Entre cruzes e espadas
4 Memórias
Notas iniciais
Siegfried estava deitado na relva, sentindo o vento passar por seus cabelos ele arrancava a grama entre seus dedos e sorria bobamente. Ele estava vários anos mais novo, não tinha as feições de batalha nem as cicatrizes que conseguira ao longo dos anos. Usava uma túnica real cor de vinho, os pés descalços dos sapatos da melhor qualidade. Sentou-se para olhar ao redor, ao leste estava a floresta de Alnor onde viviam cervos, coelhos, alguns esquilos e vários outros tipos de animais calmos, ele costumava caçar com seu amigo William StarShield. Ao oeste estava o seu lar, Vallisto era uma das três fortalezas de Trendor, lar dos cavaleiros e do clã Zuregard, dali ele avistava algumas pessoas colhendo e plantando, seus amigos brincando, todos sorrindo e felizes com a paz de Trendor. De repente tudo ficou embaçado, agora ele não estava mais em seu corpo, ele se via literalmente mais velho, com uma espada na mão direita e sendo puxado pelo braço esquerdo por Willian que estava dentro de um túnel secreto nas masmorras da fortaleza. Seu rosto estava choroso, muito triste, seu corpo ofegava de cansaço. A imagem ficou meio avermelhada e focou seu rosto que caía uma lágrima e uma voz ao longe sussurrou: “Sangue inocente será derramado… Os muros das três fortalezas… A trindade que caíra.”
Siegfried acordou num salto sua respiração estava pesada, suor se espalhava por todo seu rosto e por sua túnica que continha mais rasgos que antes. Olhou pros lados atordoado se perguntava como acabou lá. Estava deitado numa cama confortável, algo que não sentia a muitas luas, ao lado em cima de um banco estava um prato com algumas frutas e uma caneca. Com um pouco de esforço ele sentou, examinou o corpo e viu que ganhara algumas cicatrizes no corpo, olhou ao redor e viu que estava em uma espécie de quarto que continha algumas prateleiras com livros e pergaminhos e nada mais além de uma mesinha com tinteiro e pena e abaixo da mesinha um banco.
Ele pegou a caneca, tinha hidromel dentro, deu um bom gole, pegou uma pêra no prato e tentou se levantar, sem muito sucesso, seu corpo ainda estava atordoado. A porta de madeira atrás dele rangeu ele virou a cabeça um pouco e viu Arquimedes entrar no quarto.
– Finalmente você acordou. – Falou sorrindo.
– Obrigado por me curar Arquimedes, onde estamos? – Siegfried começou a comer a pêra como se fosse tivesse feito uma refeição a séculos, o que era um pouco verdade já que eles passaram quase dois dias sem se alimentar.
– Agradeça ao Yamidir. Estamos na casa dele.
– Oh sim, o mago, onde ele está? E o Willian?
–Estão bem, venha, vamos esclarecer tudo. – Arquimedes deu meia volta e saiu da vista do Sieg.
Siegfried acabara de comer a pêra, colocou as mão nas coxas e tomou um pouco de sua força pra levantar, esticou o corpo e conseguiu se equilibrar. Tomou o resto do hidromel, pegou uma maçã no prato e seguiu até a porta de madeira.
– Príncipe, vejo que já se recuperou, aproxime-se. – O mago Yamidir em companhia de Willian, já recuperado, e Arquimedes, estava sentado em frente a uma mesa. Os príncipes comiam algumas frutas e pedaços de carne como se não houvesse um amanhã. O mago estendeu a mão para um banco, Siegfried pegou-o e se juntou aos demais. Yamidir pegou um prato que já estava na mesa e colocou a frente do Sieg, havia um pedaço de carne, o príncipe entendeu e logo começou a comer com a maçã.
Assim que os príncipes saciaram sua fome o mago suspirou e ficou com um pesar no rosto. Sieg tomou a iniciativa e logo o agradeceu por tê-lo curado. O mago fez uma reverência com a cabeça.
– Sem vocês, não vamos nos livrar desses dias terríveis que estamos passando, vocês são nossa última esperança. Garanti que ninguém tenha nos seguido, teremos um bom tempo para discutirmos alguns assuntos antes que os guardas reais batam em minha porta, o castelo de Brimli não fica tão próximo daqui, então, vamos logo ao assunto. Como o Arquimedes já sabe, me chamo Yamidir, faço parte da ordem dos Magos, assim que soubemos que vocês três foram capturados fui designado para salvar vocês o mais rápido possível, eu estudei aquele castelo por bastante tempo reunindo informações e ganhando alguns contatos para caso um dia fosse necessário fazer algo, e pra meu pesar esse dia chegou, mas pulando tudo isso, — fez uma breve pausa – fui bem-sucedido no resgate de vocês depois dou mais detalhes sobre mim e quanto a você Arquimedes, preciso que se prepare para algumas aulas, claro, se der tempo. Mas antes, preciso que vocês me contem exatamente o que aconteceu desde que Astaroth conquistou as três fortalezas e vocês tiveram que fugir, é trágico eu pedir pra vocês lembrarem dos fatos, mas vocês têm que entender que toda a informação é útil para um mago.
Siegfried ficou cabisbaixo. “Eu deveria ter avisado ao meu pai, ele nunca foi de suspeitar das ideias de Astaroth.”
Vallisto, 5 anos antes
– Desçam a ponte! Abram o portão para o rei de Brimli! – Falou o sentinela que estava em cima do muro de Vallisto.
Astaroth estava em seu corcel negro, usava armadura completa (exceto o elmo) de prata e algumas jóias, em suas mãos vários anéis. O brasão de Brimli reluzia no dorso de sua armadura: uma serpente vermelha enrolada num escudo com uma espada encravada na horizontal do mesmo. O rei estava sendo escoltado por 4 guardas, todos com armaduras dessa vez completas feitas de um bronze avermelhado, com o brasão no mesmo lugar da armadura do rei.
Os cavalos trotavam num passo rápido ignorando qualquer morador da fortaleza, alguns deles até gritavam salvas para o rei. Ele era respeitado por alguns. Ao chegar ao castelo, todos os seus sentinelas desceram do cavalo assim que ele deu a ordem, e logo em seguida o rei desmontou do dele.
Dois dos sentinelas acompanharam-no para dentro do castelo. Sentado no trono estava Siegfried III, o pai do príncipe Siegfried, ele levantou e deu alguns passos à frente. Era um homem elegante, mesmo nos seus setenta anos parecia ter quarenta, vestia uma túnica azul parecida com um vestido de noiva, já que a cauda de sua túnica se arrastava no chão, tinha uma capa com um azul mais forte e em sua cabeça pousava uma coroa dourada com um rubi encravado bem a frente. Seu corpo ainda forte vindo das batalhas passadas e seu rosto mostrando toda a sabedoria de um verdadeiro rei.
– Astaroth, é um prazer tê-lo novamente em Vallisto. O que o traz aqui? – Siegfried III falou, mas não demonstrou tanta felicidade assim.
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