Entre as Árvores
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A cada segundo que passava, ficava mais dificil respirar, tentar sair do quarto não fora de fato uma boa ideia, porque agora eu estava presa no corredor em chamas.
Deitei-me no chão para tentar encontrar um pouco de oxigênio, mas isso só me fez tossir mais, meus pulmões pediam por ar, e se eu já não estivesse tão ferrada, eu teria rido e aplaudido de pé o maldito destino.
Porque eu corri com monstros o verão inteiro, fiz amizade com um metamorfo, sai no tapa com uma feiticeira, beijei um lobisomem algumas vezes e desafiei meu pai, que conhece inumeras formas de torturas, só para morrer em um maldito incêndio.
Meus olhos foram se fechando aos poucos, meu corpo se negava a fazer qualquer movimento e eu estava lentamente sufocando.
Eu estava morrendo.
....
Seis semanas antes.
O sinal da ultima aula do dia finalmente tocou, e eu gritei animada junto com o resto da classe pela chegada das férias de verão.
Tudo bem, eu não estava tão animada assim para essas férias, mas ver Ethan Brown sorrindo te deixa feliz, porque, afinal de contas, ele é alto, forte e terrivelmente bonito.
"Ethan tem sorte de que olhar não arranca pedaço, porque se não..." Anne comentou rindo.
Mostrei a lingua pra ela, porque mesmo que tenhamos 16 anos e isso seja um gesto terrivelmente infantil, Anne é minha melhor amiga e eu posso mostrar a lingua pra ela sempre que eu quiser.
"O que vai fazer nas férias?" Ela me perguntou ignorando meu gesto, porque, aparentemente, a loira era madura demais para isso.
"Eu não te contei da otima ideia que minha mãe teve?" Observei Ethan e seus amigos populares deixarem a sala e comecei a guardar meu material, éramos as unicas na sala agora.
"Não, o que a louca da sua mãe fez dessa vez?" Como eu disse antes, Anne é minha melhor amiga e ela é a unica pessoa além de mim que pode chamar minha mãe de louca.
"Ela resolveu que eu preciso passar mais tempo com meu pai, parece que ela começou a se preocupar agora com o fato de que eu não o vejo a uns dez anos." Resmunguei.
"Você vai passar algumas semanas com ele?"
"Não, o verão inteiro."
Levantei-me e joguei minha mochila nas costas, mas Anne continuava sentada, e agora me olhava mortificada.
"Oh não, Emma, sua mãe não pode te mandar pro outro lado do país pra ficar com um quase estranho, ele pode ser perigoso."
Um fato sobre Anne: ela é dramatica.
"Aparentemente, ela pode."
"Porque você não tá pirando?" Ela me olhou com aqueles grandes olhos azuis.
Suspirei.
"Sei lá, mamãe e eu estamos brigando tanto ultimamente, talvez isso ajude nossa relação." Comentei. "Eu odeio brigar com ela".
Anne fez muxoxo.
"Mas eu tinha tantos planos pra nós duas nesse verão."
"Vamos pra casa, Anne." A puxei pela mão e quando ela se levantou, a abracei.
"Onde seu pai mora mesmo?" Ela me perguntou quando saiamos da sala.
"Em uma cidadezinha perto da California chamada Woodblue, eu sei, ridiculo, eu pesquisei no google e a unica coisa que apareceu foi o site da escola de lá. Que deve ter só uns cem alunos porque a cidade é um ovo."
"Moramos em Nova Iorque, Emma, qualquer cidadezinha é um ovo pra nós." Anne deu uma risadinha.
"Quando você vai?"
"O voo é amanha de manhã."
Minha melhor amiga arregalou os olhos.
"Ah, droga. E você só avisa agora?" Anne resmungou enquanto me arrastava pelo estacionamento da escola até seu carro. "Vamos pra sua casa, eu vou dormir lá hoje porque precisamos fazer uma maratona de Gossip Girl antes de você ir."
....
Anne e eu acordamos antes da mamãe na manhã seguinte, eu a deixei escolher minha roupa (Um vestido azul bebê e uma sapatilha da mesma cor) e até a deixei arrumar meu cabelo (ela tentou varios penteados, mas acabou o prendendo em um coque, porque, segundo ela, meu cabelo era escuro e liso demais para ficar bonito. Isso é inveja, claro).
"Eu vou sentir sua falta." Ela falou quando nos sentamos no sofá da sala, esperando minha mãe conferir se todas as janelas da casa estavam fechadas.
"É só um verão, nos veremos logo." Sorri pra ela. "Eu aposto que Ethan vai sentir a minha falta." Brinquei.
"Otimismo é tudo. amiga." Anne rebateu.
"Você é tão má, como podemos ser amigas?" Estreitei os olhos pra ela, que só riu.
Finalmente mamãe desceu as escadas, ela ficou parada no sofá e sorriu pra mim.
"Eu vou sentir saudades. Mas você sabe que eu só estou te mandando pra lá porque..." ela começou.
"Porque você tinha uma otima relação com seu pai e quer que eu tenha isso também." A cortei. "Eu entendo, e não estou brava."
"Eu te amo." Ela falou, e de repente eu me peguei a olhando atentamente, porque ela parecia mais magra e mais palida que o normal.
"Tá tudo bem, mãe?" Perguntei.
Ela assentiu veemente.
"Vamos, se não perdemos o voo."
Minha mãe pegou a chave do carro na mesinha de centro e saiu de casa, Anne levantou-se e se dirigiu para a porta.
"Emma?" Ela me chamou porque eu continuava sentada.
"Anne, você pode me fazer um favor?"
"Claro"
Me virei no sofá para olha-la melhor.
"Enquanto eu estiver fora, vem visitar minha mãe as vezes, pra conferir se ela está bem."
Ela franziu a testa, mas assentiu.
"É claro que eu veio, mas tá tudo bem?".
Afirmei com a cabeça e levantei-me, peguei minha mochila, já que a mala já estava no carro e segui com Anne para fora de casa.
No momento em que tranquei a porta da frente e entrei no carro, comecei a sentir como se estivesse deixando algo importante passar.
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