Entre duas almas
11 Batalha
[16 anos]
Eu e Rachel estávamos indo bem, ela parecia bem mais feliz nos dias que se seguiram. Estávamos dispostas a assumir logo que estávamos juntas, era muito difícil e chato ficar fingindo o tempo todo. Então, ela me pediu que fosse busca la em sua casa naquela manha antes de ir pra escola, seus país já sabiam de tudo e queriam me conhecer.
Eu acordei cedo para me arrumar, era essencial causar uma boa impressão, eu estava bastante animada, sempre tive muito orgulho da Rachel e não via a hora de contar pra todo mundo que ela era minha garota.
Eu sequei o meu cabelo e já terminava de arrumar no banheiro do meu quarto, o único lugar da base onde não haviam câmeras. Eu estrava distraída pensando no que dizer, quando busquei o espelho para dar uns retoques finais. Por conta do banho quente que eu havia tomado o vidro estava embaçado, e como se alguem tivesse passado o dedo sobre ele, estava escrito “Você não precisa dela, você já tem a mim”.
Q: Aiden isso é ridículo! – Passei a mão no espelho para desembaçá-lo e apagar aquelas palavras.
Q: De uma chance a ela, por favor, ela é muito importante pra mim!
–
Antes de sair me encontrei com Cole e Nathan. Alguns dias antes já havia revelado sobre a minha opção sexual e meu relacionamento pra eles, foi inevitável, uma vez que eles já tinham notado que eu estava demorando para voltar pra casa praticamente todos os dias, o que atrapalhou alguns testes.
Como sempre, ambos me apoiaram, mas Nathan se manteve um pouco resistente com relação a pesquisa
N: Quinn você sabe que se envolver com alguém “normal” pode ser perigoso, não sabemos se essa garota esta preparada...
Q: Ela tem se esforçado bastante pra ser bem aceita pelo Aiden... Ela é diferente Nathan, ela sabe quem eu sou e mesmo assim quer estar comigo...
N: Só tome cuidado com isso Quinn, não se meta em confusão...
Q: Sim! Não se preocupe! – Eu o abracei forte
N: Desculpe Quinn, mas não tem como não se preocupar... Você vive com uma entidade poderosa, você sabe que morreria se ficasse em desarmonia com ele....
Q: Aiden é parte de mim, se ele pode sentir ele vai entender... – Natham sorriu e olhou nos meus lhos
N: Boa sorte!
–
Eu tinha muito medo que Aiden manifestasse o seu ciúmes em publico, seria muito difícil explicar e ser aceitar por todos, portanto eu estava disposta a fazer de tudo para impedir que isso acontecesse.
Foi Rachel quem abriu a porta naquela manhã, e ela me abraçou imediatamente ao mesmo tempo em que depositava um selinho em meus lábios.
R: Esta pronta? – ela sussurrou no meu ouvido
Q: sim...
–
Nos sentamos no sofá em sua sala de estar, Hiram foi o primeiro a aparecer, ele me estendeu a mão e se apresentou amigável.
H: Estava ansioso para conhece la senhorita Fabray, ouvimos muito sobre você por aqui nos últimos dias... – Rachel se mantinha sentada ao meu lado, de mãos dadas comigo
Q: Pode me chamar de Quinn... Eu também queria conhece los
H: Bom... seria hipocrisia da nossa parte dizer que não entendemos, ou que somos contra esse namoro, afinal, somos gays... Mas pra um pai sempre é uma surpresa ver sua filhinha aparecer em casa com uma garota ao invés de seu namorado gorila. – Eu sorri
Q: Eu entendo...
L: Não fale assim do Finn, Hiram! Só Deus sabe o que aquele rapaz deve estar passando... – Leroy se aproximou e me estendendo a mão, também com um sorriso no rosto. Ele era médico, e já vestia branco pronto para ir para o trabalho.
L: Muito prazer Quinn...
Q: O prazer é meu...
H: Ela não é linda? – Hiram abraçou o braço de seu marido – exatamente como Rachel descreveu...
R: Papai! – Rachel corou imediatamente
L: Sim, certamente... mas essa sua beleza não poderá te proteger se você fizer mal a nossa baixinha... – eles riram
R: Pai! – Rachel agora o olhava com certa indignação
Q: Eu não pretendo...
L: Ninguém pretende... – Leroy me cortou – mas a nossa garotinha esta saindo do armário por você... Nós conhecemos bem esse caminho Quinn, não é fácil
R: nós estamos juntas nessa pai... – Rachel olhou pra mim – nós duas temos que aprender a lidar com tantas coisas juntas....
Q: Não se preocupem... Eu amo a Rachel, tudo que eu quero é faze la feliz... – Ela sorriu pra mim
Bem atrás dos pais da Rachel, o quadro que estava na parede caiu, foi Aiden é claro... Mas ele não estragaria tudo, não hoje. Nós estávamos ligados de uma forma que não só ele podia interferir na minha vida como eu também podia interferir na sua. Quando eles se viraram assustados para ver o que tinha acontecido eu me concentrei em segura lo. Não era fácil, eu não estava habituada a fazer aquilo, eu e Aiden sempre tivemos uma boa relação, mas ele estava passando dos limites.
H: O que foi isso? – Hiram apanhou o quadro do chão
R: Ah.... É.... Só pode ser essa janela aberta... Eu falei pra vocês que quase morro de frio com o vento que entra... — Rachel disse enquanto olhava pros lados esperando por mais eventos
L: Não parece estar ventando hoje... – Leroy se aproximou da janela e a analisou por um momento
H: Bom, tudo bem, não importa... – Hiram colorou o quadro no lugar
Durante todo esse tempo eu travava uma verdadeira batalha interna, da mesma forma que aquilo me machucava, machucava Aiden.
Rachel sabia que tinha sido ele, ela buscou o meu olhar pra saber se estava tudo bem, eu apenas assenti.
L: Bom Quinn eu tenho que ir trabalhar... Espero poder te conhecer melhor em outros momentos...
Q: Com certeza... – apertei a sua mão novamente, mas dessa vez ele não soltou de imediato, ele analisava meus dedos com cuidado.
L: Não posso te dizer o que disse ao Finn... Mas então se você gosta desses dedinhos é bom você mante-los longe das perninhas da minha filha... – Ele me disse com um sorriso sarcástico no rosto
R: Pai, para! — Rachel corou imediatamente enquanto eu apenas ri
H: Ai meu Deus! Que vergonha! Solta ela Leroy... – Hiram separou as nossas mãos – me desculpe Quinn
Q: Ta tudo bem... – disse totalmente constrangida
L: Pera ai... o que é isso? – Todos voltaram as suas atenções pro meu rosto
R: Quinn o seu nariz ta sangrando! Papai, pega um papel!
Q: Sério? Que droga! – minha cabeça doía um pouco
L: Calma Quinn, encosta um pouco no sofá.... Você esta se sentindo bem? – Leroy se aproximou preocupado
Q: Sim... – Hiram trouxe um pedaço de papel que a Rachel tomou de sua mão, ela fazia questão de cuidar de mim naquele momento
R: Ela já estava nervosa, e você ainda fica fazendo essas brincadeiras idiotas... – Rachel lançou um olhar duro para seu próprio pai, Leroy
L: Ela parece um pouco pálida... Acho que vou pegar o meu kit médico...
Q: Não! — -respondi rápido – não precisa... é esse tempo seco, sempre acontece isso comigo... já estou bem...
R: Tem certeza?
Q: Sim! – Rachel depositou um beijo em minha testa assim que acabou de limpar
R: ótimo, está bem melhor
L: Bom acho que você está em boas mãos... beba bastante água Quinn! – Ele disse já buscando sua mala e se afastando um pouco.
R: Pode deixar pai!
Q: Obrigada!
–
Nós fomos pra escola, pela primeira vez nós cruzamos aquele corredor de mãos dadas. Recebíamos todos os tipos de olhares, muitos alunos pareciam confusos, mas muitos também nem haviam percebido que aquilo significava algo a mais.
Nos mantivemos discretas durante todas as aulas, mas estávamos determinadas a falar com nossos amigos do glee clube. Quando finalmente chegou a hora eu parei por um momento antes de entrar na sala.
R: O que foi? – Rachel buscou o meu olhar
Q: O Finn vai estar ai... esse é meio.... estranho...
R: É necessário! E se você está insegura pode deixar que eu falo...
Q: Eu to bem..
R: Ótimo, vamos.. – Ela me puxou pela mão até o meio da sala.
Os outros alunos já estavam ali e conversavam entre si sem prestar muita atenção em nós.
Mr: Sentem-se meninas.... já vou passa a nossa tarefa de hoje...
R: Mr. Schue eu preciso falar com eles primeiro...
Mr: Vá em frente Rachel... – ela segurava firme na minha mão, eu a admirava tanto por ser tão corajosa.
R: Atenção! Sei que já existem murmurinhos por ai mas nós somos um grupo então vocês precisam saber... – ela respirou fundo – sim... eu e a Quinn estamos juntas
Todos pararam com as conversas paralelas e nos olhavam boquiabertos, com exceção de Santana que continuava a lixar suas unhas e Finn que mantinha a cabeça abaixada
K: Rachel Berry você é...
M: Gay! – Kurt e Mercedes, que sentavam lado a lado agora se entreolhavam ainda boquiabertos
P: Ta legal se isso for uma piada é bom parar... – Puck debochou com um sorriso no rosto
R: É verdade, já fazem alguns dias, mas agora estamos oficializando...
S: Vão me dizer que estão surpresos? – Santana sorriu
Mr: Meninas isso é... ótimo... confuso... eu não sei.... seus pais já sabem disso?
R: Sim Mr Schue... eles nos apóiam
Mr: Ok... temos que nos acostumar com isso... mas sentem-se, temos muito pra fazer hoje – ele respirou fundo, e nós nos dirigimos para se sentar nas cadeiras com os outros alunos.
P: Que encontro em.... – Puck cutucou o braço do Finn – queríamos levar duas garotas pra cama, mas elas decidiram brincar sozinhas... – Puck ria, mas Finn se mantinha sério
Mr: Já chega Puckerman!
S: Pelo menos agora sabemos por que Rachel namorava com o Finn... ela sempre gostou de peitos... – Santana e outros alunos riram de sua piada, eu estava me sentindo muito mal por ele.
Mr: Mais uma piadinha e vocês saíram da sala! – o professor olhou sério
R: Não é da conta de ninguém, mas mesmo assim eu gostaria de dizer que eu já tinha terminado com o Finn quando eu e Quinn decidimos ficar juntas... ele foi o primeiro a saber...
P: E não me contou? Qual é? – Puck voltava a cutuca-lo, Finn se levantou
F: Mr. Schue, eu acho que preciso de um tempo do Glee Club....
Mr: Finn, espera um pouco...
F: Não... Esta tudo bem! – Finn saiu da sala
Q: Que droga... – me levantei para segui lo mas o Mr Schue segurou o meu braço
Mr: Deixa ele ir Quinn... ele esta irritado...
–
Eu sabia que sentimento era aquele que Finn sentia, eu havia já havia sido abandonada antes algumas vezes. Era extremamente doloroso e revoltante, mas o abandono tinha cura, o tempo.
[7 anos]
Quando eu fui deixada pelos meus pais adotivos na base, inicialmente eles me visitavam. Na maioria das vezes era apenas Sara, e eu ficava muito feliz com as suas visitas. Mas com o passar dos dias o espaço de tempo entre uma visita e outra sempre aumentava. Um ano se passou e eu comecei a perceber que talvez todas aquelas promessas tivessem sido em vão. Sara nunca me buscaria, não era apenas uma fase, aquele era o meu lar agora.
Na ultima vez que eu a vi ela foi me visitar com o Harry. Ele não se esforçava nem um pouco em ser simpático comigo e passava a maior parte do tempo entre a cafeteria e a sala de espera.
Aiden estava cansado dele, sabia que ele era o culpado por afastar Sara de mim, inúmeras vezes tinha ouvido Harry resmungar sobre os perigos de me ter por perto. Aiden odiava que eu sofresse, então ele sempre tomava suas providencias.
H: Temos que ir Sara... já está tarde — Harry disse após ter aberto uma fresta na porta do meu quarto
Q: Por favor, fica mais um pouco! — Eu a abracei com força
S: Querida... Eu tenho que ir...
Q: Por que você me abandonou aqui? — ela se manteve em silencio após essa pergunta, e quando eu me afastei do abraço pude ver que ela se esforçava para não chorar embora algumas lagrimas rolassem
S: Eu não te abandonei, é o melhor pra você...
H: Anda Sara! Até mais Quinn... — Harry saiu deixando a porta aberta para que ela o seguisse
Q: Tudo bem... — agarrei o meu ursinho e corri para a minha cama
S: Você não vai me dar tchau?
Q: Não! — eu disse já com a cara enfiada no travesseiro, estava com raiva e chorava
S: Bom... Até mais querida!
Aiden já não podia mais suportar, ele foi até a sala de espera constatar o que já sabia. Harry falava com o Nathan
H: Não acho que seja um boa ideia continuarmos com as visitas... a menina nunca vai desapegar da Sara dessa forma...
S: Ela não precisa se desapegar de mim! — Sara disse se juntando ao grupo
H: Claro que precisa... já conversamos sobre isso... quando trouxemos ela pra ca foi uma decisão definitiva de que ela não voltaria para a nossa casa... pare de dar esperança a essa criança!
N: Harry... entenda que é importante pra Quinn manter laços afetivos com algumas pessoas, isso aqui não passa de um centro de pesquisas...
H: Não fazemos mais parte disso! Não temos mais nenhuma obrigação aqui!
Foi quando Aiden o atacou, Harry começou a ficar sem ar como se alguém o estivesse sufocando pressionando a sua garganta. Sara e Nathan não sabiam o que fazer, apenas gritavam sem entender ao certo o porque de Harry estar se debatendo até cair no chão.
Aiden nunca tinha matado ninguém antes, mas naquele dia ele chegou muito perto. Quando Aiden soltou o Harry ele teve que ser amparado por uma equipe médica.
Provavelmente aquele foi o pretexto perfeito arrumado pelo Harry para nunca mais voltar para me ver. Eu me arrependo daquele dia, eu devia ter me despedido da Sara.
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