Entre feitiços, muito cocô, e um Borela.
3 Um talento desconhecido
Pedro preferiu se esconder dos olhares curiosos dos alunos, depois do episódio na aula de Feitiços. Priscila Jones, uma aluna da Corvinal do primeiro ano, chamou a Madame Pomfrey para cuidar do professor Flitwick; e mesmo que ela tenha garantido que poderia facilmente remendar os ossos do professor, recomendou que o mesmo passasse pelo menos dois dias na Ala Hospitalar.
Lucas, Gabriel e Ysadora o acompanharam até a Sala Comunal da Sonserina, nas Masmorras, e ao chegarem lá, Pedro foi abordado por alguns colegas e fustigado com perguntas sobre o acontecido.
—O que te interessa? — Pedro deu-lhes as costas e subiu á passos pesados a escadinha de mármore para o dormitório.
—Depois eu conto pra vocês. — sussurrou Lucas para os alunos antes de seguir para cima.
Ysadora deixou escapar um suspiro quando entraram no dormitório masculino da Sonserina; e os meninos que se aninhavam nas camas, ou trocavam as vestes, a encararam com os olhos em choque. Os cortinados verdes que guarneciam as camas de colunas refulgiam à luz de pequenas safiras que ladrilhavam as paredes de pedra escura.
. Pedro se sentou na cama arrumada, e uma sombra se acomodou em seu rosto ainda vermelho. Através dos óculos embaçados por causa do vapor de sua respiração que se elevava constantemente, ele observou os colegas que olharam Ysadora, saírem do quarto apressadamente. Depois de um silêncio modorrento e constrangedor, Gabriel sugeriu:
—Vamos pra fora da escola, um pouco. Ainda tem um tempo antes da próxima aula.
Pedro apenas balançou a cabeça em negação. Não poderia deixar que ninguém o visse ainda. Decidira que apenas se daria ao luxo de ficar em um local público quando estivesse na presença de um professor; assim, ninguém ousaria tirar sarro dele.
Lucas, que despira o manto da Sonserina e jogara-o displicentemente sobre sua cama — um pouco menos organizada que as demais -, se aproximou dele e lhe ofereceu uma caixinha de pequenas gomas de cor vermelho-sangue. Pedro procurava com o olhar pela mais atraente, e resolveu pegar a mais redondinha.
—Vamos só nós então. — Sugeriu, Lucas, passando a caixinha por Gabriel e erguendo-a cerca de cinco metros com o Feitiço da Levitação para poder oferece-la à Ysadora.
Pedro mordeu a gominha, e sentiu um gosto forte e azedo que fez cada músculo de seu rosto sardento se contorcer. Seus olhos se enxeram de lágrimas e sua boca se transformou em uma linha fina e cinzenta, com a espessura de um fiapo de lã.
—Meu Deus, Lucas, o que é isso? — indagou Pedro, aspirando o ar gelado para atenuar a ardência em sua língua.
—O que foi? — Gabriel quis saber, mastigando a goma normalmente, sem ter as mesmas reações do amigo.
—AHHHH Deu certo! — comemorou Lucas, atirando a caixinha na cama. Ele inclinou a cabeça para ver Ysadora, e a garota também não demonstrava os sintomas. — Eu ainda não deu um nome pra isso, mas as eu projetei alguns dias depois de receber a carta.
"O objetivo era que sempre que alguém estivesse sentindo muito frio ou calor, isso revertesse a situação". Ele aproximou seu rosto do de Pedro, e o estudou seriamente.
—É, talvez eu devesse ter exagerado menos. — Ele tornou a se afastar e sentou-se na cama ao lado, da qual não fazia ideia de quem fosse. -Mas foi melhor do que as minhas últimas tentativas. O próximo passo será fazer ela extinguir o medo e a timidez.
—Aí sim o Pedro vai precisar disso! — inferiu Gabriel.
Pedro balançou a cabeça em negação, e tirou os óculos para secar o suor que a gominha de Lucas havia provocado. Anotou em seu cérebro para não se esquecer de recusar tudo que Lucas lhe oferecesse de agora em diante. Um garoto adentrou o dormitório, e assim como os outros, franziu o cenho ao ver Ysadora ali.
—Então, vamos descer ou não? — Lucas quis saber.
—Eu não. — respondeu Pedro, decidido.
—Pra que isso? Já passou por situações piores.
—Tipo quais?
—Qualquer uma comigo.
Gabriel e Ysadora riram.
—Mas é que você não tem vergonha na cara! — Falou Pedro, sublinhando as palavras.
—Exatamente! — Lucas ergueu os ombros. — Por mais cômico que tenha sido — e ele deu uma risadinha pelo canto da boca -, aconteceu, sabe? Pra que ficar se isolando por isso? Procure achar graça também.
Lucas se levantou da cama e puxou de leve o lençol, para que ninguém percebesse que alguém havia sentado. Se colocou ao lado de Gabriel, e tornou a falar:
—Se quiser ficar aqui, ok. A gente vai descer. A próxima aula é Poções e eu quero estar psicologicamente arejado para encarar o Snape.
Pedro observou os amigos girarem os calcanhares, e sentiu uma forte lufada de ar quando os cabelos — suficientemente grandes para circundar todo o Expresso de Hogwarts — de Ysa se moveram. Atravancado entre ir com eles, ou ficar ali tentando se distrair com algum livro que poderia fazer a lembrança funesta de sua falha resvalar para fora de seu cérebro; Pedro tentou se convencer de que Lucas estava certo... Ele o fazia passar vexames piores.
Ele concordou em descer, mas antes, apanhou seu exemplar de "Bebidas e Poções", pois não sabia se daria tempo de voltarem ali antes da aula nas Masmorras. Ele também alcançou o de Lucas, lembrando-o de que Snape não era tão complacente com atrasos quanto os outros talvez pudessem ser — com exceção de McGonagall.
Os quatro desceram até o segundo andar, onde, poucos instantes antes de passarem pela porta, Pedro saltou com o susto que levara por causa do som de várias latas de alumínio se espatifando no chão. Assim que se viraram, viram Pirraça, o poltergeist, flutuando acima do portal de pedra.
—Vão sair, é? — Disse ele, abrindo um largo sorriso. — Vou estar aqui esperando vocês voltarem. — E olhou diretamente para Pedro, que sentiu uma mescla de raiva e medo.
—Você vai ficar aqui, esperando quatro alunos do primeiro ano, só para tentar assustá-los? — Lucas quis uma confirmação. — E nóssomos a piada?
Pirraça á princípio pareceu não entender o que o garoto dissera, e os quatro nunca souberam se ele sacara em algum momento, pois, à risadas abafadas, desceram para o primeiro andar, e saíram nos terrenos da escola.
Os jardins de Hogwarts estavam úmidos e reluzentes. O céu era murado por nuvens foscas que se arrastavam enfastiadamente sobre as torres do castelo. O vento gelado chicoteava seus rostos, e Pedro desferia olhares indignados á Lucas, que permanecia apenas com o colete da Sonserina. Eles desceram até à margem do Lago Negro, sua imensidão escura e vítrea se estendia até o horizonte tingido de cinza. Sentaram na grama coberta pela geada que espiralava no ar, e Ysadora enfiava suas mãos nas vestes enquanto seus dentes tremiam e o hálito se desenhava ao redor dela.
—O Flwitick deu um jeito no Gabi? — Lucas perguntou a Gabriel.
—Acho que sim. Ele não estava fedendo quando se sentou à aula de Feitiços. Acho que o Flitwick ameaçou colocá-lo em detenção caso tornasse a se cagar.
—MAS TINHA QUE IR PRA AZKABAN! — Interveio Pedro, encolerizado. — Ou ser expulso. Vocês dormem numa torre, e nós nas Masmorras, e dá pra sentir o cheiro! — Ele se virou para Lucas. — Sério, Lucas, como você aguenta ele? Não é triste ser parente do Gabi?
—Já é triste ser da mesma raça que ele. — Respondeu Lucas, com o rosto temeroso. — Mas ele no fundo é uma pessoa... Não péssima.
Pedro percebeu que ele ia dizer "boa", mas engoliu a palavra e substituiu-a por "não péssima". Tinha poucas lembranças com o Gabi, e quase nenhuma era agradável. Se indagava constantemente sobre como alguém como ele, fora selecionado para a Corvinal. Quer dizer, não por cagar nas calças — porque duvidava que Rowena Ravenclaw tivesse colocado "meus alunos não irão gostar de não fazer cocô no vaso sanitário" como característica no Chapéu Seletor -, mas por simplesmente saber que o Fezes tinha uma minúscula capacidade de entendimento. Mesmo que isso não significasse necessariamente "burrice", era de se admirar que não tivesse caído na Lufa-Lufa.
—Como será que o Snape vai tratar ele? — perguntou Ysa, fitando o Japão perfeitamente.
Pedro imaginava um chuvisco de ameaças e uma detenção exaustiva. Sabia que o diretor sua casa, vulgo professor de Poções, não seria tão bonzinho quanto Flitwick. Mas a pior parte de tudo, era saber que a sala de Poções era pequena, fechada e abafada, e o aroma das misturas mesclado com a podridão que exalava das calças de Gabi, seria o bastante para abater até um exército de Ysadoras.
—Agora realmente fiquei interessado. — admitiu Lucas, tirando Pedro de seu fedorento cenário imaginário. — Por falar nisso — ele olhou para um pequeno relógio de prata que levava no pulso (presente de seu avó) -, faltam dez minutos para a aula dele.
—Droga. — rosnou Gabriel, fazendo uma careta de desânimo. — Ter que aguentar o Fezes e o Snape ao mesmo tempo... Por que não usam logo a Maldição Cruciatus na gente?
Os quatro voltaram ao castelo assim que o sol começou a abrir caminho por entre as nuvens. Talvez o comentário de Lucas tenha feito Pirraça desistir do segundo ataque, pois não o encontraram até chegarem nas Masmorras. Os corredores de pedra eram iluminados por uma fraca luz verde, e o cheiro de umidade impregnava as paredes.
Eles passaram por uma pequena portinha de madeira, que se abriu para uma sala mal-iluminada, "decorada" com prateleiras apinhadas de frascos cheios d'água, onde pequenos animais embalsamados flutuavam. Uma fina camada de poeira cobria as mesas, e quatro caldeirões de estanho borbulhavam ao fundo, de onde saíam fumaças coloridas que revolviam uma nas outras, tornando impossível discernir de qual saia qual cheiro.
Teriam de sentar em trios, e não demorou nada para decidirem que Ysadora seria a excluída. A garota se sentou com Bárbara Rockwhite, Sabrina Redcraft e Peter Lycnh; e não pareceu ter dificuldade em se enturmar com eles. Pedro, Lucas e Gabriel conversavam no tom mais baixo que podiam, tentando evitar que os outros os ouvissem, e no momento em que Pedro decidira perguntar sobre Gabi, o mesmo adentrou na sala, carregando sua habitual aura podre, que invadiu o aposento impiedosamente.
Pedro observou os demais alunos entortarem os narizes e fazerem caretas semelhantes à que ele fizera ao provar a gominha de Lucas. Fezes se juntou á dois garotos numa mesa do fundo, e um deles enfiava a lâmina de uma mini adaga em sua própria coxa esquerda; Pedro pensou que talvez fosse em prol de diminuir a dor que seu nariz sentia. Uma aluna da Lufa-Lufa se abanava com o exemplar de "Bebidas e Poções" enquanto dava a entender que estava prestes a vomitar.
Com um banque violento, a portinha de madeira se escancarou, e um longo vulto negro deslizou até a grande mesa envernizada que havia ao lado dos quatro caldeirões. Snape ameaçara dizer aluma coisa, mas as palavras se perderam á caminho da boca. A turma abaixou a cabeça, e Pedro ficou observando o professor pelo canto dos olhos. Snape deslizou o olhar por cada cabeça intimidada, e fixou-se em Gabi.
—Você. — disse ele. — Está sujinho?
A turma sentiu que tinha liberdade de rir. Antes que o som das risadas cessassem, Snape tornou a perguntar:
—Sr, Stumpf, o sr. está cagado?
—E... Estou. — respondeu Gabi, abafando a voz.
Snape puxou a varinha negra das vestes, e encostou-a na ponta do nariz de Gabi. A turma ficou em silêncio, assistindo com os olhos marejados por causa do cheiro.
—Por que você não senta e faz, que nem todo mundo?
Lucas deixou escapar uma risadinha que não pareceu importar ao professor.
—Eu... — começou Gabi, deixando sons de pum escaparem de suas calças e ecoarem pelas paredes da sala de Poções. -Eu fazia... Mas parei, e gostei.
A turma tornou a rir, dessa vez mais alto. Pedro apenas conseguiu ver o professor afastando a varinha do rosto oleoso do menino, e deslizar ao redor da mesa.
—O sr. pensa que cagar nas calças é uma piada? — indagou ele, seriamente, enquanto mirava Gabi como um abutre. — Pensa, com cada fibra de seu cérebro relaxado, que todos são obrigados a sentir esse cheiro de dragão morto que irrompe de suas vestes, diariamente? Esse cheiro que, Deus — Snape coçou o nariz de leve -, nos dá vontade de nos entregarmos á Você-sabe-quem?
Alguns alunos da Sonserina do lado direito esmurraram as mesas de tanto rir, mas Snape continuava não dando importância a mais nada, a não ser Gabi. Pedro desejava ardentemente que o professor colocasse Fezes para fora da sala logo, pois, tinha certeza de que suas narinas já haviam perdido toda a sensibilidade. De repente, viu que Snape estava deslizando à sua frente, alto e soturno, com o envólucro negro lhe dando a aparência de um grande corvo. O professor parou diante de Lucas, e o estudou tediosamente.
—Qual sua opinião sobre seu primo, sr. Stumpf? — Snape quis saber.
Lucas olhou para Gabi por cima de ombro, e depois respondeu:
—Acho que ele faz muita cagada na vida.
Até Pedro deixou escapar uma risada dessa vez, mas nada comparado ao restante dos alunos. Porém Snape permanecia impassível. O professor continuava a estudar Lucas, como se olhasse por uma janela.
—Você parece... — murmurou Snape, distante. Ele não terminou a frase. Balançou a cabeça como se espantasse uma mosca, apontou a varinha para a mesa de Gabi, e as roupas no garoto se transfiguraram em vestes de bebê, com os dizeres "Eu cago nas calças e acho bonito", bordados em marrom no tecido branco.
—Quero que desfile por toda Hogwarts assim. — mandou o professor, taxativamente. — E não ouse parar ou tirar essas roupas. Eu saberei caso faça isso. Agora, saia daqui! Nos poupe de sua repugnante presença.
E, ao som de risadas e palmas vibrantes, Gabi deixou a sala, cabisbaixo, com o tecido ao redor dos fundilhos, encardidos e negros. Snape deu um aceno com a varinha e todos os frascos estocados no armário estouraram, mergulhando a sala em uma nuvem de cheiro doce.
O restante da aula fora bastante interessante para Pedro. Snape os mandou misturar uma poção para curar furúnculos, e o garoto estava demonstrando resultados muito satisfatórios. Em compensação, Lucas e Gabriel não tinham o mesmo talento em Poções, que tinham para feitiços. Lucas colocara muita seiva de Vagem Suporífera, e Gabriel esqueceu de acrescentar folhas de Flores de Tentáculos.
Se tinha uma coisa que seu sucesso surpreendente em Poções estava lhe proporcionando, era o varrimento de seu constrangimento na aula de Feitiços. Se conseguisse preparar uma poção boa o bastante para receber elogios de Snape, com certeza sua fama de "garoto que arremessou o Flitwick para fora da sala", seria obliterada.
—Tempo esgotado. — anunciou o professor, se levantando e se aproximando das mesas para avaliar o conteúdo dos caldeirões.
—Ridículo. — comentou ele, ao ver a mistura de João Borela.
Conforme o grande corvo se aproximava, comentando de forma negativa, ou não se estendendo, a excitação de Pedro crescia. Não teria como ter ido mal. Sua poção ficara exatamente como descrita no "Bebidas e Poções", e isso incluía o aroma e a textura.
-Vamos ver. — disse ele, olhando dentro do caldeirão de Gabriel. — Se gastasse mais seu tempo estudando do que rindo, talvez tivesse se saído melhor. Vejamos o sr. Stumpf. — E olhou a mistura de Lucas, soltando um sorriso desdenhoso. — Exatamente como eu pensei. Você é a imagem de Tiago Potter. Um suíno arrogante e exibido que é melhor na prática do que na teoria.
—A mãe do senhor disse a mesma coisa. — falou Lucas.
Pedro sentiu vontade de enfiar a cabeça no caldeirão fervente. Queria arrancar o emblema da Sonserina ou dizer que também cagava nas calças, apenas para poder sair dali. A turma não ousou rir, embora algumas tosses tenham pontuado o fundo da sala. Gabriel virou o rosto, e lançou à Ysadora, uma risada sem som. Snape não ficou feroz, na verdade, não demonstrou sequer a menor alteração de expressão. Talvez já esperasse uma resposta assim.
—Detenção, sr. Stumpf. — açoitou Snape, com frieza. — É uma pena que alguém como você tenha ido para a Sonserina. É uma desonra sem tamanho para esta Casa.
E quando Snape estava prestes a olhar a poção de Pedro, Lucas replicou:
—Acho que esta Casa pode aguentar um aluno como eu. Se aguentou um diretor como você.
Pedro atacava Lucas com olhares repressores, e berrava mentalmente para que ele ficasse de boca fechada. Ele ainda iria causar a expulsão de todo mundo se continunasse assim. Snape virou a cabeça, e disse, ainda frio:
—Detenção todos os fins de semana até o Dia das Bruxas.
Lucas não disse mais nada. Talvez fosse porque não queria perder mais tempo livre, mas Pedro se sentia profundamente aliviado de ter se calado. Snape agora estudava sua mistura, com curiosidade. Passado alguns segundos, o professor subiu o olhar até o rosto de Pedro, que sentira suas bochechas corarem.
—Você fez isso, sozinho? — indagou o Professor.
—Sim. — respondeu Pedro, com o coração batendo forte.
Snape fitava o garoto em silêncio, e Pedro sabia o por que: Snape era um exímio Oclumente e como tal, usava sua capacidade para descobrir se alguém estava mentindo ou falando a verdade.
—Muito bem. — falou o professor, libertando Pedro das cordas invisíveis nas quais sentia estar envolvido enquanto Snape o estudava. — Trinta pontos para a Sonserina.
Um grande sentimento de satisfação brotou no peito de Pedro agora, e orgulho que sentia de si mesmo, havia atenuado de forma acentuada sua vergonha de outrora. Depois que a sineta tocou, os quatro voltaram para o Grande Salão, cujo teto agora estava brilhante e claro.
—Odeio Poções! — decidiu Lucas, se atirando no banco.
—Era só não ter respondido o professor daquele jeito. — disse Pedro, sentindo novamente a liberdade de agir como guia dos demais.
—Não por causa das detenções. — explicou Lucas, se deitando sobre a mesa. — Pretendo colecionar várias delas. Mas porque acho uma matéria extremamente chata. E o Snape consegue deixá-la pior.
—Gosto dele. — comentou Ysadora, lustrando a varinha com uma aba das vestes.
—Claro que gosta. — confirmou Gabriel. — E vai fazer questão que todo mundo saiba disso, não é?
—Na verdade... — Mas Ysadora não pôde terminar a frase, pois no mesmo momento, Gabi adentrou o salão; vestido ainda como Snape o ordenara, e arrastando os pés.
—Gabi? — chamou Lucas.
Fezes parou diante dos quatro, e seu cheiro os acertou como cem murros na cara.
—Se quiser, eu tiro isso pra você.
—Não, tudo bem. — disse Fezes, voltando a se arrastar, com o som de risadas ao fundo. — Mas obrigado.
Antes que o fedor de Gabi tivesse se dispersado, um garoto baixinho, de cabelos cor de palha, se aproximou atrapalhado dos quatro, e entregou á Lucas, uma cartinha pequena, amarrada com barbantes verdes.
—O que é isso? — Lucas perguntou, abrindo a carta.
—Me mandaram entregar para o Lucas Stumpf. — respondeu o menino, excitado.
—O que diz? — Gabriel quis saber.
Lucas abaixou a carta depois de lê-la, e disse aos três:
—Ao que parece, alguém tem uma cura para a cagança de Gabi.
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