Entre o Amor e a Espada

10 Capítulo 10 O BANQUETE (parte I)


Notas iniciais
Trecho do poema que abre o capítulo é de Florbela Espanca, uma das primeiras feministas portuguesas e poetiza, cuja obra é de um delicioso erotismo feminino.
Este capítulo vai para Mililika que adora o Afrodite!! Lindinha, obrigada pelo teu carinho e recomendação!!! Fiquei muito orgulhosa!!!

“Olhos buscando os teus por toda a parte,

Sede de beijos, amargor de fel,

Estonteante fome, áspera e cruel,

Que nada existe que a mitigue e a farte!”



A manhã na domus transcorria movimentada. Os preparativos para o jantar da noite eram exigidos nos mínimos detalhes. O piso estava sendo lavado, novamente e as janelas internas estavam abertas para arejar o ambiente. Flores eram trazidas em vasos grandes e ânforas de vinho eram levados até a adega.


June planejara algo especial, suntuoso e ainda mais excitante, em vista do anterior. Jogos, dança, pantomima tudo seria oferecido na casa de Gemini como uma exclusiva homenagem à Hades.


O vestido dourado, mandado fazer, acentuava suas curvas e a estola de seda amarela possuía um caimento perfeito e singular. Colocou o colar de ouro e marfim, tendo o cuidado de escolher braceletes, também de ouro, que contrastaram com a sua pele clara. Ela olhou-se na superfície polida e sorriu, gostando do resultado.


– Shina! – chamou ela. – Diga à Afrodite para vir aqui.


– Sim, domina.


Afrodite estava à mesa da cozinha escrevendo uma espécie de roteiro da festa. Embora detestasse June, tinha que admitir que ela tinha ideias bastante originais...


Máscaras... dança e erotismo em todas as instâncias. Tudo em uma mesma noite com o adicional que os escravos da casa estariam todos à disposição! Até mesmo... Shina?Acho que ela não vai gostar nada disso...


– Afrodite, a domina está chamando. – disse Shina.


– Ah, sim! Estou indo. – respondeu o escravo.


Quando Afrodite adentrou o salão, sentiu o aroma da lavanda usada na água para lavar o piso e notou as flores em tons de amarelo e branco enchendo o ar de cores e perfume.


Domina. – disse Afrodite ao entrar nos aposentos de June.


– Afrodite, verificou as máscaras que mandei fazer?


– Sim, domina.


June suspirou e olhou-se novamente.


– Sinto-me, particularmente, bonita hoje! – afirmou ela experimentando o caimento fluído do tecido fino.


Afrodite olhou-a. É... belíssima! Parece uma galinha amarela espevitada e maligna! Pensou, enquanto estampava o melhor e o mais cínico dos sorrisos, concordando com ela.


– Mandei chamá-lo, porque sei do seu gosto por dança e pantomimas. Quero que apresente algo especial esta noite.


– Eu? Dançar?


– Sim, você. Aquela escrava nova que veio do Egito, eu a vi fazendo uns movimentos... quero que aprenda e apresente para nós.


Revirando os olhos, Afrodite suspirou.


– Farei o possível, domina. – disse ele.


– O possível? Não, meu caro, você fará o impossível! Eu o dispenso das demais atividades de hoje. Agora vá e prepare-se para agradar meus convidados e a mim. Se fizer tudo direito, prometo deixá-lo ser possuído por um nobre!


Afrodite obedeceu, sentindo vontade de dizer a ela onde enfiar os nobres que havia convidado.


June tornou a olhar-se até encontrar os olhos de Shina, admirando-a.


– Está muito bonita, domina.


June suspirou e olhou a escrava de cima a baixo.


– Vou emprestar-lhe um de meus vestidos, para essa noite. – disse ela.


– Para mim? – perguntou Shina franzindo o cenho.


– Sim, quero-a bela e bem vestida. Hoje, todos os escravos estarão vestidos como nobres ou ninfas. Será uma noite como as Dionisíacas na Grécia. Ou seja, beleza, fartura e liberação total dos sentidos e prazeres...


– M-Mas, domina e... se um homem me quiser?


– Você será dele. Qual o problema? – perguntou June fixando o olhar frio nos olhos assustados da escrava.


D-Domina, eu pensei que... que...


– Era de meu uso exclusivo?


A frase de June veio acompanhada de um sorriso falso e compreensivo. Ela tocou o rosto da escrava.


– Eu seria muito egoísta em não compartilhá-la, minha querida... Essa história de Servus manus só funciona com os homens que adoram achar que estão no comando. Dê-lhes a ilusão que só o pau deles entra em nosso corpo e já se acham os donos do mundo! Mas, não se preocupe, só convidei homens importantes e bem apessoados. Você será oferecida a um deles e não a um gladiador ou escravo qualquer... Perderá a virgindade em grande estilo!


Shina baixou a cabeça e fechou os punhos. Apertou os olhos para não chorar.


– Sim, domina. Posso me retirar, agora?


– Ah, sim! Vá ajudar Afrodite e verifique, novamente, o estoque de vinho. Nada pode faltar, esta noite.


Shina saiu. A raiva fervendo dentro do peito e as lágrimas teimando em inundar-lhe os olhos. Maldita! Maldita! Três vezes maldita!


Afrodite estranhou a entrada dura de Shina e percebeu que o rosto da escrava estava vermelho em um esforço hercúleo para não desabar em choro.


– Já vi que soube dos planos da domina. – disse o escravo.


– Ela vai me oferecer, Afrodite! Vai deixar que um daqueles porcos nojentos me possua na frente de todo o mundo!


Mesmo sendo sarcástico e tendo um humor mordaz, Afrodite possuía um coração generoso e agora, diante da angústia de Shina, sentia-se desconfortável.


– Se serve de consolo, estamos preparando algo... especial para este jantar. Se souber ficar de bico fechado e quiser participar, desça até a cela de Milo, após o almoço.


– Preparando algo? Mas...


– Sem mas! Apenas me encontre lá. Agora vá fazer o que a domina ordenou. – disse Afrodite já com o nariz empinado.


A escrava obedeceu, sentindo uma espécie de alento com as palavras de Afrodite. Se havia alguém campeão em manipular, aquele homem era o maior de todos...


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O mar estava calmo e havia, sobre as águas, aquela bruma transparente que sempre lhe parecera mágica. Alguns pescadores puxavam as redes deixadas à noite e crianças corriam rindo e gritando pela praia.


Os ruídos abafavam seus passos rápidos e apressados. Já comprara lula, lagosta e peixes gordos e dourados. O tempo em que levara fazendo tudo isso, fora cuidadosamente preenchido. Agora era o momento apropriado para reencontrar uma certa pessoa...


A casa era simples e escura. Havia um odor de ervas no ar, misturadas a um discreto cheiro de mofo e maresia. A madeira havia sido tratada com betume e permanecia brilhante e negra, absorvendo a luminosidade e acentuando o ar macabro que sempre existira ali. Os cômodos eram pequenos e a mobília disputava espaço com potes de argila contendo pós e líquidos manipulados de ervas e animais.


Pouco à vontade, o jovem escravo bateu três vezes no balcão e esperou. Logo, um homem encurvado e com poucos fios de cabelo apareceu. Na mão magra, que se apoiava num cajado de madeira escura, podia-se ver um anel de prata em forma de um estranho animal e o cheiro que exalava do homem ainda continuava o mesmo.


– Albafica... O que o traz aqui? – perguntou o velho. – Já faz muito tempo... era apenas um menino quando o ensinei e um jovem imberbe quando o cônsul Saga o levou de mim.


O escravo tentou suprimir o desconforto ao retornar àquele lugar. Tinha sido vendido ao velho Krasso quando ainda era um menino. Ainda lembrava o dia em que sua tia o trouxera pela mão e o vendera àquele homem, separando-o de Afrodite, seu irmão mais novo.


O lugar e o homem fediam a suor, urina e especiarias. A sorte dele era que Krasso havia feito um pacto com espíritos ancestrais ligados à cura e isso o privava de ter relações sexuais, já que era comum o dominus ter sexo com seu jovem aprendiz. Krasso era exigente e, muitas vezes um disciplinador cruel, mas nunca o tocara de forma lasciva e só isso já era uma benção.


Afrodite não tinha tido essa sorte. Com a beleza andrógina que possuía, logo seria vendido a uma casa de prazer qualquer como ele ouvira a tia dizer muitas e muitas vezes. Ele nunca soube se, realmente acontecera, até aquele dia...


Krasso fora chamado para tratar uma doença que acometera vários escravos na Casa de Gemini e o levara junto. Chegando lá, por um capricho dos deuses e do destino, reencontrara seu irmão, Afrodite, e a comoção que sentiu ao deparar-se com ele chamou a atenção do dominus.


Tempos depois, Saga ofereceu uma boa quantia à Krasso e o levou para Gemini. Finalmente, ele pudera realizar o sonho de ficar junto do irmão. Nunca entendera o gesto de Saga, mas ao vê-lo junto de Kanon pensou que, talvez, por amar muito seu irmão gêmeo, ele se comovera com a sua história...


– Preciso da sua ajuda, mestre. – disse Albafica, enquanto o velho continuava a encará-lo.


– Minha ajuda? Para quê?


– Para impedir certos acontecimentos.


Krasso levou à mão ao queixo, único lugar que exibia um tufo de pelos fartos e grisalhos. Olhou bem dentro dos olhos de Albafica e disse:


– Você está com problemas em Gemini?


– Não só eu, mestre, mas todos os escravos. Domina deseja agradar Hades e nos colocou a todos à disposição dele. Não é segredo o que aquele homem aprecia.


– Não, não é. E o que você tem em mente?


– Lembro-me de uma erva rara que permite povoar a mente de ilusões e misturá-las à realidade. Pretendo incapacitá-lo de fazer mal, mas, ao mesmo tempo, induzi-lo a pensar que realizou todos os seus desejos.


Meimendros! Misturado com o estramônio, a beladona e a mandrágora dão controle sobre a mente o corpo. Produz euforia e atiça os sentidos... – disse o homem com os olhos opacos parecendo saltar das órbitas.


– Sim, é essa. O senhor é o único que a tem.


– É uma planta perigosa. Exige o dom.


– Eu sei, mestre. E, embora eu relutasse em vir pedir isso ao senhor, é a única chance que nos resta para salvaguardar a nossa honra como homens.


– Escravos nunca foram considerados homens...


– Eu sei, mas isso não impede que o sejamos.


Krasso sorriu. – Você sempre foi orgulhoso, Albafica. A sua origem é responsável por isso... Espero que ela não seja o seu fim.


– Não gostaria de tocar nesse assunto, mestre. Apenas desejo saber se pode atender meu pedido. Tudo o que me ensinou, eu uso para o bem. Jamais utilizei meus conhecimentos com fins egoístas ou vis. Eu relutei muito em usar esse recurso, mas não tenho escolha.


Sem dizer uma só palavra, o velho foi até o balcão de madeira e retirou uma pequena bolsa de couro. Pequenas folhas e pétalas com nervuras foram retiradas.


– Tome. Macere e misture ao mel e ao vinho. Depois coe e fique somente com a parte licorosa. É este líquido que deve ser adicionado ao vinho ou até à comida, se esta, tiver algum molho agridoce ou picante. Mas, cuidado, se quer que pareça natural, deve medir bem. A quantidade depende do modo como a macerou e isso... só quem tem o dom, pode saber.


– Obrigado, mestre.


Antes de sair, Albafica ainda olhou para o ambiente que o acolhera quando criança. Lembranças dolorosas, mas também prazerosas abateram-se sobre o seu coração. Elevando os ombros ele as escorraçou. Era um homem, agora, e o passado era o que devia ser: apenas frágeis lembranças que ele fazia questão de esquecer!

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O almoço transcorrera rápido e tranquilo. June fora para os seus aposentos dormir o sono da beleza para enfrentar a jornada noturna. Os escravos continuavam a arrematar os últimos preparativos, enquanto Afrodite, Shina e Albafica desciam sorrateiramente ao local onde ficavam os gladiadores.


Na cela, estavam Milo, Máscara da Morte, Mu, Aldebaran, El Cid e Zelos. Manigoldo estava verificando as armas e o restante estava trabalhando ou descansando um pouco. O pátio estava em silêncio e banhado pelo sol da tarde.


– Bem, pessoal. Não podemos nos deter muito aqui. Albafica e eu estaremos junto a domina atendendo-a e aos convidados. Haverá uma série de atrações no jantar de hoje, como se fosse um acontecimento digno de um imperador. Portanto, todos devem se preparar para agir como verdadeiros atores. Pareçam submissos e felizes, como se estivessem ansiosos para satisfazer os caprichos da domina.


–É o que fazemos sempre. Qual a diferença deste para o jantar anterior? – perguntou Aldebaran.


– Vou tentar explicar. No jantar anterior fomos pegos de surpresa. Milo e eu andamos conversando e está muito claro que, neste, domina está investindo todo o seu poder de fogo. Ela vai tratar Hades como um deus. O homem já se acha um e sabemos que ele gosta dos jogos sexuais de dominação. É óbvio que domina o deixará pensar que pode tudo e, sabendo dos gostos dele, oferecerá o campeão da casa, como meio de deixar Hades pensando que tem o domínio total.


– E se o homem quiser outro? – perguntou Máscara da Morte fixando seus olhos nos de Afrodite.


– Boa pergunta! Mas, o trunfo da domina é o campeão da casa. – disse Afrodite piscando para o gladiador. – E Milo será preparado para ser o escolhido. Quando isso acontecer, colocaremos nosso plano em prática.


Os gladiadores se entreolharam um tanto confusos. Até que El Cid resolveu fazer o que nunca havia feito: falar no grupo.


– O que está dizendo é que farão todo o possível para concentrar a atenção de Hades em Milo. Assim, ele o escolherá e deixará os outros em paz. Mas, me ocorre uma dúvida... e os outros? Sim, porque não existe somente Hades. Haverá toda uma horda de nobres excitados e ensandecidos desejando aproveitar a... festa! E eu já vou avisando, se alguém tocar em quem eu prezo. – direcionou o olhar na direção de Albafica. – eu mato!


Afrodite sorriu, admirando a inteligência de El Cid e olhou para o irmão que tentava disfarçar o rubor.


– Não se preocupem com o resto. Hoje à noite, todos terão os seus desejos satisfeitos. A única diferença é que nós estaremos no controle. Não posso revelar os detalhes. Quanto menos souberem, mais natural parecerá. Agora descansem e se preparem. Estejam limpos, refrescados e penteados...


Uns coçavam a cabeça e outros suspiravam. Milo estava quieto e quando todos se dispersaram, ele andou na direção de Afrodite.


– O que pretende fazer comigo? – perguntou o gladiador.


Um sorriso safado e deliciado escapou dos belos lábios do escravo.


– Vou te deixar ainda mais gostoso do que já é! Hades não vai resistir...


Milo sorriu também e os dois rumaram em direção ao interior da domus. Entretanto, encostado à parede, Máscara da Morte apertava os dentes sendo presenteado com um sentimento avassalador chamado ciúme...


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Em meio aos preparativos para a volta, Saga conseguiu dar um sorriso fraco, de quem desejava ficar e não enfrentar mais um desafio. Virou-se para Kanon que estava sério e compenetrado.


– Se amarrar mais uma vez, este fardo, jamais desfaremos o nó. – disse o cônsul, vendo que o irmão usava mais força que o necessário.


– Estou ansioso para voltar. – respondeu Kanon.


Saga tocou-lhe o rosto.


– Chegaremos à noite. Logo, tudo isso estará acabado.


– Temo por esse momento. Temo não me controlar e...


– Acalme-se. Lembre-se da vida que poderemos ter... Camus tem razão, vivemos em Roma com suas leis e moral. Somos figuras públicas e isso atrai atenção para nós. Nossa única chance de sermos felizes é desta forma.


– Eu sei. Realmente, a ideia de Camus contempla a realidade e o nosso sonho. Mas, mesmo assim, tremo só em pensar no que aquela vadia está fazendo em nossa casa.


– Não se preocupe com isso. O que é dela está bem guardado!


Camus surgiu na porta. Trazia alguns mantimentos e já preparara os cavalos.


– Está tudo pronto, dominus.


– Então vamos. – disse Saga tocando o ombro do irmão.


Kanon fixou os olhos nos de Saga e, num rompante, o beijou lenta e profundamente.


Camus desviou o olhar e deixou-os. Também ele sentia falta de Milo e, mesmo sabendo que o gladiador era forte e decidido, temia por ele, pois sabia que ele era o peão sexual que a domina usaria sem piedade, caso Hades o desejasse.


Olhou na direção do sol que já estava sobre as cabeças, indicando o meio do dia e pediu aos deuses que chegassem a tempo de frustrar os planos de June.


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Os olhos azuis e penetrantes estudavam o corpo a sua frente... Com o olhar estreito, avaliava seu trabalho com a precisão de um centurião escolhendo a melhor arma ou de um senador pensando nas palavras certas a dizer em um discurso. Respirou fundo, esquadrinhando o conjunto para, então, bater palmas e sorrir.


Perfeito! Uma mistura adorável de Apolo e Marte! – exclamou Afrodite.


Milo era uma figura alta e imponente. O tamanho do corpo atlético revelava uma perfeição em pele e músculos que agora estavam salientados pelo óleo perfumado que acentuava o bronzeado e tornava a presença magnética e viril. Os cabelos longos estavam úmidos e brilhando como se pequenas gotas de água houvessem sido presas nas tranças finas que chegavam até o meio das costas.


O gladiador olhou para si mesmo na superfície polida do latão e franziu o cenho. Estava seminu e brilhando como uma escultura feita de bronze. Seu sexo mal estava coberto com um tapa-sexo feito de couro e pintado de dourado. Sua bunda estava totalmente descoberta e, ao invés de usar botas, usava sandálias de tiras finas e douradas que acentuavam a panturrilha grossa.


– Afrodite... tem certeza que tudo isso é necessário? – perguntou Milo.


O escravo fez um muxoxo com os lábios e estreitou os olhos.


– O que foi agora? Vai me dizer que está com vergonha...


– Não é vergonha, mas... sei lá, me sinto exposto.


– É isso mesmo! Tem que mostrar esse corpaço e deixar Hades com água na boca!


– Você está achando tudo muito divertido. – disse Milo, sério.


– E você não? Diga-me, quando tivemos a oportunidade de agir juntos e mostrar que não somos animaizinhos domésticos e obedientes? Nunca! Mas, hoje, meu querido... Hoje, faremos história!


Milo riu. Afrodite tinha um jeito especial de ser e de se manifestar. Sua força estava no ardil e na sensualidade estudada que era capaz de convencer até uma pedra a agradá-lo e ainda ficar feliz por isso!


– Vamos torcer para que tudo saia conforme os nossos planos. – disse o gladiador.


– Sairá! Plano em que Afrodite mete a mão... é sucesso garantido. Aliás, se sua memória não está falhando, deve lembrar que minha mão é capaz de fazer muitas outras maravilhas, mas... vamos deixar o nosso passado sórdido no esquecimento. Afinal, agora você é um homem apaixonado e fiel e eu... bem, estou me encaminhando para isso. – disse o belo escravo rindo. – Agora volte à sua cela e aguarde o chamado.


Tocando na pulseira de couro que Camus havia lhe dado, Milo pensou no amante e sorriu. O ruivo nunca dissera as palavras que ansiava em ouvir, mas seus gestos e seu olhar transpareciam um forte sentimento, algo que a altivez conseguia esconder quando não estavam juntos e que desaparecia por completo quando ele estava em seus braços.


Olhou para Afrodite que sumia em meio ao corredor e deu uma última olhada em si. Como dissera o amigo, essa noite, eles fariam a história!


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Hades deixava a terma quando Minos adentrou sua casa. Podia ouvir a voz dele mais profunda e rouca que o normal, assim como a do escravo que pedia para que esperasse.


Caminhando a passos largos e ignorando os apelos do escravo, Minos se via refletido no piso escuro de mármore negro, enquanto ia direto à sala de banhos, demonstrando que sabia muito bem dos hábitos do ex-amante. Porém, antes que ele invadisse aquele espaço, Hades surgiu.


– Hades... – disse Minos olhando-o à porta da sala de banho.


O cônsul estava nu e todos os pensamentos coerentes desapareceram de sua cabeça. Era incrível como o tempo parecia não passar para Hades. Seu corpo ainda era magnífico e Minos não conseguia desviar os olhos. A pele clara brilhava com gotas de água e os cabelos molhados estavam em desalinho, quebrando a expressão forte e austera que ele exalava.


Hades apanhou um tecido de algodão e cobriu o corpo.


– Isso já está ficando repetitivo. Não devia vir a minha casa sem avisar. Estou de saída.


– Eu sei. Por isso, estou aqui. Também irei ao jantar oferecido em sua honra, mas decidi não chegar desacompanhado. Somos amigos, pensei que poderia acompanhá-lo.


Olhando-o bem dentro dos olhos, Hades aproximou-se e tocou-o. Sua mão alisou a lateral do corpo de Minos com sensualidade.


– Seremos sempre amigos, Minos... Desde que não confunda as coisas. Não vou favorecê-lo por sermos próximos.


– Espero que valha o mesmo para a esposa virtuosa de Saga.


O olhar de Hades pareceu cortar o ar como uma lâmina.


– Acha mesmo que me deixarei ser aliciado? Que favorecerei a ludus de Saga em troca de um simples jantar?


– Ouvi dizer que não será um simples jantar. – retrucou Minos.


Mais uma vez Hades encarou Minos e desta vez ainda mais intimidador, um músculo saltando de seu maxilar.


– Pois pode ser até um banquete! Minha vida privada não se mistura aos negócios e, eu sei muito bem quais são as intenções de June. Não nasci ontem, meu caro e, neste jogo, só uma coisa me interessa. A casa de Gemini tem um verdadeiro campeão e eu o quero lutando na ludus máxima.


– Você quer comprar o Milo?- perguntou Minos, surpreso.


– Comprar? Não. No seu devido tempo, ele virá a mim e será o meu campeão. Não precisarei desembolsar uma moeda sequer. Enquanto isso, deixo que tentem me agradar de todas as maneiras...


A cabeça de Minos começou a trabalhar e um gostinho de vingança surgiu em sua boca como o néctar de uma doce e suculenta fruta. Sabia do desejo de Hades por Milo e, por conseguinte, odiava ainda mais aquele gladiador arrogante. Hades jamais o possuiria! Nem de um jeito, nem do outro!


De repente, sentiu os olhos de Hades percorrerem, lentamente, o seu corpo, causando-lhe um arrepio sutil de excitação. Permaneceu ereto e firme.


– Ah, meu caro Minos... Deixemos os negócios para um momento mais propício. – falou Hades aproximando-se e afastando os cabelos de Minos para o lado, desnudando-lhe o pescoço de modo que pudesse roçar a boca no ponto sensível abaixo da orelha.


Odiando-se pela fraqueza, Minos fechou os olhos e gemeu baixo. Hades retomou o caminho do pescoço, até os lábios que estavam entreabertos. Beijou-o com lentidão e lascívia, afastando-se, logo, em seguida.


– Gosto disso... é sempre tão receptivo, Minos. Aliás, tenho que admitir que é muito difícil substituí-lo na cama. O dia em que controlar essa passionalidade que o move, arrisco dizer que suas chances de vencer aumentarão, seja na arena ou... fora dela.


Minos nada disse, apenas serviu-se de vinho, enquanto Hades vestia a túnica suntuosa. Esta noite colocaria seu plano em prática e se livraria dos problemas de uma vez por todas.


Hades, ah, meu caro... você ainda não viu nada...Eu ainda vou surpreendê-lo!


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O atrium da domus estava iluminado com tochas, semelhantes às do Templo de Júpiter. Escravas vestidas como nobres ou como ninfas recebiam os convidados que já chegavam para o banquete.


Shina vestia uma peça branca com detalhes dourados e fora incumbida de oferecer-lhes uma máscara e levar os convidados à grande mesa. Julian Solo olhou-a, de cima a baixo, quando ela lhe indicou seu lugar próximo a domina. Nervoso, ele olhava a todo instante para ver se Minos viria com Hades, como haviam combinado.


June adentrou o salão, escoltada por escravas vestidas com peças transparentes que revelavam os corpos curvilíneos. A cada passo de sua domina, pétalas de flores eram atiradas por onde ela passava...


Os convidados aplaudiram, excitados com todo aquele aparato, especialmente, concebido para recebê-los. June sorria e agia como se fosse a própria deusa que lhe dera o nome.


– Boa noite a todos! Sejam bem-vindos à casa de Gemini! Meu convidado de honra ainda não chegou, mas hoje, todos aqui são importantes e serão tratados com toda a deferência com que os imperadores e imperatrizes o são!


Mais aplausos e risos irromperam o ar.


June olhou para Shina, Afrodite e Albafica que se moviam graciosos e discretos ao atender os convidados que continuavam chegando. Sorrateiramente, ela aproximou-se de Julian que usava uma máscara de lobo e sussurrou-lhe:


– Trouxe os gládios?


– Sim, e já estão preparados.


– Ótimo. – disse ela sorrindo e afastou-se para conversar com a esposa de um senador.


Hades surgiu, acompanhado de Minos, no exato momento, em que os gladiadores eram perfilados no palco em frente à mesa de jantar. Estavam todos exuberantes, exalando virilidade por todos os poros e arrancando suspiros deliciados de mulheres e homens que, quase sempre, recaíam o olhar no sexo avantajado que muitos possuíam e que se revelava na pouca vestimenta.


– Por Júpiter... – sussurrou uma mulher madura que pousou os olhos em Aldebaran. – Esse aí deve ser um destruidor na cama.


– Gostei mais do moreno, aquele ali com cara de assassino... – disse a outra se abanando com um leque de penas e fixando o olhar lascivo em Máscara da Morte, enquanto levava uma das mãos ao seio.


El Cid procurava Albafica com o olhar. Quando o viu indicando os lugares e vestido com uma roupa que não revelava muito do seu corpo, suspirou aliviado. Não podia conceber que algum daqueles nobres degenerados tocasse no homem que amava. Sentiu um amargor raivoso ao pensar que aqueles nobres consideravam os escravos como animais, mas eram eles que chafurdavam na perversão e libertinagem.


Albafica pareceu perceber a angústia de El Cid e, quando surgiu a oportunidade, olhou na direção dele e moveu os lábios devagar para que ele entendesse e disse: Está tudo bem. Fique calmo!


O gladiador sorriu discreto, mas manteve os punhos fechados e o olhar vigilante.


– Grande Hades! – exclamou June, chamando a atenção de todos para o homem que adentrava sua casa.


Com um movimento de cabeça e um sorriso frio, Hades se permitiu acolher e recebeu os aplausos de todos que ali estavam. Estava magnífico e sua presença parecia encher o ar de um estranho poder...


Domina... Mais uma vez me honra com sua hospitalidade e generosidade. – disse ele estendendo o braço para June.


Ela abriu um sorriso largo e só então, olhou para Minos que estava sério, ao lado de Hades e olhava para tudo com visível surpresa.


A rameira investiu mesmo nesta palhaçada... Veremos o que ela fará quando perder o seu tão amado campeão! Pensou Minos, enquanto sorria falso para June.


– Dominus Minos. Também é um prazer tê-lo em nossa casa. Será uma oportunidade de retribuir a consideração que teve para com meu marido, quando dos trágicos acontecimentos. – disse ela com um sorriso, igualmente, falso.


– O prazer é meu. – respondeu Minos vendo que Julian acenava para ele.


– Ah, vejo que já localizou seu sócio. Pode sentar-se ao lado dele. – disse June puxando, discretamente, o braço de Hades e se afastando de Minos.


Minos aproximou-se de Julian, vendo-o sorrir através da máscara de lobo.


– Está tão sério... Não vai por sua máscara? – perguntou o jovem.


– Você não me havia dito que foi convidado.


– Não houve tempo. Na verdade, o convite foi enviado para a ludus. Esqueci-me de dizer-lhe, mas sabia que aceitaria minha sugestão e viria com Hades. – disse Julian.


Franzindo o cenho, Minos sorriu.


– Está tudo preparado? – perguntou ele.


– Preparadíssimo. Agora é com você. – respondeu Julian.


Minos tornou a olhar na direção de Hades e June que conversavam, animadamente. Sorriu com sarcasmo ao ver que a máscara entregue a si era a de uma figura lendária, o grifo.


Metade leão, metade águia. Que símbolo mais perfeito para o ato que iria desencadear a queda de Gemini...


Embora todos os gladiadores estivem perfilados, Milo não estava entre eles. Afrodite tivera a ideia de enquadrá-lo em sua apresentação, algo que, sem dúvida, agradaria tanto a June, quanto a Hades.


Quando a maioria dos convidados já estava acomodada, escravas saltitando como ninfas adentraram o salão com tochas acesas. Uma biga, puxada por dois escravos, veio logo atrás com algo coberto com uma exuberante seda vermelha, enquanto os músicos iniciavam uma melodia suave e envolvente.


Envolto em véus, Afrodite surgiu e iniciou uma dança graciosa, onde suas mãos se moviam como ondas e seus pés deslizavam no chão, como se ele flutuasse... A cada passo, um véu era retirado e podia-se ver a perfeição dos traços e a beleza do escravo.


A música acompanhava os gestos, até o ritmo tornar-se mais intenso e ele rodopiar como se estivesse sendo envolvido em um pé de vento cheio de graça e sensualidade.


Ao terminar seu giro, começou a ondular os quadris em uma simulação dos movimentos executados no ato sexual e, neste instante, seu olhar recaiu sobre Máscara da Morte... Ele mordeu o lábio, sugestivamente e caminhou até os gladiadores, roçando o último véu nos corpos perfilados e detendo-se, um pouco mais, naquele que fazia arder seu corpo e seu coração...


Os tambores acentuaram o retumbar sensual das batidas e ele voltou ao centro, até a figura coberta, puxando, bem devagar, a seda vermelha que cobria o estranho objeto...


Houve um murmúrio quando a figura de Milo foi se revelando aos poucos, enquanto Afrodite se postava aos seus pés, como se oferecesse sua vida e seu corpo a um deus.


Os tambores cessaram no exato momento em que a seda caiu e Milo estendeu a mão para Afrodite , elevando-o e sorrindo...


Os aplausos cortaram o ar, junto com assovios e gritinhos histéricos. June olhou para Hades, cujos olhos esquadrinharam Milo por inteiro. O cônsul mantinha a postura orgulhosa, mas seu corpo já começava a dar sinais...


Máscara da Morte estava dividido entre, o ciúme e a excitação, que Afrodite lhe provocara, mas, de alguma forma, sabia que ele seria seu e de mais ninguém.


Todos, de alguma forma, estavam tomados pela sensualidade de ambos, homens e mulheres, nobres e escravos... O clima estava perfeito e June não podia estar mais feliz e realizada.


– Eis o campeão da casa, senhores e senhoras! – falou June. – Recebam Milo Krisius, mais conhecido como Scorpionis!


Hades aplaudiu com visível interesse e Minos sentiu o ciúme espetá-lo fundo como se fosse um punhal. Levantou-se, de rompante, e desafiou:


Scorpionis! O campeão! Vendo-o assim, eu diria que não se parece com um. – disse Minos com uma clara intenção maliciosa. — Mas, gostaria de desafiá-lo! Lute comigo e mostre suas fantásticas habilidades e, desta vez, com a espada! – gritou na continuação de sua fala.


June fingiu surpresa e Hades olhou-o com severidade.


O cônsul, de imediato, cochichou junto ao ouvido de June que assentiu com a cabeça.


Dominus Minos,sabe que é proibido um escravo lutar contra um nobre da vossa estirpe. Nenhum gladiador da minha casa poderá fazê-lo. – disse June.


– Pois eu abro mão desta proibição! Todos serão testemunhas que o desafio partiu de mim! O grande Hades, idôneo administrador da ludus máxima será o juiz. Se era esse o impedimento, agora não é mais. A não ser que não me ache digno de lutar com o seu campeão. – respondeu Minos.


Com um suspiro, June olhou na direção de Hades que nada disse. Ela então assentiu e pediu que trouxessem os gládios. De imediato, Julian ofereceu-se para fazê-lo e assim o fez, olhando confiante na direção de Minos.


Enquanto os preparativos corriam, Milo encarou Minos. Não riu para não parecer arrogante, mas lutar contra aquele homem era, no mínimo, um treino de péssima qualidade!


Minos parecia tranquilo, mas por dentro fervia de ódio. Quando Julian trouxe os gládios, ele pegou o seu com força, enquanto Milo parecia tranquilo e sem muita vontade de lutar.


Antes de iniciar a luta, Shina cochichou algo ao ouvido de Milo e ele fez uma expressão do tipo: É mesmo? Domina ordena que eu o deixe tirar sangue de mim e ainda vença? Nem fodendo! Ele me desafiou, agora, ele que aguente!


Manigoldo, conhecendo aquela expressão, foi até Milo.


– Deixe-o tirar sangue de você e deixe-o derrotá-lo. Mesmo abrindo mão da proibição, ele é um nobre romano e se algo acontecer com ele, aqui, manchará a domus. Esqueça o orgulho e faça, apenas, uma exibição. – sussurrou Doctore.


Milo ouviu calado e apertou o gládio em sua mão. Aquele homem estava atravessado na sua garganta desde a tal surra que Saga e Camus haviam levado. Queriam que ele perdesse para fortalecer o ego daquele filho da puta? Nunca! Não iria matá-lo, apenas ensinar-lhe uma lição...


Hades levantou-se e ergueu a mão. Minos olhou nos olhos frios dele e sorriu. Quando o sinal foi dado, todos estancaram. Nem bem Hades baixara a mão, Minos atacou forte e sem piedade, surpreendendo Milo que teve de recuar dois passos para trás.


O gladiador sorriu. Então o covarde não era fraco... Beleza! Agora a luta seria muito mais divertida!


Minos percebeu a mudança em Milo e cerrou os dentes. Avançou com mais força e o gladiador deu um passo para o lado, cortando o movimento de ataque e fazendo-o recuar.


Com perícia, Milo rebateu a estocada de Minos e ainda teve tempo de bater com o corpo da espada no flanco direito do adversário, fazendo-o tropeçar.


Grunhindo baixo, Minos tornou a atacar e desta vez Milo abaixou-se em vez de girar para o lado. A espada passando por cima de sua cabeça fez um zunido metálico e Minos sorriu, adorando sentir-se tão forte quanto o gladiador.


Quando levantou, Milo estocou tão forte que o gládio soltou faíscas e arrancou um murmúrio excitado de quem assistia. Minos recuou, mais uma vez e inspirou fundo, tentando imprimir maior rapidez ao seu ataque, porém Milo desviou e ainda empurrou-o com a força do seu corpo preparado para o embate físico.


Com um brilho insano nos olhos, Minos imbuiu-se de toda a sua força e caiu sobre Milo, fazendo-o aproximar-se das tochas que ardiam avermelhadas nos quatro cantos do centro do salão. O gladiador sentiu o calor do fogo e avançou. Desta vez, foi Minos quem foi obrigado a recuar, mas, mesmo assim, ele conseguiu chutar, fazendo com que Milo desviasse e escorregasse em um pouco de óleo que havia caído no chão.


Aproveitando a chance, Minos mais uma vez golpeou com mais fúria e Milo foi obrigado a defender em desvantagem... A lâmina desceu e cortou a pulseira de couro que Camus havia dado ao gladiador, ferindo-o de leve, mas arrancando o artefato que saltou longe e foi cair próximo às chamas.


Praguejando, Milo soltou sua fúria, que até então estava sendo controlada para não parecer tão desobediente. Quando algo se relacionava à Camus, não havia razão ou autocontrole que o domasse.


Aquele filho da puta tinha estragado o presente que Camus lhe dera! O gládio desceu implacável e, pela primeira vez, Minos percebeu com quem havia se metido.


O público murmurou baixo. Hades franziu o cenho e June ficou com a boca aberta.


Milo golpeava e golpeava sem dar a chance de Minos revidar. O suor escorria pela face do nobre e seus olhos começavam a arder. Ele já não conseguia mais suportar a força dos golpes e projetava, cegamente, o gládio para cima, segurando-o com ambas as mãos. Seus músculos estavam distendidos de tanto aparar os golpes e a dor infiltrava-se em todas as fibras do seu corpo.


Irascível, Milo continuava a golpear com um brilho assassino nos olhos azuis até que Minos tropeçou e cambaleou para trás, caindo e levando uma das tochas ao chão.


Como se fosse um leão feroz e ágil, Milo saltou sobre ele e apontou a espada para o pescoço do nobre, fazendo uma leve pressão.


– Renda-se! – disse o gladiador entre dentes.


Minos ainda apertava a espada, ofegante e exausto. Levou um tempo até que fizesse, à contragosto, o sinal de rendição. Seus dedos trêmulos se elevaram e, sem querer, tocaram a lâmina afiada fazendo um pequeno corte no indicador...


O público exultou. Hades soltou um suspiro baixo e June sorriu, forçadamente e sua expressão assemelhou-se a de um artista de pantomima que pintava os lábios de vermelho fazendo-os parecer um rasgo na boca. Estava pálida, mas ao olhar para Hades, seu coração se aliviou. Havia orgulho, desejo e prazer na expressão do homem que ela se esforçara por agradar.


Marte, senhor da guerra! Obrigada! Obrigada! Se é o sangue que agrada aos vossos olhos, eu oferecerei ainda mais, por sua proteção! Murmurou June.


Milo olhou na direção dos três e elevou a espada, tendo o cuidado de demorar-se no semblante de Hades. Abaixou-se para pegar a pulseira rebentada e sorriu ao notar o brilho voluptuoso nos olhos frios...


Um já recebera o que merecia, agora era a vez do Todo Poderoso!

Notas finais
Agradecimentos especiais:
Litha_Chan: lindinha madrugadora que eu sei possuir uma rotina atribulada. Obrigada por divulgar a fic no face e, principalmente, por ser essa pessoa especial que muito me inspirou!
Shall: inteligente, sensível, possui uma presença constante e me deixa muito feliz! Obrigada pela tua amabilidade!
Mel Dark: intensa como o próprio perfil diz. Presença fiel e constante, amiga que possui muito amor pelo casal que eu também amo! Obrigada pela amizade!!
Tuany: Divertida, forte e sempre presente. Adoro teus comentários emocionados! Obrigada por dividir comigo a tua alegria.
Guima: Exigente, forte, dona de uma argumentação eficiente. Teus comentários e indicação são sempre uma honra!!! Obrigada pela tua presença.
Angelique: Amadinha de tantas fics e conversas. Teu estímulo é sempre renovador. Fostes a primeira a recomendar a fic e tua amizade especial me deixa hipermegafeliz. Te adoro!
Vanessa Braga da Silva: Entusiasmo e muita alegria!!! Obrigada por iluminar meus dias com teus comentários!!!
Persefone_san: uma amizade que sempre me inspira e que, em cada comentário, me faz ver a tua sensibilidade e clareza. Obrigada!!!!
Hitsujikai Atsuya: Devararinho tu chegas deixando a tua opinião e, a cada review eu vou te conhecendo um pouco mais. Temos o mesmo gosto musical e também por chocolates! Amo teus comentários. Obrigada.
ddkcarolina:Emoções à flor da pele e comentários que me deixam feliz! Obrigada por me acompanhar até de madrugada!!!!!
Mililika: estou te conhecendo agora, mas já amo tua forma de escrever e as emoções que mostras.Obrigada por me acompanhar.
KassiaKarolayne: Obrigada pelo carinho e pela presença. Me deixa muito feliz, viu?
Joyce: fico encantada com a tua sensibilidade e agradeço muito o teu carinho!!!
Juli-Usumaki: espontânea e irradia felicidade em todos os comentários! Obrigada por acompanhar o meu trabalho!!!
Kira Fox:As vezes, um único comentário te deixa feliz. Obrigada por ter deixado a tua presença!!!
Sion Neblina: Uma amiga que sempre acha tempo (que eu sei ser bem pouco e atribulado) para deixar suas impressões sensíveis e carinhosas! Obrigada de coração!!!Te adoro!
****Enfim, obrigada a todas que leem, acompanham e silenciam, mas deixam sua energia aqui! Bjs, XD