Entre duas almas
3 Novos amigos
Quando completei 16 anos eu ja não aguentava mais ficar presa na base, e por mais que minhas ultimas experiências, quando mais nova, de conviver com pessoas “normais” tivessem sido um fracasso, eu precisava ter pelo menos uma ilusão de vida normal.
Todos tentavam me convencer de que eu não era um ratinho de laboratório, como zombaram de mim naquela vez. Mas no fundo eu saiba que se não lutasse pela minha liberdade era exatamente aquilo que eu seria até o ultimo dia da minha vida.
Finalmente convenci o Nathan que era hora de encarar uma escola regular, minhas notas eram ótimas na base, eu sempre cooperei com as pesquisas, ele me devia aquilo. Então, fui cheia de expectativas pro meu primeiro dia letivo no colégio McKinley, mas eu nunca fui do tipo muito sociável, afinal eu aprendi uma lição valiosa, quanto menos souberem de você, menos vulnerável você se tornará.
O diretor Figgins estava animado em me receber, ele não sabia o que exatamente o que acontecia comigo, mas era amigo de longa data do Nathan, então certamente havia um lugar pra mim naquela escola. Nós andamos pelos corredores lotados, eu nunca tinha estado em um lugar como aquele. Alguns alunos me olhavam curiosos, outros nem se importavam com a minha presença. Eu era só mais uma peça naquele jogo.
Figgins ia me mostrando entusiasmado as salas e as respectivas atividades que ocorriam ali quando eu a vi pela primeira vez. Ela cruzou o corredor determinada e nos interrompeu puxando o braço do diretor.
R: Ah ai você está! Diretor, eu vou pedir pela milésima vez, o senhor precisa ir até a sala do coral ver aquele ar condicionado, eu não tenho condições de cantar desse jeito, a minha voz vai acabar danificada e as nacionais estão chegando....
Eu parei de prestar atenção no que ela dizia, eram muitas informações ao mesmo tempo, e eu só queria entender o que me fez vidrar naquela baixinha.
F: Calma Berry! Não vê que eu estou com uma aluna nova? – Finalmente o olhar dela caiu sobre mim, ela se surpreendeu tanto quanto eu quando os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez.
F: Quinn, essa é Rachel Berry, apesar de parecer, ela tentou, mas não conseguiu se tornar a presidente de classe...
R: Muito bem observado diretor... – ela sorriu ironicamente e me estendeu a mão
Q: Quinn Fabray
F: Ótimo, já que a senhora Berry esta aqui, e cheia de disposição, ela vai terminar de te mostrar a escola...
R: Mas diretor Figgins....
F: Sem “mas” Rachel, só assim vou poder ver o que você me pediu...
R: Tudo bem... – Ela disse vencida – mas estarei de volta para o meu ensaio as 3 horas! – ela me puxou pela braço e saímos pelo corredor
Eu estava admirada, eu sempre pude ver coisas que outras pessoas não viam, e bem, ela tinha uma luz, e eu nunca tinha visto alguém brilhar daquela forma. Ela era tão confiante, eu achei que foi um bom começo ser apresentada a ela.
R: Você veio de onde? – Ela me perguntou sincera enquanto atravessávamos o pátio repleto de alunos
Q: Nova York...
R: Não Brinca! – ela deu u pulo e parou na minha frente – Como aconteceu? Como você saiu de Nova York pra vir parar aqui nesse fim de mundo?
Q: É uma história complicada, eu moro com meus tios, eles são médicos, e foram transferidos pra ca...
R: Poxa que chato! – ela disse frustrada – o meu sonho é morar em Nova York e ser uma estrela da Broadway...
Q: Isso é... muito legal... – retomamos a caminhada em direção ao centro esportivo
R: Seus tios são gays?
Q: O que?? – Ela em pegou de surpresa
R: Gays? É que você disse que mora com eles...
Q: Não, não... eles só estão trabalhando em um projeto juntos... a muito tempo....
R: A tudo bem, desculpa, eu perguntei sem pensar, é que meus pais são gays... as pessoas não são muito liberais por aqui...
Q: Tudo bem...
De alguma forma eu notei que ela também gostou da naturalidade com que fluía a nossa conversa. Eu me esforçava ao maximo pra não entrar em assuntos em que eu tivesse que mentir, eu não queria mentir pra ela, ela com certeza era especial. Ela me mostrou toda a escola, e o tempo que passamos juntas passou rápido, mais do que eu gostaria que fosse.
R: Eu tenho que ir pro meu ensaio... eu sou do clube do coral, você quer vir?
Q: Eu não sei...
R: Vem vai ser divertido....
Q: Eu acho que posso assistir um pouco da aula...
R: Isso! – Ela deu mais alguns pulinhos de alegria e seguimos para a sala do coral, não tinha como dizer não, o que eu estava fazendo?
–
Mr: Lindo Rachel! – O professor aplaudia, acompanhado de todos os alunos, o solo perfeito que a baixinha tinha acabado de performar para nós. Eles eram muito bons, acabei ficando até o final, fascinada com aquele grupo tão imperfeito de adolescentes, haviam lideres de torcida, jogadores, gays, góticos...
R: O que achou Quinn? – ela disse se aproximando da cadeira em que eu estava sentada
Q: Muito... bom... lindo Rachel! – Eu de certa forma me sentia coagida por toda aquela energia e intensidade que transbordavam daqueles olhos castanhos.
P: Humm... quem é sua amiga, Berry? – Um garoto alto e atlético se aproximou também
R: Essa é a Quinn... e Quinn esse é o Puck, do jeito que ele ficou te olhando durante o ensaio eu diria que ele esta interessado em você... – corei imediatamente, enquanto me levantava
P: Ei! Berry!
R: E ele não é um bom partido.... – ela se aproximou e disse próxima do meu ouvido – acredite, eu já tentei... – nós rimos
P: Não acredite nela, isso é ciúmes!
R: De jeito nenhum!
Mr: Ei garotos... Quinn... – o Mr. Shue, professor do clube do coral, entrou na nossa roda – o que achou da aula? Quer dizer... estamos precisando de mais pessoas pro grupo... gostaria de ficar?
Q: Eu não sei... vocês são ótimos, mas não sei se estou a altura.... a Rachel é.... incrível
R: Obrigada – ela disse com um sorriso convencido no rosto
Mr: Não se intimide pela Rachel... certamente temos um lugar pra você aqui...
Q: Eu não canto muito... mas eu toco violão...
Mr: Perfeito!
R: Isso é um sim? — a Rachel me perguntou sorrindo
Eu olhei ao meu redor, todos estavam ansiosos pela minha resposta, o Aiden estava tranqüilo, talvez aquele grupo de desajustados realmente tivesse um lugar pra nós.
Q: Tudo bem... eu vou tentar...
Todos pareciam animados, cada um deles tinham o seu motivo para estar feliz, a possibilidade de alguém substituir a Rachel, um novo rostinho bonito no grupo, atingir um numero de alunos ideal para as competições... todas essas desculpas eram totalmente aplicáveis a felicidade de me ter no grupo e eu poderia usar esses motivos para convencer a mim mesma, ou para enganar qualquer um.... mas foi por ela, eu preciso dizer que eu sabia que tinha que estar perto dela.
F: Quinn? – Um cara auto me estendeu a mão com um sorriso amigável no rosto – Eu sou o Finn, seja bem vinda!
Q: Obrigada! Você é.. jogador? – Não pude deixar de notar a jaqueta do time que ele trajava, me surpreendi desde o inicio de ver uma figura como ele naquele grupo
F: Sim! Sou o Quarterback!
Q: Isso é muito legal... – A Rachel surgiu do lado dele e logo segurou o seu braço
R: Que bom que vocês já se conheceram... Viu só que boa integrante eu fui arrumar pro nosso time? – ela sorriu confiante enquanto levantava o rosto buscando o olhar de Finn
F: Sim, um grande achado... – eu sorri sem graça
S: Cuidado, não fica muito junto com eles que pode ser contagioso.... – uma das Cheerios interrompeu a nossa conversa
R: essa é a Santana... – Rachel revirou os olhos
Q: Contagioso....?
S: Sim, esse é o casal mais meloso e problemático de toda Ohio... – me virei então rapidamente buscando o olhar da Rachel, eu estava confusa.
Q: ah... então ele é seu...
R: namorado... sim
Oh, ela tinha um amorado, ótimo. Mas aquilo soava tão errado pra mim, sim tínhamos acabado de nos conhecer, mas eu sabia, desde o primeiro momento eu sabia, ela era minha, e de mais ninguém.
–
Desde de então todos os dias fora da base eram cheios de novas experiências pra mim, e apesar de cada vez estar mais acostumada com a vida do lado de fora tudo aquilo só me fez pensar mais em como tudo havia começado. Me lembrei de quando tinha 6 anos e pisei na base pela primeira vez.
Eu estava com a minha mãe, Sara, na sala de espera. Estava impaciente, o Aiden estava louco para mover algumas coisas e explorar o novo ambiente, mas Sara não gostava dessas manifestações, dizia que alguém podia ver e fazer algo contra mim, mas eu sabia que no fundo ela tinha medo, então eu o continha ao máximo.
Finalmente chamaram pelo meu nome, eu entrei sozinha na sala indicada pela recepcionista após a Sara prometer que me esperaria ali.
N: Olá... Eu sou o Nathan – ele me indicou a cadeira, onde eu sentei ainda tímida sem dizer uma palavra
N: você esta bem? – eu assenti – ótimo... Quinn, o meu trabalho aqui é estudar “acontecimentos estranhos” e tentar explica los.... como as coisas que acontecem com você... certo? — eu permaneci calada – a sua mãe me contou que você tem um amigo invisível... esse amigo vive com você a muito tempo? – eu assenti – desde que você nasceu? – eu afirmei com a cabeça novamente
N: ele é um fantasma? Você o reconhece? – eu neguei — ok.... você pode desenha lo? – eu afirmei com a cabeça e ele me deu uma folha

Nathan pegou a minha folha e analisou por um momento
N: Humm.... então ele esta conectado a você por uma espécie de corda? – eu apenas afirmei com a cabeça novamente
N: ele esta aqui agora? – eu assenti – você pode pedir pra que ele faça alguma coisa?
Q: sim... – a minha voz saiu fraca, eu era muito insegura
Então Aiden arremessou alguns livros que estavam na prateleira no chão, o Nathan se mostrou surpreso pela primeira vez, mas não como as outras pessoas costumavam ficar, ele não tinha medo no olhar, ele estava entusiasmado
N: você pode controla lo ?
Q: eu não posso mandar nele, ninguém pode, ele é como um leão preso em uma gaiola, nós estamos presos juntos, ele não pode ir embora... isso deixa ele muito bravo, e não é minha culpa, eu quero que ele vá embora também, ele pode ser muito assustador as vezes...
Então Nathan pegou as minhas mãos que ainda estavam apoiadas sobre a mesa e estendeu o meu braço, haviam algumas marcas vermelhas espalhadas
N: foi ele quem fez isso com você?
Q: não... foram os monstros.
Estávamos dando inicio a uma longa jornada naquele dia.
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