Entre a chuva e o branco.

1 Capítulo 1: Piloto.


Notas iniciais
Esse capítulo foi denominado piloto pois quero que me deem sugestões nos comentários e também porque se esse capítulo não for lido a fic poderá não continuar. Conto com seu comentário dizendo o que achou da história.

Já notaram como o céu nublado é lindo? Muitos amam quando não há nenhuma nuvem no céu e dá para ver o calmo e amigo azul por todo o lado. Eu discordo, penso que o branco que tonaliza o céu é tão lindo e puro como uma página em branco pronta para ser preenchida.

Me desculpem o breve pensamento porém não dá para evitá-lo num dia em que está chovendo e estou na minha vespa indo em direção ao depósito onde passo o tempo livre, com tempo livre quero dizer um tempo sem ser visto por ninguém isolado com montes e mais montes de sucata.

Meu nome é Christopher, tenho 16 anos e sou um aluno medíocre em uma escola pública em Lyon, uma cidade na França. Vivo com minha mãe e meu pai que são carinhosos e ás vezes, como todos os pais, super protetores. Nada contra eles mas sou forçado a esconder toda minha bebida no meu depósito, o que deixa ela muitas vezes com um gosto horrível, a única que não fica assim é o vinho, deixo ele no escuro perto dos baús onde guardo peças para ele ficar mais saboroso.

Bom ainda não expliquei o que deve ter deixado vocês com dúvida, sempre quando posso aos fins de semana digo a meus pais que vou acampar quando na verdade fico dormindo em um depósito velho que achei nos arredores da cidade, ninguém nunca o visitou e por isso ele me serve bem de abrigo para minhas invenções, a maioria tralhas sem valor monetário como meu cadeado triplo, um cadeado comum conectado com um quebra cabeça de três fazes.

Não vou para lá sem nada, levo sempre uma espingarda carregada para o caso de um invasor querer me assaltar. No momento em que eu estou escrevendo isso eu estou deitado no segundo andar do depósito entre um monte de brinquedos velhos do antigo dono e a escada que leva ao andar de baixo coberto por uma confortável manta com minha espingarda apoiada na parede. Decidi começar esses relatos para poder passar para algum filho ou neto e deixar pra ele a tarefa de dizer se minha vida foi um saco ou não.

***

Na última noite um visitante quase foi baleado, eu estava construindo um projeto que gosto de chamar de ícaro. Um par de asas que irá superar a invenção de Da Vinci porém esse é um assunto pra outra hora. Eu vi um vulto entrar no depósito e cair no chão a alguns metros de mim, quando olhei pro lado vi uma menina maltrapilha usando um vestido que deveria ser azul turquesa mas com o tempo foi ficando desbotado e uma capa negra cobrindo seus cabelos que deveriam ser belos porém com a ajuda do tempo chuvoso e alguns dias sem banhos que poderiam ser notados pelo cheiro estavam emaranhados. Nesse momento eu logo apontei minha espingarda para ela e disse:

-Não sei quem é e não ligo... só me diga que não está carregando uma faca por favor.

-Me chamo Lorena e por favor abaixe isso!-Ela dizia colocando os braços afrente do rosto suplicante, quase que uma prova de que não estava armada.-Pode me revistar não vai achar nada, só quero um lugar para passar a noite.

Levando em consideração que eram 22:00 e estava mais frio do que de costume deixei ela dormir ali, porém tranquei o andar de cima com meu cadeado e apenas deixei a menina dormindo num canto mais quente do depósito.

Espero que ela não tente nenhum roubo, odiaria abrir um buraco naquele rosto tão bonito... ela me lembra um anjo. Um anjo sem teto mas um anjo mesmo assim.