Entre notas e acordes.

4 Festa, cerveja e pizza.


No meu segundo dia de aula eu já estava um pouco mais calma, afinal teria o Lanc para me fazer companhia. Me arrumei como quase todos os dias, gostava de usar shorts e blusinhas simples, com tênis sempre. Naquele segundo dia ventava um pouco, Monte Carmo é uma cidade muito arborizada, por isso sempre que os ventos estão um pouco mais fortes o frio que sentimos é maior. Por causa disso vesti uma jaqueta jeans e calça naquele dia. A jaqueta tinha um desenho de um elefante com coroa de flores nas costas, cortesia da minha mãe. Segundo ela a elefante fêmea se chama Clotilde. Foi meu presente de dez anos de idade, mas ela era enorme, talvez com meus dezoito ela fique do tamanho ideal para mim, mas isso nunca me impediu de usar a jaqueta da Clotilde.

─ Um elefante? Ou elefanta? ─ Lanc me perguntou depois que eu passei pelo portão do colégio. Ele tinha acabado de chegar e já tinha um cigarro pela metade na boca.

─ Não acho que exista elefanta e sim elefante fêmea. O nome dela é Clotilde, minha mãe que fez.

─ Curti, sua mãe é daora. Seu pai também. ─ Depois da aula no dia anterior tínhamos ido pra minha casa testar o novo video-game do meu pai. Eles adoraram o menino e me proibiram de namorar com ele, já que estavam pensando em adota-lo. Isso porque segundo eles o Lanc entendia mais referencias e 'memes' que eu, ou seja, melhor filho que você respeita.

─ Eles querem te adotar. ─ Quando falei isso ele tirou o cigarro da boca e ficou me olhando com a maior cara de surpresa do mundo. ─ Que foi? Meu pai se apaixonou por você quando entendeu a referencia ao Vegeta.

─ Eu ainda prefiro o Goku, mas tudo bem. ─ Ele voltou a andar, mais pensativo que antes.

─ Isso é um problema. Tá tudo bem? ─ Perguntei tendo que dar uns passos maiores para conseguir acompanhar sua caminhada frenética para dentro do prédio.

─ É só que ver sua família me fez pensar na minha e fiquei triste outra vez. Meu pai nem de longe é bacana como o seu, ele nem deve saber o que é Dragon Ball. ─ O abracei de lado e sorri olhando para aquela cara branquela.

─ Você sempre vai ser bem vindo lá em casa maninho.

Sorrimos e fomos para a primeira aula. Naquele dia eu iria conhecer de vez todas as pessoas que de alguma forma foram relevantes para a minha vida, tanto escolar como pessoal, até hoje. Eu vou explicar melhor para vocês, no IAMC existem diversos cursos, em cada curso os alunos com mais destaque são também os mais populares. Claro muito dificilmente algum aluno do ensino fundamental(meu caso) era popular. Mas haviam as exceções, aqueles alunos estupidamente talentosos e carismáticos, que atraiam a atenção de qualquer pessoa a sua volta. Como por exemplo no curso de dança, uma garota da minha idade era a mais popular, seu nome? Marie Oliveira. Uma garota ruiva, totalmente egocêntrica que que tinha algumas garotas sempre junto com ela, Janaina Antunes e Judith Miranda. As três era chamadas de 'Trindade da Dança'. No curso de teatro a garota que dava as cartas era a menina com quem me estranhei no dia anterior, Michella Gonçalves. Ela e sua amiga Claire McClair eram duas frescas e totalmente fúteis. Pelo menos foi isso que o Lanc me contou. Elas já tinham sido figurantes em um filme e por isso se achavam as rainhas de Hollywood. No curso de cinema todo mundo só falava de um garoto chamado Gianlucca, o Lanc aparentemente não se dava bem com ele, eu não sabia o motivo, já que ele se recusou a me contar. No curso de artes plásticas o destaque era pro prodígio oriental Kyu Choi, um coreano que pintava uns quadros tão lindos que eram usados para decorar todo o colégio. No curso de música o destaque era um garoto um ano mais adiantado que eu e o Lanc, ele chamava Thiago Miranda. Pelo que o Lanc falou ele era daquele estilo super fechadão e que nunca se aproxima de ninguém, mas ele era tão bom compositor que estava fazendo um intercambio de dois anos para New York. Eu não o conheceria tão cedo.

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05/03/2015-Quinta-Feira

Segundo dia de aula do meu primeiro ano no ensino médio e eu estava sentada na nossa varanda planejando quem chamar para a festa da Kimberlly, irmã do Lanc, que aconteceria na mansão Carter naquela noite. Nikolai não se dignou nem em acompanhar a filha mais nova até o Brasil, apenas a mandou sozinha com uma autorização para menores de idade viajarem. No dicionario Nikolai é descrito como 'pai de merda' com certeza.

─ Vamos chamar a escola inteira. ─ Lanc se cansou de pensar quem ia ou não pra lista. Todos os alunos no IAMC tinham acesso aos números uns dos outros para contato escolar, claro que não eram usados só para isso, por isso estávamos selecionando os nomes de para quem a mensagem da festa iria.

─ Até pro seu querido amigo Gianlucca? ─ Dois anos e nada de explicação da intriga dos dois.

─ Até ele, não me enchendo o saco tá de boa, e acredito que como vai estar em uma festa com direito a bebida e comida não iria me encher o saco.

─ Você pensou direito sobre isso de bebida Lanc? ─ Juntar um monte de menores de idade com bebida alcoólica não me parecia uma boa ideia.

─ Pensei, e vai ter sim, ou vai ser um fracasso acredite. ─ Ele não mudaria de ideia e eu já tinha aceitado isso. Digitei a mensagem da festa e cliquei para selecionar todos contatos da lista e respirei mundo antes de apertar o botão de enviar.

─ Pronto, todos convidados.

─ Agora a gente tem que ira pra minha casa ver o últimos detalhes e esperar ela chegar, me enviou um mensagem que já chegou no aeroporto.

─ Matar aula? ─ Já estávamos caminhando para a saída.

─ Claro. Não ligo de perder algumas aulas para organizar uma festa.

─ Imaginei, nem sei o motivo de termos vindo hoje na escola.

─ Você devia ter falado isso mais cedo né não?

─ Foi mal! ─ Rimos enquanto o Lanc ligava para um táxi, ele odiava andar a pé para qualquer lugar que fosse, ainda mais para a sua casa, ela ficava um pouco mais afastada, era uma mansão na verdade, só o terreno já era gigante, a casa tinha quartos que eu nem conseguia contar. Era a maior casa de Monte Carmo, a segunda era a de Claire McClair do teatro.

Assim que chegamos na casa do Lanc ele verificou ser os empregados tinham realmente saído de casa, ele deu folga para todos, até para a sua 'babá'. Ela era uma senhorinha bem simpática que só chamava ele de 'menino Lancelote', ele detestava o apelido, mas amava ela então aguentava. Pouco tempo depois de uma mensagem enviada meus pais chegaram na casa com o carro com os preparativos da festa. Em dois anos meus pais realmente adotaram o Lanc afetivamente, tanto que ele já nem ficava tão na bad em relação ao pai dele mais.

─ Sei que são jovens, mas por favor, maneirem nas bebidas ok? ─ Meu pai pediu antes de terminar de descarregar o carro e depois de ver os engradados de cerveja que Lanc tinha comprado. Eles ajudaram na decoração e já tínhamos terminado quando a Kimebrlly enviou uma mensagem de que tinha acabado de chegar em Monte Carmo. Já eram quase sete da noite quando ela finalmente chegou na Mansão Carter para filhos abandonados(referencias by Lanc). A menina parecia um anjo, cabelo loiro ondulado na altura dos ombros, olhos cor de mel bem brilhantes, os traços bem delicados e uma pele que deveria ser um crime de tão perfeita. O Lanc e meus pais estavam parados do meu lado enquanto ela estava na ponta oposta das escadas encarando nós quarto. O taxista ficou encarando todo mundo, não parecendo muito preocupado com a demora, já que assim ele receberia mais.

─ Bem, quanto deu? ─ Ela perguntou com sua voz doce para ele. Eles acertaram o valor e depois ele a ajudou com as malas, eram muitas. Meus pais desceram para ajudar ela e se apresentaram. Ela foi simpática, mas era claro que o olhar sério do Lanc sobre ela a deixou sem graça. Desci as escadas me aproximando da menina.

─ Oi Kimberly, eu sou a Mandy. Seja bem vinda a Monte Carmo! ─ Sorri para ela e ajudei meus pais com as malas dela deixando os irmãos sozinhos. Ficamos dentro de casa organizando as últimas coisas, trancando os quartos e salas especiais para os bêbados daquela noite não deixarem a casa em migalhas. Minha mãe terminou de preparar a mesa de salgados e ela e meu pai resolveram ir embora 'para deixar os jovens curtirem' segundo palavras deles mesmos. Muitas pessoas já tinham me confirmado por mensagens, alguns perguntavam se podiam levar mais gente e eu respondia que sim, se era pra fazer um festão que fosse então.

─ Ele é louco, só sei disso. ─ Os dois entraram em casa, pareciam ter se entendido. Quando ela viu a faixa de 'Bem vinda a Monte Carmo Kimmy' pude notar os olhos lacrimejarem. ─ Você deveria escolher um quarto para guardar suas coisas, o pessoal já deve chegar.

─ Quantas pessoas mais ou menos?

─ Olha, pela última confirmação no minimo umas cento e vinte. ─ Tanto ela quanto o irmão arregalaram os olhos e Lanc imediatamente sacou o celular e começou a fazer ligações pedindo mais bebidas e comida. Ele programou o pedido de cem pizzas para a madrugada e pediu um reabastecimento gigante de bebidas destiladas e cervejas. Ajudamos a loira a guardar suas coisas no quarto do Lanc mesmo e conferimos se estava tudo estava trancado mesmo. Ligamos as luzes da área da piscina e jogamos as boias divertidas nela.

A campainha tocou assim que Kimmy trocou de roupa. Ela parecia nervosa com a festa, não conhecia ninguém e estava cansada da viagem com certeza. Depois das primeiras pessoas chegarem não demorou muito e a música já dava o ritmo para aquele monte de adolescentes na sala. A Kimmy estava muito mais calma e aproveitado muito a festa mesmo a maioria ali nem ligado pela sua chegada na cidade e algumas agradecendo por ela chegar por causa da festa. Eu já tinha bebido umas cinco cervejas e começava a sentir meu nariz ficar dormente. Era o primeiro sinal de que estava ficando bêbada. No ano anterior isso tinha acontecido muitas vezes. Pais normais achariam que o Lanc era uma má companhia, mas os meus já tinham tomado cervejas com a gente. A música eletrônica fazia até as janelas da casa vibrarem, já tinha me perdido dos irmãos Carter e resolvi sair um pouco de casa, antes peguei duas cervejas. Abri a primeira garrafa com a técnica de usar a blusa, estava muito calor naquele dia por isso eu usava uma regata bem fina e um short de cintura alta com AllStar. Meu cabelo estava preso no alto da cabeça, era complicado o cabelo grudando no suor do pescoço. Me sentei na grama onde estava limpo e com menos pessoas, queria ficar sozinha um pouco. Não fazia ideia das horas, mas o céu estava lindo e a cerveja gelada. Quando sai de Paraíso a dois anos só conseguia pensar em como viveria em uma nova cidade sem meu até então único amigo, que por acaso resolveu cortar relações comigo por eu simplesmente aceitar a mudança sem fazer nada para evitar. Eu terminei a primeira cerveja e logo abri a segunda deixando a garrafa vazia pousada do meu lado.

─ Posso me sentar? ─ Uma voz me tirou dos meus pensamentos, não só a voz é claro, mas um maravilhoso cheiro de pizza de pepperoni também. ─ Vi você sozinha e imaginei que gostaria de dividir uma pizza. ─ Quando olhei para a pessoa que falava comigo meu peito até parou. Senti meu rosto mais dormente que nunca só de olhar aquele sorriso bonito. O garoto tinha os cabelos castanho levemente avermelhados muito bagunçados e os olhos castanho claros sorriam junto daquele conjunto de dentes perfeitos. Ele vestia uma blusa de frio xadrez o que era bem estranho para temperatura que eu sentia. E ainda carregava um violão nas costas. E claro a caixa de pizza.

─ Pode se sentar, ainda mais se tem pizza. ─ Sorri ainda sentindo meu rosto dormente.

─ Não está com frio? ─ Ele me perguntou depois de se sentar e colocar a caixa da pizza, com aquele delicia ainda inteira, entre nós e pousar o violão do outro lado.

─ Na verdade estou é sentindo muito calor mesmo. ─ Peguei um pedaço de pizza e comi acompanhado da cerveja.

─ Deve estar sentindo calor por causa da bebida. ─ Ele falou rindo de leve enquanto pegava um pedaço também. E comemos em silencio. Eu não conhecia ele, por isso imaginei ser um daqueles amigos de amigos. Era estranho estar acompanhada de um cara que eu nunca tinha visto, mas me sentir totalmente confortável com a presença dele. ─ Você estuda na IAMC? ─ Ele quebrou o silencio depois de terminar de comer uns três pedaços, eu comi dois e desisti.

─ Sim, música no primeiro do médio e você?

─ Legal, quando entrou lá? ─Devido ao teor alcoolico no sangue ignorei que ele não me respondeu.

─ Dois anos, me mudei pra Monte Carmo em 2013.

─ Legal. ─ Ele sorriu e fitou o céu. Nem tentei perguntar mais nada sobre ele, só me deitei na grama macia depois de terminar a cerveja e acabei pegando no sono depois algum tempo.

Notas finais
Desculpem a demora para sair o segundo capitulo. Vou tentar criar uma regularidade, mas a faculdade me suga muito tempo. Divulga para os amigos que me ajuda muito!!