Entre anjos e demonios
1 Prólogo
Notas iniciais
Se eu conseguir 5 favoritos ou comentarios eu continuo.
Já anoiteceu. A lua ilumina a rua com sua luz prata, banhando tudo em seu caminho.
Uma sensação de calma me invade.
A noite sempre foi melhor que dia para mim. Ou pelo menos, para fazer o meu trabalho. As sombras encobrem meus rastros, me escondem de espectadores curiosos.
É mais fácil matar a noite. Não gosto do que faço, mas me conformei, ou pelo menos tentei, dizendo a mim mesma que só faço isso para proteger minha mãe.
Protegê-la DELE.
Não sei quem é. Só que manda Muryiel até mim, para me treinar, me melhorar, me transformar em uma máquina de matar. E é isso que eu sou.
Principalmente agora, correndo por telhados, perseguindo a anjinha.
É só uma criança. Meu coração aperta. Como posso fazer isso? Tão logo porém quanto aparece, minha hesitação some.
Pela minha mãe. Para mantê-la viva.
Desço rapidamente, parando atrás da garota.
- Hei! — chamo-a. Minha voz alegre e decontraida, mesmo que, por dentro não seja assim
- Menina!
Em toda a sua doce inocência, a menina vira. Seus longos cabelos castanho avermelhados presos frouxamente em fofas marias chiquinhas. Ela não passa da minha cintura. Seu sorriso é alegre.
- Eu... — engulo seco — Eu... Eu estou perdida você poderia me ajudar?
- Claro — ela vem até mim e pega minha mão — Pra onde você vai?
- Para a rua Northon 5.
- Vem aqui é bem perto — animadamente ela me guia pelos estreitos becos — Sou Maria. E você?
- Kizy Mguare
- Nome legal.
Sorriu, tensa. Eu não consigo fazer isso.
A faca está na minha outra mão, posso facilmente, com um único movimento, matar a anjinha na minha frente. Meu coração dispara, minha mão sua. Não sei o que fazer.
Poucos minutos depois já estamos na frente de casa.
- Pronto Kizy — diz animadamente — Kizy, Kizy, Kizy.
Uma gota de suor escorre pela minha testa.
- Maria — agarro seus ombro fortemente — Fuja. Vá embora, para longe. Muito longe. Outra cidade ou país. Entendeu? — sacudo-a — Prometa-me! Prometa que vai embora para longe.
- E-eu prometo — ela não parece entender.
- Voe anjinha, voe — jogo minha faca longe e vejo a compreenção se espalhar por seu rostinho aos poucos.
E ela se vai.
Eu fico.
Ela voa.
Eu ando.
Ela vai para um lugar feliz.
Eu vou receber minha punição.
*****
Voando a noite, pelos céus, cruzando a cidade, rapida e desesperadamente. Eles sabem. Sabem que chegamos. Que estamos aqui.
Me abraço e deixo lágrimas escorrerem livremente por meu rosto.
Meu irmão. Preciso avisar meu irmão.
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