Entre as ruas de Londres...
1 Entre Hermione Granger e Ronald Weasley...
Notas iniciais
Nova York, 3:45 p.m, 2010.
-Tem certeza que deseja ir? Você pode encontrar outro hospital aqui em NY mesmo. Ganharia menos, mas continuaria aqui... -Murmurou minha mãe, chorosa. -Querida, morar sozinha não é tão fácil...
-Eu sei mamãe, mas quero tentar! Além disso, sou maior de idade e não quero ser um "peso morto" para vocês.
-Você nunca seria um peso morto pra nós, Mione! -Vi seu olhar ofendido. -Era só dividir a conta, não precisa se mudar.
-E quando eu começar a namorar, mãe? -Percebi meu pai ficar inquieto ao lado dela. Suspirei. -Mamãe, eu só vou pra Londres, prometo ligar todos os dias e venho visitá-los sempre que eu puder! -Sorri amorosa. -Eu só... Só quero ser livre. Um dia o passarinho tem que sair do seu ninho, não é? -Pisquei fazendo-a rir. -Adeus, mamãe. -Abracei-a e entrei no carro seguido de meu pai que conduziu o mesmo até o aeroporto. Despedi-me dele também e entrei no avião. Depois de horas sentada na frente de uma criança que não parava de chutar minha cadeira finalmente pousamos em Londres.
Encontrei Harry que estava acompanhado de uma loira chamada Luna. De acordo com ele, ela estava casada com tal de Neville Longbottom.
Harry era um amigo de infância de NY, como não era aceito pelos meninos do bairro onde ele e eu morávamos acabamos nos tornando amigos. Nós dois éramos zoados todos os dias. Os típicos "irritante-sabe-tudo" e "quatro olhos". O que fazíamos naquela situação era virar a cara e sair de perto, depois que tornei-me sua amiga nunca mais os enfrentei, algo que eu fazia antes de conhecê-lo e que só os faziam zoar-me mais.
Descobri que Luna era enfermeira do hospital onde ia trabalhar. Ótimo! Poderíamos se amigas!
Devem estar se perguntando por que diabos Harry se mudou para Londres. Bom, ele conheceu uma garota chamada Gina pelo computador e resolveram namorar virtualmente. Eu a via pelawebcamde vez em quando, ela era simpática e doce! Possuía cabelos lisos ruivos, e rosto magro e cheio de sardas no rosto, algo que eu achava lindo!
Harry era como um irmão para mim, por isso, morei por algumas semanas na casa dele enquanto eu não encontrava um apartamento que eu pudesse pagar. Só torcia para que ele não tivesse alergia a gatos!
Londres, 6:59 a.m, dias atuais.
Abri os olhos percebendo que o despertador tinha pifado. Ótimo, Hermione, mais uma coisa para comprar!
Mamãe tinha razão. Sustentar-se sozinha era difícil, porém eu não via problema, eu até gosto.
Pulei da cama feito um gato que acabar de ser molhado por um balde de água fria e troquei de roupa. "Não, Mione, esquece o banho, você toma quando chegar." Pensei internamento ao olhar para a porta do banheiro. Coloquei o jaleco branco nem percebendo que o mesmo estava do avesso. Coloquei o resto da ração que sobrou para Bichento e comi uma torrada pura correndo para fora do apartamento as pressas.
Necessito ir a um mercado, só macarrão instantâneo durante a noite não está me fazendo bem...
Ah, não daria nem para ouvir uma musiquinha do caminho para o hospital!
Ignorei meus pensamentos subindo em minha motocicleta preta -tive que juntar meses de economia para comprá-la -e partindo em alta velocidade para meu trabalho.
(...)
-Está atrasada. -Ralhou a diretora do hospital.
-Desculpe, Minerva, mas o despertador não tocou e...-
-Deixarei passar dessa vez, senhorita Granger, mas não pense que farei o tempo todo. Gosto de você, mas deve lembrar-se que um mínimo atraso pode custar a vida de um paciente. -McGonagall continuou com seu discurso que fazia para todos os médicos que chegavam atrasados. Eu não era um deles, mas ouvia.
Depois de sete horas de trabalho encostei-me na parede do hospital com um copinho de café na mão e suspirei. O dia fora mais cansativo que pensei.
-Hoje você levantou com o pé esquerdo. -Luna murmurou. Abri meus olhos, que estavam fechados, e a vi sorrir pra mim. Retribuí.
-Desculpe, mas por que levantei com o pé esquerdo? Só estou cansada. -Ouvi seu riso brincalhão.
A Lovegood me desencostou da parede fria, entregou meu minúsculo copo de café -cujo já tinha terminado de tomar -para algum médico que estava passando pelo corredor. Este fez uma careta engraçada e logo jogou-o no lixo. Suas mãos macias retiraram meu jaleco, ajeitando-o para que ficasse do lado certo e recolocou-o em mim. Revirei os olhos. Minerva poderia ter me avisado...
-Não é só isso! -Exclamou. -Você penteou seus cabelos apenas de um lado e, por Deus, Mione, há quantas semanas não toma um banho decente?! -Eu não via, mas sabia que meu rosto estava vermelho de tanta vergonha! Paguei tanto mico assim?
(...)
Tranquei a porta do cubículo que moro, jogando meu almoço e jantar de duas semanas na mesinha de centro. Deitei no sofá e Bichento aproveitou-se para subir em minha barriga. Sorri fazendo carinho em seu pelo macio amarelo.
Estava quase dormindo quando lembrei de algo. Oh Deus, a ração do bichento!
Saí do sofá quase esmagando o pobre coitado, retirei eu jaleco e recoloquei meu all star de cano médio, saindo de casa por fim.
Observei-me no espelho do elevador. Eu não estava tão mal... Um pulôver de listras beje e marrom, uma calça jeans azul-marinho cujo estava desbotando e o tênis. Meu cabelo não estava tão ruim assim também... Sempre os tive cacheados e cheios, todavia conforme eu crescia ele ficou mais baixo. Não sou tão dotada de curvas, entrementes gosto do meu corpo assim.
Corri pelas ruas de Londres, entrando em uma casa de animais mais próxima já que passavam das seis da tarde e eu teria que trabalhar amanhã.
-Uma ração para gatos, por favor. -Pedi ao balconista que me encarou com desprezo e retornou o olhar para um jogo qualquer que passava em seu celular.
-Pequena, média ou grande?
-Pequena. -Disse já entregando o dinheiro. Ele tirou-o de minha mão e colocou-o na caixa registradora sem ao menos agradecer. Suspirei caminhando pelos corredores e pegando a ração que custava o preço que paguei. Passei pelo balconista mais uma vez, o encarando pelo canto do olho que nem percebi que tinha esbarrado em alguém. -Ops, desculpe... -Balbuciei levantando-me.
-Muito obrigado, agora que vai catar toda essa ração? -Respondeu nervoso. Arregalei levemente os olhos. Nossa, será que todos viraram mal-educados e não me contaram? O homem se levantou na hora e eu soube quem era na hora que vi as sardas.
-Ronald?!
-É Rony. Te conheço? -Questionou fitando meus olhos. -Ah, lembrei! A irritante-sabe-tudo! -Disse com sarcasmo.
-Nossa, parece que você só cresceu exteriormente, porque por dentro continua o mesmo idiota ignorante! -Cruzei meus braços, fazendo um biquinho infantil com os lábios.
-Você e sua mania irritante de achar que está sempre certa. Ora, seus atos dizem o mesmo. Bebê chorão. -Sorriu sacana.
-Seu...-
-Hey, casalzinho, se querem brigar que briguem lá fora, aqui não! -Esbravejou o balconista. Revirei os olhos pegando a ração de bichento do chão e saindo do estabelecimento. Ronald me seguiu.
Assim que entrei no meu prédio e ele entrou junto, esbravejei:
-Qual é, Ronald! Pare de me seguir! -Virei em sua direção o encarando com cara de poucos amigos. Ele arqueou uma sobrancelha.
-Não estou te seguindo, eu moro aqui, vizinha! -Minha boca fez um "O" perfeito.
Ah não, o novo vizinho não pode ser ele!
Acho que já perceberam que o Weasley era um dos pivetes que me irritavam. Entretanto, o mesmo se mudou antes de Harry mudar-se para lá.
Suspirei entrando no elevador junto a ele. Isso não era um boa ideia, eu poderia matá-lo e jogar o corpo no lixo! Iria em cana feliz...
Já estava abrindo a porta quando sinto uma mão masculina encostar em meu ombro. Olhou para trás notando ser o ruivo.
-Hermione... -Suspirou. -Sei que não nos dávamos bem quando éramos pequenos, mas eu quero tentar ser seu amigo. Aceita? -Estendeu a mão em minha direção e sorrindo a apertei.
-Aceito.
As semanas se passaram e com o tempo fui me tornando mais amiga de Rony. Todo dia que eu tinha folga e ele também marcávamos de sair, era maravilhoso! Ronald trabalha na polícia e descobri que Gina era irmã dele. Como os pais dele eram divorciados -mas estão juntos novamente. É, complicado... -Rony morou um tempo com o pai.
Hoje estão todos na casa de Harry comemorando o aniversário do mesmo. Tudo estava bem, até Ronald chamar-me para um canto mais afastado.
-Mione, eu... -Senti ele tremer, já que ele segurava minhas mãos. -Mione, eu não quero ser mais seu amigo...
-O quê?! Por quê?! -Indaguei com os olhos arregalados.
-Hermione, depois de todo esse tempo que ficamos juntos novamente percebi que me apaixonei por você. Na verdade, acho que sempre fui... -Sorri com isso.
-Rony, e-eu... -Abri mais o meu sorriso abobalhado. -Eu também gosto de você. -Encarei o chão envergonhada. Senti ele me abraçar.
-Mione, namora comigo? -Perguntou corado quando saiu do abraço.
-Claro que sim, Ronald! -Exclamei o beijando. De início ele se assustou, mas tratou de me acompanhar.
Quem diria, não é? Sabia que Londres me traria sorte!
Um dia, meus filhos me perguntaram como eu conheci o pai deles. Sorri para eles e quando Rony passou os braços por cima dos meus ombros comecei a contar...
"Bom, tudo começou entre as ruas de Londres"...
Notas finais
O que acharam? Eu achei uma bosta!
Mas comentem, please! ♥
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