Notas iniciais
Olá migas♥ Obrigadíssima pelos comentários do capítulo passado, amei todos♥ Fiquem com mais um capítulo da fic, boa leitura!

Beatrice

Fiquei no banheiro feminino enquanto Caleb treinava. Não estava afim de ficar na arquibancada e como não tinha opção, fui para o banheiro estudar química.

Meu telefone tocou, era o pentelho do Caleb dizendo que estava na hora de ir. Juntei minhas coisas e sai do banheiro indo até a porta da quadra onde saíram todos os trogloditas enormes e eu me senti uma formiga.

— Oi bonitinha — Disse Zeke passando com uma outra de baixo do braço.

— Vai pro inferno — Disse mas ele não ouviu.

Logo vi Caleb e então comecei a andar em direção ao carro.

— Isso tá ficando um saco — desabafei — Ninguém merece ter que te acompanhar e ter que aturar seus amigos infernais. Principalmente o...

— Eu? — olhei para trás e vi Quatro todo suado e com a blusa do time colada em seu corpo. As veias de seus braços saltavam dali.

— Achei que fosse o Caleb... — disse envergonhada e ele riu.

— Tudo bem, ele está ali pegando a Marlene posso te fazer companhia.

— Você não pega ninguém não? Só segura vela pro Caleb? Achei que você era mais macho que ele! — disse bem rápido e ele abriu um sorriso de lado.

— Nunca te vi fazer tanta pergunta — foi o que ele respondeu. Dei as costas e segui até o carro ignorando aquele panaca tapado.

Abri minha mochila e procurei pela chave do carro.

Ahrg! Droga. A chave tá com ele! — soquei a porta do carro e Quatro sorriu baixinho — Tá rindo de que? — perguntei estressada e ele rodou a chave nos dedos.

— Você podia ser menos estressada, talvez isso te tornaria mais bonita — ele sugeriu e me irritou ainda mais. Fui até ele e puxei a chave de seus dedos mas ele foi mais rápido e puxou de volta. Era como se fosse um cabo de guerra mas em vez de cabo, era uma chave.

— Eu não me importo com a sua opinião. Não ligo se me acha bonita ou se me acha feia, não ligo se você acha que eu deveria mudar — puxei a chave com força e dessa vez ele simplesmente soltou.

— Temperamental demais — ele reclamou me criticando — Você devia se tratar garota, ninguém gosta de gente assim! — ignorei.

Entrei no carro e tranquei a porta. Deixei o ar ligado e joguei minhas coisas no Banco de trás. Vi Quatro me olhar quando olhei pra ele pelo retrovisor, sem hesitar levantei meu dedo do meio pra ele que sorriu e logo voltou para trás.

Caleb não demorou para aparecer mas quando apareceu tinha companhia.

— Nossa mas que saco! — reclamei — Todo dia é um diferente, quando não é o cão do Quatro...

— O cão do Quatro? Ela chamou mesmo ele de cão? — perguntou uma loira de olhos castanhos para Caleb que deu de ombros — Fofa, o cão do Quatro? — ela riu sarcástica — Eu queria um cão desses no meu carro — ela suspirou e depois lambeu os lábios.

— Pera, você acabou de ficar com esse zé mané e tem coragem de falar assim do Quatro pra ele? — perguntei enquanto dirigia.

— É assim que as coisas funcionam, ninguém é de ninguém — olhei pra ela pelo retrovisor que estava com a normalidade estampada na cara e acabei me esquecendo do volante. Me surpreendi a tempo de não atropelar uma criança na faixa de pedestres dando uma freiada forte. A loira veio parar na frente e Caleb bateu com a cara no porta luvas, eu não me machuquei pois estava de cinto.

A mãe da criança começou a me xingar assim como a garota no banco de trás e como Caleb. Mandei todos pro inferno e segui caminho.

— Se tivessem usando cinto não teriam machucado! — eu disse com ar de satisfação.

— Eu cortei meus lábios! — ela gritou.

— Foi só isso? Pena...

— Beatrice — Caleb me repreendeu passando a mão no rosto.

Deixei a garota na casa dela que me lançou um olhar furioso antes de sair e segui até em casa com Caleb. Chegamos e nossa avó estava na cozinha dando ordens a pobre empregada enquanto meu pai estava na sala trocando carícias com minha mãe.

— Não dá mais! — Caleb gritou jogando a mochila no chão — Ela quase me matou hoje — ele apontou pra mim que fiz cara de "gente, o que está acontecendo? " De novo!

— O que foi dessa vez Beatrice? — meu pai perguntou entediado.

— Não tenho culpa se ele não usa cinto! — gritei.

— Não tenho culpa se você não sabe dirigir! — ele gritou de volta.

— Silêncio! — velha Jea apareceu alterada e assustada — Que confusão é essa aqui? Beatrice você é uma dama, não deve gritar! Você é um cavalheiro, não deve gritar com uma dama!

Hipócrita— minha mãe cochichou.

— O que disse? — velha Jea perguntou e minha mãe limpou a garganta.

— Falei com o Andrew — ela deu um sorriso — Mas enfim, o que...

— Mãe, não ta dando certo! Pai — corri e me sentei ao lado dele já que ele sempre faz meus gostos — Pai, não dá pra ficar com o Caleb! Eu preciso estudar, não da pra estudar em um banheiro de ginásio ou em um lugar cheio de garotos... — ele arregalou os olhos e olhou para a minha mãe.

— Ela fala isso como se algum garoto ao menos olhasse para ela — Caleb deu uma risada sarcástica.

— O que quer dizer com isso? — perguntei me levantando e indo até ele que era alisado pela minha avó.

— Caleb... — disse minha mãe com cara de " cale a sua boca antes que seja tarde"

— Quero dizer o que todo mundo acha minha filha, você não é bonita e nenhum garoto te olha e muito menos te suporta, não com você se vestindo e se comportando desse jeito. Nem garotas gostam de você, não é atoa que não tem um amigo se quer, posso jurar que nossos pais te suportam apenas pela obrigação — ele cuspiu todas as palavras na minha cara.

— Caleb! — meu pai gritou com ele, apenas subi para o meu quarto e não ouvi o resto da discussão.

Me tranquei no meu refúgio. Eu não me importo, não me importo com os outros garotos e nem com nenhum garoto, pra quê? Mas doeu. Doeu saber que na visão das pessoas eu era tão assim, horrível por dentro e por fora. Mas talvez fosse opção minha, porque eu era tão assim? Qual era meu defeito? Porque eu tentava manter as pessoas longe de mim?

Sai de trás da porta e caminhei até o espelho do closet. Encarei meu reflexo, cada canto do meu rosto e do meu corpo. Talvez eu fosse mesmo um monstrinho como meu pai me chama e talvez eu seja mesmo uma pessoa chata e sem muitos amigos. Mas eu me sinto bem assim, pra quê eu vou mudar se posso ser eu mesma enquanto todos os outros tentam ser tão iguais? Não preciso agradar a mais ninguém se estou satisfeita comigo do jeito que eu sou.

Ouvi o meu pai e a minha mãe batendo na porta e chamando meu nome. Fui lá e destranquei, abri a porta e fiquei ali mesmo olhando eles e Caleb que estava com cara de paisagem.

— Filha eu... — meu pai começou com aquele tom de pena como se eu tivesse cinco anos de idade.

— Eu não ligo para o que ele disse — sorri sarcástica — Dar ouvidos à uma pessoa tão vazia de si mesmo e que vive em função dos outros não é o tipo de coisa que alguém como eu costumo fazer. E saiba Caleb, que melhor que você eu tenho personalidade própria e não sou um objeto que as pessoas usam, agora se me dão licença eu preciso tomar banho — dei um sorriso e olhei para cada um deles que estavam meio boquiabertos e sem reação — Qual foi? Acharam que eu iria me magoar com isso? Já ouvi coisas piores — dei de ombros

— Rondinha... — Meu pai insistiu.

— Estou bem — fechei a porta.

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Caleb

— Porra em Caleb, coitada. Ela deve estar bem magoada.

— Claro que não, Quatro — sorri — Ela é a Beatrice.

— Porque você chamou ela de feia? — ele perguntou encucado.

— Só queria provocar. Algum problema? Está muito preocupado com minha irmã hein... — provoquei com malícia — Quais são as suas intenções? Interessado na fera?

— Hahaha — ele riu e pensou um pouco — Seria e não seria uma coisa boa.

— Claro que não seira! Imagina só namorar a Beatrice? Eca! — fiz cara feia ao imaginar alguém apaixonado pela megera da minha irmã.

— Ela não é feia. Só é estressada demais e chata de mais e dá muito piti por nada, é temperamental mas... é, talvez o gênio dela estrague ela — ele disse encarando o seu copo de Whisky enquanto estávamos sentados na varanda de seu quarto.

— Então, só disse a verdade — dei de ombros.

— Mas não deveria ter dito, ela é uma garota e... Não sei, talvez ela precisasse ouvir umas verdades. Mas de qualquer jeito, ela é mulher cara, uma menina, não é teu melhor amigo pra você ficar esculachando.

— Você está na berlinda em? Contra versus a favor! — ri dele — E meus pais me obrigaram a pedir desculpas, quando chegamos no quarto dela ela já estava normal mesmo, não se afetou. Mesmo eu detestando ela, não detesto tanto assim, é coisa de irmão e eu já sabia que ela ia ficar bem. Conheço bem aquela ali.

— Mas porque mesmo ela não está aqui agora enchendo o saco? Acabou o castigo? — ele perguntou rindo.

— Meus pais saíram para jantar, a se trancou no quarto e minha avó foi dormir, aproveitei e dei uma fugida. Aliás, acho que essa é minha deixa, preciso ir.

— Que merda... faz isso não cara...

— Não dá nada, Quatro. Aliás, vou para Minha casa e não pra lá— dei um sorriso de lado e ele encarou seus pés descalços — A Beatrice Me viu escapar uma vez, se por um acaso ela te perguntar alguma coisa... já sabe o que dizer né? — me levantei e ele me olhou.

— É eu sei... — Quatro respirou fundo — Só reza pra ela não dar com a língua nos dentes.

— Ela pode ser tudo, menos fofoqueira. Com certeza pode me ameaçar de varias formas mas ela não vai simplesmente chegar e contar...

— Sorte a sua — ele apontou o copo pra mim — Agora vai embora da minha casa

Sorri, me despedi e então eu saí da casa dele. Fui até o meu lugar preferido.

Notas finais
Deixo os comentários para vocês! O que acharam? Não deixem de comentar! Beijos amores, até mais ♥