Entre a Vida e a Morte

1 Jogando UNO! na UTI.


“Sua vez.”

“Mmm-hmm” Uma carta flutuou de uma mão calejada para a pilha colorida no meio dos dois seres.

“É a terceira vez esse mês- sua vez – que nós fazemos isso.” O ser encapuzado falou vagarosamente, sua voz vazia e ecoante na pequena sala branca.

“Eu não tenho culpa...” Mais uma carta flutuou para o meio da bagunçada pilha de cartas.

“Culpa de quê?” O ser perguntou enquanto jogava sem cuidados outra uma carta adicional na pilha.

“De você chegar cedo.” A voz trêmula e cansada do outro ser falou. Ele levantou uma carta aos seus olhos e a colocou na pilha.

“Você é irritantemente breve no que você diz. Não condiz com o que representa.” Mais uma carta jogada.

Um contínuo beep-beep fazia barulho ao fundo, ignorado pelos seres. E o movimento rítmico da pilha de cartas em cima do abdômen de uma pessoa não parecia algo fora do normal.

“Você não pode falar isso de mim.” A carta levantou voo da mão do senhor.

“E por que não?” Dentre os dedos médio e indicador daquela mão esquelética a carta desapareceu e reapareceu na pilha, em uma pequena explosão de fumaça.

“Porque você é muito demorada para a Morte.” Mais uma carta na pilha.

“Oito segundos de queda livre não é considerado demorado? E Uno” Mais uma carta quase fora da pilha.

O velho sorriu. “Talvez.” E de forma jovial concluiu. “Mas ela vive. Lhe bloqueio, Uno, minha vez novamente, e mais quatro nessa sua fuça esquelética.” Uma risada escandalosa encheu a pequena e branca sala de hospital. O aparente idoso ser se levantou e comemorou dançando.

“Deus.” Mas Deus a ignorou.

“Deus.” A Morte falou mais firmemente, sua voz ecoando de forma assustadora, afogando as vívidas risadas do velho.

“Ainda estamos no hospital. Deixe para comemorar no Céu.”

O velho lhe mostrou a língua. “Você só está com ciúmes porque eu ganhei!”

“Se você ai agir como uma criança então ao menos assuma a aparência de uma!”

O velho a ignorou de novo, e continuou a dançar pela sala.

“CHEGA!” A voz ribombou pela sala, e a Morte agarrou Deus pelo braço, fazendo tudo sumir em uma nova explosão de fumaça.

Notas finais
Eu já disse: "Que história legal, vamos cagar o final!"

Me digam o que acharam, não sejam fantasmas.

E agora, com a sua licença, eu vou tentar mais uma vez ir dormir.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!