Entre erros e escolhas
61 60 - I love New York - New York, New York
Notas iniciais
– Nova York? – Quinn encarou a namorada.
– É! Nós saímos na segunda à tarde e voltamos na quarta de manhã.
– E você vai perder três dias de aula?
– Eu tenho o histórico perfeito, Quinn. Não vai fazer falta.
– Rae...
– Eu falei com Frannie e ela disse que você pode ir. Está sem fazer nada enquanto está suspensa, mesmo. E meus pais deixaram.
– Rachel...
– E eu já comprei as passagens e reservei o hotel. – Rachel sorriu e Quinn riu.
– Está bem. Você ganhou. – a loira disse e abraçou a menor – Já podemos começar a olhar algum lugar pra gente. O que acha?
– Eu acho bom. Desde que não na terça. Tivemos um... Mal momento recentemente, e merecemos um aniversario digno.
– E o que você tem em mente?
– Só... Quero estar longe de Lima. Deixo você ficar com a programação, se quiser.
– Rae... Tá tudo bem?
– Tá sim. Por que?
– Não. Nada. Só... Então, saímos amanhã?
– É. – Rachel sorriu e ficou na ponta dos pés para beijar a namorada.
– Hum... Sabe de uma coisa, Rae? Frannie ainda não chegou.
– Pensei que você não pudesse.
– E não posso. Pelo menos até amanhã. – murmurou beijando o pescoço da namorada.
– Então?
– Você ainda pode.
– Mas... Quinn! – Rachel gritou quando a loira a empurrou contra sua cama.
– Shiu. – Quinn deitou sobre a namorada – Eu vou te faz...
Quinn foi interrompida pela porta da frente batendo.
– Quinn! Cheguei.
– Eu acho que não. – Rachel resmungou quando Quinn rolou para deitar ao seu lado na cama.
– Acho que o mundo está determinado a nos interromper. – Quinn reclamou.
– Quinn? – Frannie chamou novamente.
– No quarto! – Quinn gritou, enquanto sentava e, alguns segundos depois, Frannie abriu a porta.
– Hey, Rachel! Não sabia que estava aqui. – sorriu.
– Como vai, Frannie?
– Estou bem. Só vim avisar que cheguei.
– É, a gente notou. – Quinn resmungou e Frannie franziu a testa, a encarando, e começou a rir no segundo seguinte.
– Oh! Desculpem atrapalhar. Me deem meia hora e eu já vou sair novamente.
– Você não para mais em casa, não? – Quinn reclamou.
– Sente minha falta, Quinnie? – Frannie riu.
– Sinto, Franciele. Há quanto tempo a gente não tem um tempinho pra gente? – reclamou – Eu passei a semana toda em casa e mal te vi.
Frannie se aproximou de Quinn e deu um beijo na cabeça da irmã.
– Sinto muito, Q. Prometo que vamos ter um tempo pra conversar fim de semana que vem. Que tal assim? Sábado que vem vamos sair. Só eu e você. Sem trabalho, Cooper ou Rachel. – a mais velha piscou – E a noite fazemos uma maratona de série.
– Parece bom pra mim. – Quinn respondeu – Não ficar sem você, claro. – disse pegando a mão da namorada, que riu – Mas ter um tempo com Frannie.
– Eu sei, Quinn.
– E a senhorita, vai aonde? – Quinn perguntou para Frannie.
– Cooper está vendo uma casa, e pediu que eu fosse junto.
– Casa? – Quinn soltou a mão de Rachel e levantou, franzindo a testa para a irmã – Ele, por acaso...?
– Não tem nada a ver comigo ou nosso namoro, Quinn. – Frannie revirou os olhos.
– Sei. – murmurou fazendo Rachel rir – Que fique claro que se ele estiver pensando em te pedir em casamento, tem que falar comigo primeiro.
– Pode deixar que eu vou dar o recado. – Frannie riu – Bom, eu vou tomar um banho e trocar de roupa. Se comportem pelo menos enquanto eu estou aqui.
– Não prometo nada. – Quinn deu um sorriso de lado enquanto Frannie revirava os olhos, e Rachel lhe deu um tapa no braço – O que?
– Cala a boca. – Rachel resmungou enquanto Frannie saia do quarto rindo.
***
– Eu ainda não entendi porque me chamou aqui, Berry. – Santana reclamou, sentando no sofá da casa dos Berry.
Hiram e Leroy haviam saído para um jantar romântico, ou algo do tipo, e a judia aproveitou a oportunidade para recorrer a única pessoa que ela conseguia pensar no momento.
– Faz tempo que não conversamos, San. – Rachel forçou um sorriso e Santana se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e o queixo nas mãos cruzadas.
– O que houve, Rach?
– Por que você acha q...
– Nos conhecemos desde o berçário, Rachel. Eu sei quando algo está errado com você. – suspirou – Para ser realista, sei que algo está errado desde que... Você e Quinn... Deram um tempo?
– Ela não te contou o que aconteceu?
– Contou. Mas isso é tudo tão confuso que eu não quero, você sabe, parecer que tomei um lado da situação.
Rachel balançou a cabeça positivamente e sentou ao lado de Santana.
– Eu sei que eu sou mais próxima de Dani do que de você, mas...
– O que houve?
– Eu to com tanto medo, San. – Rachel confessou tentando segurar as lagrimas.
– O que aconteceu? Finn te fez alguma coisa? Ele te ameaçou? Por que eu juro que eu mato aquele bastardo filho da p...
– Não é isso. – Rachel disse – San, você tem que me prometer que não vai contar nada pra ninguém.
– Não vai sair daqui Rach. Seja lá o que for.
A judia balançou a cabeça positivamente e respirou fundo.
– Eu...
No segundo seguinte, Rachel chorava sendo amparada por Santana.
– Tá tudo bem, Rachel. Se acalma, e me conta o que está acontecendo, tá bem? Eu sou sua amiga. Não vou te julgar.
Rachel tentava controlar o choro, mas os soluços pareciam sair sozinhos. Ela se sentia perdida.
***
Rachel jogou a cabeça para trás e respirou fundo, sorrindo, assim que desceram do trem.
Quinn se recusava a deixa-la carregar alguma mala, e ela não insistiu, ansiosa demais para sair para sua Nova York.
Quinn estava parada ao lado da judia, sorrindo para a cara de felicidade da namorada.
Parou um taxi e colocou suas malas no porta-malas com a ajuda do motorista.
– Rae! Vamos lá! – chamou a atenção da namorada, que parecia em transe.
A judia balançou a cabeça animada, entrando no carro enquanto Quinn dava o endereço ao motorista.
A loira ainda achava aquela viajem desnecessária, afinal, poderiam comemorar em Lima – lá ela já tinha planos para surpreender Rachel – mas ao ver o sorriso que estampava o rosto de Rachel, ela parou de questionar. Ela queria ver aquele sorriso ali para sempre.
– Isso aqui é incrível. – Rachel murmurou olhando pela janela, e Quinn deu um beijo na bochecha da namorada.
– Se acostume, porque logo logo moraremos aqui.
– Primeira vez em Nova York? – o motorista perguntou.
– Eu já vim antes. Ela não. – Quinn respondeu rindo da namorada e o motorista sorriu – Alguma indicação do que devemos fazer?
– Façam tudo o que puderem. – o homem falou e estendeu algo para Quinn – Se precisar, é só me chamarem.
Quinn pegou o cartão e sorriu, o guardando no bolso.
– Obrigada.
Alguns minutos depois, pararam em frente ao hotel, e Quinn abriu a boca em um perfeito “O”.
– Chegamos. – o motorista disse, descendo do carro para pegar a bagagem das duas.
– Rachel Barbra Berry, você reservou um quarto no Staybridge? Isso deve custar tipo, nossa alma pra ficarmos aqui até quarta.
– Sem exagero Quinn. – Rachel revirou os olhos e desceu, com a loira logo atrás.
Quinn pagou o taxi enquanto Rachel conversava com um empregado do hotel, e logo depois as duas entraram, com o garoto atrás, trazendo suas coisas.
– Hey! Rachel! – um homem de terno apareceu de sabe-se lá onde e abraçou a judia – E você deve ser Quinn. Muito prazer.
– O prazer é meu, senhor...?
– Sebastian Smythe. Presidente do grupo de hotéis InterContinental.
– Pai e papai conheceram ele em uma viajem. – Rachel contou – Desde então sempre ficam aqui quando vem a Nova York. O senhor Smythe...
– Já te disse pra me chamar de Sebastian, Rachel.
– Certo, Sebastian. – Rachel riu.
– Bom, eu tenho que ir ver outros hospedes. Espero que se divirtam.
– Obrigada.
Alguns minutos depois, Rachel e Quinn estavam entrando no quarto.
– Isso é um quarto ou um apartamento inteiro? – Quinn brincou pegando sua mala e a deitando em cima da cama.
– Papai sempre disse que isso era grande demais, mas eu pensava que era exagero. – Rachel riu se jogando na cama – Então, para onde vamos primeiro?
– Primeiro um banho. E descansar um pouco. Que tal um filme, ou uma serie? Nossos compromissos só começam a noite. – Quinn sorriu e se inclinou sobre a mala para dar um selinho em Rachel.
– Eu estava pensando em dar uma volta. Oh! Já sei! Podemos ir ao central parque e...
– Rae, primeiro vamos tomar um banho, tá bem? Eu sei que você está empolgada para conhecer a cidade. E eu também estou. Mas dê um tempo. Vamos nos instalar primeiro, certo.
– Tá bem. – Rachel bico e Quinn riu.
– Eu vou tomar um banho. Você vem?
– Parece tentador. – Rachel deu um sorriso de lado e Quinn piscou.
– Oh, querida. Essa é a intenção. – disse indo para o banheiro, fazendo Rachel rir.
***
– Caramba! É, tipo, muito igual. – Rachel disse parando em frente a Lady Gaga – Kurt ia adorar essa aqui.
– Essa e as outras duas dela que já vimos. Sério, quantas dela tem nesse museu?
– Sei que em todos somam vinte e um.
– Seja lá quem faz isso, é fã dessa mulher. – Quinn riu – Quer uma foto?
– Não. Já chega de Gaga. Mas se eu não me engano a Demi tem uma estátua aqui. Com ela eu quero.
Quinn pegou o celular e, alguns minutos depois, balançou a cabeça negativamente, enquanto Rachel a encarava.
– Não. A dela tá em Hollywood. Mas tem Jon Bon Jovi aqui. O que acha?
– Que você tá vendo no celular o que a gente pode ver andando por aqui. – Rachel riu e passou o braço pelo da loira, enquanto voltavam a andar – Hey! Aquela ali é a Shakira?
– Rae, o que é isso? – Quinn perguntou se afastando um pouco de Rachel para olhar o curativo no braço da garota.
– Oh, não é nada. Eu... Tirei sangue, hoje de manhã.
– Estava se sentindo mal? Aconteceu alguma...?
– Não é nada, Quinn. Só exames de rotina. Agora, vamos. Eu quero uma foto com a Shakira.
Quinn riu da animação da garota.
– Se você tá empolgada desse jeito com as estatuas, imagina se conhecer esse pessoal pessoalmente.
***
– Restaurante Per Se. – Quinn disse abrindo a porta para a namorada.
– E daqui vamos aonde?
– Como se você não soubesse o que fica a dez minuto a pé daqui. – Quinn revirou os olhos e Rachel sorriu.
– Eu queria ter conseguido ingressos. Hoje estão encenando Wicked.
Quinn sorriu e deu um beijo na bochecha da garota.
– Então, finalmente estamos em um restaurante que você precisa de cardápio, heim. – Quinn sorriu quando sentaram na mesa reservada pela loira, e as duas pegaram os cardápios.
– Finalmente, não é? – Rachel riu e pegou a mão da loira em cima da mesa – Eu amo tanto você, Q.
– Eu também te amo, Rae. – Quinn sorriu – Você nem faz ideia de quanto.
Quinn deu um beijo na mão de Rachel e voltou a atenção para o cardápio, perdendo o sorriso triste que a namorada deu para ela.
Pouco mais de uma hora depois as duas saiam do restaurante de mãos dadas.
– Pronta para conhecer seu futuro? – Quinn brincou.
– Se você estiver nele.
Rachel soltou a mão da namorada para abraça-la de lado e Quinn sorriu, beijando o topo da cabeça da garota.
– Eu amo você. E acho que nunca vou cansar de dizer isso. – Rachel falou.
– Eu também te amo, Rae.
As duas caminharam até parar em frente ao teatro da Broadway, e o sorriso de Rachel quase não cabia em seu rosto.
– É incrível.
– Tenho que concordar. – Quinn sorriu e olhou o relógio – Vem, ou vamos perder.
– Perder o que?
– A peça.
– Q, eu não consegui os ingressos.
– Mas eu sim. – a loira piscou e Rachel a encarou de boca aberta.
– Você... Nós... Como?
– Ser filha de Russel Fabray tem suas vantagens as vezes. Conheci muita gente... Importante enquanto morava com ele.
As duas entraram e Quinn observou Rachel andar entre as cadeiras até seus lugares com um sorriso no rosto.
A morena estava maravilhada. Não era como se ela já não tivesse visto cada lugar ali através de fotos. Quinn sabia que ela tinha. E assistido cada peça que já foi encenada naquele palco. Mas estar ali, era importante para ela.
Quando a peça começou, Rachel parecia que ia cair da cadeira a cada segundo, se inclinando para o palco como se quisesse estar nele. E queria.
Quase duas horas depois Rachel aplaudia entusiasmadamente o elenco, enquanto Quinn se preocupava mais em olha-la.
Ela tinha a namorada perfeita.
– Hey, pronta para o seu presente de namoro adiantado? – Quinn sussurrou no ouvido da garota, e Rachel sorriu para ela.
– Se ele for você. – a judia se aproximou da loira para responder – Estou louca para voltar para o hotel.
– Isso soa tentador demais. – Quinn resmungou – Mas você vai me odiar se souber o que é depois de perder.
Quinn puxou a judia para fora do teatro, e a abraçou enquanto andavam pelo hall de entrada.
– Quinn, a saída é para o outro lado.
– Eu sei, pequena.
– Onde estamos indo?
– Você vai ver.
Pouco depois pararam em frente a um segurança tão alto e forte quanto era possível um ser humano ser – mesmo que Rachel naquele momento tenha se perguntado se gigantes realmente não existiam.
– O que deseja? – perguntou.
– Sou Quinn Fabray. Marquei de encontrar com... Uma pessoa.
– Senhorita Fabray. Fui avisado sobre sua visita. Camarim três. – o homem disse dando espaço para as duas e o queixo de Rachel quase foi ao chão.
– Camarim?
– Camarim. – Quinn riu – Vamos lá, você vai gostar.
As duas foram até o camarim indicado, e Quinn tapou os olhos da judia, para que ela não visse o nome na porta.
– Isso é injusto. – a menor reclamou.
– Não é não. – Quinn disse tirando a mão do rosto da judia assim que encostou a porta – Nós saímos antes dos aplausos, mas ele não deve demorar.
– Ele quem, Quinn?
– Você já vai saber.
Quinn sentou em uma poltrona enquanto Rachel olhava tudo – sem relar em nada – encantada.
Alguns minutos depois, a porta se abriu e Rachel encarou o homem que passava por ela de boca aberta.
– Pequena Lucy! – sorriu.
– Aaron. – Quinn levantou e abraçou o mais velho.
– Quanto tempo, Quinn.
– Quase três anos. – Quinn sorriu se afastando – Aaron, quero te apresentar minha namorada, Rachel. Rae, esse é Aaron.
– É um prazer, senhor Tveit. – Rachel apertou a mão do rapaz praticamente tremendo, e ele riu.
– Olá, Rachel. Quinn me disse que você é fã da Broadway.
– Sou. Eu... Acho tudo isso maravilhoso.
– E é.
– Rachel vai para NYADA ano que vem. – Quinn disse.
– Já é um grande passo.
– É, mas... Eu não passei ainda.
– Se precisar de uma referência, eu ficaria muito feliz em te fazer uma carta.
– Eu... Uau. Caramba! Não sei o que dizer.
– Rachel já fez os testes, Aaron. Só falta a carta chegar.
– Carmen fez seu teste?
– Foi.
– Ela é uma ótima professora. – sorriu – Então, Quinn, sobre aquilo que você me pediu, amanhã, oito horas. Te mando o endereço depois.
– Obrigada. Vou ficar te devendo uma. – Quinn sorriu puxando Rachel para perto de si.
– Ver esse sorrisinho depois de tanto tempo é o que vale, Q. – o homem suspirou enquanto Rachel fechava a cara – Quando eu soube o que seus pais fizeram...
– Você não foi brigar com eles, não é? Por favor, já basta eu sendo chutada da família.
– Só te digo que não foi bonito.
– Aaron!
– Não vou deixar os dois te tratarem assim, Quinn! E vovó ficou do nosso lado.
– Espera. Dá um tempo. Vocês são, tipo, parentes?
– O arqueiro é meu primo. – Quinn brincou – Filho de uma irmã de Judy. – deu de ombros.
– Por que você nunca me disse que tem parentes na Broadway?
– Não achei relevante. Não... Quando pensei que a família toda ia apoiar os dois.
– Bom, eu não abandonaria você. Seus pais são idiotas, Q. E a família toda concorda. Você e Frannie deveriam... Ir visitar vovô e vovó. Eles queriam que você tivesse, você sabe, ido procurar eles ao invés dela. – o rapaz deu uma risada fraca – Eles se sentem um pouco culpados.
– Eu não acho que posso encarar a família ainda, Aaron.
– Pelo menos pesa pra Frannie ligar. Eles vão ficar felizes em saber de vocês.
– Eu vou pedir.
– Bom, eu tenho que ir. O elenco vai sair para jantar. Vocês querem ir junto?
– O que acha, Rae?
– Parece ótimo, mas... Acho que prefiro voltar para o hotel. – Rachel disse e olhou para Quinn, ficando vermelha – Temos planos pra essa noite, certo?
– Ótimos planos. – Quinn deu um sorriso de lado – Então, vamos deixar você se arrumar. Aaron, foi bom te ver. E obrigada de novo. – disse abraçando o primo.
– Tudo por você, priminha. Rachel, espero te ver no palco qualquer dia. Quem sabe não atuamos juntos?
– Seria uma honra. – Rachel respondeu apertando a mão do garoto – Antes da gente ir, você pode... Você sabe, me conseguir uns autógrafos?
Uma hora, um tour e vários autógrafos depois as duas saiam do teatro com o motorista de Aaron em direção ao hotel.
A judia não parava de falar sobre como tudo era maravilhoso, e Quinn sorria, observando a namorada. Ela parecia diferente. Mais alegre e bonita de alguma forma. Ela parecia brilhar.
– Nova York realmente te faz bem. – Quinn murmurou e deu um beijo no rosto da judia.
– Esse lugar é incrível.
– E amanhã vamos ver um apartamento.
– Quinn! Eu disse que só queria curtir amanhã.
– Eu sei, pequena. Mas isso não vai tomar mais de uma hora do nosso tempo. Prometo.
– Tudo bem.
O celular da judia começou a tocar e ela atendeu, sorrindo para o número.
– Oi, papai. Está tudo ótimo. Não. Estamos nos divertindo bastante. Fomos ver as estatuas de cera, e acabo de descobrir que Quinn tem um primo na Broadway! Não, papai, atuando na Broadway. Pois é! É claro que fomos. Eu sei, papai. E eu amo ela. – sorriu para a namorada – Ok, eu ligo amanhã. Manda um beijo pro pai. Pode deixar. Tchau. – Rachel guardou o telefone o olhou para Quinn – Papai mandou um beijo. E te disse pra cuidar bem de mim. – riu.
– Ah, eu vou. – Quinn murmurou no ouvido da judia, que corou.
***
Já eram quase duas da manhã quando Rachel e Quinn tomaram um banho e voltaram para cama, e a judia se aconchegou contra Quinn, sorrindo para a namorada.
– Eu amo você, sabia?
– Eu também te amo. – sorriu acariciando o cabelo da morena.
– Sabe, eu tenho pensado o que fazer por você aqui em Nova York...
– Não quero que faça nada, Rae.
– Mas eu queria fazer. Seja como for, não consegui pensar em nada. – suspirou.
– Eu não preciso que você faça essas coisas pra acreditar que me ama, Rae.
– Não é isso. É só que... Eu não quero ser a pessoa que... Eu só quero fazer algo por você, sabe?
– Você não entende que eu não sei o que seria de mim sem você, não é? – Quinn murmurou – Rae, depois de tudo o que aconteceu... De como a gente começou... Eu pensei que você soubesse que você fez mais por mim do que eu vou ser capaz de fazer por você a vida toda.
– Quinn...
– Rae, você, literalmente, me salvou de mim. Você tem ideia do que eu provavelmente seria se não tivéssemos começado a namorar?
– Você seria você.
– Será? Por que beber até não lembrar de nada não é exatamente o que eu sou.
– Você só fez isso uma vez.
– E então veio você. – Quinn sorriu – Rae, o que você tem que entender é: eu te amo. E fazer essas coisas por você é o meu jeito de te provar isso. Mas você tem um jeito diferente de demonstrar seu amor por mim. E está tudo bem, por que você consegue.
– Mesmo assim. – Rachel suspirou e deu um beijo na bochecha da namorada – Eu te amo tanto, Q. E...
– E eu sei disso. – Quinn a interrompeu – É o que importa.
Rachel escondeu o rosto no pescoço de Quinn e respirou fundo.
– Eu amo seu cheiro. – murmurou dando um beijo de leve ali – E como você se arrepia quando eu faço isso.
– Rae... – Quinn gemeu fraco.
– O que?
– Você não quer dormir agora, não é?
– Talvez. – Rachel sorriu – Talvez eu queira continuar o que fazíamos antes. – murmurou no ouvido da loira.
– Droga, Berry. – Quinn resmungou afastando um pouco a judia de si para, no segundo seguinte, atacar os lábios da menor – A gente provavelmente vai se atrasar amanhã.
– Eu não me importo nem um pouco.
– Que bom.
***
No dia seguinte, depois de verem o apartamento – e Rachel praticamente compra-lo sem ver nenhum outro – as garotas foram andar no central park.
Apesar do tamanho do lugar não ficaram lá por mais de duas horas antes de irem almoçar e voltar a conhecer a cidade dos sonhos.
Rachel parecia uma criança na Disney. Tirava foto a cada lugar que passavam, e tinha um sorriso tão grande no rosto que Quinn podia apostar que ela não conseguiria tira-lo de lá pelo próximo mês.
A judia não soltava a namorada nem por um segundo, e Quinn, ao longo do dia, começou a se perguntar quando a judia havia começado a ficar tão carinhosa como estava naquele aniversario.
Algo lhe dizia que alguma coisa estava errada, mas ela preferiu ignorar.
Quando deu oito horas as garotas estavam sentadas no restaurante que Aaron havia indicado por mensagem para Quinn aquela tarde, esperando pela “companhia misteriosa” que Rachel já não aguentava mais de ansiedade para saber quem era.
Quinze minutos depois, a voz atrás de si fez Rachel congelar na cadeira.
– Desculpem o atraso. Você deve ser a prima do Aaron. – cumprimentou Quinn.
– Olá, senhora Streisand. É um prazer conhece-la.
– Sem essa formalidade toda, por favor. Me chame de Barbra.
– Claro. Barbra, essa é minha namorada, Rachel Berry. – apresentou vendo a morena ainda parada, de boca aberta – E eu acho que ela está em choque. – murmurou fazendo a mais velha rir – Rae? – chamou colocando a mão no ombro da namorada, e Rachel virou de vagar para ela e Barbra.
– Oh, meu Deus. Eu estou sonhando, não estou?
Barbra deu uma risada fraca e Quinn sorriu.
– Não, Rae. Não é sonho.
– Muito prazer. – Barbra estendeu a mão para a pequena.
***
Depois do jantar – e muitos chiliques e choro por parte de Rachel – as duas voltaram a andar por NY e o sorriso de Rachel era ainda maior, afinal ganhar dicas de atuação e canto, além de foto, autografo e um elogio sobre sua voz de seu artista favorito não era para qualquer um, e muito menos acontecia todo dia.
Quando voltaram para o hotel, pouco mais de uma da manhã – e Quinn teve que praticamente arrastar Rachel para lá, lembrando-a que precisavam levantar cedo para voltar para Lima – a judia ainda não tinha parado de falar – e agradecer a Quinn – sobre seu encontro com Barbra.
No dia seguinte as duas voltaram cedo para casa, e Leroy e Frannie esperavam por elas na estação.
Dessa vez Rachel conseguiu convencer Quinn a deixa-la carregar as bolsas, mas a loira ainda fez questão de carregar as malas das duas.
Quando encontraram os mais velhos, Rachel logo começou a falar sobre tudo o que fizeram, e Quinn apenas sorriu.
Ela definitivamente amava aquela garota.
***
No dia seguinte, Quinn entrou na escola de mãos dadas com Rachel sob o olhar atento de todos.
– Sabe qual o problema da vez? – a loira murmurou para a judia.
– Estão todos com... Um pouco de medo de você. Pelo que fez com Finn.
– Bom. Assim não se metem com a gente. – Quinn sorriu e Rachel riu.
– Minha estressada.
– Eu amo você. – Quinn disse.
– Eu também amo você.
As duas deram um selinho antes de voltar a caminhar para a sala de aula.
De longe, o olhar de uma pessoa sobre elas era diferente dos outros.
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