Entre duas paixões (Pausado)
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Já se passaram duas semanas desde o meu último contato com o Dante, as coisas estão totalmente fora de controle, do meu controle. O meu namorado some, não deixa nenhuma satisfação e é como se nunca houvesse existido, só sei que não foi minha imaginação porque todos o viram, mas ainda assim, me questiono.
Meu coração aperta quando lembro dele e não sei como contatá-lo, dói mais que terminar namoro, já que você sabe como encontrar a pessoa e no meu caso, não faço a mínima ideia de onde ele está. Mas o que posso fazer? Nesse momento, eu pude perceber que não conhecia Dante tão bem quanto eu achava, ele era meu namorado e nós até conversávamos, mas ele sempre fugia quando entrávamos no assunto família, origem e afins.
A única pessoa importante para ele que eu conheci, foi sua irmã, mas também não mantive contato, nem mesmo a acho nas redes sociais. E como se não bastasse isso, tem a situação. perigosa da empresa e seu envolvimento com a investigação internacional. Me pergunto como minha vida saiu dos trilhos dessa forma e eu permiti isso.
Hoje é o maldito jantar aqui em casa, digo, armadilha organizada pelos agentes para conseguirem contatar Ramírez. Ele estava me dando vários foras para vir até minha casa, foi o mais rápido que consegui, melhor adiantar logo isso, já que eu, como presidente da empresa, não posso fazer nada a não ser facilitar o contato com as pessoas direta ou indiretamente envolvidas.
Ao mesmo tempo que quero que esse jantar aconteça, eu quero que ele nunca exista. Não sei se quero saber das informações que podem ser extraídas desse encontro, sem contar na reação do meu tio ao descobrir esse falso jantar. Ele está estranho faz tempo comigo, desde que toda essa confusão começou ele anda me evitando e falando apenas quando necessário.
— Na linha. — respondo quando o meu celular toca.
— Bom dia, tudo certo para hoje. Está tudo como o planejado, correto? — ouço a voz de Fernando do outro lado.
— Sim, ele estará aqui ás 8h. Espero que isso não demore.
— Se cooperar conosco, não irá. Até mais. — e desliga.
Resolvo adiantar o meu lado e levanto da cama para me preparar para a noite de hoje, Fred está pulando de um lado para o outro me deixando tonta com tanta animação.
— O que foi, menino? — afago seus pêlos e ele corre para a sala, me deixando livre para ir tomar banho. A água desde quente, não tão quente quanto minha cabeça com tantos pensamentos. Será que Dante não foi uma aparição? Todos viam ele como eu via ou apenas alimentavam minha loucura? Ai meu Deus, será que eu estou internada numa clínica psiquiátrica e na verdade tudo isso não passa de uma ilusão por conta dos remédios? — Não, não, tudo menos isso! Duvidar da própria sanidade mental é exagerado até pra mim! — me enrolo na toalha e abro a porta, encontrando Fred deitado com um pano na boca.
— O que é isso ? — faço menção de me abaixar e ele põe o pano no chão. Paraliso quando vejo do que se trata, é uma touca, a touca de Dante. Me abaixo e a pego, sentindo o cheiro do seu cabelo, aquele maldito cabelo cheiroso. Coloco a touca na última gaveta do meu guarda roupa e ponho a me vestir. Deixo esse momento para depois.
— Oi, tudo bem? Eu gostaria de fazer a encomenda de um jantar para hoje ás 19h. — pego o note enquanto falo ao telefone.
— Sim, qual é o pedido e o nome da senhora. — diz uma voz um tanto entediada.
— Sou Maya Nóbrega e.. o que o chef me recomenda? — digo naturalmente.
— Senhorita Nóbrega, é uma honra atendê-la! Vou perguntar ao mesmo, espere menos alguns segundos, por gentileza — estranho como o tom de voz e o tratamento sempre muda quando digo meu nome. Lógico que já me aproveitei disso e continuo aproveitando, mas as vezes é um tanto quanto desconfortável.
— Tudo bem.
— Voltei. — realmente não demorou mais de 40 segundos — O chef recomenda o risoto de filet mignon ao molho de shitake, acompanhado de salada Caprese e um saboroso vinho branco.
— Nossa, parece ótimo! Por favor pode mandar para meu endereço? Um jantar para.. — quantas pessoas afinal? Conto com os agentes ou não? — para 4! — se eles não comerem, bom que sobra mais pra mim.
— Certo. Sobremesa? Hoje a Crostata de frutas está esplêndida! — bom pedir mesmo, preciso de um acompanhamento pra noite de hoje.
— Sim, por favor. Tudo certo?
— Claro. Seu jantar sairá perfeito! — espero mesmo.
— Obrigada! — desligo o telefone e passo a abrir alguns emails.
O tempo passa tão rápido que eu nem noto, quando me dou conta já vai dar 19h. Corro para o meu guarda roupa e procuro algo para hoje. Mas o que vestir? Um vestido vermelho fatal como se eu fosse seduzir alguem para buscar informações? Argh, credo! É o meu tio! Escolho um simples de alças e saia midi, azul claro com uns detalhes em prata no busto. Deixo os cabelos soltos e passo uma maquiagem de leve, estou quase acertando o delineador quando a campanhia do apartamento toca.
— Droga! — com o susto, o risco passou da conta. Pela hora ainda não deve ser Ramírez, ele costuma ser bem pontual. Pego um lenço e vou tentando limpar a meleca no meu rosto enquanto caminho para a porta. Abro a porta quando vejo quem são.
— Boa noite Maya — Fernando me diz quando abro e dou espaço para eles passarem, inclusive o mal educado do Carlos, não gosto dele. — Tudo bem por aqui? — diz ele olhando ao redor.
— Tudo, só estou terminando de me arrumar.
— Sua cara... — Carlos faz um sinal para meu olho.
— É, eu sei. Vocês buzinaram e eu tomei um susto — ainda tentando tirar aquilo da minha cara, mas quando me olho no espelho, só fez espalhar.
— Era melhor termos entrado sem bater. — Carlos responde e eu o olho estranho, ele arqueia uma sobrancelha.
— Enfim, vou terminar, podem...sentar — caminho para o quarto e tiro com o demaquilante aquela besteira, termino tudo e volto para a sala, os dois estavam mexendo no celular. — Vocês vão ficar aqui?
— Sim. Não foi esse o combinado?
— É, mas.. aqui? Achei que vocês.. — sou interrompida pelo interfone avisando a chegada do jantar e autorizo a subida. Parece tudo com uma cara maravilhosa, recebo tudo enquanto os dois estão na minha cozinha. — Podem me ajudar aqui?
— Meu trabalho não é esse, sinto muito. — Carlos me diz e eu largo a panela na pia.
— Como é que é seu policialzinho de merda? — Carlos se assusta com minhas palavras e Fernando se levanta na intenção de abafar algo que poderia começar.
— Olha aqui, Barbie, Você sabe com quem está falando? Isso é desacato!
— Desacato? Você acha que é o dono de tudo só por ter um distintivo, mas na verdade você não pode nada! Não aqui, na minha casa! Então é melhor você baixar a sua bola e me tratar com respeito ou vocês já podem ir embora. — decreto e Fernando se intromete.
— Não Maya, espera aí, não pode ser assim. — Carlos anda em círculos.
— Claro que pode. Vocês por acaso tem algum mandato? — eles se olham — Viu? Eu estou ajudando vocês, mas se não quiserem cooperar também, podem ir, to cansada dessa merda toda mesmo! Anda, decidam!
— Isso não é só porque ele foi um babaca não é? — Fernando pergunta calmo e Carlos faz uma careta.
— O que? Não, é só.. estresse — ele tem um olhar compreensivo e vamos nos acalmando aos poucos. Eles me ajudam a terminar o que faltava e quando finalmente colocamos tudo na mesa a campanhia toca.
— Por que colocar a mesa desse jeito? Não é um jantar de boas vindas, sabe disso não é? — Carlos pergunta e eu apenas reviro os olhos. Me arrumo para abrir.
— Oi Ramírez — forço um sorriso e parece que ele também. Me abraça e entra. Estranho a ausência dos agentes e respiro fundo.
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