Entre o ódio e o amor
7 Capítulo Sete.
Notas iniciais
Beatrice
Peguei a Nita na casa dela e junto com Caleb fomos para a nossa aula de dança. Meu irmão escroto permaneceu na arquibancada dando em cima das bailarinas que chegavam para esperar pra ensaiar no palco. Eu fiquei apenas observando ele discretamente, era minha missão de vida descobrir o que estava acontecendo.
Quando a aula acabou, fiquei sentada no chão da sala de espelhos vendo Nita aprimorar sua abertura. Logo ela deitou ao meu lado aparentemente cansada.
— Isso mata a gente, mas é bom.
— Você está enferrujada mesmo hein? — perguntei rindo.
— Nunca devia ter parado — Ela se deitou de barriga pra baixo e me olhou admirada — Você devia ficar assim sempre.
— Assim como? — sorri com dúvida.
— Cabelo solto, sem óculos pois eu sei que são só de descanso (o Will me contou ) e com esse sorriso no rosto.
— Não curto ser elogiada — dei de ombros e me deitei ao lado dela.
— Eu iria adorar — Ela sugeriu — Já pensou em quantos caras estariam loucos por você? Se é que já não tem algum porque você fica bonita mesmo com todas aquelas coisas de cabelo preso e roupas folgadas e óculos.
— Falando assim até parece que você é feia.
— E não sou? — ela perguntou.
— Claro que não!
— Meninas? — Evelyn, a dona da academia de dança e nossa professora entrou na sala com um sorriso rasgando seu rosto — Que bom que achei vocês, estava mesmo precisando bater um papo jovem — Ela se sentou conosco e ficamos conversando por longos minutos. Evelyn, além de linda e saudável é uma mulher muito simpática. Tem filhos, não é casada e nunca aparentou precisar de homem algum, as vezes eu olho pra ela e vejo o que eu quero ser quando ficar mais velha. Quero ser mulher de verdade, quero ser feliz e independente.
Voltamos para casa e eu fui tomar um banho para me refrescar. Desci para almoçar com a velha Jea.
— Onde está seu irmão? Porque não vai almoçar conosco?
— Sei lá — respondi pegando as batas com as mãos.
— Vou te levar pra passar um mês comigo, garanto que quando voltar terá se tornado uma dama. Vou te ensinar em um mês o que sua mãe não te ensinou em dezessete anos!
— Me elogiando? — perguntou minha mãe bem sarcástica e cansada se sentando ao meu lado na mesa — Cadê o Caleb?
— Sei lá — respondi de boca cheia e a velha Jea quase pirou. Claro que eu só fazia aquilo pra perturbar ela.
— Ele está no quarto senhora — respondeu a empregada.
— Vou almoçar na sala — Peguei meu prato e meu suco.
— Não senhorita — disse minha mãe.
— Já to la — corri antes que ela me obrigasse a voltar.
Fiquei em casa de tarde e de noite sozinha aproveitando a calmaria já que de noite eu seria obrigada a ir em um encontro romântico com Caleb. Óbvio que eu aceitei ir sem recusar, não perderia aquilo por nada.
Coloquei uma blusa colada de manga cumprida branca e uma calça skinni na cor marsala. Calcei uma bota de cano baixo marrom e passei apenas o rímel; Fiz um coque bailarina e pus meu óculos.
Caleb estava com camisa social azul clara e calça jeans branca. Ele até que não estava tão feio como de costume mas pra mim continuava gay. Levei Nita comigo, ela se ofereceu para me acompanhar e claro que eu aceitei já que ela não era uma pessoa chata e merdinha como todas as outras que eu conhecia.
Seguimos até a casa da garota que Caleb ia levar e pra minha surpresa era a garota loira que Caleb pegou na sexta-feira. Uma tal de Marlene, eu acho.
Seguimos para o restaurante. Caleb foi com a garota para um canto refinado enquanto eu e Nita fomos para a cafeteria ao lado.
— É, tenho dois anos para escolher! — ela disse gesticulando — Estou absorta, não sei o que devo escolher!
— Talvez você devesse escolher... odontologia! — sugeri — Você vive reparando nos sorrisos alheios e nos dentes tortos e amarelados das pessoas, seria uma boa — beberiquei o cappuccino.
— É, é uma boa... Mas não sei, e se eu matar alguém? — ela estava preocupada.
— Ai Ju! — disse de saco cheio — Se controla, você ainda tem dois anos. Eu decidi que iria fazer direito mês passado — dei de ombros e ela suspirou.
— É você tá certa, vou relaxar...
— Senhoritas? — olhamos para o lado e vimos nosso professor Edward.
— Professor! — Juanita disse animada — Senta ai — Ele se sentou e me olhou.
— Fora da escola é só Ed... Vocês são amigas?
— Mais ou menos, né Bê? — ela disse desconfiada e eu dei um sorriso.
— Bem, passei bem rapidinho pra pegar umas rosquinhas e um frappuccino, tenho que ir. Gostaria de ficar, mas... Beatrice! — Ele me olhou e eu olhei pra ele
— Tem como você ir na minha sala segunda? Assim que você chegar, da uma passadinha lá antes da aula — Ele sorriu e deu uma picadinha
— Ah, Claro. Pode deixar.
— Tchau garotas — Edward se levantou e saiu. Observei Juanita encarar a bunda dele enquanto ele seguia até o balcão de atendimento.
— Hei Safadinha! — chamei sua atenção e ela sorriu.
— Isso foi estranho. Você já viu o jeito que ele te olha? — olhei pra ele escorado no vidro. Ed se virou rapidamente e deu um sorrisinho — Olha ai! Esta vendo?
— Juanita! — disse com raiva — Não se mete.
— Parei! — ela se rendeu sorrindo — Mas acho que entre vocês, rola... não importa se é professor, ele é gato demais! E super inteligente! — ela suspirava. Dei uma encarada mortal nela e ela calou a boca — Vamos mudar de assunto...
— Ótimo — disse com cara feia.
— Você já viu os filhos da Evelyn?— neguei com a cabeça — Fiquei sabendo que um deles estuda lá na escola e o outro já está na Universidade! — ela disse toda empolgada.
— Nunca vi eles — disse estranhando.
— Nem eu! Sei o nome de um deles, parece que é... — Ela olhou pra cima e mordeu os lábios — Eric! — Nita gritou empolgada — O outro eu não sei, mas vou dar um jeito de descobrir... — Ela fez cara de mistério e eu sorri.
— E você ganha o que com isso? — perguntei.
— Quem sabe, um boyfriend. Bem, são dois, quem sabe nós duas não desencalhamos?
— Puff. Não estou com pressa, nem vontade — ela revirou os olhos entediada mas logo deu um sorriso bonito.
— Alguém já disse que você é muito chata?
— Acho que todo mundo — sugeri fazendo cara de dúvida.
+++
Levantei as três e pouca da manhã e olhei pela janela, Caleb não tinha saído ou pelo menos eu não tinha o visto sair. Ontem, ele estava tão estranho quando voltamos pra casa. A tal garota não estava com ele e eu estranhei — achando muito bom por outro lado.
Me desfiz do sutiã, coloquei uma meia até o joelho de caveiras e permaneci com uma blusa enorme e cavada como minha camisola. Estava muito agasalhada antes e senti calor, tive que me trocar ou ia morrer assada pois o ar-condicionado não estava prestando.
Fiquei sentada ali mesmo na janela olhando para baixo até que decidi ir até o quarto de Caleb e conferir tudo. O corredor estava escuro, fechei minha porta e fui até o dormitório dele no final do corredor. Me deparei com a porta encostada como sempre e a empurrei de leve.
Adentrei o quarto, vi Caleb deitado virado para o outro lado mas notei algo estranho ali. A persiana estava voando e o quarto estava um pouco claro daquele lado. Corri até a cama e puxei o edredom. Não era Caleb e sim a cabeça de um boneco e um monte de almofadas.
— Safadinho— Eu disse impressionada.
Fechei a porta e liguei o abajur, logo comecei a fuçar as coisas dele atrás de alguma pista sobre alguma coisa. Me enverguei para abrir a primeira gaveta da escrivaninha. Achei uma caixinha e me deparei com um barulho vindo da janela, logo fechei ela e joguei de volta na gaveta tão rapidamente que nem mesmo eu percebi. Me ajeitei enquanto ele terminava de descer da janela, nem consegui pensar em fugir.
— Fuçando as coisas do irmão? Que feio! — semicerrei os olhos e me aproximei daquele ser alto e forte.
— Caleb? — perguntei.
— Você tem mesmo problema com visão? — ele deu um sorriso de lado e percebi que não era Caleb e sim Quatro.
— Não, só queria ter certeza — disse irritada — O que faz aqui? — perguntei dando as costas e quando me virei ele estava meio paralisado me olhando. Fiz cara feia.
— Desculpa é que eu nunca te vi assim antes — falou meio abobalhado com um sorriso safado.
— Vai embora da minha casa — gritei e me arrependi já que meus pais estavam em casa á alguns metros de distancia.
— Não, desculpa — ele disse culpado sussurrando — Desculpa... eu vim atrás do Caleb mas parece que... — ele coçou a cabeça e olhou para os meus pés, logo subiu os olhos pelo meu corpo.
— Para com isso seu tarado! — gritei
— Beatrice? - ouvi meu pai me chamar. O que ele faria se me visse do jeito que estou com um garoto como o Quatro sozinhos dentro de um quarto?
Com certeza o mataria antes que eu me explicasse. Não deveria me importar com ele mas precisava daquele coisa pra saber sobre Caleb então empurrei Quatro na cama.
— Ei, o que você está fazendo? — ele perguntou com um sorriso bobo na cara enquanto eu deitava ele e o cobria com o edredom azul de Caleb.
— Finge que tá dormindo, só isso — cochichei e ele concordou com a cabeça — Quando ele sair você pula pela janela e nunca mais aparece aqui! — ordenei e me levantei indo até a porta que foi quando meu pai abriu ela.
— Algum problema? — perguntou sonolento.
— Caleb estava conversando enquanto dormia, vim tirar satisfação mas vi que ele estava sonâmbulo. Nada demais, vou pro meu quarto.
— Tá — ele disse olhando na direção da cama — Deixa eu fechar essa janela, esse menino deve ter esquecido...
— Não! — disse alto e depois limpei a garganta — Vai dormir pai, eu fecho já que fui eu quem abriu.
— Tá bom rondinha — ele me deu um beijo na cabeça — Até amanhã, monstrinha
— ele saiu pelo corredor ate entrar em seu quarto novamente. Encostei a porta do quarto e me virei para Quatro.
— Monstrinha? — ele riu — Rondinha? — riu mais uma vez.
— Cala sua boca tapado— cochichei e ele se levantou.
— Agora eu vou, Rondinha— Quatro se levantou e foi até a janela.
— Não! — corri e segurei seu braço despido e então ele me olhou instantaneamente como se eu tivesse dado um choque nele — Por favor, o que você sabe sobre o Caleb? — Quatro sorriu sarcástico e encarou minha mão sobre seu braço. Com certeza pensando que eu estava doida para tocá-lo. A tirei dali bem rápido e me afastei dele — Vai pra merda então — eu disse saindo do quarto e voltando para o meu. O problema seria dele se meu pai ou qualquer pessoa que o pegasse ali porque ainda fiz questão de bater a porta.
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