Entre duas almas
20 Lima
[21 anos] Eu não tive muita escolha, se não contar pra Santana e Kurt sobre o Aiden no dia seguinte a toda aquela bagunça. A Cia estava atrás de mim e era perigoso para qualquer que estivesse ao meu redor.
Enquanto a Rachel se arrumava pra ir pro teatro, eu chamei os dois na sala e sentei diante deles.
Contei toda a história, tudo que aconteceu na Cia e ambos não disseram uma palavra até que eu terminasse, o que pra mim era totalmente inédito.
Q: .....eu sei que tudo isso parece loucura, mas eu realmente não queria vocês envolvidos nisso... Então eu aconselho que adiantem as suas mudanças... – Santana revezava o olhar entre eu e Kurt
S: Não... Muito bem bolado.... Adorei – ela finalmente falou, e começou a rir
K: Santana, o pessoal da Cia esteve aqui ontem, eu vi com os meus próprios olhos...
S: Mas isso é impossível Fabray, uma entidade? Ligada a você? – respirei fundo
Q: O nome dele é Aiden... e se você quiser uma prova... – Aiden arrastou uma das cadeiras da sala pra perto da Santana, que assistiu a cena visivelmente apavorada. Quando a cadeira finalmente parou diante dela, Santana começou se benzer falando varias palavras em espanhol, Kurt permanecia estático, mas eu não pude deixar de rir da cena
Q: Calma... ta tudo bem... ele não fará mal a vocês, eu garanto...
S: Minha abuela talvez possa te ajudar... – ela me olhou ainda espantada
Q: Não há o que ser feito... Eu só achei que você mereciam uma explicação... E pronto, esta feito... – me levantei
K: E o que você vai fazer agora, Quinn?
Q: Eu não sei... O certo seria deixar a cidade, sumir do mapa novamente, mas se a Rachel não pode ir comigo... Vou ter que dar um jeito
–
Algumas semanas se passaram desde a pequena visita da Cia no apartamento de Rachel em Nova York, desde então vivíamos em medo constante, eles poderiam aparecer a qualquer momento, por isso, combinamos que nos manteríamos discretas, pelo menos por enquanto.
Tentávamos viver uma vida normal, Rachel acabou conseguido um bico pra mim no teatro onde ela trabalhava, como assistente de som, então podíamos passar mais tempo juntas. Ela não via os seus país desde que eu voltei, Rachel não falava muito sobre isso, mas eles já sabiam que estávamos juntas, e aparentemente não gostavam nada.
–
Eu estava afinando alguns instrumentos enquanto esperava Rachel se arrumar, após sua ultima apresentação em uma sexta feira.
Duas das dançarinas que faziam parte do show se aproximaram e começaram a puxar papo falando sobre musica.
B: Toca alguma coisa do The Killers pra gente... – eu terminava de afinar uma das guitarras do show
Q: Eu não sei se me lembro de muitas cifras, mas posso tentar... – antes que eu concluísse os primeiros versos, Rachel entrou no palco carregando sua sacola, e interrompeu
R: Quinn, meu amor... vamos embora? – ela se aproximou e me deu um selinho, logo após sorrir para as dançarinas que me acompanhavam
Q: Você não quer sair primeiro? Os seus fãs...
R: Não! Hoje não... – ela retirou a guitarra dos meus braços – vamos embora já está tarde!
B: Tudo bem Quinn, nós também já estamos indo... – disse uma das garotas
R: ótimo! – Rachel sorriu e esperou que elas se despedissem.
–
R: Vagabundas... – Rachel disse assim que elas saíram de sua vista
Q: Ei, são suas colegas de trabalho...
R: Cheias de gracinha pra minha namorada... – virou os olhos
Q: Não, não mesmo... – eu ri enquanto colocava meu casaco
R: Não vou discutir com você, só me poupe de seus showzinhos particulares pra qualquer garota que vier te cantar... – ela cruzou os braços, já irritada, enquanto me esperava
Q: Você não muda, não é mesmo? – eu ri, e me aproximei para beija la, ela segurou a gola do meu casaco e me puxou pra mais perto antes de cortar o beijo
R: Vamos... eu estou cansada...
–
Todas as noites saíamos separadas do teatro, alguns fãs mais stalkers do show já perceberam que alguma coisa estava rolando e até algumas fotos nossas em locais públicos já rolavam pela internet em blogs da Broadway. Eu não teria nenhum problema com isso, mas me expor daquela forma era muito perigoso nas circunstancias em que vivíamos. Mas naquela noite eu saí ao lado de Rachel, e quando ela parou para atender alguns fãs, e eu continuei caminhando para buscar o carro, dois fotógrafos me seguiram, eu tentava cobrir meu rosto com meu cachecol mas eles eram insistentes
“como é namorar a maior artista revelação do ano?”
“é verdade que vocês já estão morando juntas?”
“por que não assumir o relacionamento?”
Entrei no carro com pressa, e só quando Rachel conseguiu fazer o mesmo e saímos dali, consegui respirar aliviada.
Q: Rachel, eles já sabem muito sobre nós, precisamos parar de dar tanta bandeira...
R: Com certeza tem muita gente do teatro que conta esse tipo de coisa pra essa gente... – ela se encostou no vidro
Q: Eu não sei, talvez fosse melhor eu sair desse emprego... Ficar só na lanchonete e sumir um pouco de vista
R: Não! – ela me olhou indignada – eu já mal te vejo durante a semana, esse emprego foi a oportunidade perfeita de te ter um pouco por perto...
Q: Mas isso está ficando perigoso, você quer que a Cia venha me procurar aqui? – parei pra olhar pra ela durante o farol — Você está cada dia mais famosa Rachel, seu show é incrível... isso é perigoso pra gente...
R: isso é uma droga.... – ela voltou a se encostar no vidro, dessa vez com uma cara emburrada
Q: O que?
R: Não poder te mostrar pro mundo inteiro, mostrar que você é minha... você nem quer tirar fotos comigo por que “é muito perigoso” – ela me imitava ironicamente
Q: Você não entende do que eles são capazes se pegarem uma foto minha no seu celular, né?
R: Você se preocupa de mais... o Aiden jamais deixaria que nada de ruim acontecesse com a gente...
Q: Mas eu tenho medo... e até que tudo se resolva vai ter que ser assim... – me mantive firme, ela ficou calada
–
Rachel se manteve emburrada o resto do caminho. Nós chegamos em casa e preparamos um jantar juntas. Kurt havia se mudado dali faziam dois dias, e Santana estava com Brittany, aquele apartamento nunca foi tão nosso antes.
Sabendo que o mal humor de Rachel era por minha culpa, eu deixei que ela escolhesse um filme após o janta e me esforcei para me manter entretida por ele. Ela ficou abraçada em mim o tempo todo e cantarolava baixinho, acompanhando as musicas do filme.
R: Quinn, me desculpa... eu tenho sido egoísta... – ela disse do nada, enquanto apoiava seu queixo sobre o meu peito para me olhar, já perto do final do filme
Q: Eu entendo que você queira ter um relacionamento normal, eu também sempre quis isso... Mas eu nunca vou ser normal Rachel...
R: Eu sei... – ela respirou fundo – eu ouvi a conversa que você teve com a Santana...
Q: Sobre o Aiden?
R: Sobre que o melhor pra nós seria morar no interior por um tempo, fugir disso tudo pra poder viver em paz....
Q: Seria o melhor, mas em nenhum momento eu pensei em fazer isso... Você tem a sua carreira, sua faculdade, seu lugar é aqui, e eu prometi que não te deixaria... Você sabe...
R: Quinn se você realmente acha que é perigoso... – ela começou a se levantar, mas eu a impedi
Q: Não! Nem fala isso, nós vamos ficar aqui... juntas! – ela aproximou seu rosto e me beijou
R: Bom.. – ela se ajeitou para se sentar no meu colo, virada de frente pra mim – então, eu estava pensando que podíamos voltar pra Lima... Daqui duas semanas eu vou ter uma semana de folga... Eu queria ver meus pais e.... Acho que vai ser bom...
Q: É, seria uma boa... Se seus pais não quisessem me ver nem pintada de ouro...
R: Quinn! – ela segurou meu rosto – eles estão chateados, da mesma forma que eu fiquei... Isso passa, você sabe... Eu pretendo ficar com você, então esta mais que na hora de acertar as coisas...
Q: Bom se você acha isso, e eles concordarem... Podemos ir... – ela sorriu
R: Você acha que aguentamos mais duas semanas aqui? – ela mantinha um sorriso fraco no rosto
Q: Claro que sim... só precisamos tomar mais cuidado...
R: Eu te amo! – Rachel me beijou novamente, ainda sem soltar o meu rosto, eu cortei o beijo para procurar o controle da TV e desliga la
Q: Agora vem aqui, cansei de ver esse filme chato... – joguei ela na cama, invertendo nossas posições, agora era eu quem estava sobre o seu corpo
R: Ei, não fala assim! – ela tentava se manter séria, eu parei e fiquei admirando o seu rosto a meia luz, seu sorriso, sua boca, era impossível como alguém fosse tão perfeita, por algum motivo eu só queria registrar como era estar com ela, como era olhar pra ela daquela forma.
R: O que foi? – ela disse sorrindo
Q: Nada...
R: Então me beija logo! – ela disse possessiva como sempre, eu ri e imediatamente atendi ao seu pedido. Não demorou muito para estarmos sem roupa alguma. Aquelas noites...
–
Durante o tempo em que planejávamos o nosso retorno a Lima eu tomei uma decisão. Se eu arrumaria a minha vida, então eu tinha que começar desde o inicio.
Voltar pra aquela cidade não era simples pra mim, mas eu nunca tive medo de enfrentar o passado, e afinal, Rachel estava ao meu lado. Ela segurava forte a minha mão enquanto esperávamos seus país na estação. Ela parecia muito nervosa por esse re encontro.
Foi Hiram quem veio nos buscar, ele me cumprimentou, mas o resto do caminho até sua casa só dirigiu a palavra a Rachel, ambos se esforçavam pra agir normalmente.
Quando chegamos na casa dos Berry, já era próximo da hora do jantar, então havia uma mesa posta nos esperando.
R: Está tudo bem? – Rachel se certificou assim que sentamos a mesa
Q: Claro meu amor... – ela sorriu pra mim, mas nossas atenções automaticamente se voltaram para a porta da sala, por onde entrou Leroy. Rachel imediatamente se levantou e foi abraçar o pai que a recebeu com o mesmo entusiasmo. Eu me levantei e esperei que eles se separassem para que pudesse estender a mão para cumprimenta lo, ele então me olhou de cima abaixo
L: Olá Quinn... Vejo que infelizmente você está bem... – ele sorriu irônico
R: PAPAI! – Rachel se surpreendeu
H: Leroy! Sente-se agora, não vai estragar a chegada da sua filha... – eu me sentei a mesa completamente sem jeito, Rachel estava furiosa, mas se segurou para não dizer nada.
Começamos a comer, embora eu já não tivesse fome alguma. Eles conversavam sobre assunto cotidianos, mas eu achei melhor me manter em silencio
H: Mas então filha... Como esta indo o show?
R: Ótimo! Tenho recebido ótimas criticas, e a stagedoor tem ficado repleta de fãs todas as noites... – Ela me olhou esperando algum tipo de comentário, mas eu apenas assenti
H: Quinn, você esta muito quieta, nos conte um pouco da sua vida em Nova York....
Q: Bem.. — respirei fundo — Estou com dois empregos, não são coisas grandes, mas assim já consigo entrar em algum curso de música no ano que vem...
R: Ela sempre quis seguir essa carreira...
L: Cansou de matar pessoas Quinn... ? – Eu estremeci ao ouvir aquela pergunta. Leroy mantinha seu olhar fixado em mim – creio que sua carreira na Cia tenha sido intensa... – Rachel puxou o ar pra responder mas eu interrompi
Q: Eu nunca quis entrar pra companhia senhor Berry... Então, assim que tive a oportunidade eu sai...
L: E veio procurar a minha filha, que talvez esteja se tornando uma atriz bem sucedida...
R: Você é tão inconveniente! – Rachel respirava fundo
Q: Eu voltei por que eu a amo, por que nunca a devia ter deixado Lima.... mas na época eu não tive essa opção...
H: Eu acho que essa é uma conversa pra uma outra hora... – Hiram tentava amenizar o clima
R: Ou talvez nunca! Eu já me entendi com a Quinn e estou muito feliz com ela, vocês deveriam gostar disso... – Rachel se levantou e puxou minha mão
R: Vem meu amor, vamos dar uma volta...
H: Rachel você nem terminou de comer! – me levantei
Q: Não Rach... Vocês precisam conversar... precisam de um tempo... Se seus pais permitirem eu vou me deitar um pouco, estou muito cansada da viagem...
R: Eu vou com você!
Q: Não... Por favor, fique um pouco com eles... vocês não se vêem a muito tempo...- dei um beijo no topo da sua cabeça
H: Pode subir Quinn, o quarto da Rachel já está arrumado pra vocês...
–
Eu subi sozinha e me deitei um pouco, a minha cabeça estava cheia. Os Berry estavam com raiva de mim, eu podia sentir isso claramente, mas eu não podia fazer nada, não pelo menos por enquanto. Falar não adiantaria, eles só queriam proteger a filha, e no momento era uma preocupação da qual compartilhávamos.
Acordei com a Rachel sentada ao meu lado na cama acariciando os meus cabelos.
R: Ta tudo bem?
Q: Sim... – me levantei um pouco, até estar sentada
R: Me desculpa pela reação deles... eu pedi tanto pra que fossem compreensivos... a uma semana atrás eles pareciam estar tão dispostos a te aceitar novamente...
Q: Ta tudo bem Rachel... Eu já esperava por isso... — passei a mão pelo seu rosto cansado
R: Parece que não param de aparecer barreiras pra gente... — ela desabafou enquanto se aconchegava ao meu lado
Q: Ah não reclame... Estamos indo bem... — ela me olhou nos olhos — É sério... — eu sorri
Q: Eu podia não ter saido da Cia, podia ter me entregado... Você podia não ter atendido o Nathan, não ter me procurado no hospital... Eu podia não ter acordado...
R: Como assim?
Q: Eu não queria voltar... Foi Aiden que me obrigou... Eu não queria mais ficar sozinha no mundo, e eu não fiquei... olha só pra gente... aqui... — entrelacei a sua mão na minha e analisei com cuidado
R: Obrigada por ter voltado... — ela depositou um beijo no meu pescoço — Eu nunca consegui imaginar um futuro sem você... acho que isso era o que mais me perturbava.... Eu estava com raiva, mas eu sentia tanto a sua falta... — eu sorri
Q: O que importa é que estamos aqui agora, e eu não vou abrir mão de uma vida com você... — ela sorriu e me puxou pelo queixo para um beijo rápido
R: Acho bom a gente dormir, amanha provavelmente será outro dia cheio.. — ela virou os olhos e respirou fundo antes de se levantar
Q: Rachel espera... — ela se virou pra me olhar — sobre amanha... bem.. durante essa ultima semana eu entrei em contato com o Cole, eu queria ver ele... Ele vai me ajudar com uma coisa...
R: Você não vai ver o Nathan?
Q: Não agora... Ele quer que eu volte pra base e tenho quase certeza que ele tem haver com o fato da Cia ter te procurado, não acho seguro vê lo agora..
R: Bom tudo bem... Podemos ir ver o Cole amanha... Mas o que vocês vão fazer?
Q: Eu quero encontrar minha mãe, Rachel... — ela se surpreendeu — Quando eu estava "morta" Aiden me mostrou algumas lembranças dela, eu fui tirada dela a força, ela não me abandonou como eu sempre pensei que fosse...
R: Oh, meu amor... — ela voltou ao sentar ao meu lado
Q: Descobri que coisas estranhas também aconteciam com ela... Eu preciso saber de onde eu vim, eu preciso entender...
R: Você podia ter me contado isso antes... — ela parecia um pouco desapontada
Q: Eu não tinha certeza se queria me lembrar dela, se queria mexer em tudo isso, mas agora eu tenho...
R: Bom, então essa será a nossa prioridade!
Q: Obrigada... — eu sorri, ela se aproximou e me deu um selinho antes de se afastar para ir se arrumar novamente.
Eu estava ansiosa para encontrar o Cole no dia seguinte, mas jamais saberia se estava preparada para o que viria com esse encontro.
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