Notas iniciais
Nova história!
Boa leitura!!

Hoje o dia está mais caótico do que eu imaginei que seria e ainda não passou das 12hs! Saio da reunião apressada como se estivesse muito atrasada, mas na verdade só quero um pouco de descanso antes de encontrar o Ramírez. Entro na minha sala e me jogo no sofá marrom de camurça, fecho os olhos por uns minutos e imagino como ou o que eu estaria fazendo agora se a minha vida não tivesse mudado tanto em tão pouco tempo. Papai provavelmente estaria andando apressado por essa sala, pensando e organizando o que fazer para o melhor da empresa, enquanto eu, estaria fora do Brasil, na minha antiga faculdade. Sinto saudades de seus conselhos e de sua companhia e acabo por me sentir culpada. Como ele conseguia fazer tudo isso nesse lugar e ainda ter tempos para outras partes da sua vida? Eu mal consigo me concentrar em algo. Abro os olhos quando ouço duas batidas na porta. Ótimo!

— Pode entrar. — me levanto do sofá e corro para a cadeira atrás da grande mesa de vidro.

— Olá Rapunzel! — Ramírez me cumprimenta e eu reviro os olhos — Ah, desculpe. Senhorita Nóbrega, posso entrar? — ele bate na porta novamente e eu sorrio. Desde que me conheço por gente, ele me chama por esse apelido inventado por ele e papai. Sorrimos e ele senta na cadeira á minha frente.

— Não sei como ainda consegue sorrir! — suspiro ao abrir o notebook.

— Não seja pessimista! A reunião foi ótima, sempre soube que você tinha jeito para isso.

— Sério? — o encaro — Duvido que os chineses aceitem esse contrato. Quer dizer, o lucro é quase todo nosso, que vantagem eles ganhariam nisso?

— Simples — ele abre uma pasta que até então eu não tinha notado que estava em suas mãos — A empresa deles não anda muito bem e um contrato fechado com a Nóbrega, colocaria eles no mercado novamente. Mesmo sem lucros financeiros imediatos, é a única opção deles. — ele conclui e me entrega uma planilha. Suspiro e analiso o documento, pensando que não foi isso que imaginei para o meu futuro.

— De fato, foi uma ótima jogada. De qualquer forma, se eles não aceitarem, estou disposta a lançar uma oferta para eles. Mesmo com tantas dívidas, ainda é um nome de peso e pretendo torná-lo parte da nossa empresa. O que acha? — pergunto a um senhor de sobrancelha arqueada. Ramírez passa a mão pelo queixo e sorri de lado.

— Acho que seu pai não poderia ter uma herdeira melhor! — sorrio para ele e volto o olha para o meu notebook — Quem diria que aquela menininha que fez greve de fome para o pai deixá-la estudar musica fora do país, se tornaria essa mulher de negócios!

— Sabe que não tive escolha. E além do mais, sem você aqui, eu já teria falido a empresa!

— Discordo. Prefiro apostar que esse talento para negócios está no sangue da família. — sorrio para ele que retribui. Ele abre novamente sua pasta e me entrega mais algumas planilhas e outros documentos para serem utilizados na próxima reunião, me perco nas horas enquanto organizamos tudo. Levamos um susto quando a porta é aberta sem aviso.

— Bom dia gatinha! — Jorge para ao perceber que não estou sozinha, mas logo relaxa ao saber de quem se trata — Bom dia Ramírez, como vai? — os dois apertam as mãos e meu amigo me dá um beijo na testa. — Vim convidá-la para almoçar, desculpe o atraso!

— Sorte sua eu não estar em uma reunião, ou essa sua entrada sem aviso me causaria algum tipo de desconforto — aviso e ele dá de ombros — Já estamos terminando aqui, me espera? — ele acena e se senta no sofá. Jorge é um amigo que conheci há 5 anos atrás, em um show de Capital do qual guardamos ótimas lembranças até hoje, e desde então, não nos separamos mais. Tenho outros amigos que conheci em lugares diferentes, mas Jorge é meu melhor amigo, me conhece como ninguém e esteve comigo nos momentos felizes e tristes da minha vida. Concluo meu trabalho e caminhamos os três até o estacionamento.

— Ramírez é praticamente seu tio né? — pergunta meu amigo quando entramos no seu carro — Digo, ele era praticamente um irmão para o seu pai, a relação deles era tão bonita. E acho que já vi você chamando ele dessa forma.

— Sim. Evito chamar ele de tio dentro da empresa, sabe? Aqui dentro, ele é meu braço direito e o único que pode me guiar para seguir os passos do meu pai. Ás vezes acho que ele deveria ser o verdadeiro presidente, e não eu. — tiro meu salto para esticar os pés um pouco.

— Não diga isso, tudo está como deveria estar! — o olho e nós rimos — Nem venha dizer que isso é filosofia barata ou astrologia viajada, estou falando sério. Na verdade, acho que nem ele gostaria disso, o negócio dele parece ser sempre o braço direito de alguém. — ele conclui e eu penso um pouco sobre isso. Desde que meu pai morreu, há 1 ano e 2 meses, ele não demonstrou interesse nenhum em ocupar o espaço da presidência da empresa, sendo sincera, ele estava mais interessado em me ensinar como assumir esse cargo.

Almoçamos no restaurante sempre e conversamos sobre suas desilusões amorosas, para variar. Toda essa conversa leve me distrai e me faz rir, aliás, todas as conversas com Jorge me faz rir, ele é um cara incrível e bastante carismático. Vai ver foi por isso que alguns dos caras por quem me interessei, o preferiram. Após milhões de recomendações sobre meu bem estar, ele me deixa na empresa novamente e eu subo o elevador ensaiando para a última reunião do dia. Quando entro na recepção do meu andar, vejo o amigo do meu pai andando de um lado para o outro, mas para ao me ver.

— Calma, já estou aqui. — passo por ele e sigo para minha sala. Recolho tudo o que preciso e seguimos para a sala de reuniões.

— Aposto que se atrasou porque o Jorge acha que eu não cuido bem de você aqui na empresa. — Ramírez resmunga e eu dou de ombro sorrindo. A reunião segue bem no fim das contas e quando finalmente o dia termina, eu posso ir para casa. Não aguentava mais espremer meus pés nesses saltos! Confiro tudo antes de descer ao estacionamento e recolho meu celular da tomada, já que ele é viciado em recarregar bateria. Sigo para o estacionamento e só quando sento no carro, sinto o quão esgotada eu estou. Só quero chegar o mais rápido possível em casa e pego a estrada mais branda, a fim de não perder tempo com engarrafamentos. As ruas estão escuras e quase não vejo ninguém na rua, meus olhos estão quase se fechando e para não dormir, ligo a rádio. Para o meu azar, não quer sintonizar em nenhuma música que preste, mereço viu! Acho que tenho um pen drive aqui em algum lugar, saio cutucando as coisas e não vejo quando o carro passa por cima de algo dando um solavanco em seguida, me fazendo perder a direção.

— Merda! — tento recuperar mas não dá tempo, quando só sinto uma forte pancada e tudo escurece por uns segundos. Abro os olhos e estou tonta, não sei o que houve direito mas consigo ver pessoas saindo de seus carros e formando um aglomerado em volta do meu. Uma senhora se aproxima da porta e a abre enquanto eu ainda tento entender o que aconteceu de fato.

— Está tudo bem? Seu carro bateu nesse poste, ai meu Deus! — me assusto com o que ela diz e arregalo os olhos, no mesmo instante que sinto algo quente descer pela minha bochecha. — Você está sangrando querida — a senhora vira para os outros e começa a gritar — Chamem uma ambulância!

— Não precisa, eu estou bem. Só fiquei um pouco desorientada, mas já passou — tento sorrir, mas acho que não dá muito certo já que ela me ignora. Minutos depois aparece uma ambulância.

— Senhora, consegue me ouvir? — um socorrista pergunta e eu aceno — Consegue falar?

— Sim.

— Tudo bem, levaremos a senhora para o Hospital mais perto agora, tudo bem?

— Não, olha, eu estou bem. É só um curativo rápido — eles me ignoram e me apoiam, me colocando dentro da ambulância e me levando. Eu só consigo pensar em como eles chegaram tão rápido.

Notas finais
Obrigada!