Entre a Vida e o Além
1 Passado, presente e Futuro
Meu nome é Sayaka... Sayaka Sayo Hounin. Sayaka significa clara e brilhante, e Sayo significa nascida á noite. Ás poucas pessoas que eu amo ou amei me chamavam apenas de Sayaka.
Você talvez deva se perguntar sobre meu nome.
Minha pele é clara como papel, meu olhos, de um tom tão claro que pode aparentar cegueira, meus finos fios dourados de cabelos louros e curtos. Eu poderia ser peça de destaque mas, não sou. Sou o que chamam de Aberração. Como sou muito branca, o nome Sayaka me define como clara e brilhante. Minha avó, já falecida, dizia-me que eu tinha nascido ás exatas meia-noite. Por isso o nome Sayo.
A minha mãe morreu quando eu nasci, só deu o tempo de me dar um nome. Sayaka Sayo, um nome japonês. Minha mãe adorava o Japão e meu pai era japonês. Era...
Após a morte da minha mãe, meu pai se viciou nas bebidas, a minha avó cuidou de mim. Mas o meu pai estava cada vez pior, ele se tornava agressivo, chegava tarde da noite e a bebida tomou conta da vida dele. E certa vez ele disse que era tudo minha culpa. Foi aí que Kaile agiu. De alguma forma ela conseguia se conectar com a Terra. Em beira as minhas lágrimas, Kaile consegui de alguma forma matar meu pai durante a noite. Eu não sabia que tinha sido ela, mas me lembro do desespero da minha avó de manhã, dos médicos confusos e dos meus sonhos com Kaile, com uma forma pouco nítida, mas com o contorno de uma garota aproximadamente da minha idade.
Minha avó morreu de causas normais, mas eu ainda assim sentia ódio de Kaile, pelo menos até os 13 anos. Como sempre fui muito isolada, e com uma aparência fora dos padrões da sociedade, muitas crianças gozavam da minha cara. E tinha um menino que era o pior, não me lembro do nome dele, tenho uma memória ruim pra certas coisas. Mas eu lembro que certa vez ele me atormentou tanto, que pedi mentalmente que ele fosse assombrado, não morto. Pois além de falar com Kaile, eu via a morte... Uma criatura sombria, de capuz negro, que deixava sombras e terror por onde rastejasse. Mas, enfim, durante a aula coisas estranhas começaram a acontecer com ele, o estojo caia direto as folhas de papel se desprendiam do caderno e voavam soltas na sala, no lanche, o suco e o sanduíche dele caíram e no final da aula a mochila saiu de suas costas, levitou durante um momento e foi arremessada na cabeça dele, disse obrigado a Kaile em uma voz tão baixa, quase inexistente.
Desde aquele dia, comecei a me entrosar melhor com Kaile, trancafiava-me em um quarto e conversava com ela. Ela me prometia coisas e sempre as cumpria, ela era uma mãe, uma amiga, um anjo enviado á mim.
O problema foi que quando eu me tornei amiga dela, os monstros me atacavam, eram criaturas sombrias escuras que se mexiam durante á noite. No começo pensei ser pesadelos, coisas da minha cabeça, alucinações... Mas percebi ser algo sólido, e Kaile também percebeu. Nós duas sentíamos medo. Mas os enfrentamos, e eles desapareceram. Pelo menos foi o que achei.
Agora estou voltando á uma escola, pois minha governanta acha que vai ser o melhor pra mim, ela, minha psicóloga...
O problema não é a escola, o problema são as pessoas, que eu e Kaile ás vezes pensamos...
Serem os monstros...
E achamos que o nosso futuro, não existirá...
Continua...
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