Não, isso não é o fim – Aquelas palavras soavam como uma forma de motivação àqueles homens, cujas espadas estavam em mãos e a lâmina banhada em sangue inimigo. Em seus olhos, mostrava-se medo, mas seus ideais eram maiores que seu medo. Na posição em que estavam, entre aqueles quatro homens de rosto vermelho de sangue inimigo e espadas em punho, encontrava-se pelo menos sete samurais. Com suas armaduras cheias de ornamentos e, em cada mão, uma bela espada limpa, sem nenhuma gota de sangue. Mas elas mostravam a imponência de seus donos, homens que sorriam em frente a aqueles pobres coitados que simplesmente mataram um homem muito importante naquela casa, porém, não conseguiram fugir antes dos samurais aparecerem.

Todos pensavam do mesmo modo, como se fossem um corpo só. O medo da morte ecoava em cada coração daquelesroninsno qual venderam sua alma por um mero poder financeiro que poderia ser adquirido. Mas o êxtase daquela situação mostrava mais a insanidade beirando a psicopatia dos homens que um dia defenderam aos homens do Governo e que, hoje, derramaram mais uma bela quantia de sangue por excitação a morte.

Naquele momento não havia pericia de espada, nem coragem, nem técnicas, mas apenas um momento de engolir seus medos e com suas espadas entregar a alma daqueles que se opuseram a sua fuga ao primeiro ser que a desejassem. Um deles, o mais novo, trajava roupas azuis e beges, que por motivos de desespero, encontrava-se sem as mangas, mostrando seus braços cheios de cortes e uma bela tatuagem escritashino qual botava medo em muitos que a viam.Shiera morte em japonês, por isso, todos a temem menos esse garoto. Ele sorria ao mais velho — um senhor de cabelos brancos compridos, com um olhar sanguinário e uma barba branca respingada de sangue; trajava uma veste simples e negra com os mesmos respingos da barba.

Oassassino era muito bom em estratégias. Ele era o senhor de cabelo branco.Ele viu uma abertura para atacar no abdome então puxou umashikome-zuede suas costas,decapitando-o.Shikome-zueé uma espada sem nenhuma guarda. O medo dos quatro homens transformava-se em coragem.Mai umsamurai caiu e os outros puseram-se em postura defensiva, mostrando que o medo deles era apenas nada frente a alma cheia de medo dos samurais daquela casa. O garoto lançou a bainha de sua espada em encontrode um samurai no qualdefendeu-se. Mas fora morto pela espada do garoto quetrespassara seu crânio, adentrando pela boca.Com a mesma sagacidade do garoto, um segundo samurai feriu o seu braço da espada. O samurai defensor da casa que atacou o garoto também encontraria o abraço da morte, pois ele estava com a espada em sua cabeça. Naquele mesmo instante,outro samuraitrespassara a barriga do garoto com sua espada, fazendo-ofalecer. A batalha ficou em silêncio. Com o desfecho dessa pequena parte, restava ainda 5 samurais leais ao monarquista e 3 samurais desleixados que, em meio a uma carnificina desleal, foram pegos de surpresa pelos samurais leais ao Excelentíssimo Patriarca da casa invadida.

O samurai com o peito desnudo olhou com deboche a um dos samurais que, com uma das mãos, tirou a mascarana qualprotegia seu rostopara mostrar mais imponência ainda com seu rosto cheio de cicatrizes, incluindo um corte em sua face na parte inferior esquerda. O samuri sorria enquandodeixava a máscara cair paradistraí-los com a queda. Mas como eles não são incultos e nem novatos em lutas, percebem logo a intenção do espadachim. O medo novamente tomou em rédea o coração daqueles desleixados, fazendo o Senhor de barba branca e o samurai calvo mudarem de postura com suas espadas. O Homem de cabelos brancos mostrou-se mais terrível, com duas espadas em mãos, enquanto o calvo colocou-se em postura de total ataque com a ponta de sua espada na altura do nariz de um dos samurais.

O homem que tirara a máscara de repentefoi ao encontro daqueles vadios, em um ímpeto de fúria, tentou adentrar omaaido inimigo tatuado com sua espada de grande comprimento. Mas ele atacou a espada do samurai, deixandouma brecha para sua mão acertar, em cheio, o rosto daquele defensor. Quando o ataque de ambos ia começar, ouviu-se um horrível choro de criança e uma gritaria de uma mulher.Eram osfamiliares do falecido homem do governo.A mulher colocou-se ajoelhada, olhando o peito de seu esposo, em prantos. Enquanto o garoto, que não aparentava ter mais de 6 anos, olhava para os invasores com os olhos injetados de ódio daquelas vidas que tiraram o caminhar de seu pai naquele mundo.

Culpar quem sobre essa morte, eles, os samurais, o Japão, as Guerras... Se forem culpar alguém, culpem o maldito senso de justiça que, na época em questão, era à base da espada e sangue.O garoto tirou das mãos de seu pai a espada dele e tentou ir ao encontro daquela luta. Um dos defensores da família agride o garoto com um chute quando estava perto da cena brutal. Os invasores olharam com uma raiva, pois, mesmo sendo uma criança, um homem de honra como um samurainão chuta uma pessoacomo se fosse uma pedra. O senhor de cabelos brancos arremessou sua espada sobre aquele samurai, não teve como se defender. Uma vez que ele virou-se para agredir o garoto, como uma ave que mergulha em busca de um peixe, foi assim que a espadaperfurou o corpo do samurai. Logo eles descobriram que as armaduras eram apenas adornos, sem nenhum reforço, uma vez que a espada entrou profundamente no corpo do samurai.Ele cambaleou e cuspiu sangue até cair no chão.

O garotoolhava aquela cena sem entender o dela, apenas se levantou e ficou na retaguarda com um olhar digno de um samurai. O senhor de cabelos brancos sorriu quando viu que a vantagem dos samurais era de apenas um. Ouve-se um apito junto com milhares de passos. Os invasores não pensaram duas vezes e atacaram friamente os samurais, com um misto de golpes com as espadas e as bainhas, eles acabaram matando-os facilmente.O homem calvo acertou um no pescoço e, com a outra mão, puxou a espada que estava no moribundo, acertandoum segundo samuraiem sua carne na base do rosto.O invasor tatuado cortou os braços do samurai a sua frente que era o mesmo que fora atingido por uma espada pelo dohomem calvo. O samurai atingido pediu, commedo,por misericórdia,mas teve seu fim em um golpe que lhe tirara a vida sem fraquejar.Sobrou um único samurai noqual olhava o samurai calvo com medo, pois, suas roupas mostravam além de tudo sua pericia com a espada, todo o sangue que havia em suas vestimentas eram de inimigos, não deles. O único samurai vivo puxou uma segunda espada e olhou fixamente os 3 homens como quem quisesse proteger o menino e sua mãe. Assim, aquele homem fora poupado de sua morte naquele instante, mas não futuramente. Enquanto o senhor tatuado recolhia as espadas de seus inimigos, os outros dois ficaram a frente.Um papelfora lançado sobre o único samurai vivo e osdesleixados correram em direção ao portão da casa, fugindo da mais intensa luta de suas vidas. Da luta que os levavam ao limite entre a sanidade e a vida, sobrou apenas o sangue em suas roupas e o suor em seus rostos, além da tristeza de deixar seus companheiros mortos no caminho e seguirem com seus ideais a porta principal daquele magnifico lugar. O samurai abriu o papel que dizia:

“Em nome de um mundo melhor, este homem foi entregue a morte. Por seu amor ao poder, entregamos a sentença dos deuses e, em nome da nova era que chega, matamos mais um homem que resistia ao tempo”.

O samurai poderia ter atacado os homens pelas costas, mas isso ia contra seus valores como homem, por isso,embainhou sua límpida espada e foi ao encontro do corpo de seu mestre.Olhouo rosto da esposa dele que batia no peito do morto, levantando respingos de sangue nos quais inundavam a cena em um tom de morte. O samurai olhou no rosto daquela senhora e em respeito tirou seu elmo, mostrando uma coisa que ninguém sabia. Seu defensor era cego dos dois olhos,nem mesmo seu inimigo havia visto isso.Com ódio em seu coração ele começou a gritar, mas é silenciado pelo abraço do garoto que diz em tom de voz triste.
- Meu pai morreu hoje, mas estou vivo. Será que isso importa com isso... A partir de hoje treinarei com a fúria daqueles homens e matarei um por um, pelo nome de meu pai.

Notas finais
Bom, essa história deve ter cerca de 4 anos, gosto dela, pois usa todos os temas que mais amo, entre eles a história do caos do Shogunato. Espero que gostem e obrigado por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!