Entre duas almas
18 Ciúme
[21 anos]
Quando acordei, a cama vazia me entristeceu um pouco antes de levantar. Eu estava procurando a melhor forma de falar com Rachel sobre tudo e definir a minha vida, mas não sabia ao certo como fazer isso.
Quando entrei na cozinha, Santana comia seu cereal enquanto lia um jornal local.
S: Bom dia Fabray... – ela deu um sorrisinho malicioso sem tirar os olhos do artigo que lia.
Q: Não começa hein... – me sentei na sua frente e me servi do bule de café que estava sobre a mesa – cadê todo mundo?
S: As pessoas tem compromissos em Nova York... – ela virou a pagina do jornal, indiferente a minha presença
Q: Todos menos você pelo visto... – eu ri
S: Não que seja da sua conta, mas eu faltei a minha aula de antropologia por que a Berry me obrigou a te ajudar...
Q: Rachel? Me ajudar a que?
S: Bom... – ela finalmente abaixou o jornal e me olhou nos olhos – você chegou aqui sem nada, e eu sei que minhas roupas são ótimas mas elas ainda são minhas... – eu ri novamente
Q: Obrigada... mas você não precisa faltar na aula pra isso...
S: Com o cartão da Rachel? – ela riu – eu faltaria até no meu casamento....
Q: Nossa! — me surpreendi — Eu não posso aceitar isso... só por me deixar ficar aqui vocês já estão me ajudando de mais...
S: Ai que entram os meus serviços... – ela se levantou – ela sabia que você não aceitaria, e eu sou a única capacitada a obrigar qualquer um a fazer qualquer coisa nesse apartamento...
Q: A é?
S: Sim! Anda.. nós saímos em 5 minutos...
Q: Santana eu não posso...
S: Pode sim! Você quer fazer aquele pequeno anão de jardim feliz, não quer?
Q: Não é isso... – eu sorri sem graça, também me levantando
S: Quer sim! Vamos... Compramos o básico e todo mundo fica feliz...
–
Santana me fez entrar em várias lojas, e mesmo contra aminha vontade, me comprou algumas roupas parar sobreviver aquele frio Nova Yorkino. Ela se fazia de durona, mas eu sabia que pelo menos metade ds compras foram pagas por ela, e eu seria eternamente grata por isso.
Quando voltávamos para o apartamento, algumas horas mais tarde, era Santana quem dirigia o carro, que na verdade era dela e Brittany.
Q: Isso definitivamente não é seu... – me referia ao chaveiro com um ursinho rosa nas chaves do carro
S: Eu não quero nem pensar no que a minha casa vai virar... – nós rimos
Q: Mas eu fico muito feliz que vocês tenham se entendido, parecem muito bem...
S: Sim... Ela é tudo pra mim, sempre foi...
Q: Own isso foi tão bonitinho... – debochei
S: Eu vou quebrar essa sua cara! – ela tentava se manter séria – mas anda, conta logo, como foi com a Berry...
Q: Não foi nada... – paramos em um farol então ela me encarou um pouco surpresa – não conversamos muito sobre qualquer coisa...
S: Mas você dormiu com ela...
Q: Sim... Dormi com ela, nada além de dormir na mesma cama que ela...
S: Não acredito... – ela arrancou com o carro, estava com pressa para não perder suas aulas da tarde – Como você foi perder uma chance como essa? Ela é louca por você...
Q: Faz muito tempo Santie... Você pode parar de correr feito uma louca por favor? – ela ignorou o meu pedido
S: Fabray, concentre-se no assunto... – respirei fundo
Q: Mas e esse Brody... você conhece?
S: Completo babaca... ele convenceu ela que o mais saudável era manter um relacionamento aberto, ela tava fragilizada por sua culpa e acabou caindo nessa furada.... mas na verdade eu acho que isso realmente funciona pra ela, ela só fica com ele quando esta carente, não tem sentimento envolvido...
Q: Nossa... Isso é ridículo... – estava fervendo de ciúmes por dentro, só de pensar em outra pessoa tocando, beijando Rachel, e ainda mais alguém que não amava...
S: Brigamos muito por causa desse cara... Mas você voltou... Isso que importa agora...
Q: Não é tão simples... Ela tem muito rancor de tudo que aconteceu...
S: Quinn ela quase entra no ciu quando fala o seu nome... Ela só ta precisando de um pouco de sexo pra voltar correndo pros seus braços... – ela entrou em uma curva a toda velocidade
Q: SANTANA!
S: DROGA! – ela pisou com tudo no freio, mas a fina camada de gelo na pista não favoreceu a manobra. Ouvimos um impacto.
–
S: Eu tentei desviar, você viu... – Santana enxugava algumas lagrimas sentada no sofá da sala, já no apartamento, enquanto eu fazia um pequeno curativo em um gatinho na mesa da cozinha
Q: Você não teve culpa... Bom na verdade teve... Mas pelo menos salvamos esse...
S: Brittany vai me matar quando souber disso, não podemos contar pra ela... Será que conseguimos nos livrar dele antes do pessoal chegar?
Q: Não vamos nos livrar dele... – eu peguei o gatinho no colo e me aproximei de Santana na sala – Ele é muito pequeno, eu vou dar um jeito de cuidar dele...
S: Ótimo, assim vou lembrar todos os dias da pobre mãe gata agonizando na neve... – ela se levantou irritada, eu segurei o seu braço
Q: Ei, essas coisas acontecem... Foi triste não poder fazer nada, mas que pelo menos sirva de lição pra você parar de dirigir feito uma louca...
S: Ta bom, ta bom! – ela se soltou
Q: Pode ir pra sua aula... Eu cuido do nosso amiguinho aqui... – aproximei aquele pequeno gatinho do meu rosto e lhe dei um beijo no topo da cabeça
S: Ai pronto...
Q: O que foi? Acabou o sentimentalismo? Tava tão bom...
S: Cala a boca Fabray! — eu ri
–
Eu passei a tarde toda fascinada naquela pequena vida, aquele gatinho era a menor coisa que eu já tinha visto, ele tinha pelo claro, e mesmo com um pequeno ferimento na patinha, era muito ativo e ficava tentando pegar os meus dedos. Eu não podia deixa lo sozinho no mundo, eu sabia muito bem como era aquele sentimento.... Tudo bem, era apenas um gatinho, mas eu me sensibilizei por ele, e em poucas horas ele ganhou até um nome.
Eu havia pegado no sono no sofá da sala, o gatinho também dormia encolhido entre os meus braços. Mas ambos fomos acordados por um grito estridente de Rachel assim que cruzou a porta.
R: AI MEU DEUS O QUE É ISSO?
Q: Bom... – me levantei ainda um pouco sonolenta – basicamente Santana atropelou um gato hoje, não esse, mas foi a sua mãe.... como ela morreu achamos melhor trazer ele pra ca.... espero que não se incomode... – Rachel se aproximou com pressa e retirou o gatinho do meu colo
R: Mas é a coisinha mais fofa que eu já vi! Claro que ele pode ficar...
Q: Ela ta com um machucadinho na patinha traseira, mas eu já tratei disso...
R: Ótimo, amanha cedo vamos ao veterinário, ele vai ganhar um banho, brinquedinhos... e um lacinho lindo, claro... – eu sorri, amava como Rachel era ansiosa com praticamente tudo
Q: seria bom... – me levantei e fiquei de frente pra Rachel – eu o batizei de Freddie...
R: Parece bom... – ela levantou o gatinho na altura de seus olhos e o encarou com um biquinho fofo – Humm, você tem mesmo carinha de Freddie... – Eu sorri
Q: Rachel... Acho que precisávamos conversar sobre algumas coisas....
R: Sim... – ela aconchegou Freddie em seus braços, ele já estava prestes a pegar no sono novamente
Q: Obrigada... Por tudo... Você tem me ajudado muito...
R: Eu sei que você faria o mesmo por mim... – ela sorriu sincera e me olhou nos olhos, eu concordei
Q: Eu preciso te pedir só mais algumas noites aqui... sei que estão de mudança, mas eu caiu fora antes disso, prometo... só preciso de tempo pra decidir o que vou fazer...
R: Quinn... Você pode ficar o quanto for preciso... – ela se sentou no sofá – Você vai sair de Nova York? – ela disse rápido
Q: Ainda não sei... – desviei o olhar e coloquei as mãos no bolso
R: Ah... – ela acomodou Freddie entre as almofadas – bom vou preparar algo pra jantar... Vem comigo... – fomos até a cozinha, eu me encosteu na bancada enquanto ela buscava varias coisas nos armários
Q: Você não vai pra Broadway hoje?
R: Não... tenho duas folgas por semana... – voltamos a ficar em silencio, eu cruzei os braços, era difícil falar qualquer coisa, ela continuou cozinhando, como se assim como eu estivesse lutando pra não transparecer um certo nervosismo.
Q: Você me ama ainda? – saiu meio que de repente, Rachel parou e imediatamente e se virou pra me olhar
R: Han?
Q: Você me abraçou a noite... – ela corou iinstantaneamente
R: não... – ela se voltou para suas panelas – foi você quem me abraçou...
Q: Ah ta... – eu ri – mas você ainda não respondeu a minha pergunta...
R: Eu preferia não falar sobre isso agora...
Q: Tudo bem... Foi idiotice minha perguntar mesmo... – respirei fundo – eu realmente espero que você seja feliz com esse Brody, você merece isso...
Me afastei para sair da cozinha e entrar no corredor que levava até os quartos
R: Quinn, espera... – eu me virei e ela me olhava com certo nervosismo
Q: Fala...
Ela não disse nada, veio correndo em minha direção e avançou direto sobre os meus lábios, eu fiquei surpresa pela sua reação, mas correspondi ao beijo imediatamente. Ela parecia desesperada, mantinha um ritmo rápido como se quisesse aproveitar ao máximo aquele momento, eu sabia exatamente o que ela estava sentindo, foram anos esperando por uma oportunidade como aquela.
Eu tentava imaginar seus beijos tantas e tantas vezes quando estava na Cia, mas agora era real... Eu a coloquei sentada sobre a mesa da cozinha e ela automaticamente me prendeu com as suas pernas. Ela começou a beijar meu pescoço com a mesma voracidade que antes, fechei os olhos buscando sentir com mais intensidade como era ter sua boca em minha pele novamente. Segurei o seu rosto e juntei nossas testas, ela me olhava intensamente
Q: Eu senti tanto a sua falta... – sussurrei, uma lagrima escorreu no rosto de Rachel, mas eu rapidamente enxuguei com meus dedos. Me aproximei de seus lábios com calma e dei alguns selinhos em sua boca antes de retomar um beijo mais intenso novamente. Por pouco tempo, pois ouvimos a porta de entrada bater.
K: Meninas! – me afastei rápido de Rachel que saiu da mesa ajeitando a própria roupa. Eu sempre amei muito Kurt, mas naquele momento eu o odiava, tudo que eu queria eram mais 5 minutinhos de Rachel...
K: Ah vocês estão ai... Tudo bem?
Q: Claro... – sorri pra Rachel, que me deu uma piscadinha enquanto voltava a dar atenção para suas panelas.
Quase que na mesma hora o celular de Rachel vibrou em seu bolso, ela pegou a mensagem e então olhou um pouco assutada pro Kurt
K: O que foi?
R: Brody está subindo...
–
Eu não consigo descrever o que foi ver Rachel beijar aquele cara assim que abriu a porta, mas doeu. A essa altura eu estava com Freddie no colo, e tentava me concentrar nele pra agir normalmente. Rachel se aproximou com aquele rapaz de rosto familiar.
R: Bem... Quinn... Esse é o Brody... — ela estava visivelmente nervosa, mas ele não perceberia, ele não a conhecia suficientemente bem pra isso. Brody me estendeu a mão e se apresentou com um sorriso fraco.
B: Ah, então essa é a famosa Quinn... — ele encarou Rachel — não sabia que sua ex estava aqui...
R: É ela chegou ontem, foi uma longa história... — ela o puxava pelo braço — vem vamos pra cozinha... Quinn? — o abajur ao meu lado começou a piscar, eu não podia controlar aquele ciumes, tinha que dar uma boa desculpa pra sumir dali antes que Aiden explodisse a cabeça daquele cara.
Q: Não sei se vou jantar... Na verdade estou com um pouco de dor de cabeça... — Rachel imediatamente soltou Brody
R: Vai indo pra cozinha, Kurt está lá... — ele assentiu e saiu da sala, então ela se aproximou de mim
R: Desculpa, isso é péssimo eu sei... Mas por favor...
Q: Rachel eu não posso me sentar com esse cara e agir normalmente... — fiquei diante dela
R: Eu não queria que ele estivesse aqui hoje... Eu preciso por a minha cabeça no lugar, o que aconteceu mais cedo...
Q: Ta tudo bem...- interrompi — Você pode levar o tempo que for pra pensar sobre a sua vida, eu aceito isso... Mas não me peça pra conviver com ele por que isso dói de mais...
B: Rachel? — Brody chama da cozinha
R: Tudo bem... — ela estava com um semblante pesado, aquela situação a corroía por dentro.
Ela foi pra cozinha e eu caminhei até seu quarto com Freddie, onde ficaria até Brody ir embora. Mas a poucos passos da porta eu parei, e Aiden me fez lembrar de uma das minhas próprias memórias, essa era bem recente, do momento em que entrei no teatro para procurar por Rachel... Meu sangue subiu imediatamente, eu sabia de onde conhecia Brody.
Coloquei o Freddie no quarto e sem pensar duas vezes fui até a cozinha prestes a acabar com aquele cara. Todos param pra me olhar quando eu entrei com os punhos fechados, imediatamente as luzes naquele comodo começaram a piscar, Rachel sabia que havia algo errado.
R: Quinn? — ela se levantou, eu mantinha meu olhar fixo em Brody
B: Qual é? — ele me encarou
Q: Você não está lembrado de mim, não é? Quem se lembraria, eu estava um lixo... — ele riu sem entender a minha pergunta
R: O que foi?
Q: Esse imbecil que ta ai sentado comendo com você tava te traindo com a sua assistente, eu vi quando te esperava no teatro...
B: Isso só pode ser piada... — ele riu e deu uma garfada em seu próprio prato me ignorando completamente
R: Você fez isso? — Rachel agora olhava pra Brody
Eu não esperei a resposta, me aproximei de Brody e segurei seu braço com força pra trás e fiz com que ele encostasse a cabeça no próprio prato. Rachel ficou intacta sem saber o que fazer
K: QUINN!
B: Me solta sua louca! Olha o que ela ta fazendo comigo! — ele tentava se soltar mas não consegua, eu o pressionava cada vez com mais força seu rosto contra a mesa
B: Explica pra ela a droga do relacionamento aberto Rachel! Porra! Ta machucando!
R: Quinn por favor, para! — Rachel me segurou por trás e fez força para me afastar dele, eu o soltei. Ele puxou a própria toalha da mesa para limpar seu rosto sujo de comida, e com isso fez com que os outros pratos caíssem no chão. Me soltei da Rachel e e puxei Brody pela gola pra fora da cozinha.
Q: Você não respeita a sua namorada, nem a casa dela... Você é um verme! — o soltei perto da porta e ele veio me peitar
B: Você ta ficando maluca é?
R: Ei parem vocês dois! — Rachel tentava entrar no meio mas Kurt a puxava pra trás
Q: Você vai embora daqui agora e só vai voltar SE a Rachel permitir...
B: Quem você pensa que é? — ele me deu um pequeno empurrão, mas eu voltei a peita lo — Você abandonou ela aqui... Você não tem moral nenhuma pra falar de mim... — Sem pensar o empurrei contra parede e retirei do meu bolso o meu canivete da Cia, que sempre carregava comigo, e coloquei a lamina contra seu pescoço.
Q: Você não brinque comigo... você não sabe do que eu sou capaz... Faz o que eu mandei agora! E se você aparecer na minha frente de novo, eu juro que eu te mato, ta me ouvindo? — ele assentiu varias vezes enquanto tentava me afastar
R: Quinn! Para com isso por favor! — Rachel chorava, só então eu o soltei, e ele saiu correndo do aparentemente sem nem olhar pra trás.
Eu estava ofegante, sabia que tinha saído um pouco de mim. Eu olhei pra Rachel e ela tinha medo em seus olhos, e essa era a unica forma que eu nunca quis que ela me olhasse.
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