Entre duas almas
25 Adeus
[21 anos] Conforme eu tentava me aproximar da grande fenda do condensador, mais difícil ficava. Aquele lugar era como estar em uma constante tempestade de areia. O vento forte, causado pelo fluxo de entidades e confusão entre os dois mundos eram intensos, eu cobria os meus olhos e ia caminhando tentando me manter firme.
Além de entidades haviam muitas almas perdidas naquele lugar, era como caminhar em uma multidão. Conforme eu avançava podia ouvir muitos deles pedindo ajuda, chorando, não era fácil o clima ali era péssimo em todos os sentidos possíveis.
Mais adiante eu comecei a ouvir uma voz bastante familiar, e logo em seguida vi em minha frente a silhueta de um homem, me aproximei com dificuldade.
N: HELLEN!! LAURA!!! – Nathan gritava com toda a força enquanto tentava se manter imóvel, ele carregava uma pistola. Ele me viu mas não pareceu preocupado sobre isso
N: Eu disse pra elas que estaria aqui mas não consigo encontra las....
Q: Talvez seja por que elas não reconheçam mais você... – Ele me olhou com estranheza – Seu ódio mudou você... – Parei diante de Nathan
N: Eu sinto falta delas... Eu sinto muito a falta delas... – ele apontou aquela arma pra mim, ele sabia a minha razão de estar ali
Q: Me deixe passar Nathan! Se o condensador não for destruído vai ser o fim pra todos nós, cada mundo tem as suas regras, isso nunca vai dar certo...
N: EU NÃO POSSO!
Q: Então atira em mim, anda... – estendi os braços – Você não é mais o Nathan que me criou, pra falar a verdade eu não sei mais quem é você... – Ele me olhava fixamente, parecia pensativo.
Dei alguns passos com cuidado tentando contornar Nathan, que estava visivelmente abalado. Ele então foi abaixado a arma aos poucos com imensa tristeza no olhar.
Quando me virei de costas para procurar o maquinário que devia ser desligado, ouvi o disparo de um tiro, olhei rapidamente pra trás e o corpo de Nathan estava caído no chão. Ele tinha atirado em sua própria cabeça... Talvez ele tivesse tido um momento de lucidez e aquilo tudo foi muito para poder suportar...
Eu não sabia exatamente como me sentir diante daquela situação. Era curioso estar em um lugar “entre os dois mundos” como aquela passagem aberta, eu não demorei a vê lo, na verdade, sua alma... Ele correu ao encontro de sua família e eles se abraçaram com força, todos pareciam felizes.
N: Você é a minha garotinha... Você sabe o que fazer... – Foi o que ele disse antes de sumir junto com a sua esposa e filha. Aquele era o momento, aquilo tinha que ser terminado.
Me virei determinada a prosseguir o meu caminho, estava muito próxima a fenda e o meu cinto já não funcionada mais, era muita pressão pra suportar. Cada passo que eu dava em direção a aquele lugar era como ter parte de mim sendo sugada. Eu podia me ver em forma de criança, caminhando ao meu lado, "então é assim que termina?" eu pensava.
Algumas almas se penduravam em mim, tentavam me arrastar, elas eram muitas, Aiden já não dava mais conta de me ajudar e eu praticamente me arrastava para chegar até o painel de controle. Eu finalmente o alcancei, só mais um passo..... Abaixei a alavanca de segurança e foi instantâneo, acabou, acabou como eu sabia que ia acabar.
Sim, eu morri. Mas dessa vez eu não estava em lugar escuro ou qualquer outra coisa do tipo. A primeira coisa que eu vi depois da explosão foi a minha mãe, ela estava na sala de parto. Era como assistir a uma lembrança novamente.
“força Judy... Você vai conseguir” Os médicos diziam pra minha mãe, ela parecia exausta, não estava sendo um trabalho de parto fácil.
J: Minha garotinha... – Judy se emocionou ao ouvir o meu primeiro choro – Meu menininho....
M: O que é isso? O que esta acontecendo? – Um dos médicos parecia muito irritado com os demais
E: O gêmeo, ele morreu enforcado pelo cordão umbilical... Não pudemos fazer nada... – um enfermeiro explicava
J: Meu filho... Eu quero ver o meu filho! – Minha mãe pedia aos prantos, mas ninguém a atendia
A partir de então eu estava no escuro novamente, eu podia ouvir a batida de dois corações, dois corações que batiam bem próximos, mas eu não podia ver absolutamente nada..
Q: Aiden... Você é meu gêmeo... Meu irmão...
Era inacreditável, mas estava claro pra mim, e no momento em que eu me dei conta disso eu pude abrir os olhos. Estava em um campo muito verde e florido, eu me levantei confusa, parecia tudo muito real, os cheios, a brisa... eu estava no paraíso? Não sei dizer, mas era um lugar bom.
Diante de mim havia um homem alto, ele sorria conforme eu me aproximava, ele era a única pessoa naquele lugar, era o Aiden. Eu nunca tinha o visto daquela forma, digo, uma forma humana, pra mim ele sempre foi um borrão ou um silhueta azulada, mas la era diferente, ele era um homem, alto, loiro e... a Rachel tinha razão sobre o que me contou do seu sonho, ele se parecia muito comigo. Eu sorri de volta enquanto o olhava encantada.
Q: Aiden... – Parei diante dele – Nós não podíamos nos separar, não é? Você não podia partir sozinho naquele dia, nossas almas ficaram interligadas... – Ele apenas assentiu
Q: Eu amei você... Odiei você... Mas você sempre foi parte de mim...
A: Sua alma sempre esteve ligada a de alguém... E não era a minha... Eu só estava preso a você... – Ele pegou as minhas mãos
Q: Rachel? – Aiden assentiu – O que vai ser dela agora?
A: Você pode escolher... Pode ficar aqui comigo e deixar que ela sofra o ciclo natural da vida... Ou pode voltar e ter uma vida com ela, mas você voltará sozinha Quinn...
Q: Como assim? Eu não sei viver sem você... Eu não consigo...
A: A escolha é sua... – Aiden começou a desaparecer
Q: NÃO! Volta aqui! Aiden! – Eu tentei abraça lo, mas foi impossível, ele desapareceu. Eu tinha que tomar a minha decisão sozinha.
–
Eram duas opções. O outro lado , um outro mundo... Fazer parte do vento, das estrelas, do universo. Estar com o Aiden, com a minha mãe e tantos outros que eu sempre quis ter por perto pra sempre.
Ou a vida, os sentimentos, estar apaixonada, ficar com a Rachel em um mundo não tão perfeito assim... Eu tenho tantas coisas pra fazer ainda.
Era obvio, então eu me levantei e fui em direção a minha luz, e só olhei pra trás por um momento durante aquele caminho
Q: Adeus Aiden... Obrigada por tudo...
–
Quando eu voltei, demorei alguns segundos para re-assumir o meu corpo, eu estava ali deitada no chão e podia ouvir alguns paramédicos tentando acalmar a Rachel
R: POR QUE VOCÊS COBRIRAM ELA? – eles tentavam segura la afastada de mim
P: A senhora tem que se acalmar, não há nada que possa ser feito...
R: ME DEIXEM FICAR COM ELA!! ME SOLTA! – A Rachel se debatia – ELA SEMPRE VOLTA PRA MIM! SEMPRE!
P2: Senhora, nós já explicamos que a a senhorita Fabray está morta...
–
Eu abri os meus olhos, havia uma manta cobrindo o meu rosto, eu a retirei e me sentei ainda um pouco confusa. Um dos médicos caiu de jolhos ao me ver, e o outro não pode mais conter a Rachel que correu pros meus braços
P: Ela estava morta... Isso é... Ela não pode... – estavam todos perplexos
R: QUINN! Eu sabia que você ia voltar pra mim, você esta bem? – Rachel segurou o meu rosto, eu assenti, ela tinha os olhos cheios de lagrimas
R: Eu pensei que tinha te perdido dessa vez! Meu Deus! Nunca mais faça isso comigo você entendeu? Nunca mais me deixe! – A Rachel se agarrou em meu pescoço, eu retribui o abraço na mesma intensidade, era tão bom te la comigo, mas a solidão dentro de mim era gritante, e conflitava intensamente com a alegria de estar com a Rachel. Comecei a chorar descontroladamente.
R: Ei ! – Rachel voltou a me olhar antes de me dar um selinho rápido nos lábios – Esta tudo bem agora... Nós vamos pra casa... Esta tudo bem...
Q: Ele se foi Rachel... — ela passou a mão sobre o meu rosto para enxugar algumas lagrimas
R: Aiden? – eu assenti e voltei a abraça la com força
R: Calma meu amor... Eu tenho certeza que ele fez o melhor pra você... Ele sempre fez...
Q: Promete que não me abandona nunca? – Busquei os seus olhos, ela também chorava – Eu não quero ficar sozinha...
R: Nunca! – Rachel começou a beijar o meu rosto – Nunca! Nunca!
–
Os paramédicos tiveram que travar uma verdadeira batalha com a Rachel para poder me examinar, eles não entendiam como eu estava viva sem nenhum ferimento grave. A verdade é que Aiden tinha me dado a sua vida na terra pra estar com a Rachel e eu não pretendia desperdiça la.
No dia seguinte nós estávamos voando de volta para Nova York. Os país de Rachel estavam arrependidos e conversaram muito com ela na noite anterior. Nós definitivamente estávamos começando uma vida nova.
–
R: Você está bem? — Rachel se aconchegou em meu braço enquanto eu olhava pela janela do avião
Q: Sim.. — Eu dei um sorriso fraco
R: Olha pra mim... — ela segurou o meu queixo e me fez olhar pra ela — Eu sei que você está sofrendo, eu não quero que minta pra mim, nós vamos superar isso juntas...
Q: Você quer casar comigo?
R: O que? — Rachel sorriu
Q: Você foi a minha razão de voltar... A unica... E eu não estou interessada em nada que não seja ficar com você pra sempre...
R: Claro que eu quero casar com você... Mas nós estamos em um avião... — Ela sorriu enquanto acariciava o meu rosto
Q: Eu não me importo... Quero você agora... — segurei a sua nuca e a aproximei para um beijo. Não demorou para a Rachel levantar o apoio de braço que nos separava e se aproximar de mim pra intensificar o beijo. Eu estava com tanta saudades. Passei a mão pela sua coxa e fui apalpando até a sua cintura.
X: É... Senhoras... — uma aeromoça nos interrompeu, a Rachel respirou fundo e se afastou
X: Querem comer alguma coisa? Aceitam uma água?
R: Não obrigada... — Rachel segurou a minha mão
Q: Obrigada... — a aeromoça saiu
R: Ai não vejo a hora de ficar a sós com você... — Ela beijou a minha mão
Q: Eu também... — olhei por cima do banco para me certificar de que a aeromoça se mantinha ocupada e voltei a puxar a Rachel pra perto de mim.
Pela primeira vez em todos aqueles anos eu podia dizer que estava em paz.
Fale com o autor