Entre a chuva e o branco.

2 Capítulo 2: a decisão.


Depois de ter recebido uma moradora de rua no galpão que fico nos fins de semana eu acordei normalmente, me levantei e me vesti decentemente indo até lá embaixo, notei que não tinha me coberto noite passada e que acordara com um cobertor de lá do andar de baixo em mim. Fora isso um pão quente estava me esperando na mesa em que a menina que dissera se chamar Lorena estava. Ela olhava sorrindo pra mim.

A porta também estava trancada mas agora não estava mais.

Olhando para a menina que comia um pão e tomava café eu então perguntei:
–Olha não tinha comida aqui então eu tenho que perguntar. O que fez pra arranjar?-Eu dizia olhando pra ela com uma sobrancelha erguida.-E foi você que arrombou meu quarto?

A menina me olhou e respondeu:
–Eu roubei pães e café na padaria e preparei seu café pra agradecer por ter me deixado ficar aqui, e eu arrombei sim seu quarto mas fique tranquilo, foi porque você tinha se esquecido de trazer cobertas pra cima. E nessa época acho que poderia passar mal.

–Ahn...-A olhava surpreso. Nem minha mãe se preocupava assim comigo, acho que ninguém se preocuparia com esses detalhes quando está no galpão de alguém que conheceu ontem.-Muito obrigado... bem temos que conversar.

–Sobre o quê?-A menina dizia curiosa terminando seu café.

–Bem precisa me contar sua história. É bem difícil encontrar moradores de rua em Lyon que não sejam punks ou que não tenham um cachorro.-Essa frase é verdade, eu como morador daqui estou acostumado a ver moradores de rua punks felizes com seus cachorros e amigos. Uma lei na França ajuda donos de cães com algum dinheiro e esse dinheiro é bem aproveitado por esses homens, os cães parecem felizes ao lado deles então ninguém arranja problema.

–É complicado... venho de Paris.-Dizia a menina.

Logo eu engulo um gole inteiro de café e acidentalmente queimo minha garganta.

–Paris!?-Eu dizia surpreso.-Mas porque largou de morar lá parar ficar sem casa?

–As vezes não ter casa é melhor que conviver com pessoas que você odeia...-Ela dizia um pouco triste.-Tive que deixar todo o luxo porque... é complicado.

–Tudo bem não precisa me dizer.-Eu disse compreensivo.-Amanhã tenho de voltar pra casa, e agora acho que você não é perigosa, se precisar ficar por um tempo pode ficar o quanto quiser.

Ela me olhou perplexa.

–Isso é sério?-A menina dizia surpresa.-Mas... mas nem me conhece.

–Se quisesse me matar ou fazer algo comigo faria enquanto eu dormia mas não fez. Pode ficar aí e eu vou pra minha casa, se quiser te vejo durante a semana antes de vir dormir aqui de novo, só vou poder ficar mais uma noite mesmo.

Ele então corria e me abraçava.

–O-obrigada! Meu Deus obrigada. Vou poder ficar aqui até ter dinheiro o suficiente pra mudar de vida.-A menina dizia começando a chorar de felicidade.

Isso deu a mim um sorriso, ela poderia ser feliz e fugir do que poderia fugir em paz sem nada para a atrapalhar.

–Bem mudando de assunto, mais tarde quer passar em um lugar que acho que irá gostar?-Dizia Christopher sorrindo.-Se chama le petit rosé cafe.

–Claro, infelizmente não posso pagar.-Dizia a menina.

–Fique tranquila é por minha conta.

***
Depois de comermos fomos ao café, uma atração e tanto da cidade de Lyon, se trata de um café inteiramente rosa. Das paredes e cortinas até pratos e talheres, vários tons de rosa distintos. Não preciso dizer que Lorena ficou maravilhada.

Infelizmente nada que é bom dura. Na rua vi um homem suspeito em frente a um ponto de ônibus. Ele segurava uma foto e olhava para todos os lados, a foto era a de Lorena, eu logo a vi tomando seu chá numa xícara rosa sorrindo e fiquei preocupado. O homem estava vindo pra cá e iria provavelmente procurar por ela aqui, decidi então tomar a melhor tática.

–Lorena... tem um homem com uma foto sua procurando e ele vem pra cá... vá para o banheiro agora.-Eu disse apressado.

Ela logo viu o homem.

–Ó não é Pierre o criado da minha casa!-Ela dizia assustada-não há tempo!

O homem realmente tinha cara de ser um criado, olhos azuis escuros analíticos e sobrancelhas finas, expressava as rugas sutis e estava com um terno por baixo de seu sobretudo preto, era alto e magro.

Quando ele entrou pela porta olhando pra todos os cantos ela me beijou. Lorena me deu um beijo com tamanha vontade que não me segurei e a continuei beijando, mesmo depois de alguns minutos ainda estávamos naquilo muito vermelhos. Quando nos afastamos nos olhamos calados por um momento, depois de alguns minutos vi o sorriso dela. Por sorte minha cabeça estava na frente do rosto dela e o homem não conseguiu a ver. Por sorte eu beijei a garota mais linda que já encontrei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.