que se considera um deus.. E hoje, o mestre vai ensiná-lo a não mexer com um gladiador... — sussurrou Milo junto ao ouvido de Hades, enquanto restringia as mãos dele com uma tira de couro.


Uma palmada forte e sonora o fez arquear o corpo e gemer. Suas nádegas ficaram vermelhas e com a marca da mão de Milo.


– Vamos brincar...- disse o gladiador.


Milo cedeu lugar a Afrodite que pegou o falo feito de bronze e untou-o com uma mistura oleosa e escura, a mesma que colocara, no vinho que seria servido aos nobres.


O meimendros era uma droga que tanto funcionava se fosse ingerida, como também era absorvida pelas mucosas do corpo. Ânus e vagina, se preenchidos com meimendros produziam um furor sexual violento, ao mesmo tempo em que tirava da realidade e fazia “viajar” e possibilitar a experiência única de se unir a Baco sem nenhuma inibição. Por isso, era o néctar do prazer muito apreciada nos Bacanais e responsável pela maioria dos excessos, estupros e perversidades...


O olhar malicioso de Afrodite fez Milo sorrir.


– Devagarinho ou com certa... violência? – perguntou Afrodite percorrendo o falo cuidadosamente esculpido com o dedo – Como será que o grande Hades prefere...?


Enfia logo esse troço! – disse Milo rindo.


Quando Hades sentiu-se penetrado pelo artefato frio e duro, seu corpo estremeceu e um som estrangulado saiu de sua garganta, como se ele tivesse se afogado com algo.


Habilmente, Afrodite foi introduzindo devagar, até sentir que o corpo do cônsul movia-se de encontro ao objeto fálico. Quando ouviu-o gemer, preparou o chicote e começou a golpear as nádegas expostas.


O cônsul arfou e tentou falar, mas, aos poucos, a droga contida no vinho unida a que estava sendo absorvida internamente, começou a deixá-lo excitado em demasia. O suor brotava, abundante, de sua pele e os golpes que sentia, apesar de dolorosos, tornavam-se fonte de um prazer grotesco que o fazia urrar e perder, totalmente, o controle de si...


Divertindo-se com o fato, Afrodite golpeava com força e ria, como se fosse uma criança com um brinquedo novo. Enquanto isso, Milo continuava escorado na parede bebendo um vinho puro e apreciando a cena.


Hades sentia seu corpo doer, mas entrava em um êxtase bizarro e vertiginoso. As chicotadas em suas nádegas o faziam querer mais, mais dor, mais invasão. Seus olhos reviravam nas órbitas e ele parecia possuído por um Larvae.


Milo chamou Zelos que olhava a tudo com um brilho lúbrico nos olhos grandes e saltados.


– Vem, Zelos. Agora é a tua chance... Vai comer um cônsul. – disse Milo.


– E-Eu? M-Mas, e... se ele se lembrar?


– Ele não vai saber. Tá ficando doidão. Vai apenas lembrar da minha voz e pensar que fui eu... Por isso, faz um bom serviço. – respondeu Milo com malícia.


Zelos passou a língua nos lábios, como se estivesse diante de um prato suculento. Afrodite cessou as chicotadas e afastou-se, rindo sugestivamente e pensando: decididamente, isso não vai prestar...


Quando o gladiador tirou a subligaria, o belo escravo levou a mão à boca e arregalou os olhos.


– PorJúpiter Optimus Maximus! Zelos, seu... apelido está errado! Devia ser cavalo!– exclamou Afrodite.


Milo riu e concordou com o amigo. O falo de Zelos era tão grande e grosso que parecia disforme e inadequado para a sua estatura. Podia-se ver as veias aparecendo na extensão e a glande avermelhada pulsava de um jeito esquisito e obsceno, como se fosse mesmo algo mais animalesco que humano...


– Vai firme, Zelos... hoje é seu dia de sorte e, pelo tamanho da coisa, do Hades... também! – gargalhou Milo.


Zelos aproximou-se das nádegas de Hades que, há essa hora, já estava, totalmente, tomado pela droga. Seu corpo pedia para ser saciado, seu falo estava ereto e dolorido. Ele gemia palavras desconexas junto a outras que pareciam um discurso esdrúxulo, feito antes das lutas na arena.


O gladiador espalmou a mão nas nádegas alvas e penetrou-o com força. Hades gritou de dor, mas Zelos não se importou. Fechou os olhos, deliciado com o canal estreito e quente que se contraía tentando expulsá-lo.


Ofegante, metia nele com tudo, gritando obscenidades em meio aos gemidos e estocando com tanta força que o impacto do seu corpo junto ao do cônsul fazia um barulho alto, como se estivem em um embate corporal violento.


Hades urrava e tentava escapar, mas Zelos puxava-o pelos cabelos e lambia seu pescoço com volúpia, deixando um rastro de saliva viscosa e continuando a enterrar-se nele, repetidas vezes.


Alguns fios de cabelo sedoso ficaram na mão de Zelos quando, por fim, seu gozo quente encheu o canal de Hades. Ele urrou como um animal e continuou a mexer os quadris até esgotar sua última gota de sêmen dentro daquele homem.


Puta que pariu, mas que rabo bom! – disse o homem apelidado de sapo, quando, finalmente, escorregou para fora do canal e viu seu gozo escorrendo pelas pernas do cônsul.


O cônsul estava ofegante, mas ainda não tinha gozado. Então, Milo espiou para o salão, onde os gladiadores que ainda não tinham a marca estavam apenas olhando a diversão alheia que já havia evoluído para o sexo em grupo e outras extravagâncias...


Imersos na luxúria provocada pelo vinho, os nobres haviam perdido a noção de tudo e se deixavam penetrar por escravos e uns pelos outros. Até June estava com os seios à mostra e Julian sugava-os, enquanto ela ria e outra mulher se esgueirava entre as suas pernas e praticava a cunilíngua, enquanto era penetrada por trás, por seu acompanhante...


Com um assovio, Milo chamou a atenção de uns dez e eles, prontamente atenderam seu chamado.


– Hoje tem festa pessoal e a carne é de primeira... – disse Milo rindo.


Fazendo fila, cada um pode desfrutar um pouco do cônsul que já fora solto das amarras e agora passava de mão em mão. Zelos entrava na fila de novo e de novo, não abrindo mão de continuar usufruindo daquele corpo delicioso, enquanto os outros se masturbavam e ejaculavam no rosto que se contorcia de prazer e dor.


Houve um momento em que o cônsul parecia uma iguaria no centro de uma mesa, enquanto alguns sugavam, arranhavam e mordiam a sua carne. Entretanto, apesar de estar sendo violado, repetidas vezes, em sua mente, Hades vivia uma verdadeira orgia de prazeres dolorosos, sendo dominado, humilhado e usado por aqueles que costumava considerar inferiores.


A imagem de Milo alternava-se com a de Minos e Hades sorria, enquanto um fio de saliva escapava da sua boca inchada e machucada das chupadas e mordidas. Gozou, mas o orgasmo dissolveu-se em meio ao frenesi das invasões constantes em seu corpo. Quando desabou exausto, continuou a ser fodido por um gladiador imenso que deixava marcas roxas em seus quadris e, mesmo assim, já não sentia mais nada.


Imerso em um mar de sêmen, saliva e do próprio sangue que escorria por entre suas coxas, o homem que sempre dominara, parecia uma marionete cuja vontade havia sido erradicada no mar de corpos voluptuosos e perdia a consciência em um mar de escuridão...


Afrodite e Milo encostaram-se junto à parede e degustavam um bom vinho mediterrâneo e saboreavam as frutas, enquanto a cena se descortinava.


– Acho que já deu... – disse Afrodite levando o indicador aos lábios e vendo que Hades já se encontrava inconsciente e bastante machucado.


– É... senão o deus nunca mais vai poder sentar na vida e vai ter que assistir os espetáculos sempre de pé. – respondera Milo.


Shina permanecera escondida, escapando dos avanços de Julian e de outros que revelavam as taras mais estranhas. Havia um nobre mais velho que trouxera uma porca e agora corria atrás do animal com o falo em riste, chamando-a de mi amore. Outros, que em seu estado normal eram arrogantes, agora jaziam de quatro chupando mulheres e sendo fodidos de forma violenta por escravos domésticos.


Os gladiadores da elite da casa bebiam e comiam, mas estavam conversando entre si e alheios ao que transcorria no salão. Como não estavam drogados, era fácil desvencilhar-se de incômodos e até achar algumas cenas divertidas.


Máscara da Morte estava inquieto e não conseguia aproveitar muito. Estava tão enciumado e de olho cravado na direção dos aposentos onde Milo e Afrodite estavam com Hades que, quando uma mulher beliscou uma de suas nádegas, ele deu-lhe um safanão tão violento que ela caiu sobre dois corpos que fodiam em cima da mesa e riu, deliciada, ao chocar-se com os corpos nus.


El Cid e Albafica estavam afastados e o gladiador usava seu corpo poderoso para que seu amante não ficasse exposto, nem presenciasse toda aquela degradação. Tocava-o no rosto e sussurrava-lhe palavras que o faziam sorrir, porém não o tocava de forma lasciva.


Aldebaran conversava com Mu. Ambos, a todo instante, tinham que desvencilhar-se das mulheres e homens que queriam agarrá-los. Mu já estava farto de estar ali, enquanto Aldebaran ria e mordia a carne suculenta de um javali. Ah, os prazeres de uma boa mesa... Esses, eu não vou dispensar... dizia o Touro, enquanto Mu suspirava e pedia aos deuses que a noite terminasse logo.


Manigoldo estava num canto, sério e vigilante. Sua mente simples vagava pelas lembranças dos tempos em que nada daquilo seria permitido na casa de Gemini. Orgias, desrespeito, nada disso acontecia quando o grande Vespaciano montara a sua ludus. Mesmo sendo um homem severo e que era favorável à escravidão, no seu tempo os gladiadores só tinham que focar em matar e vencer na arena.Velhos e bons tempos!


Shina permanecia se esgueirando e com certo medo, mas, ao mesmo tempo, era grata à Afrodite por livrá-la de participar de tudo aquilo. Sua única tarefa era vigiar e avisá-lo, caso alguma coisa acontecesse. Ela pulava sobre alguns corpos e verificava se não estava acontecendo nada anormal, ao mesmo tempo se perguntava como saberia diferenciar o que era ou não, normal, após presenciar toda a sorte de perversões e depravação que inundavam seus olhos.


Entretanto, ao ver um barulho no atrium ela soube, de imediato, que era hora de avisar seus companheiros...


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Saga e Kanon ficaram tão perplexos, que pareciam ter combinado suas reações e gestos. Os dois estancaram ao adentrar o salão e deparar-se com um mar de corpos fodendo de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Aquilo era muito além do que haviam imaginado... Nada podia mensurar a cena degradante que se apresentava como um mosaico vivo de obscenidades.


Camus e Aiolia não ficaram atrás, mas os olhos de ambos procuraram outras fisionomias que, felizmente, não estavam naquele grupo.


As bocas de ambos os gêmeos, se abriram e os olhares recaíram sobre um quarteto em cima da mesa que grunhia e gemia alto, imersos em comida e vinho derramado. June era penetrada por uma mulher com um falo enorme e brilhante feito de bronze. Seu corpo se contorcia, enquanto dois homens lambiam e mordiscavam seus seios e outro roçava o falo em seu rosto antes de enfiá-lo em sua boca...


Nesse meio tempo, Hades se agarrava às paredes e voltava nu ao salão principal com o corpo coberto de sêmen, hematomas e marcas. Quase não podia andar e sua expressão era alucinada e ausente, tendo de ser amparado por Shina que fazia o seu papel de escrava subserviente e o retirava de cena, sob o olhar severo de Kanon.


Os gladiadores estavam em postura de prontidão no fundo do salão e tanto Manigoldo quanto Albafica permanecia entre eles. Milo e Afrodite se mostravam sérios e com uma expressão totalmente inocente. Os outros, os que ainda não tinham a marca e tinham desfrutado o momento, agora permaneciam calados e seus rostos estavam relaxados e contentes. Da elite, apenas Zelos parecia exausto e farto...


– Mas que diabos está acontecendo nesta casa?! – gritou Saga, após o breve período de hesitação.


Algumas cabeças se levantaram, outras permaneceram imersas em seu prazer. June riu, completamente, embriagada. Porém, em sua mente uma chama de alerta ardia, incessante e ela reconheceu o marido que a fitava horrorizado.


– S-Saga... meu... marido. Fez boa viagem? – perguntou ela afastando a mulher de cima de si e cambaleando na direção do cônsul.


Mesmo não sendo adepto da violência, Saga tomou-se de uma ira cega e quando June chegou perto, ele a esbofeteou tão forte que ela caiu.


– Sua... Sua...eu nem sei como chamá-la! Dizer que é uma vadia seria ofender as mulheres que fazem isso para sobreviver! Você é pior que a mais vagabunda das rameiras! Como pode manchar a nossa casa?! – gritou Saga.


Um filete de sangue escorreu pelos lábios avermelhados da domina e ela levou a mão ao rosto, chocada e com lágrimas nos olhos.


– S-Saga... e-eu...


– Fique calada! Não diga uma só palavra ou não me responsabilizo pelos meus atos!


Kanon adiantou-se e pegou June pelo braço. – O que fazemos agora? – perguntou ele, enquanto ela tentava se desvencilhar de seu toque.


– Leve-a daqui! Tranque-a em algum lugar onde eu não precise vê-la... Ou, melhor, deixe-a aí mesmo. – respondeu Saga, exaltado e com um brilho furioso e maléfico nos olhos verdes.


Sem entender, Kanon franziu o cenho.


Saga foi até os gladiadores que possuíam a marca e olhou-os. Todos haviam comido e bebido, mas não participavam do banquete em sua integralidade. Eles se posicionaram de forma respeitosa e esperaram a fala do seu senhor.


– Voltem para as suas celas. – disse Saga.


Então voltou-se para os que ainda não tinha adquirido a marca, aqueles que eram apenas probations e considerados inferiores, pois não tinham conquistas a exibir, nem tinham seu talento como lutador, reconhecido. Saga olhou nos olhos de cada um deles. Em sua maioria eram grosseiros, não apresentavam boa técnica e serviam de distração antes das lutas principais. Muitos possuíam cicatrizes horrendas e mesmo tendo a oportunidade, não eram afeitos a uma higiene decente.


– Preparem-se, todos! Tenho uma tarefa para vocês e espero que tenham colhões para executá-la com vontade. – disse Saga.


Os homens bateram com o punho fechado na altura do peito, à semelhança das saudações da Guarda Pretoriana ao seu imperador. Saga foi até June e pegou-a pelos cabelos, fazendo-a gritar e espernear. Então, lançou-a aos homens e disse apenas:


Fodam-na!


Mesmo grogue, June entendeu o horror que estava prestes a acontecer. Em desespero ela chamou por Saga que deu-lhe as costas e foi ter com Kanon, Camus e Aiolia.

Notas finais
Obrigada pelos reviews e pelo carinho que chega através deles ou de uma conversa no MSN ou Face.
À todas que acompanham, saibam a minha alegria ao ler o entusiasmo,as perguntas, a cobrança, as recomendações. Também agradeço o silêncio que deixa um rastro invisível...
Bjs no coração de todas!!!!
Algumas palavras deste capítulo:
***Os Larvae são espíritos romanos de familiares mortos. Esses espíritos malignos assombram as casas e assustam os seus habitantes.
*** A guarda pretoriana (latim: Praetoriani) era o grupo de legionários experientes encarregados da proteção do praetorium, parte central do acampamento de uma legião romana, onde ficavam instalados os oficiais. Com a tomada do poder por Otaviano, transformou-se na guarda pessoal do imperador.
***Mundo Inferior ou Subterrâneos eram os domínios do deus Plutão.
*** Meimendros : essa droga existe mesmo e era usada nos Sabbats. Eu tomei a liberdade de deslocá-la no tempo e colocá-la aqui para dar um toque a mais...*risos
***Júpiter Optimus Maximus: Júpiter o Maior e Melhor!