Notas iniciais
Desculpas pela demora! Aqui estamos nós de novo!

A noite está seguindo e o calor também está em alta, mesmo sendo um lugar com várias aberturas e passagens de ar, o suor escorre pela minha nuca, deixando um rastro em minha pele. Jorge, que antes estava achando tudo estranho, já está enturmado com a maioria das pessoas, até se juntou a um grupo grande que parece rir com o seu jeito animado e David não fica de fora, é nítido como os olhos dele brilham ao olhar para meu amigo. Estou encostada no balcão bebendo um licor e assistindo como todos aqui tem a mesma expressão de felicidade e paixão, aqui tem muitos casais que dançam o forró agarrados quando esse é de tom mais lento, é muito bonito de se ver toda essa entrega a dança, deixando — a ainda mais encantadora. Enquanto eu, tento relaxar e curtir o momento o máximo que posso, mas sem querer e sem pedir permissão, minha mente volta aos problemas da empresa que ainda não foram solucionados e não sei quando serão, me deixando ainda mais aflita.

— Eu sei que eu faço bastante falta — ouço sua voz atrás de mim e sorrio me virando, encontrando um Dante com os cabelos bagunçados. Ponho minhas mãos ao redor do seu pescoço e o abraço.

— Você está muito convencido, isso sim! — ele ri e me beija.

— Perdi muita coisa? — diz ao se afastar e nota a bebida em minha mão — O que é isto? — levo o copo a sua boca e o faço beber um gole, que parece estranhar.

— Nunca bebeu? É licor de...não lembro — sorrio amarelo e ele toma o copo de minha mão, bebendo-o novamente e dessa vez parece aproveitar — Foi muito difícil chegar aqui? — ele nega com a cabeça.

— Onde está o prometido de Jorge? — pergunta fazendo graça e eu forço sua cabeça a olhar na direção dos dois entre o pessoal. — Qual dele é o David?

— O que está do lado do Jorge e vai se virar...agora! — Dante parece avaliar o rapaz e eu viro meu último gole de licor.

— Bonitão. — olho — Não mais que eu, claro — passa as mãos pelos cabelos e eu faço careta.

— Cara de pau! — ele ri alto e me puxa, me deixando presa nos seus braços — Foi tudo bem hoje? — indago sem olhar para ele.

— Tudo sim. Só um imprevisto de última hora mas já foi resolvido e eu consegui vir pra cá. — assinto e me viro para o balcão a fim de pedir uma nova bebida, já que a minha, o senhor médico super gato tomou para si. A festa não dura muito, pelo menos para nós que estamos cansados depois de dançarmos algumas músicas, pois é, eu não fazia a mínima ideia que ele sabia esses passos tão bem! Deixamos David e Jorge lá e voltamos para o meu apartamento, estou exausta e só penso em dormir, e é exatamente isso que eu faço. Dante vai embora já que tem que ir trabalhar cedo amanhã e por esse motivo, quando acordo, não tenho seus braços me rodeando e sim, um cãozinho esparramado em minha cama. Levanto, faço minha higiene matinal e resolvo sair para tomar café na rua, visto um moletom e um short, cato minhas chaves e celular e desço, parando na primeira cafeteria que vejo.

Nada como tomar uma grande xícara de capuccino enquanto observo as pessoas nesse friozinho gostoso, passo uma grande parte do meu tempo apenas admirando momentos em família, que com certeza estão viajando e resolveram tomar café em um lugar aconchegante. A forma como estão felizes e as risadas que ecoam pelo local atrai olhares, mas de admiradores. Logo depois, entra um casal um pouco mais velho, mas é perceptível que o romance ainda não acabou e ainda mantém o ar de eternos namorados. Com todo esse clima de romance, sinto saudades de Dante e meu coração se aperta, resolvo mandar uma mensagem para ele.

" Acabei de ver um casal fofo aqui e senti sua falta, boa sorte ai baby."

Continuo apreciando minha bebida quando lembro da empresa, eu tinha que conversar com o Jorge mas não consegui. Ele é um bom amigo e pode me auxiliar a tomar uma decisão, é uma das pessoas que mais confio e que sabe ser bem sensata quando quer, ainda mais sendo para algo tão importante para mim e ele sabe disso. Claro que eu não iria me opor, ele reencontrou o amor da vida dele, vou dar esse tempo e quando ele puder, nós conversamos, além disso, tenho Dante também. O único problema é que ele chegou agora, mesmo confiando totalmente nele, ele não conhece as pessoas que cercam a empresa e afins, mas posso dar conta disso. Pago e vou pra casa com Fred no meu encalço, parando e cheirando tudo o que vê pela frente, entro no apartamento e sento na frente da TV a fim de ver um filme para relaxar ou algo assim mas sou surpreendida pela campanhia. Bufo e vou atender.

— Eai gatinha! — Jorge me abraça e entra, me deixando surpresa na porta — Atrapalho? Está com alguma companhia? — nego com a cabeça fechando a porta e ele se joga no sofá no mesmo momento em que Fred late para ele e me desperta.

— O que está fazendo aqui?

— Nossa! O que eu fiz? — ele se espanta em minha forma de falar e eu corro para me consertar.

— Não, não foi isso que eu quis dizer, cadê o David? — me sento ao seu lado.

— Ah, isso. — arqueio a sobrancelha — Ok, eu admito que ele ainda mexe bastante comigo, mas estamos vendo aí como estão as coisas, mas se pudesse, ficaria o tempo todo com ele.

— Então por que não está?

— Você me disse que tinha algo para conversar, lembra? E estava bem nervosa — sorrio achando fofo ele ter se lembrado disso. Só podia ser ele mesmo. Abro a boca para responder, mas nesse momento meu celular vibra e eu o pego, encontrando mensagem de Dante, quando abro, me surpreendo com uma foto de uma prescrição médica com um coração desenhado e os seguintes dizeres:

" Eu, Dante Oliveira Coutinho, indico para o senhor Dante Oliveira Coutinho a seguinte medicação para cuidar do seu coração dolorido por saudade: Mayaflex.

O cuidado deverá ser imediato, caso não, poderá levar o paciente a ter sintomas como: ataques epilépticos, infarto e alucinação. Por favor, retirar o medicamento ás 21h em frente ao prédio Império.

Aceita jantar comigo?"

Rio com a sua criatividade e envio apenas um "Sim." para não deixar Jorge esperando para termos a conversa.

— Foi ele?

— Sim, vamos jantar hoje — sorrio.

— Amo isso de vocês se verem sempre que podem. Qualquer folga, e ele está aqui, bem bonito isso — eu jogo meu rosto contra a almofada e ele ri alto — Maya apaixonadíssima, já disseram as palavras? — eu levanto a cabeça para olhá-lo.

— Que palavras?

— Aquelas palavras — ele se aproxima de mim e passa a sussurrar — Eu... — ele faz um sinal de continuação com as mãos e eu entendo. Me afasto num pulo com os olhos arregalados.

— Não!

— E.. você está ?

— Passar o resto da vida com ele, conta? — ele faz uma careta e sorri batendo palmas, eu o acompanho. — Enfim, não foi sobre isso que viemos conversar, foi?

— Não.

— Então.. — me ajeito no sofá e fico de frente pra ele.

— A empresa — ele franze a testa — Acho que está envolvida em algo muito sério, um crime. — ele arregala os olhos.

— Como assim? Sonegação de impostos...?

— Tráfico, tráfico de mulheres — ele perde a fala por um momento e se ajeita no sofá como eu — Olha, um cara muito perigoso aí foi preso há umas semanas por esse motivo e uns dias antes, eu tinha visto uma lista de nomes no notebook da presidência, em uma pasta que eu nunca tinha aberto por estar zipada, sabe? — ele assente — Consegui abrir e o nome desse cara estava lá, era uma centena deles.

— Meu Deus Maya! Como assim, de quando era essa pasta? Acha que seu pai...

— Não! Não acho que ele soubesse de algo, mas parecia não ser de hoje, não lembro exatamente a data.

— E onde está essa lista? Mais alguém sabe disso?

— A lista sumiu — ele arregala mais ainda os olhos e passa as mãos pelos cabelos — Eu contei pro Ramírez e ele só me pediu pra deixar para lá.

— A lista não sumiu do nada, sabe disso não é? Nada some do nada! E por que ele pediu para deixar quieto? Medo de escândalo? — eu assinto. — Não faz sentido, esse crime é doentio e você não pode deixar isso assim. Tudo bem que pode ser que a empresa não esteja envolvida diretamente... — eu o corto.

— Está. — ele me olha e morde o lábio — Tenho certeza que a empresa está envolvida nisso, provavelmente financiando esse mundo. Só não sei como exatamente, aquele homem não tinha outro negócio a não ser esse, o que devo fazer? — encosto a cabeça na parte traseira do sofá.

— Isso né muito sério, muito sério mesmo! Deixa eu pensar, não pode simplesmente pegar isso e entregar a polícia, nesse mundo, ninguém sabe quem está envolvido e quem não está! E muito dos federais e civis estão no meio, tem que ter muito cuidado. — ele encosta junto comigo — Nem posso imaginar como deve estar se sentindo — ele segura minha mão e a beija. — Tenho uns contatos.. — olho — Se quiser posso tentar descobrir algo mais sobre o cara que foi preso e aí quem sabe, ele fala alguma coisa.

— Não é perigoso?

— A pessoa que eu conheço é de confiança, só não acho que vá ser fácil conseguir essas informações. — eu assinto — Vou precisar do nome dele.

— Oscar Swarosky. — ficamos uns minutos quietos, sem dizer nada. Eu preocupada com a empresa e Jorge, preocupado comigo. Passa um tempo e ele diz que precisa ir embora.

Tem certeza que vai ficar bem? — ele indaga na porta.

— Tenho, te contar isso me fez bem.

— Prometo que vou tentar resolver isso, está bom? Tenta se acalmar, quem sabe não seja bom chamar o Dante para ficar com você?

— Tudo bem, ele daqui a pouco chega. Vamos jantar, lembra? — ele assente, me dá um beijo na testa e parte. Fred está com a cabeça no meu colo, enquanto eu penso nessa situação, mas como não posso fazer nada agora, decido ir me arrumar pra encontrar o moreno, ele tem o dom de me fazer ficar calma.

Notas finais
Obrigada!!