Entre mundos
2 Vigiada
Notas iniciais
Sophie acordou atrasada, como sempre, e desceu correndo para tomar café. Era uma manhã nublada e fria. Ela precisava estar na escola o quanto antes, hoje seria a sua prova de admissão. Aquela velha prova que decide seu futuro. Combinou de se encontrar com Danny e Raphael na entrada, se atrasasse novamente, teria que ouvir comentários chatos a respeito.
Pegou sua bicicleta e começou a percorrer os quatro quarteirões rumo a escola. Não demorou muito até sentir uma sensação estranha, um sentimento que já tinha provado antes.
Estava sendo vigiada.
Ou pelo menos era o que ela sentia. Sophie tem essa mania de supertições e pensamentos aleatórios sobre palpites. Ela já sentira isso antes. Enquanto regava as plantas do jardim, levava sua irmãzinha para passear no Parque da Cidade ou simplesmente quando fazia suas caminhadas matinais. Aquela sensação chegava subitamente, e assim como vinha, também ia embora. Subitamente.
Tinha chovido mais cedo e as ruas estavam escorregadias, molhadas e perigosas para uma garota desastrada correr com tanta pressa. Não é necessário dizer que logo ela... BUM!!!
– Droga!!! Meu joelho, minhas mãos, minha bicicleta!!!
Sophie, Sophie... Conhecida por sua distração e atitudes atrapalhadas.
Repentinamente, um garoto alto e branco, de cabelos profundamente negros, assim como seus olhos apareceu e estendeu a mão direita:
– Uau! Cuidado, garota! Deixe-me ajudar. – Foi quando percebeu que suas unhas também era pintadas. Espera, ele pintava as unhas?! De preto?! Logo lhe ocorreu que aquele menino devia ser um daqueles esquisitões que fumam na praça à noite.
– Obrigada, mas eu estou bem, não se preocupe. Agradeço a gentileza. – Ela foi em direção a sua bicicleta.
– Tem certeza que não quer ajuda? Acho que com esse ferimento você não está em condições de pedalar. Além de correr o risco de cair de novo, e você precisa cuidar desse machucado antes que infeccione.
– Eu consigo, moço, agradeço a preocupação, mas... – Ele a interrompeu.
– Você está com pressa. Me diga onde vai, eu te levarei lá. – Ela hesitou, mas não sobrou alternativas que não seja aceitar.
– Estou indo para o Instituto de Ciência e Tecnologia.
– Hm, sei. Farás a prova, não é?
– Sim.
– Chegamos lá em 5 minutos, se a senhorita me permitir.
– Tudo bem.
– Qual o seu nome?
– Sophie, e o seu?
– Christopher Andrew. Me chame só de Andrew.
Fale com o autor